Empreendedorismo neoliberal -vs- cooperativismo

O empreendedorismo liberta * (-por Sérgio Lavos)

       Ainda pairava no ar a bestialidade proferida por Pedro Passos Coelho (reiterada no dia seguinte) e já a conversa do costume se multiplicava por todo o lado. Mas que diabo, o primeiro-ministro apenas disse o que deveria ser evidente: um Estado que não só não consegue criar condições às empresas para contratarem mais gente e que, ainda por cima, consegue produzir todos os dias centenas de novos desempregados - em consequência da austeridade além do memorando - é um Estado que desistiu de garantir que a economia funcione. Portanto, a Passos Coelho apenas resta realizar as exéquias do Estado e servir como conselheiro laboral ao milhão de desempregados, é isso?  

 ...

     Como mostra o quadro publicado neste post de João Vasco, Portugal é quarto país da OCDE em percentagem de "empreendedores", o maravilhoso termo de newspeak que define as pessoas que trabalham por contra própria. 23,5% da população. À nossa frente, surpreendentemente, não estão os EUA. Nem qualquer outro país que seja exemplo do "empreendedorismo". Estão o México, a Turquia e, extraordinário, a Grécia. Os países mais pobres, os que não conseguem garantir empregos à população, seja directamente no Estado seja através de estimulos à economia. No fundo, são os países com maiores desigualdades que lideram este ranking

     O disparate torna-se perigoso sabendo-se que, neste momento, os bancos, apesar da promessa de recapitalização por parte do Governo, não estão dispostos a financiar a economia privada. E em tempo de crise, começar um negócio pode ser meio caminho andado para um ainda maior endividamento de quem já está no desemprego e a passar por sérias dificuldades financeiras. 

     As declarações de Passos Coelho são vergonhosas, sim. Sobretudo porque o seu percurso profissional - carreira partidária desde os tempos da JSD, licenciatura aos 37 anos, emprego garantido nas empresas do padrinho Ângelo Correia - é uma afronta para as centenas de milhar que trabalharam uma vida inteira e agora se vêem atirados para o desespero do desemprego. Mas são também perigosas - incentivar os desempregados ao risco do investimento em pleno período de contracção económica. E são a evidência de uma de duas possibilidades: ou Passos Coelho e o Governo PSD/CDS vivem completamente alheados da realidade, das pessoas que os elegeram e do país que era suposto governarem; ou sabem muito bem o que se passa, qual o resultado da sua louca demanda austeritária, mas não vão parar, cegos por uma ideologia neoliberal sem histórico de aplicação prática (Vítor Gaspar dixit). Dê por onde der, o país parece ter perdido.

   (*- por analogia com o slogan nazi nos campos de extermínio: «o trabalho liberta» ? )

 --------

     Muito prosaicamente, acho que o Jota às vezes não as pensa de todo. Com a mesma facilidade com que diz aos portugueses "vão-se embora, emigrem que vão ver que é engraçado", também lhes diz "parem com o parasitismo de assalariados, meros trabalhadores por conta doutrém, e tornem-se empreendedores."

    Outro que está a precisar que um esperto lhe escreva um livrinho com o título:  "Como explicar o empreendedorismo às crianças". E é assim, sem mais nem menos, como beber um copo de água?

    Refiro apenas um caso que conheço muito de perto:

    a empresa onde ele trabalhava faliu, e, tal como a mulher, ficou também no desemprego.

    Depois foi o percurso a que já nos vamos habituando:

    vendem-se os anéis, passa-se fome, pedem-se umas esmolas à família, e por último entraram no mais absoluto desespero.

    E foi então, que hipotecaram a casa e pediram ao banco dinheiro para um "empreendorismo".

    Ao fim de poucos meses foram à falência, porque não tinham quaisquer conhecimentos de gestão, e nem um nem outro eram donos da mais leve sombra de "perfil empreendedor", o que exige para além do mais, como é óbvio, um talento específico com o qual a mãe natureza não dota a maior parte de nós, condenados que estamos à dependência de um patrão e de um salário. 

    O casamento acabou, ele anda por terras de Angola, e ela ficou com dívidas que não consegue pagar, mesmo fazendo, como faz todos os dias a partir das seis horas da manhã, trabalhos que a maior parte dos imigrantes já se recusa a fazer.  

 

-----------

  "laDrang:  ...  Porque esquecem  o cooperativismo?   Ou sofrem de fobia à criação de Cooperativas de produção (e de consumo, de serviços, ...)?

      Tem de divulgar-se mais António Sérgio,  para compreender bem  a força do dinamismo  económico e  de desenvolvimento social do movimento  cooperativo (recomendo: CASES e o boletim cooperativista comentado, ligações, informações práticas, ...).  

