Poder centrão e atentados à Liberdade

       Relvas,  as  pressões  aos  jornalistas  e  os  silêncios   (-por Daniel Oliveira)

       Nas relações entre políticos (ou dirigentes desportivos, agentes culturais, empresários) e jornalistas, a fronteira entre a irritação, a indignação ou a crítica e a pressão é ténue. Depende dos modos do político, da sensibilidade do jornalista e da intimidade entre os dois. Não há regras escritas sobre a forma como se gere a inevitável tensão que existirá sempre entre comunicação social e política. Não gosto, por isso, da moda do jornalismo queixinhas e de quando o jornalista se torna no centro de notícias. Há políticos que pressionam jornalistas usando abusivamente o seu poder para limitar o trabalho da imprensa. Assim como há, já agora, jornalistas que pressionam políticos usando abusivamente o seu poderpara conseguir uma notícia.

     Dito isto, há terrenos que estão claramente para lá da fronteira em que possam existir dúvidas. Do que se sabe, na conversa entre Miguel Relvas e a jornalista do "Público", Maria José Oliveira, o ministro foi muito para lá do que possa ser discutível. Ameaçar publicar coisas sobre a vida privada de uma jornalista ou prometer um blackout do governo a um jornal é chantagem pura e simples. É um atentado à liberdade de imprensa. Acresce que se sabe que Miguel Relvas é, na relação com a comunicação social, useiro e vezeiro neste tipo de comportamentos. Ainda nos lembramos do caso Pedro Rosa Mendes.

     Sobre a decisão do jornal em não publicar a notícia que Maria José Oliveira terá escrito não me pronuncio. Não li a notícia. E não basta que tenha havido uma pressão para que uma notícia passe a ser publicável. A relação de um jornal com os trabalhos jornalísticos não é igual à relação que tem com os trabalhos de opinião. Cabe ao jornal decidir se uma notícia é relevante para ser publicada. Acresce que o comunicado do Conselho de Redação do "Público" parece-me pouco fundamentado. Nesta matéria, os leitores do jornal terão de esperar por mais esclarecimentos, por exemplo, do Provedor do Leitor.

     Quanto à existência de um ato inaceitável de chantagem, as coisas não podiam ser mais claras. Relvas chantageou a jornalista. Mesmo que esta lhe estivesse a fazer exigências ilegítimas - como dar-lhe um prazo de 32 minutos para responder a uma pergunta -, há coisas que um titular de um cargo público não tem o direito de dizer ou fazer. E que, fazendo-o, significam uma violação da liberdade de imprensa. Se elas são ditas ou feitas pelo titular da tutela da comunicação social, pior um pouco.

      José Sócrates ultrapassava muitas vezes esta fronteira. Não me lembro - mas pode ser falha de memória minha - se alguma vez terá chegado tão longe. Mas foi muitas vezes longe demais. E teve direito à justa indignação (também a minha), tendo havido mesmo quem defendesse que vivíamos num ambiente de "asfixia democrática". Por essa altura, um grupo de jovens (e menos jovens) bloguistas chegou mesmo a organizar uma concentração em frente ao Parlamento em defesa da liberdade de imprensa, coisa nunca vista, nem nos tempos do cavaquismo, aqueles em que a pressão aos jornalistas foi, em democracia, mais sistemática.

      É agora interessante observar o silêncio dessas mesmas pessoas. Fui ver a lista de promotores dessa passeata dos tempos socráticos. Deixei de fora os meros subscritores do apelo para a manifestação e os blogues coletivos que a ela se associaram. Fiquei-me pelos promotores individuais iniciais. À espera que gritassem presente por uma imprensa livre. Entre os poucos promotores estavam pessoas que o leitor pode não conhecer mas são relativamente populares na blogosfera: Adolfo Mesquita Nunes, Carlos Nunes Lopes, Vasco Campilho e Rodrigo Moita de Deus, por exemplo.

