Radicalismo de esquerda ou centrismo de empobrecimento ?!

           Falta de vergonha  (-por Daniel Oliveira, Arrastão)

   A Nova Democracia, partido que enganou a Europa com a sua contabilidade criativa e que depois ajudou a destruir a economia grega com a sua austeridade, acusa o Syriza, dois dias depois das eleições, de lançar da Grécia no caos. Há gente que não tem mesmo vergonha na cara. Ainda nem governo conseguiram formar e já são os culpados do que esta gente andou a fazer na última década.

 

        Propostas radicalmente radicais de um partido extrememamente extremista e radicalmente radical, o Syriza , coligação de esquerda grega (-por Sérgio Lavos)

"1) Imediato cancelamento de todas as medidas vigentes de empobrecimento, como cortes nas pensões e salários;

 2) Cancelamento de todas as medidas vigentes que vão contra os direitos fundamentais dos trabalhadores, como a abolição dos contractos colectivos de trabalho;

 3) Abolição imediata da lei garantindo imunidade aos deputados e reforma da lei eleitoral (principalmente a questão dos 50 deputados bónus para o partido vencedor);

 4) Investigação aos bancos gregos e imediata publicação da auditoria feita ao sector bancário pela BlackRock;

 5) Uma comissão de auditoria internacional para investigaras causas do défice público da Grécia, com uma moratória em todo o serviço de dívida até serem publicados os resultados da auditoria."

     Os media andam histéricos com o radicalismo do partido que ia ganhando as eleições na Grécia. Esquecem-se de que o partido de direita que ganhou as eleições desistiu de formar Governo ao fim de poucas horas. E claro, defende as medidas de austeridade que levaram à destruição do país. Com propostas destas, quem é verdadeiramente responsável nesta situação? A direita "responsável" que levou a Grécia ao fundo ou a esquerda "radical" que a quer salvar?     (Via 5 Dias, traduzido por Nuno Moniz.- por Sérgio Lavos, Arrastão)

 

   Duas revolucionárias mudanças de paradigma trazidas pelos resultados eleitorais em França (-por Sérgio Lavos)

      Mário Soares apela ao PS para rasgar o acordo da troika. 
    A direita hayekiana chega à conclusão de que o pagamento integral da dívida pública é anti-liberal e o discurso moralista da direita contra esta dívida um dia irá virar-se contra ela. E de passagem até elogia Sócrates e a sua célebre frase do exílio parisiense: "A dívida não é para se pagar, é para se ir gerindo"*.
      Não tarda nada, iremos ver Passos Coelho a pedir políticas de crescimento à Europa. Não, esperai, já o fez, por interposta pessoa. E ainda há quem diga que Hollande não traria nada de novo ao panorama europeu... 
    *Terei generalizado sobre o Insurgente, como nota André Azevedo Alves. Elogio o pluralismo de um blogue onde tanta gente escreve e concedo que pode haver razões liberais contra os resgates financeiros.


Publicado por Xa2 às 13:15 de 09.05.12 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Alternativa aoServilismo 'consenso' medo a 11 de Maio de 2012 às 14:37
Na vanguarda do servilismo
(-por Daniel Oliveira, Expresso online)

A tese que vingou em Portugal sobre a forma de sairmos desta crise não foi a de que temos de organizar as nossas contas públicas.
Não foi a de que devemos reduzir os custos de trabalho ou de contexto.
Não foi a de que temos de crescer economicamente. Não foi a de que devemos renegociar a dívida.
Não foi a de que devemos sair do euro.
Não foi nem a tese neoliberal nem a tese keynesiana.
Não foi a tese da austeridade nem a tese do investimento público.

Foi aquela que não exige nenhum debate, nenhum esforço intelectual, nenhum confronto político: devemos fazer o que nos mandam fazer e estar caladinhos a ver se se esquecem de nós.
Foi a tese do criado.
"Não lhe pago para pensar", como dizem os patrões demasiado burros para suportarem as ideias dos outros.

Portugal ratificou o Tratado Orçamental. Aquele que, para além de definir vitaliciamente, sem ter em conta as variações do contexto económico e as necessidades de cada economia, os limites para o défice e para dívida, ainda decide como lá chegar, tornando o processo democrático e o parlamento em absolutas inutilidades.
A pressa de parecer bem comportado foi tanta que fomos os primeiros fazê-lo. Os únicos a fazê-lo.