      Compreende-se o receio dos neocapitalistas em ver os trabalhadores organizados  provarem que têm a mesma capacidade de inovação e de produção que qualquer empresa privada dirigida por um gurú ao serviço da alta finança.



Publicado por Xa2 às 13:24 de 14.05.12 | link do post | comentar |

7 comentários:
De PM doPSD- Partido do Sub Desenvolvimento a 16 de Maio de 2012 às 13:04
Os sermões de Pedro e a realidade
(-por Daniel Oliveira, Expresso online)

Como quase toda a minha geração, nunca estive no quadro de uma empresa. A situação mais estável que conheci foi a do contrato a prazo. A mais habitual foi a do recibo verde.
Como a generalidade da minha geração conheci o desemprego algumas vezes. Conheci-o jovem, o que, apesar de tudo, é menos grave do que quando ele nos chega aos 50 anos. Não o conheci em tempo de crise, quando muito poucas são as oportunidades que nos surgem.
É por ser desta geração - as que se seguiram têm um currículo contratual ainda mais precário e de exploração e abuso mais desenvergonhados - que é evidente para mim que grande parte do que foi afirmado por Passos Coelho só pode resultar de ter passado grande parte da sua vida num casulo.
Quem conheça, como trabalhador ou como empresário, a realidade laboral portuguesa, sobretudo para a geração "com maior formação" de que falava o primeiro-ministro, nunca poderia olhar assim para os portugueses.

"A cultura média é de aversão ao risco. A generalidade dos nossos jovens licenciados têm hoje um nível de qualificações muitíssimo mais elevado do que alguma vez aconteceu na história portuguesa e preferem ser trabalhadores por conta de outrem do que serem empreendedores. E esta cultura tem de ser alterada."

Vale a pena olhar para os números para confrontar os mitos que Passos Coelho tem na sua cabeça com a realidade.
Portugal é o terceiro país da Europa com mais autoemprego. Sabem qual é o primeiro? A Grécia.
Nós com uma taxa de autoemprego de 23,5%, a Itália com 24,9% e a Grécia com 30,1%.
Sabem qual é o último da OCDE? Os Estados Unidos da América.
E na Europa? Os países escandinavos.
Teríamos de concluir que mesmo que fosse verdade que os portugueses têm "aversão ao risco" (coisa que a nossa emigração desmente de forma esmagadora), o desejo dos jovens de serem "trabalhadores por conta de outrem" não tem qualquer tradução na concretização real.
E que são muitos os que se arriscam no autoemprego.

Poderão dizer que o número de pessoas com autoemprego em Portugal (e provavelmente na Grécia) não é verdadeiro. Porque, na realidade, grande parte trabalha com falsos recibos verdes. São apenas trabalhadores por conta de outrem sem direitos.
E então, a conclusão é ainda pior para as teses do nosso governo:
apesar de termos uma impressionante massa de trabalhadores absolutamente móvel, fácil de despedir e de empregar, não abrangida por qualquer lei laboral, o nosso terceiro lugar no pódio da flexibilidade no trabalho não fez nada pelo "empreendedorismo" e pelo emprego.
O risco absoluto em que estas pessoas vivem (apesar da aversão que compreensivelmente lhe tenham) não ajuda a economia. Não lhes dá novas oportunidades. Não cria emprego. Tudo ao contrário.

Alguém duvida que nos países escandinavos e nos EUA existe o tão adorado "empreendedorismo"?
Acontece que, como se vê pelos números, ele nada tem a ver com as pessoas quererem trabalhar - e conseguirem - por conta de outrem ou por conta própria.
Não é a insegurança no emprego que cria sociedades criativas.
Se assim fosse, ninguém bateria os países do terceiro mundo na competitividade empreendedora.
É a economia, estúpido.

"Quem já passou por experiências mal sucedidas tem obrigação de acrescentar alguma coisa ao seu saber de não voltar a repetir esses erros. Os erros são limitados, não pudemos estar sempre a cometer os mesmos erros. Mas devemos ter a oportunidade de ser consequentes quando aprendemos com os erros que cometemos.
Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de ser uma oportunidade de mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade."

Ao contrário do que pensa Passos Coelho, a taxa de desemprego (e é dela, e não de pessoas que desejam mudar de emprego, que o país fala) não diz rigorosamente nada sobre a mobilidade numa sociedade.
Pelo contrário: países com maior desemprego são países onde essa mobilidade é menor.