      Porquê o seu silêncio? Porque alguma coisa mudou na vida do País e nas suas vidas. Adolfo Mesquita Nunes poderia ser coerente e protestar também agora. Mas entretanto tornou-se deputado do CDS. Carlos Nunes Lopes podia ter vindo de novo em defesa da liberdade de imprensa, mas agora é chefe de gabinete do secretário de Estado dos Transportes. Vasco Campilho poderia ir para a frente de São Bento defender os jornalistas dos abusos de Relvas, mas agora trabalha no Ministério do Ambiente e é um dos coordenadores do Plano Operacional de Valorização do Território. Rodrigo Moita de Deus, o mais ativo dos protestantes do passado, podia ter organizado outra concentração contra a "asfixia democrática", mas entretanto passou a ser membro da Comissão Política do partido de Miguel Relvas. Se em relação a José Sócrates não lhe faltaram palavras, hoje escreve: "Miguel Relvas lida com jornais e jornalistas há mais de uma década. Se fosse pessoa para fazer o que acusam já todos teríamos dado por isso. Nem teria sobrevivido até aqui." Ou seja, de indignados pela liberdade de imprensa os jovens bloguistas passaram a obedientes e silenciosos assessores, deputados e dirigentes partidários.

      É por estas e por outras que escuto sempre com muita cautela discursos difusos, que ignoram as condições de proletarização crescente em que jornalistas trabalham, sobre a liberdade de imprensa e a sua relação com o poder político (esquecem sempre o mais eficaz dos poderes, que é o económico). Cansei-me de ouvir o silêncio presente dos indignados do passado e a indignação presente dos silenciosos do passado. E, sobretudo, tenho sempre muitas dúvidas sobre a coerência de quem defende a precariedade profissional e editorial dos jornalistas e se quer trasvestir, quando dá jeito, em advogado da sua liberdade.

      Dito isto, o que Miguel Relvas fez com a jornalista do "Público" é grave. Não por o caso em si, que poderia corresponder apenas a um excesso do momento, mas por ser evidente que se trata de um padrão de comportamento. Assim como a cumplicidade com estes atropelos a uma imprensa livre é um padrão dos apoiantes do centrão que, à vez, passam de defensores dos jornalistas para disciplinadores dos jornalistas. Só depende de quem está no poder.

               - Publicado no Expresso Online

Razão teve o Arrastão em não se manifestar com esta gente quando fingiram acreditar no que não acreditavam.



Publicado por Xa2 às 07:52 de 22.05.12 | link do post | comentar |

6 comentários:
De .Burlões de Desempregados e inJustiça a 23 de Maio de 2012 às 11:53
Tribunal determina suspensão de comentários no blogue dos Precários Inflexíveis
Público, 22.05.2012 - Natália Faria

O movimento Precários Inflexíveis, criado por jovens trabalhadores precários - e tem feito algumas acções de alerta para situação de falsos recibos verdes -, recebeu uma ordem judicial para ocultar do seu blogue vários comentários que imputavam alegadas ilegalidades a uma empresa de marketing.

A empresa que moveu a providência cautelar nas Varas Cíveis de Lisboa, denominada Ambição International Marketing, alega que tais comentários criaram dificuldades acrescidas no recrutamento de novos profissionais.

Os comentários surgiram na sequência de um post, publicado a 10 de Maio de 2011, em que uma utilizadora do blogue se dizia burlada por uma empresa de marketing, a Axes Market, para a qual terá trabalhado sem ter chegado a receber qualquer remuneração. Nos 360 comentários que se lhe seguiram, eram muitos os que apontavam práticas semelhantes à Ambição Internacional Marketing, acusando-a de práticas fraudulentas e desonestas.

Apesar de reconhecer o “direito fundamental de liberdade de expressão e informação, cujo exercício não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”, o tribunal sustenta que “tal direito de informação e crítica não é ilimitado”, na medida em que colide com o direito que os visados têm “a ver respeitada a sua honra”. Conjugados os dois lados da questão, o tribunal considerou excessivo o pedido da empresa para que tais comentários fossem eliminados. Mas determinou a “suspensão ou ocultação” dos mesmos, estipulando uma multa de 50 euros por cada dia de atraso no cumprimento desta decisão.

