De Viver num sistema imoral ! - q. fazer ?. a 14 de Maio de 2012 às 10:46
Um sistema imoral
(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

Foram precisos dois referendos na Irlanda até esta ratificar o Tratado de Lisboa.
Nos outros países da UE onde foi feito o referendo, as pressões dos organismos centrais europeus sobre os Governos soberanos foram extraordinárias. "A Europa não pode avançar a duas velocidades", diziam.
A Grécia, para entrar no pelotão, contratou a Goldman Sachs para disfarçar as contas públicas através do investimento em produtos tóxicos; os mesmos que acabariam por levar à crise financeira de 2008.
Portugal aprovou a moeda única e o Tratado sem consulta referendária -
o centrão gosta de trabalhar nas costas de quem o elege e sobretudo rege-se por uma política de subserviência, pusilânime e anti-patriota, na relação com os países mais fortes.

A crise de 2008 pôs à vista as fragilidades da construção europeia.
De um projecto europeu solidário e mais ou menos democrático passámos a viver sob uma oligarquia dos poderosos.
Com a Alemanha à cabeça.
Os países periféricos, mais expostos à crise financeira, viram a sua dívida pública e o défice crescerem de forma brutal.
Por razões de fundo na Grécia - a engenharia financeira promovida pelos sucessivos Governos com o apoio da Goldman Sachs;
para salvar os bancos na Irlanda e em Portugal;
pelo rebentar da bolha imobiliária em Espanha.
Em comum, estes países tinham uma dependência excessiva do sistema financeiro.
A economia especulativa dominava, sobrepondo-se à economia real e política.
Por todo o lado? Nem por isso. A Alemanha continua a planar sobre a crise muito por causa das suas exportações, cada vez menos dependentes dos outros países europeus.

Mas a crise da dívida trouxe um problema à Alemanha: a exposição dos seus bancos à crise grega.
A Grécia não poderia ir ao fundo rapidamente, era necessário salvar as instituições financeiras.
Nos últimos três anos, mais de metade dos fundos europeus para a recapitalização bancária foram absorvidos por bancos alemães.
Para além disso, o pornográfico funcionamento do BCE - empréstimos a 1% aos bancos nacionais para estes reemprestarem aos Estados com juros à taxa variável que os "mercados" impõem - beneficiou sobretudo os bancos alemães.

Passados três anos, a Grécia pode finalmente cair.
O resultado das últimas eleições - a rejeição das medidas de austeridade - é a janela de oportunidade para a Alemanha se "livrar" da indesejada Grécia.
Mesmo que o Syriza queira continuar no Euro e tivesse vontade de liderar um Governo europeísta. Isso agora não interessa.
Não poderiam ser mais claras, as declarações do ministro das Finanças alemão:
"Zona Euro está em condições de suportar saída da Grécia".
De uma maneira ou outra, a Alemanha sairá sempre a ganhar. Continuará a crescer à custa dos países periféricos.
Acabe ou não o Euro, destrua-se ou não o projecto europeu, a Alemanha ganha sempre.

Resta saber se, neste momento, não será melhor para a Grécia e Portugal sairem também do Euro,
e deste modo poderem encetar políticas de recuperação económica independentes dos ditames do directório europeu e das vicissitudes da moeda única.
Para a Alemanha, pelos vistos, é igual ao litro.
E para nós?


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres