Dias de Portugal : passado, condicionado e alternativas

António Nóvoa, Voz de Portugal (discurso integral)

    O discurso do Professor Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, na cerimónia de celebração do 10 de Junho, protagonizou a verdade de um sentir colectivo, corajosamente assumido - talvez de forma imprevista mas, inequivocamente!, gratificante para todos nós. Centrado nas dificuldades económico-sociais do país, o discurso de Sampaio da Nóvoa referiu-se abertamente a todas as "chagas" que ardem, abertas, no coração das pessoas e no país que somos - para além da ilusória, fastidiante e alienatória invocação dessa figura fantasmagórica com que, internacionalmente, se presume poder prender os povos ao medo... Sampaio da Nóvoa falou da liberdade, da igualdade, do mérito e do conhecimento... falou do colectivo, da fome, da emigração, do desemprego, da autonomia e da falta dela... falou da falta de organização estrutural de um país que se rende ao exterior por não apostar na cultura, no ensino e na ciência com que se poderia estruturar internamente, de modo a resistir às dependências a que o desinvestimento endógeno conduziu... Citando Teixeira de Pascoaes, Antero de Quental, Sofia de Mello Breyner Andersen e Zeca Afonso, Sampaio da Nóvoa, num discurso que é, de facto!, sinónimo da essência da Política, acordou o país para o Abril que somos e temos o direito de querer continuar a ser!Obrigado, Professor António Sampaio da Nóvoa! Muito, muito obrigado!


Publicado por Xa2 às 13:58 de 12.06.12 | link do post | comentar |

5 comentários:
De . a 14 de Junho de 2012 às 09:52
10 de Junho - o Discurso
(-por AG , CausaNossa, 10.6.2012)

Simples, como devem ser os actos claros e limpos.
Com a simplicidade depurada de que são capazes intelectos maiores.
Com uma ideia para Portugal, com conhecimento profundo sobre o país, da História e do resto.
Com pensamento organizado para Portugal na Europa. E para a Europa, pela Europa.

Com a teimosia de não desistir de Portugal, a sensibilidade de não o esvaziar de portugueses e a justiça devida aos mais vulneráveis e desprotegidos.

Com a ética de não abastardar liberdade em neo-liberalismo, ou diluir Pátria e democracia em PPPs e trocos da troika.

Sem medo das referências culturais e emocionais que a Esquerda tanto esquece e a Direita adoece.

António Sampaio da Nóvoa pensa Portugal e não admite o "outsourcing" do futuro dos portugueses.

Não o conheço de hoje. Sei-o com a força dos "rari nantes in gurgite vasto", como vem exercendo o cargo de Reitor da Universidade de Lisboa.
Com o Discurso deste 10 de Junho, plantou em muitas cabeças, e reforçou na minha, a esperança, a vontade, a determinação.
É justamente para isso que serve um Presidente da República.
Ele pode sê-lo.
Tem todas as qualidades para o ser.

E propõe caminho, a gerações que hoje se entreolham, para arregaçarem mangas e extrincarem Portugal da depressão e da vileza do empobrecimento e da desigualdade.
O modelo constitucional permite o que a crise exige: um Presidente que federe Portugal, em nome do progresso e de Abril. E que federe a Esquerda e à esquerda. E que esteja acima da lógica partidária, apoiado por partidos certamente, mas não dependendo deles na narrativa e na acção.

"Habemus candidatum" (se ele quiser, naturalmente) - imagino que possam acompanhar-me vultos ilustres do país, como Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.


De .Sociedade condenada ?. a 19 de Junho de 2012 às 14:08
Pensamento da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada;
quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores;
quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e
que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;
quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício;
então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".


De MoKa a 12 de Junho de 2012 às 16:59
Ou será isto que é ser português?

«Norberto Rosa falava na comissão de inquérito parlamentar sobre a nacionalização e reprivatização do BPN, depois de salientar que parte substancial dos encargos foi já assumido ao nível do défice orçamental.

"O montante das imparidades registadas é de cerca de 2,2 mil milhões de euros. A menos que haja uma recuperação desses créditos, que não se antevê face à conjuntura, são prejuízos, mas já foram assumidos pelo Estado quer no défice de 2010 (1800 milhões de euros), quer em 2011", referiu.

Ainda de acordo com o ex-secretário de Estado e atual administrador da Caixa Geral de Depósitos, o Estado teve o encargo direto de 600 milhões de euros para a capitalização do banco, "o que afetou o défice das contas de 2011".