Ao PÚBLICO, João Camargo, dos Precários Inflexíveis, sustentou que a decisão judicial “tem várias falhas processuais” e “é contrária aos princípios do Estado democrático”.
“O que as pessoas [autores dos comentários] fizeram foi expor várias ilegalidades.
E o tribunal, em vez de analisar se há ali matéria para actuar, determina que é preciso esconder tais comentários”, indignou-se .
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O Artigo 37º (Liberdade de expressão e informação/ Constituição da República Portuguesa) diz:
«1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações».
No entanto para muitos a Constituição é dispensável e acenam com censura à antiga.
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Este blog "Docs da Pólvora" ( http://docsdapolvora.blogspot.pt/2012/05/os-comentarios-que-um-juiz-mandou.html )
é um repositório de documentos do blog
"A Essência da Pólvora" ( http://aessenciadapolvora.blogspot.pt/2012/05/tribunal-assegura-direito-de-burloes.html ).
e inclui
Os comentários que o tribunal mandou ocultar ou suspender do site dos PRECÁRIOS INFLEXÌVEIS .
( http://www.precariosinflexiveis.org/2011/05/testemunho-axes-market.html?commentPage=1 )
«
10 de Maio de 2011
Testemunho: AXES Market

Recebemos no nosso mail um testemunho de uma pessoa enganada por uma empresa fraudulenta que se aproveita da fragilidade do desemprego para conseguir arranjar trabalho grátis. Segue o testemunho na íntegra:

Car@s Precári@s,
...
...
... é ir ver (mais de 200 comentários)


De .. a 23 de Maio de 2012 às 12:46
Car@s Precári@s,

Contacto-vos porque, no início deste ano, ao procurar um emprego em part-time para conciliar com a faculdade, acabei por ser vítima de uma suposta empresa de marketing que chegara a Portugal em Agosto de 2010 e se encontrava (e encontra) a recrutar colaboradores.

Ficam, ainda, muitos pormenores escabrosos por relatar, pois a lista é quase infinita. Gostaria apenas, por enquanto, de alertar tod@s @s jovens que se encontram à procura de emprego para que não caiam nesse esquema. Eles têm anúncios em sites de emprego legítimos, e ao que parece, mudam o nome e a localização dos escritórios com alguma frequência, portanto é possível que se venham a deparar com a mesma empresa sob outro nome. De momento, o nome AXES MARKET continua a constar nos anúncios.

O que aconteceu, resumidamente, foi o seguinte:
Enviei o meu currículo através do site "Empregos Online" e fui contactada no dia seguinte para marcação de entrevista. Perguntei a quem me deveria dirigir quando chegasse ao local e informaram-me de que só teria que dizer que vinha para entrevista, pois esta seria realizada pelo director. Solicitaram-me, ainda, que levasse uma cópia do meu currículo.

No dia seguinte, dirigi-me ao 6ºesquerdo da Rua Rodrigues Sampaio nº 30, onde fui entrevistada, em inglês, por um norte-americano (o director) que falou muito rapidamente acerca da função a desempenhar e me disse que, entre os cerca de trinta entrevistados naquele dia, menos de dez seriam contactados para a segunda fase de selecção.

No final do dia, a empresa entrou em contacto comigo para informar que tinha sido uma das escolhidas, e que deveria comparecer no dia seguinte às 12h30, vestida profissionalmente mas com sapatos confortáveis, pois iria acompanhar um colaborador ao longo do dia de trabalho. Pediram-me, ainda, que confirmasse a minha disponibilidade entre as 12h30 e as 20h, visto ser este o tempo que deveria permanecer com o colaborador em questão.

No dia seginte, fui então para o "terreno" com aquele que viria a ser o meu "leader" e mais dois colegas. O primeiro começou por fazer-me perguntas básicas: a minha experiência profissional, os meus objectivos, etc. Quando lhe disse que já tinha tido alguns empregos de Verão em lojas e que gostava do contacto com o público, ele respondeu: "Pois, mas vendedor qualquer idiota pode ser. Nós estamos a recrutar líderes, e a fase das vendas directas não é determinante, é apenas parte do processo.". Eu não me recordava de me ter candidatado a chefe de equipa uma vez que, como já referi, sou estudante e estava apenas à procura de um part-time - mas enfim, se encontrasse algo melhor que um call center não me faria rogada. Posteriormente, fui bombardeada por uma série de questões e informações acerca da área das vendas directas (porta-a-porta), enquanto, literalmente, corria atrás do tal líder. Tive ainda que responder a um questionário sobre os meus pontos fortes e fracos (10 de cada), bem como mencionar 15 características de um bom líder. Para além disso, foi-me pedido que respondesse a 3 adivinhas e que dissesse como imaginava a minha vida em 1, 5 e 10 anos. Tudo isto enquanto subia e descia escadas.

Á hora de almoço, o "líder" fez numa folha do meu caderno um esquema da progressão dentro da empresa e das remunerações, sendo que, na fase inicial, um colaborador receberia entre 250 a 300€ por semana, passando depois a 500 e assim sucessivamente. O horário de trabalho seria de segunda a sexta, entre as 11 e as 21h, sendo, no entanto, totalmente flexível para trabalhadores-estudantes.

Às 22 horas desse mesmo dia, completamente encharcada e cheia de feridas nos pés, caminhei com o líder até à estação do metro, onde este me disse que eu parecia ser uma pessoa empenhada e com muita força de vontade, mas não era extraordinária em nada e, assim sendo, ele não sabia se devia ou não recomendar-me ao director. Pediu-me que lhe dissesse o que tinha, então, de especial para ser escolhida entre os 5 que tinham passado à esta fase, pois só iriam ficar com uma pessoa - ou nenhuma, se não houvesse um candidato realmente à altura. Pressionou-me até...


De .Esquema de aldrabões. a 23 de Maio de 2012 às 12:54
...
Pressionou-me até eu responder que não sabia mais o que me distinguia dos outros e que, embora gostasse de ficar com o emprego, não teria qualquer problema se não fosse seleccionada, uma vez que respondera a diversas ofertas.

No final, fui novamente ao gabinete do director onde, surpreendentemente, este me deu os parabéns por ter sido seleccionada e que deveria começar no dia seguinte.

No dia seguinte, houve um "Opportunity Meeting" com o director, onde nos foi feita uma LAVAGEM CEREBRAL, cujo objectivo era fazer-nos crer que ganharíamos um bom ordenado ao mesmo tempo que progredíamos na carreira, e tudo isso dependeria apenas da nossa dedicação.
Essa "DEDICAÇÃO", como vim a verificar nas 3 semanas em que estive na empresa, consistia em trabalhar DOZE HORAS POR DIA, 6 DIAS POR SEMANA,
recebendo apenas uma comissão de 20 ou 30€ por venda - e, como é óbvio, nem sempre se vendia, principalmente porque nos enviavam para a mesma zona de dois em dois dias.
As despesas de deslocação e alimentação eram por nossa conta pois, teoricamente, éramos trabalhadores independentes.

Dada a dificuldade de encontrar na internet qualquer informação relevante acerca da empresa (que tem, pelo menos, três nomes) optei por pesquisar o nome do director e as minhas suspeitas confirmaram-se:
a empresa não passa de um ESQUEMA para encher os bolsos de quem está no TOPO, não tanto através das vendas, mas sobretudo do recrutamento de "distribuidores" (nas três semanas em que lá trabalhei, entraram pelo menos vinte novas pessoas),
que serão, também eles ILUDIDOS pela PROMESSA de crescimento profissional e SUGADOS por CHARLATÃES que tentam a todo o custo afastar-nos da realidade e que nos querem fazer crer que somos uns preguiçosos se o dia de trabalho não nos corre bem – mesmo depois de termos passado o dia inteiro à chuva, a bater a portas e a ouvir reclamações.

Eu saí da empresa um mês depois e até hoje NÃO RECEBI um cêntimo pelas vendas que fiz.
Recusei diversas entrevistas de emprego por achar que estava a trabalhar numa empresa a sério, e agora continuo sem trabalho – e com receio de voltar a deparar-me com uma situação semelhante.

Ficam, ainda, muitos pormenores escabrosos por relatar, pois a lista é quase infinita.
Gostaria apenas, por enquanto, de alertar tod@s @s jovens que se encontram à procura de emprego para que não caiam nesse esquema.
Eles têm anúncios em sites de emprego legítimos, e ao que parece, mudam o nome e a localização dos escritórios com alguma frequência,
portanto é possível que se venham a deparar com a mesma empresa sob outro nome.
De momento, o nome AXES MARKET continua a constar nos anúncios.