De PM/Gov. inútil, insultuoso, empobrecedor a 16 de Maio de 2012 às 13:10
Os sermões de Pedro e a realidade
(-por Daniel Oliveira, Expresso online)
...
Pelo contrário:
países com maior desemprego são países onde essa mobilidade é menor.
Porque a taxa de desemprego não nos diz quantas pessoas foram despedidas ou se despediram. Diz-nos quantas pessoas, depois disso, ficaram sem emprego.
O que a nossa atual taxa de desemprego nos diz é que a saída de um emprego não se transforma, para a esmagadora maioria, e ao contrário do que o primeiro-ministro julga, numa oportunidade.

Por isso, para além do drama pessoal, o desemprego é um drama económico.
Porque corresponde ao desperdício das capacidades da geração "com um nível de qualificações muitíssimo mais elevado do que alguma vez aconteceu na história portuguesa".
E porque reflete uma economia em recessão.
Quando sabemos que o desemprego abaixo dos 25 anos é de 36,1%, temos de perceber que o problema é a falta de oportunidades reais (e não as imaginadas por Passos Coelho) e não a ausência de uma cultura de risco.

A não ser, claro, que Passos Coelho pense que esta impressionante quantidade de jovens está desempregada porque se sente muito melhor em casa, sem dinheiro nem nada para fazer.
Quando sabemos que o desemprego de longa duração é de 6,2%, 2% acima da média europeia, temos de perceber que não há mobilidade nenhuma na nossa sociedade e que o desemprego é, obviamente, um estigma e uma desgraça para imensa gente.

E quando sabemos que quase 300 mil desempregados não recebem qualquer subsídio, temos de concluir que não é por falta de "cultura de risco" que a situação está como está.
Há maior exposição ao risco que a miséria absoluta?
Ou Passos Coelho acha que estas pessoas preferem passar fome a trabalhar?

O que Passos Coelho não parece perceber é que, numa economia em recessão, em que o crédito às empresas é quase impossível e as oportunidades de negócio são cada vez mais reduzidas,
já que ele se encarregou de estrangular o mercado interno numa altura em que o mercado externo está tão difícil, não basta querer muito para "empreender".

Cabe-lhe a ele (PM/Governo) criar as condições económicas para que o risco não seja apenas uma enorme irresponsabilidade.
Ou acha que que os jovens se devem endividar para lançar negócios falhados à partida?
Basta dizer isto:
só no segundo semestre de 2011 encerram mais de 30 mil empresas. O triplo do que no semestre anterior.
Perceberá Passos Coelho a diferença entre "cultura de risco" e suicídio?

Parece-me que Passos Coelho vive equivocado em relação às suas funções.
Os amigos dão-nos conselhos.
Os políticos criam condições para que as pessoas possam fazer escolhas nas suas vidas.
Passos Coelho até poderia ter razão, e não tem nenhuma, no que disse. Mas a sua razão seria irrelevante.
O seu papel é outro: criar condições de emprego para que as pessoas possam aproveitar "a oportunidade" de não o terem.
Assim, Passos Coelho limita-se a exibir a sua inutilidade como político.
Para receber conselhos não precisamos de eleger ninguém.
Temos a família e os amigos a quem não damos os nossos impostos.


De .vá p.pqp... a 16 de Maio de 2012 às 13:20
--- ...
Mas, se por outro lado o mercado estivesse bem, provavelmente preferia ter continuado o meu percurso normal.

Ou seja, não vejo o meu autoemprego como uma oportunidade, mas sim como uma fuga à falta de direitos que tinha.

----- "Pirralha...eu?"

Por falar de conselhos e família, já houve alguém que até foi presidente do conselho e tinha as suas conversas em família na RTP.

Agora, os assessores da Troika fazem-nas através de episódios diários nos vários canais, com destaque para o Grande Irmão Miguel relVasconcelos…
Cristina

---------- José Pires
Passos Coelho foi modesto, como é, aliás, de seu timbre.
Ele e o governo dele não estão apenas, como modestamente afirma, a oferecer-nos, através do desemprego, uma oportunidade para mudar de vida.

Estar desempregado não é ter uma oportunidade para mudar de vida. Estar desempregado É mudar de vida.

É abandonar esse hábito burguês de ter 3 refeições diárias, mantendo, quando muito uma
(a não ser que as escolas, contra a opinião da Dra. Helena Matos, continuem a dar o pequeno almoço aos petizes, numa inadmissível interferência do Estado na formação deles);

é deixar de poder pagar a escola dos filhos e contribuir para o combate ao excesso de doutores e de engenheiros, assegurando o regresso ao bom velho hábito de “eu só tenho a 4.ª classe mas sei de cor o nome dos rios e as linhas de caminho de ferro”;

é deixar de pagar os empréstimos do carro e da casa (ou a renda da casa, conforme aplicável) e poder enfim despojar-se de bens materiais supérfluos;

é, por último, poder concretizar o sonho de uma vida ao ar livre, na almejada condição de sem abrigo.