"Globalmente estamos a falar num valor de 2,8 mil milhões de euros. São os valores que estão neste momento contabilizados e que correspondem à melhor estimativa com base no calculo das imparidades dos ativos", concluiu.»


De .Português de 3ª, dispensável. a 12 de Junho de 2012 às 16:44

Ser português
(OJumento, 11.6.2012)

Sou funcionário público, cortam-me no vencimento, depois tiram-me os subsídios, entretanto aumentaram-me os descontos e o ministro das Finanças diz que estou empenhadíssimo em dar o exemplo de trabalhador incansável e apoiá-lo até à exaustão, mesmo sabendo que quando o rapaz se for embora eu ficarei tramado e ele vai continuar a receber subsídios no Banco de Portugal.

Sou desempregado, sugerem-me que passar fome, não ter com que alimentar os filhos, não saber como vou pagar as contas da água e da luz, ter de entregar a casa ao banco antes que não consiga pagar os impostos e o fisco a venda em leilão, entregar o carro por falta de pagamento das prestações, mas devo estar feliz e gritar de contente, graças ao desemprego o primeiro-ministro abriu-me as portas da felicidade, finalmente tenho a oportunidade de mudar de vida que enquanto estive empregado me foi recusada.

Perco uma quarta parte do meu rendimento, pago mais impostos quando vou às compras recebo menos salário depois de cobrado o IRS, pago mais quando vou ao hospital, não tenho qualquer futuro mas devo estar firme e hirto, gritar ao Passos Coelho “bate, bate, bate!”, tal como o participante do programa da SIC gritava “põe, põe. Põe!”, apelando ao apresentador para lhe meter a iguana em cima da careca a troco de um prémio. Mesmo sem o prémio do careca sou tudo menos piegas.

Sou jovem, acabo um curso universitário depois de uma vida de estudo e o primeiro-ministro sugere-me que parta, que estou a mais no meu país, que me faça ao caminho e me desenrasque, no meu país deixou de haver lugar para jovens e assim sendo o melhor é mesmo partir, se com a reduzida taxa de natalidade o país já está velho, com a expulsão em massa dos jovens é caso para recear que o país se transforme num imenso lar de velhos, doentes, sem pensão e governado por idiotas.

Leio o jornal e fico a saber que a jornalista foi alvo de chantagem por parte de um ministro, ligo a televisão e fico a saber que um bispo que criticou o governo viu ser divulgada num jornal (de um grupo interessado na RTP) de informação falsa sugerindo que o bispo é um reformado rico, aos motivos económicos para fugir do país começam a haver sinais de que lá fora se respira melhor.

No fim de tudo isto o primeiro-ministro diz que sou simpático, manso, que estou disposto a ser escravo do patrão, que enquanto cidadão sou a coisa mais parecida com um corno manso. Diz-me que devo ser cobarde e que não devo exigir o respeito pelos meus direitos mais elementares para que a Merkel se convença de que sou cobarde. Tenta animar-me garantido que tudo está muito melhor do que na Grécia para que os amigos da troika não sejam condenados pela desgraça em que está a economia portuguesa, sou forçado a participar nesta encenação em que todo um país dá graxa à Merkel.

É isto que neste momento é ser português?


De .Desistir ... ou rebentar !!. a 21 de Junho de 2012 às 14:44

Pim pam pum
(- por Sérgio Lavos, Arrastão)

Poderia socorrer-me da ironia para comentar o desfecho do caso Relvas: "Que surpresa, a ERC ter deliberado em favor do ministro que a tutela..."

Ou da indignação pura e dura: "Se o ministro tivesse um pingo de vergonha naquela cara de maçon murcho, já se teria demitido; se o primeiro-ministro tivesse uma réstia de decência no corpo e um estertor de vivacidade na espinha, teria ele mesmo feito o serviço."

Ou então da raiva contida: "Uma vez mais, prova-se que em Portugal, quando se fala de políticos, a culpa morre sempre solteira."

Ou ainda do queixume miserabilista nacional, tão "tradicional" como os cães de loiça da Joana Vasconcelos: "Um país a ir pelo cano, em que cada caso grave redunda em vazio; o fundo do poço irá sempre ser mais fundo."

Ou, em caso de desespero, aceitar a resignação passiva: "Que fazer? Mas alguém estaria à espera de outro resultado?"

Mas enfim, tudo corre sem sobressalto. Cívico, humano ou de vida. Vou deitar-me, ler um pouco e tentar adormecer.

Amanhã o país vai estar um pouco pior, mas que se lixe; se ninguém se preocupa, deixa andar.

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tags: crise, liberdade expressão, miguel relvas, ministério da propaganda


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