Grata pela atenção.

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Publicada por Precários Inflexíveis em 08:45
365 comentários:
1 – 200 de 365 Mais recente› Mais recente» Anónimo disse...

Ainda há dias vi o anúncio para isto - sim, eles continuam aí no activo - no site net-empregos.
O anúncio indicava que queriam pessoas para se tornar formadores da empresa.
Eu achei algo manhoso, pois dizia que os candidatos podiam ter qualquer tipo de formação.
Algo não batia bem; era demasiado «fácil», acessível.
Nem me candidatei. E ainda bem.

10 de Maio de 2011 17:37
Anónimo disse...
Agora estão na Rua dos Fanqueiros Nº 277 2ºEsq
1100-213 Lisboa

E o número de tlm é: 914552508<, email: dir.rh09@gmail.com.

Continuam a tentar enganar o pessoal da mesma maneira

12 de Maio de 2011 16:32
Anónimo disse...
Eu passei exactamente pelo mesmo.
Aquilo é uma ALDRABICE do principio ao fim.
Fui exactamente à mesma morada e o procedimento e as "lavagens cerebrais" foram exactamente as mesmas.

Muito obrigado a quem postou este testemunho. Já era tempo de alguém o fazer.


De .Porcos, pocilga e «1984»-Orwell. a 22 de Maio de 2012 às 10:38
A pocilga
(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

A perspectiva correcta, pelo Ricardo Alves:

"«O Ministério Público ordenou que fossem apagados os ficheiros armazenados nos telemóveis do ex-diretor do SIED, que incluiam milhares de contactos de figuras públicas e políticas, nomeadamente, aspetos da vida privada e orientação sexual dos visados» (Expresso).

«Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista (...)
de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara (...)
O PÚBLICO perguntou ao ministro Miguel Relvas se apagara as mensagens electrónicas que recebera do antigo director do SIED, Silva Carvalho» (Público)."

É necessário não perder de vista o que está na origem do fedor.


De "jornalistas comprados" a 22 de Maio de 2012 às 10:44
Adenda:
começo a achar muita piada ao realmente extraordinário trabalho do Jornal de Notícias sobre este tema.
O caso começou a ser notícia na passada sexta-feira de manhã.
Domingo à tarde, e nem uma notícia, uma que seja - pelo menos, na página on-line.
Até o Correio da Manhã já noticiou a coisa.
O rapaz - ou rapazes - do Relvas infiltrado na direcção do JN está de parabéns, excelente trabalho.
O campeonato de pesca da assessoria continua ao rubro.

tags: liberdade expressão, ministério da propaganda, crime organizado,


De .Secretas ao serviço privado e ilegal. a 24 de Maio de 2012 às 11:54
Olá, olá, daqui fala o amor
por Sérgio Lavos

Talvez com medo de que o ministro fizesse uma figura parecida à que fez na comissão de inquérito às secretas,
lá teve a maioria parlamentar PSD/CDS de chumbar a sua ida à Assembleia para esclarecer a razão da chantagem, das ameaças e das contradições no caso Público/Relvas.
Tudo bem. Simboliza uma escolha:
o Governo decide proteger um dos seus pontos mais fracos, arriscando um longo período de fogo lento na opinião pública. Lá terá as suas razões.
Mas, e se as razões forem, na realidade, as melhores possíveis?
E se na origem de tanto zelo estivesse o papel do próprio primeiro-ministro no problema que dá pelo nome de Silva Carvalho?
E se Miguel Relvas estiver a expor o peito às balas para proteger Passos Coelho?
No fim de contas, foi o próprio Público que noticiou as reuniões entre o ex-espião e Passos Coelho, há pelo menos um ano.
Talvez até tenha sido Relvas a proporcionar o bonito encontro de espíritos entre Silva Carvalho e Passos Coelho - via loja Mozart - mas a partir do momento em que o produto tóxico tocou as mãos do primeiro-ministro, tudo terá ficado contaminado.
E que relação terá este bonito ménage à trois com a notícia do Público que o ministro da propaganda conseguiu abafar com os seus exaltados telefonemas? O amor é verdadeiramente uma coisa bonita - e ainda agora a história começou.


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