Com a vitória de François Hollande muita coisa mudou na Europa.
E o parlamento alemão adiou a aprovação do tratado. Ou seja, com a pressa de não ficarmos sozinhos, ficámos sozinho.
São estas as tristes figuras que faz o capacho:
no seu vanguardismo servil acaba por correr os riscos que queria evitar.

Entretanto, diz que Seguro e Passos andam zangados por causa de qualquer coisa. Cavaco Silva deixou um aviso:
"Este é um tempo que requer muito bom senso e muita serenidade.
Porque, diz o Presidente, os nossos dois principais ativos são o "consenso político" e o "consenso social".

Consensos que, a existir, não resultam de qualquer desígnio nacional ou rumo para sair desta crise.
Resultam apenas do medo.
Ou seja, a nossa vantagem para sair da crise será a nossa anemia democrática.

Francisco Van Zeller juntou a sua voz ao presidente e disse que "não podemos deixar o PSD separar-se do PS" (seria grave que os portugueses achassem que há alternativas) porque "se isso transparece lá para fora lá se vai um bocadinho da nossa credibilidade".

"Lá fora" - como continua a nossa elite a ser tão deslumbrada e parola - podem julgar que isto é uma democracia e os partidos discordam uns dos outros.
E isso é que não pode acontecer.
Porque cada "bocadinho da nossa credibilidade" depende de parecermos indigentes na ausência de opiniões e servis na nossa obediência.


De Coligar anti-troika, anti-medo, anti-fin a 10 de Maio de 2012 às 13:56
E se houver novas eleições? (na Grécia)
(-por Daniel Oliveira, Arrastão)

Com o sistema eleitoral grego, que dá 50 deputados extra (num parlamento de 300) ao partido mais votado, para facilitar a construção de maiorias, tornou-se quase impossível formar um governo.
A esquerda, que estaria em maioria sem este bónus para a Nova Democracia (teria 138 deputados em 250) não consegue formar governo.
A direita, que não pode enfiar os neonazis no executivo, também não.

Os partidos prótroika, com apenas 32%, não têm, mesmo com o bónus, deputados que cheguem (falta-lhes um).
Os partidos antitroika, divididos entre a esquerda e a direita, podem concordar na economia mas discordam em tudo o resto. Entre eles não há governo.
Ou seja, a engenharia eleitoral para garantir a "estabilidade", que por cá também tem adeptos, impediu a estabilidade e pode obrigar a novas eleições.

Se acontecerem, as novas eleições ocorrerão num cenário completamente diferente.
Feito o voto de protesto e compreendida a situação de ingovernabilidade em que a Grécia ficou, será a vez dos gregos votarem a favor de qualquer coisa.

O Syriza (o Bloco lá do burgo), que ficou em segundo lugar, começa já a pensar nos entendimentos pré-eleitorais, tentando juntar à sua volta partidos de esquerda que não conseguiram ultrapassar a barreira dos 3% para serem eleitos
e a Esquerda Democrática, resultado de uma cisão europeísta do próprio Syriza e de uma cisão do PASOK contra o memorando.

De fora ficarão os comunistas ultraortodoxos do KKE, que nem para participarem num governo de esquerda se mostraram disponíveis.
Pagaram nas eleições o preço do seu sectarismo histórico (numa votação onde a derrocada do PASOK distribui votos por quase toda a gente, nem 1% subiram) e, caso haja nova votação, podem sofrer um castigo de quem quer ver aplicada na prática uma alternativa ao memorando.

Se houver novas eleições, elas não serão fáceis para os partidos que se opõem à austeridade.
São de esperar todas as chantagens externas.
Basta recordar como o primeiro-ministro do PASOK caiu, quando, num súbito ataque de espírito democrático, quis ouvir os gregos.
Foi imediatamente substituído, a mando da troika, por um tecnocrata.
Neste domingo tiveram a resposta. Mas se pelo menos parte da esquerda se conseguir juntar, pode sonhar com um primeiro lugar, para ficar ela com o bónus de 50 deputados e, com os socialistas, poder formar governo. Mas mesmo isso não será fácil.
Alguém terá já descoberto uma forma de o impedir:
o bónus de 50 deputados apenas pode ser dado a partidos e não a coligações.

