De BASTA ! a 6 de Junho de 2012 às 09:08

Durante demasiado tempo, ADORMECEMOS ...

e os VAMPIROS vieram pela calada da noite !!

Taxa real de DESEMPREGO 22,44 % i.e. 1.280.000 PESSOAS !!

B A S T A !!

Unidos contra a tróika e os governos do desemprego e empobrecimento !


De .A LUTA por 8 H de trabalho. a 15 de Junho de 2012 às 12:18
Galopim de Carvalho - Um Olhar Essencial...

É, para mim, uma Honra transcrever aqui este texto da autoria do Professor Doutor Galopim de Carvalho, publicado no blogue "Sopas de Pedra"...
O Professor Galopim de Carvalho é espelho do melhor da Razão e da Alma Portuguesa... Cientista, Escritor e Cidadão de Primeirissima Água a quem agradeço a autorização da partilha e a quem aproveito para prestar a minha sincera Homenagem, expressando a maior Admiração pela sua Obra e a sua Vida... pela Ciência, pela Arte e pela persistência no Sonho e na Luta por um Mundo Melhor para Todos: Bem-Haja, Professor!

" 50 ANOS DEPOIS

COMPLETARAM-SE no passado mês de Maio cinquenta anos sobre a conquista das oito horas de trabalho diário pelos camponeses do Alentejo e do Ribatejo.
Foi em 1962, doze anos antes da queda do regime de Salazar e Caetano e representou uma vitória com significado sociológico e político bem destacado na luta que, também noutros sectores, se travava contra a ditadura.
Os nossos filhos não a conhecem nem as duras condições de trabalho e de vida que se viveram nos campos destas duas províncias.
Quando, no final dito mês de Maio de há precisamente meio século, fui informado deste feito, eu estava de partida para França, como bolseiro do então Instituto de Alta Cultura, a fim de estagiar no Museu Nacional de História Natural de Paris. Tinha terminado o meu curso no ano anterior e ficara na Faculdade como Assistente da cadeira de Mineralogia e Geologia.

Acontece que, como já tenho escrito, sendo um rapaz urbano pelo nascimento e pela criação, em Évora, convivi e fiz amigos entre os camponeses de uma larga cintura em redor da cidade.
Foi durante a minha adolescência, na segunda metade dos anos 40, nas aldeias e nos campos onde, com o meu irmão Mário e dois ou três colegas de liceu, montávamos tenda ao sabor de um campismo rudimentar e selvagem que era possível fazer nesse tempo.
Com uma ou duas tendas de tipo canadiana e algum material que requisitávamos na Casa da Mocidade (expressão pela qual designávamos a sede da Ala de Évora, da organização juvenil do Estado Novo, Mocidade Portuguesa) e tudo o mais que a mãe nos emprestava, este contacto com a natureza (ainda muito pouco degradada pelo “progresso”) e o convívio muito estreito com estes meus conterrâneos, vacinaram-me contra um certo elitismo que ainda existe nos meios intelectuais da sociedade portuguesa.

Foi através de um destes meus amigos que tomei conhecimento do feito que marcou o fim de uma das fases mais dolorosas da vida de um povo em luta por melhores dias.
Filho de gente pobre, porqueiro em criança e adolescente, assalariado rural para todo o serviço, em homem pai de filhos, o Ludgero, que eu desconhecia ser militante comunista na clandestinidade, relatou-me o essencial desta luta vitoriosa, despontada no litoral alentejano.

- No princípio deste mês, - começou ele por dizer – os trabalhadores agrícolas, entre homens e mulheres de Grândola, de Alcácer e da Herdade da Palma conquistaram o direito às 8 horas de trabalho.
Esta conquista estendeu-se, num foguete, a todo o Alentejo e a todo o Ribatejo.
- E tu estiveste nessa luta, claro?
- Está-se mesmo a ver que estive! Nem podia deixar de estar. Eu e muitos milhares de trabalhadores. As oito horas de trabalho já tinham sido conquistadas nas fábricas. – Continuou ele.
- Foi em 1919, durante a Primeira República. Essa conquista só agora chegou aos trabalhadores do campo.
Foi a recompensa de uma luta organizada do nosso povo contra os agrários. Uma luta que vinha desde os anos em que a gente, os dois, se conheceu, lá no monte, andava eu mais o Faísca a correr atrás dos bácoros.
Francamente interessado naquela conversa, adiantei:
- Eu sei que o horário dos assalariados rurais era de “sol a sol”.
- Diz-se do nascer ao pôr-do-sol, mas era mais do que isso. Era escravizante. - Acrescentou o Ludgero.

- Para muitos destes homens e mulheres, os dias começavam mais cedo, bem antes do nascer do sol, e acabavam mais tarde, já noite cerrada.
Tinham de andar a pé, uma ou duas horas, até chegarem ao trabalho e fazer a mesma caminhada, de volta a casa.
Para a ceia, ...


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