De "Zombies free market & offshore Corp.SA. a 24 de Maio de 2012 às 10:54
More jobs for the (Chicago) boys

As previsões da OCDE indicam que o desemprego estará nos 16% em 2013, outro ano de uma recessão sem fim. Graças às políticas de austeridade, o desemprego aproxima-se oficialmente e a passos largos do primeiro milhão. Na prática, sabemos que já hoje o ultrapassou. O que recomenda a OCDE? Mais austeridade. Típico. Esta gente não aprende ou aprende demasiado lentamente. Ainda há muito pouco tempo a OCDE andava a recomendar, vejam lá, subidas nas taxas de juro por causa da inflação. A OCDE também já foi a campeã da desregulamentação das relações laborais, até os seus próprios estudos começarem a indicar que as dinâmicas de criação de emprego não passam por aí, antes pelo contrario. A teoria económica convencional, a economia zumbi, serve para ocultar estas chatices.

Rumemos do conforto de um think-tank pago pelos estados em Paris para Lisboa, mais concretamente para a Almirantes Reis, onde fica a sede do Banco de Portugal, o centro do consenso neoliberal em Portugal. O cada vez mais poderoso Banco de Portugal tem mais um clone para a política do façam força que eu gemo e nem disfarça: chama-se conselho das finanças públicas, uma instituição absolutamente desnecessária, até porque a AR já dispõe, e bem, de uma unidade técnica de aconselhamento nesta área. Insere-se este conselho na famigerada tendência para criar instituições ditas independentes do poder político democrático para orientar, “disciplinar” e conduzir as políticas económicas; instituições necessariamente dependentes do ponto de vista ideológica da tal economia zumbi.

Trata-se também aqui de criar mais lugares para economistas que, como bem sublinha João Galamba, acham a escolha democrática em matéria económica uma maçada que pode vir a parar a sua cassete de sempre: austeridade e mais austeridade, cortes na despesa, ou seja, nos serviços públicos, com mais ou menos diferenças irrelevantes na margem, já que o apoio à linha de desastre seguida é total. Querem sempre mais recursos, claro, agora para fazer ainda mais previsões furadas, já que a incerteza radical, a natureza endógena das variáveis com que lidam e a instabilidade gerada pelas políticas prescritas são inescapáveis. Para enfrentar a chata da realidade, mais vale estar vagamente certo do que rigorosamente errado, como dizia Keynes.

O desemprego para os outros deve, segundo economistas protegidos, ser acompanhado por ainda mais “reformas estruturais” para aumentar a insegurança laboral também dos outros. Facilitar os despedimentos só aumentará ainda mais o desemprego e as desigualdades, claro, sendo que a crise indica que despedir é demasiado fácil por esse continente fora, comprimindo ainda mais a procura. Pouco importa, já que o conta é fazer com que os salários baixem, mesmo que depois não haja poder de compra, mas apenas famílias insolventes, empresários viciados em estratégia medíocres e alguns economistas pagos para nos dar lições de moral.
(-por João Rodrigues 23.5.2012, Ladrões de B.)


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