Com uma situação económica e social deplorável, um ambiente político degradado e a Europa determinada a não deixar os gregos sobreviver, não se espera que o seu espaço de manobra seja animador.
Mas seria, se acontecesse, um interessante teste para a esquerda.
Na Grécia, transformada pela austeridade num Estado quase falhado, é difícil que fique pior.


De Grécia e Portugal a 10 de Maio de 2012 às 13:51
(-J.Costa),
As próximas semanas na Grécia vão ser duras para a oposição anti-troika. O medo vai dominar todo o discurso político (medo da bancarrota, medo de sair do euro) através da ameaça, da chantagem e da arrogância sem limites de quem manda (é só ver as várias declarações feitas pela Alemanha, BCE, etc.).

E esta sobranceria baseia-se na suposta inevitabilidade de todas as medidas duras que estão a ser impostas, sem olhar aos seus efeitos. É uma política cega, insensível e burra. Toda esta ideia do inevitável e da austeridade baseia-se na demagogia e no preconceito em relação aos povos do Sul, como se fossem eles os únicos culpados da crise. Eles viveram acima das possibilidades, agora têm de sofrer. Mas o problema sempre foi Europeu. E nessa área, quando se tocou, foi para pior: défices na Constituição, emprestar aos bancos a 1% para emprestarem a 6%, enfim...

Onde está a política para o crescimento, que devia ter vindo ainda antes das "reformas estruturais", para as poder suportar? Andaram entretidos a salvar a merda dos bancos especuladores por essa Europa fora, quando deviam era alavancar a economia, através de investimento directo nos Estados.

Ainda hoje na Cimeira Ibérica, mais defesa da austeridade:
1. "Reformas para a competitividade" (anos e anos das mesmas reformas não deram em nada. Pior, só deram mais desemprego)
2. "Não há crescimento económico sem estabilidade orçamental" E a falta de crescimento económico não dá estabilidade orçamental. Agrava o défice, agrava a dívida. O dinheiro, em vez de ser para safar os bancos alemães e franceses, devia ter ido para investimento público que criasse emprego e pagasse a dívida. Dívida aliás que devia ser renegociada.
3. "Um país com dívida não pode crescer" Acho que foi mais ou menos esta pérola que o Passos Coelho disse. Ao extremo absurdo a que isto chegou...
4. "Não podemos gastar mais do que produzimos" Esta lengalenga moralista das contas de mercearia já chateia. Epá, muitas vezes é necessário por uns tempos (como agora) gastar mais para crescer. Ainda para mais se se cortar na despesa, desde que isso não conduza à recessão .

-----
Pôr a culpa do endividamento em Sócrates é um dos mais importantes pilares de sustentação da legitimidade deste Governo. Para tudo o Governo justifica-se com "a culpa foi dos anos e anos de irresponsabilidade dos anos de Sócrates etc."

Antes de mais, o PSD devia era olhar para a sua própria casinha e ver que tem o maior sorvedouro de dinheiros públicos deste país entre as suas fileiras: Alberto João Jardim. Não há como fugir: milhares de milhões de euros foram gastos pelo Sr. João em obras sem utilidade nenhuma e em financiamentos de empresas dos amigos, em claro desrespeito pelo Estado de direito. A Madeira, para a sua população, é responsável por uma % de dívida Portuguesa abissal.
Além disso, Cavaco Silva também têm um lugarzinho reservado na galeria de maus gestores do PSD, no início dos anos 90. Podia ter transformado a economia portuguesa com o dinheiro que chegou, só endividou (mais do que Sócrates e muito mais do que Guterres, que veio a seguir).

Mas, a dívida pública portuguesa começou a derrapar no final de 2008 quando a crise financeira chegou à Europa. Mas não estou a desculpá-lo totalmente: nos anos em que esteve no Governo, foi fartar de PPPs e outras engenharias financeiras duvidosas que nos vão sepultar nos próximos anos.