Tudo isto está Passos Coelho a proporcionar-nos. Não sejamos, por isso, ingratos.
Na próxima eleição permitamos, também, a Passos Coelho a concretização de uma mudança de vida nos termos expostos.
Há, é certo, escolhos nesse caminho, já que, provavelmente, existirá sempre um lugarzito nas empresas de Ângelo Correia.
Mas dêmos-lhe, ao menos, a oportunidade.

------- Pisca
Uma continha ao acaso:

800 mil desempregados a correr para a Empresa na Hora, cada Unipessoal custa 360.euros, fora mais uns poses
Dinheirito a entrar nos cofres: 288 Milhões

Fora o que vem atrás
Depois de falidas ainda vai ser necessário pagar mais
Não é um boa ideia ??

-------- Zuruspa
Mais uma resposta do fundamentalista religioso dos mercados. Daniel, näo vale a pena gastares argumentos válidos com fanáticos, eles näo ouvem.
Nem perguntar como fez o outro economista, que o sector privado näo é assim täo mais eficiente que o público (a realidade é que o sector privado só é marginalmente mais eficiente que o sector público local que lhe serve de bitola, e por isso o sector privado português é menos eficiente que o sector público escandinavo).

Os fanáticos querem que a realidade se molde às suas crenças. Säo capazes de tudo, até de dizer que a Grande Depressäo foi causada por haver "Estado a mais na economia", quando o que aconteceu foi que só quando o Estado re-entrou, e muito bem, na economia a Grande Depressäo foi ultrapassada.

Ah, mas que interessa a realidade para os talibans do mercado?


De .. a 16 de Maio de 2012 às 16:59
------Daniel Oliveira
É extraordinário como, tendo acontecido o que aconteceu nos últimos anos na Europa,
a tese de que reduzindo o Estado o sector privado floresce ainda faz o seu caminho.
Como ainda não se aprendeu com a Grande Recessão e não se percebeu que a economia não é uma balança entre Estado e Privados.
Pelo contrário: em momentos recessivos a redução de investimento privado tem de ser compensada pelo investimento público para conseguir inverter a situação.

Fica um pedido:
dê-me um exemplo em que a redução do Estado na economia tenha resultado num crescimento económico baseado nas actividades produtivas (esqueça os casos das bolhas financeiras, como a Irlanda e a Islândia, que sabemos bem para onde nos levam).

--------- Um leitor
seria também importante deixarmos de olhar para a américa e países escandinavos como coisas que nos são muito estranhas, ou como cosias idílicas e puras de "empreendedorismo" e o raio que o parta,
e começar a pensar no porquê de sermos como somos e de termos o país que temos.
isto implicará mais do que simples divisões ideológicas esquerda/direita e terá de ser feito por nós porque está visto que o passos coelho não percebe muito do assunto.

É que o outro país que está à nossa frente no auto-emprego, segundo a ocde, é o méxico - talvez não por acaso um país com tantas questões mal resolvidas, da emigração ao narcotráfico.
posto isto,
acrescente-se que Portugal continua a ter outra questão endémica por compreender/resolver:
a qualificação entre os trabalhadores portugueses é, em média, superior à qualificação dos nossos patrões
- o que na prática significa que são muitos dos nossos patrões (, e uso o termo sem raiva ou qualquer sentido pejorativo associado,) quem na prática não está tão preparado quanto se desejaria para os desafios da economia actual.

isto é certamente reflexo de um país que trabalhou, e a meu ver bem,
na procura de uma nova geração mais bem formada. mas que, claramente, não a tem conseguido integrar devidamente
- e não tem a ver com cultura de risco, se eu tivesse dinheiro arriscava mil coisas, mas o tempo que vou demorar a juntá-lo, por mais horas que trabalhe, só lá para 2030 (e estou a ser positivo) é que vai dar para arriscar alguma coisita.

o discurso da crise pela crise não pode servir de explicação para tudo.

temos uma classe média ferida - e é a classe média que sustenta boa parte do mercado de consumo e boa parte da estabilidade democrática -
e pelo meio estamos a aceitar cada vez mais divisões sociais,
sendo que perdemos no nosso horizonte a ideia de um bem-estar comum como objectivo colectivo.

passos coelho é um idiota irrelevante, é tipo ignorante, mais um fenómeno de alguém que cresceu na nossa política sem ponta de mérito ou o mínimo interesse em dedicar-se à causa pública.

precisamos de nós próprios, mais capazes, mais seguros, mais confiantes e, acima de tudo mais lúcidos e conscientes do desafio,
e precisamos de tudo isto quanto precisamos de dinheiro.
posto todo este testamento, pergunto-lhe,
- é assim tão mau o que o DO faz: esclarecer quão palerma é PPC?

