De .FMI: - Zonas de Escravos Europeus de 5ª a 29 de Maio de 2012 às 10:21
Retrato de família, com Lagarde ao fundo

«A directora-geral do FMI, Christine Lagarde,(que ganha 380 mil euros/ano livres de impostos !! ) numa entrevista ao “Guardian”, declarou, mais vírgula, menos vírgula, que se está a borrifar para as crianças gregas que passam fome.
E, como se fosse a Madre Teresa de Calcutá, como se tivesse passado a vida nas florestas africanas a fazer voluntariado ou como se entregasse a sua abastada remuneração a obras de caridade, continuou, com desfaçatez:
“Penso mais nas crianças de uma escola numa pequena aldeia no Níger que têm duas horas de aulas por dia e têm de dividir uma cadeira por três.”
E concluiu com “chave de ouro”:
os pais das crianças gregas que paguem os seus impostos.

A demagogia destas declarações é muito mais chocante do que o comportamento sexual do seu antecessor.
A bem remunerada burocrata Lagarde fala dos gregos, do povo grego, como quem fala de um bando de salteadores, o que revela, também, para além da demagogia, a arrogância das instituições financeiras
que sugam, em juros, o trabalho alheio e, em vez de se envergonharem da usura, benzem--se como se fossem filantropos.

Depois de ter proposto uma “saída ordenada” da Grécia do euro e da União Europeia, estas declarações de Christine Lagarde significam, também, que,
após a vitória de Holande, em França, e da ascensão eleitoral da extrema-esquerda, na Grécia, o que trouxe para cima da mesa a discussão de novas questões sobre o futuro da União Europeia,
o FMI deixa claro que, nessa contenda, está inequivocamente ao lado da senhora Merkel e da visão alemã da Europa.
Limpa, assim, de uma vez por todas, algumas declarações anteriores da directora-geral do FMI, nas quais insinuou que a Grécia precisava de “mais tempo e mais dinheiro” para poder resolver a sua situação.

Mas, para entender melhor o que está em causa, nesta União Europeia governada pelos interesses alemães, na sexta-feira, o “Der Spiegel” tornou público dois documentos internos do governo alemão, produzidos pelo Ministério da Economia, nos quais se
propõe que os países meridionais em dificuldade, e citam a Grécia e Portugal (a que a Espanha não deve escapar), só se livram do INFERNO em que se AFUNDAM se seguirem o “modelo chinês”, constituindo “zonas económicas especiais” dentro da Europa.
( ZEE de capitalismo selvagem, de trabalho escravo, 15 horas/dia, partilha de "cama quente", tigela d'arroz e c. 100 euros por mês... se for "bom trabalhador e/ou 'simpática' pró chefe"...!! )

Estas “zonas” poderão atrair investimento estrangeiro, e resolver os seus problemas de deficit orçamental e dívida externa,
se aliviarem substancialmente a carga fiscal para as empresas e se eliminarem grande parte do que resta da legislação protectora do trabalho
(nomeadamente o fim da contratação colectiva do trabalho, a facilitação do despedimento, o aumento da idade de reforma, etc.),
e se suspenderem a legislação de defesa do ambiente (poluirem à vontade, estragarem bons terrenos agrícolas, parques, bosques, património comum ... e privatizarem/ venderem tudo ao desbarato !! ).

A senhora Lagarde não está preocupada com o sofrimento de ninguém.
Se estivesse, a instituição que representa podia aliviar o sofrimento das crianças africanas. Mas, como não tem garantias do retorno do dinheiro a emprestar (com os respectivos juros usurários), por parte dos governantes do Niger e de outros países africanos, fica com o dinheiro no cofre.
Porque não quer correr riscos.
Os riscos, para o FMI, estão só do lado dos devedores.

Em boa verdade, Christine Lagarde e a senhora Merkel não estão minimamente interessadas em aliviar o sofrimento de ninguém, antes pelo contrário.
O que elas querem, em nome dos “senhores do dinheiro”,
é que as crianças gregas e as portuguesas sofram como as crianças africanas.

Foi-nos conferida a vil tristeza de testemunhar este aviltamento da Europa e da condição humana.

Como pressagiou Fernando Pessoa: depois do período do dinheiro, “cairemos por fim em outro de autoridade, até que, no extremo, a nova barbárie, outra vez a força, nos tome e leve”.» [i]Tomás Vasques.


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