O importante é fazer invests que dêem retorno imediato, e se possível com repercussões futuras. Os invests de Sócrates nas escolas e nas energias renováveis foram bons exemplos desse tipo de investimento. E é desse investimento que precisamos. Que faça mexer a economia agora. Reabilitação urbana por exemplo, que o BE defende há anos, e de que este país tanto precisa. São esses investimentos de que eu estou a falar. O dinheiro para isso pode vir do próprio país: 8 mil milhões do BPN, guito da Madeira, rendas da EDP, juros para a troika. Tanto dinheiro que foi ou está a ser canalizado para o lado errado. Se pouparmos no desperdício, mantendo o PIB, mais dinheiro sobra para investir. Mas o dinheiro para estes invests deviam vir era da Europa, porque o problema não é só português, é sistémico, é europeu. Está a vir, mas a fazer o oposto: recessão, + dívida, - invests.


De Contra o centrão de interesses troikos. a 11 de Maio de 2012 às 14:25
Não foi um engano
(-por Daniel Oliveira, Arrastão)

Se as eleições se repetissem na Grécia (e bastou esta sondagem para que a vontade do centrão de as repetir mudasse) seriam, segundo a última sondagem, estes os resultados:

Syriza: 27.7% (16.78% nas últimas eleições)
Nova Democracia: 20.3% (18.8%)
PASOK: 12.6% (13.1%)
Gregos Independentes: 10.2% (10.6%)
KKE: 7% (8.48%)
Aurora Dourada: 5.7% (6.97%)
Esquerda Democrática: 4.9% (6.1%)


Ou seja: o voto no Syriza não foi um desabafo irresponsável. Perante a possibilidade de governarem passou a concentrar o voto útil à esquerda.


De .MUDAR rumo de Portugal e da Europa... a 9 de Maio de 2012 às 13:55
A esquerda europeia
(-por Mário Soares, DN)

«1. Não sou profeta. Mas espero que a Esquerda europeia saiba aproveitar a oportunidade que a crise global, paradoxalmente, lhe oferece,
para se refundar (socialistas, sociais-democratas, trabalhistas, verdes) e, em diálogo estreito com o movimento sindical, readquirir o lugar que teve, no passado, nos Governos europeus e que, infelizmente, para o futuro europeu, tem vindo a perder.

Também espero, embora com menor convicção, confesso, que a Democracia Cristã, a outra família política que, com o socialismo democrático, ajudou a construir e a desenvolver o projeto europeu, possa reaparecer, com força, para o progresso da Europa.
Porquê menos convicção?
Porque a Igreja de Bento XVI não é a mesma de Leão XIII, de João XXIII ou de Paulo VI do Concílio Vaticano II. Apesar de manter, como não podia deixar de ser, a doutrina social da Igreja - e combater a democracia liberal, em favor da democracia social - evita, creio, que se crie, como no passado, um relacionamento partidário estreito que lhe pode retirar a simpatia dos outros movimentos políticos...

De qualquer modo, tanto a social-democracia como a democracia cristã perderam importância política na Europa, nos últimos anos, em favor do populismo ultra-conservador e da ideologia neoliberal.
Alguns autores falam de nacionalismo egoísta extremo e do possível regresso a uma forma de fascismo, embora de cunho diferente do passado, como no caso de Mussolini ou de Hitler...

Foi no que deu, depois do colapso do universo comunista, de se afirmar a GLOBALização DESREGULADA e do reaparecimento em força da ideologia NEOLIBERAL:
criou-se um capitalismo sem valores éticos, dito de casino, e uma economia virtual - e não real - expressa nos paraísos fiscais, nos mercados usurários e nas empresas de 'rating', que dominam os Estados, afirmando como único valor, o dinheiro.

Foi esse ECONOMICISMO que desencadeou a crise global, a qual começando nos Estados Unidos, nos anos finais de Bush, Filho, contagiou depois a União Europeia.
Os partidos europeus ultraconservadores dominantes adoptaram a mesma ideologia que provocou a crise, para agora a quererem dominar, através da austeridade, obedecendo aos mercados e, para tanto, destruindo o Estado Social e continuando a FAVORECER os grandes interesses egoístas de sempre...

Tarefa que está a revelar-se impossível, uma vez que a crise se prolonga e agrava, todos os dias, demonstrando à evidência o erro colossal que os dirigentes europeus, por incapacidade ou medo, estão irresponsavelmente a cometer ou a deixar cometer.
Assim, se a União, perdido o sentido da solidariedade inter-Estados europeus, não mudar de paradigma e de comportamento, cairá inevitavelmente no abismo, como já advertiram grandes europeístas como:
Helmut Schmidt, Helmut Kohl, Jacques Delors, Romano Prodi, Felipe Gonzalez e muitos outros.

Nos últimos tempos, a União Europeia perdeu o Estado de bem-estar, tornou as pessoas mais desiguais, abandonou o valor da coesão social, fez reformas - ou, melhor dito, contra-reformas - que afetam gravemente idosos e doentes, cortou dinheiro ao ensino para todos e às universidades, pôs em causa o valor da dignidade no trabalho, do Serviço Nacional de Saúde, do Estado de direito e, fundamentalmente, a própria paz.
Deixaram-se cair os valores éticos e permitiu-se a concentração do dinheiro - como querem os neo-liberais - cada vez mais, nas mãos dos PRIVILEGIADOS.
Assistimos, assim, não só a um recuo civilizacional imenso, como ao aumento do desespero, provocado pelo desemprego e pelo empobrecimento da classe trabalhadora e da própria classe média.
O que pode gerar muita agitação violenta, o aumento dos suicídios (como tem vindo a acontecer) e cada vez mais criminalidade organizada.

Refundar a Esquerda
2. ...


De .Refundar a Esquerda Europeia.. a 9 de Maio de 2012 às 14:02
A esquerda europeia

1- ...

2. Refundar a Esquerda
. É neste ponto que entra a necessidade da refundação da Esquerda Socialista.
Não só para procurar manter o Estado Social e a sociedade de bem-estar, que nos trouxe a paz e o bom entendimento, nos últimos trinta anos, antes da crise, como terá que reduzir a austeridade, ao estritamente necessário, e diminuir drasticamente a recessão e o desemprego.
Dois flagelos que temos perante nós, europeus.
Na verdade, só com um novo modelo de desenvolvimento - que ponha as pessoas em primeiro lugar e não o dinheiro - poderemos esperar melhores dias e sair da crise, que tanto nos afeta.
Hoje, já não se trata só de países como a Grécia, a Irlanda ou Portugal serem as vítimas da crise.
É toda a União Europeia que está à beira do caos, a começar pela Itália, a Espanha, a França, o Reino Unido e a própria Alemanha, que estão a perceber - e de que maneira! - onde o neoliberalismo nos meteu...

Claro que a Esquerda é hoje diferente do passado. Precisamos de voltar aos nossos valores, sem perder de vista as novas carências sociais e políticas de uma sociedade em rapidíssima mudança.

Estamos num momento em que a União Europeia, numa crise profunda e a querer sair dela, é ainda governada por aqueles que a provocaram. É indispensável e inevitável mudar.
Porque se assim não for, assistiremos à desagregação e ao caos.
Ao contrário do que se passava há um ano, o "Povo europeu" tem hoje uma percepção clara do beco sem saída em que o meteram.
E quer a mudança. Mas qual? E em que sentido?
Tem ainda desconfianças e dúvidas. Por isso não tem estado ainda mobilizado, a não ser para o protesto.

É, por isso, que a família socialista - se quiser subsistir ela própria - tem de aproveitar a Oposição em que se encontra, para definir, com clareza, a alternativa que se impõe à austeridade que nos livrará da crise e que pode renovar a sociedade de bem-estar.
Não há dinheiro? Há sempre, desde que haja vontade política para o arranjar.
Mantendo uma alternativa europeia concertada e não só nacional.
Com uma democracia europeia que, de momento, está a ser, propositadamente, debilitada.
Mas também aprofundar a Democracia, obrigatória em todos os Estados nacionais.

Contudo, o Socialismo Democrático, devemos reconhecê-lo, nos anos sombrios de Bush, embarcou no economicismo da "terceira via" defendido por Tony Blair.

Em Portugal, por exemplo, sempre tivemos, além do socialismo democrático, partidos da Esquerda radical, comunista, mais fechada hoje do que nos tempos de Cunhal (que tinha uma grande flexibilidade tática) e a Esquerda bloquista que ficou, eleitoralmente, entalada ente os partidos comunista e socialista.
Mas afirmou-se ainda a Esquerda não partidária, cidadã e a Esquerda dos "indignados", com laivos anarco-populistas.