é que perceber isso é um dos primeiros passos para outro tipo de alternativas políticas (e não falamos de simples ideologias), feitas por quem efectivamente esteja interessado em conhecer Portugal e os portugueses.
E dava jeito que fosse rápido.
Enquanto o PPC dá conselhos idiotas, há mais um par de jovens portugueses bem formados e com vontade de trabalhar, a fugir do país
- e este número cresce de tal maneira que nem sabemos quantos já partiram e quantos estão de partida.
E como não o hão-de fazer?
Com esta mentalidade do nosso tonto líder, com esta total ignorância sobre o nosso próprio país, que é que PPC tem para nos dar para além daquilo que não controla (como o sol bonito ou uma gastronomia agradável).
Precisamos de mais.
Não resolve tudo: mas menos PPC é um bom caminho - nem que seja alguém sentar-se com o senhor e dizer-lhe, pshh, cala-te e 'tá quieto!, que há aqui quem queira fazer algo.

-------MetroidSamus

Vá, 'bora todos fazer multinacionais.
E quem não conseguir nem merece viver.


De Austeridade é + Desigualdade a 16 de Maio de 2012 às 17:33
Pobres gestores


No país onde os trabalhadores vão ser obrigados a dar mais quatro dias de trabalho à borla porque está à beira do colpaso económico,
é o que dizem os governantes,
os gestores das empresas cotadas na bolsa ganharam mais 5,3% em 2011. (e) os salários dos trabalhadores das vinte maiores empresas nacionais (do PSI20) caíram 11% em 2011.
Ou seja:
a austeridade aumenta a desigualdade.
Esse aumento também é da natureza deste tipo de austeridade.


Querem melhor definição de filho da puta?
(OJumento)


De Daniel Oliveira a 15 de Maio de 2012 às 11:52
UM RAPAZOLA A QUEM CALHOU SER PRIMEIRO MINISTRO
Daniel Oliveira

"Estar desempregado não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade." Pedro Passos Coelho
Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas não se esqueceram de onde vieram e por o que passaram. Sabem o que é o sofrimento e não o querem na vida dos outros. São solidárias.
Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas ficaram para sempre endurecidas na sua incapacidade de sofrer pelos outros. São cruéis.
Há pessoas que tiveram uma vida mais fácil. Mas, na educação que receberam, não deixaram de conhecer a vida de quem os rodeia e nunca perderam a consciência de que seus privilégios são isso mesmo: privilégios. São bem formadas.
E há pessoas que tiveram a felicidade de viver sem problemas económicos e profissionais de maior e a infelicidade de nada aprender com as dificuldades dos outros. São rapazolas.
Não atribuo às infantis declarações de Passos Coelho sobre o desemprego nenhum sentido político ou ideológico. Apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha, a líder partidário com a inteligência de uma amiba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber que não é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições.
Serei insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com esta leviandade das dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse o "risco".


De .Não oportunidades.. a 15 de Maio de 2012 às 14:13

...
sobre a imaturidade política e o incitamento à ofensa que o nosso actual Primeiro-Ministro anda a fazer ao pagode. Primeiro escaqueirou as portas para que os professores fossem dar aulas para outro lado em vez de lhe estarem a exigir medidas que garantissem que os nossos filhos e netos pudessem ter uma educação decente e agora, perante este incómodo de o tentarmos pôr a pensar sobre soluções para o desemprego, ter aberto, de par em par, as janelas de oportunidade para gente que não tem onde ir buscar comida para os filhos, nem tem banca capaz de apoiar iniciativas.

Resisto a não convidar Passos Coelho a experimentar a sua própria teoria, largando-nos da mão (sempre podia fazer como Durão Barroso), até porque de trabalho ele só entende aquilo para que serve uma muleta como a que Ângelo Gepeto lhe estendeu quando Coelho, já adulto, resolveu passar da inteira inutilidade para a inutilidade com salário. Resisto porque sou respeitador e sei que ele não diz estas alarvidades com a consciência de uma pessoa normal. É só um problema de imaturidade e isso é desculpável tal como seria desculpável que um miúdo de oito anos disparasse uma rajada se um adulto lhe tivesse posto nas mãos uma G3 carregada.

Assim sendo e para cumprir a utilidade do registo em diário, deixo a prosa lavrada.
LNT [0.261/2012]


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