De Zé da Póvoa a 8 de Junho de 2012 às 11:11
Curioso:
Tanto D.Januário como D.Manuel Martins (bispo emérito de Setubal), quando jovens, foram colaboradores directos de D.António Ferreira Gomes (bispo do Porto) que foi perseguido pela PIDE e pelo regime fascista e teve que se exilar.

Ambos (D.Januário e D.Manuel) sabem o que é ser perseguido pela PIDE, por experiência própria e pelo que viram fazer.

Nos tempos que correm terão que ter maiores cautelas porque os esbirros do Relvas também andam por aí a fazer relatórios e a enviá-los ao chefe a pedir orientação !


De JoãoVasco a 8 de Junho de 2012 às 11:41
As declarações de Januário são de louvar?

Pelo pouco que conheço, simpatizo pessoalmente com a figura de Januário Torgal
(a ausência do termo reverencial «Dom» deve-se ao fim dos títulos nobiliárquicos em Portugal, faz já mais de cem anos).
Parece-me um indivíduo com empatia pelos mais desfavorecidos, e com vontade de afrontar as injustiças e abusos dos poderosos.

Portanto, quando faz críticas severas a este terrível Governo, e estas terríveis políticas, desde as mais recentes
(«No fim ainda aparece um senhor, que pelos vistos ocupa as funções de primeiro-ministro, dizendo um obrigado à profunda resignação de um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico.»)
até às muitas outras que tem vindo a fazer, apelando à mobilização cívica, à defesa da Democracia, a minha primeira reacção é de aplauso.

Mas depois percebo o meu erro. Pelo papel que tem, Januário não deveria fazer esse tipo de declarações.
Eu não gosto quando o Bispo da Madeira fala no «Dragão do Comunismo», tentando condicionar os votos dos madeirenses usando para tal o seu papel de autoridade religiosa.
E esta situação é uma de muitas, reais ou hipotéticas.
A lei actual limita a liberdade de expressão dos sacerdotes para se imiscuírem nas questões político-partidárias.
Pelos vistos considerou-se que o poder de dizer, de forma credível para muitos devotos,
«se votas no partido X vais para o Inferno, se votas no Z Deus recompensar-te-á», é um poder excessivo e que a lei tem de proibir o seu abuso.
É um debate interessante saber se a lei deveria ser desta forma ou não.
Mas enquanto for, creio que não deveria aplaudir quem a viola, mesmo que concorde com as suas palavras e as considere bem intencionadas.


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