A refundação socialista deve afirmar-se de novo atrativa, voltando aos seus valores de sempre mas sendo capaz de dialogar em permanência com o movimento sindical, no seu conjunto, com os verdes, tão dispersos e estranhos aos partidos,
e adaptar-se às novas realidades do mundo de hoje, para poder sair da crise institucional, social, económica e política, carente de valores e de dirigentes capazes.
Foi assim que os próprios militantes nacionais algumas vezes se enganaram de partido, faltando-lhes a sensibilidade social e a vontade política para diminuir as desigualdades, entre as pessoas e os Estados e, acima de tudo, conservando sociedades de bem-estar.

A Esquerda, em tempo de eleições
3. ...


De .Mário Soares, estadista socialista ... a 9 de Maio de 2012 às 14:09
A esquerda europeia

1- ...
2- ...
3-. A Esquerda, em tempo de eleições

Até há poucos meses a Esquerda europeia estava bloqueada e hesitante.
Nos últimos meses, por exemplo, na Península Ibérica os dois Estados peninsulares - Espanha e Portugal -, governados por partidos socialistas, perderam as eleições legislativas, em favor de partidos e coligações de Direita.
Passaram alguns meses.
Mas a austeridade que ambos os Governos preconizam tem vindo a provocar um profundo DESCONTENTAMENTO nas populações, dado terem percebido que os cortes obrigados pela troika, em Portugal, ou pela ideologia neoliberal do Governo espanhol, não só não resolvem os problemas gravíssimos com que se confrontam, como os AGRAVAM, cada dia.

Algumas oposições socialistas europeias entenderam-se, pela primeira vez, em Roma, onde um Presidente notabilíssimo, Giorgio Napolitano, conseguiu a proeza de substituir sem dificuldade Silvio Berlusconi, por um tecnocrata conhecedor dos problemas políticos, Mário Monti.
Foi então, em Roma, que se reuniram alguns dirigentes socialistas e sociais-democratas, representando os partidos:
alemão, francês, austríaco, belga, português, grego e salvo erro, espanhol, para debater as novas responsabilidades da família socialista europeia.

François Hollande, que ganhou as eleições presidenciais, por uma boa maioria, no domingo passado, esteve presente na reunião de Roma e afirmou, como se sabe, uma doutrina de MUDANÇA ALTERNATIVA para a União Europeia.

Houve também, mais ou menos ao mesmo tempo, eleições na Grécia, na Sérvia, no Reino Unido e na Alemanha.
As eleições deram resultados diferenciados, mas todos significativos.
Na Alemanha, em Schleswig-Holstein, a chanceler Merkel e a CDU, apesar de terem ganho, tiveram o resultado pior, desde 1950.
O que pode abrir portas a uma coligação à esquerda.
Foi um resultado importante para a Esquerda.

Na Grécia ganhou, como se esperava, a Direita e também a Esquerda radical.
O PASOK - que tanto lutou, com George Papandreou, para evitar o colapso anunciado - situou-se como o terceiro partido, atrás da extrema Esquerda e da Direita, principal responsável da crise, a seguir, obviamente, à chanceler Merkel...

Na Sérvia não tive modo de conhecer o resultado. Foi, salvo erro, um empate entre Esquerda e Direita.

Mas na França, como escrevi acima, deu-se a vitória esperada do PSF, a caminho de se refundar.
Foi um sinal que deve ser respeitado de que a União Europeia está a mudar, irreversivelmente.
Tenhamos, pois, confiança, e mobilizemo-nos para os combates (pacíficos, creio) que aí vêm.

4- O discurso da vitória

Foi notabilíssimo o discurso de vitória do vencedor François Hollande, líder do Partido Socialista francês, humanista, socialista e republicano dos sete costados, amigo próximo de François Miterrand.
Disse, no fundo, como "homem normal", que se intitula, o que o Povo de Esquerda queria ouvir:

a defesa do Estado Social,
a luta contra as desigualdades e o desemprego,
o aprofundamento da democracia e do Estado de Direito,
a defesa do ambiente,
a luta contra o negocismo e os mercados usurários,
a dignidade do trabalho
e a defesa de uma Europa Política, Solidária e capaz de defender o euro, para nos fazer sair da crise global.

Eis a mudança esperada, que vai transformar a União Europeia e tornar um pouco melhor o mundo.» [DN]


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