Centrão de Parcerias ruinosas para o Estado e contribuintes

A tua PPP é pior do que a minha  (-por Daniel Oliveira, Expresso online)

Estou divertidíssimo com o jogo do centrão à volta das Parcerias Público-Privadas (PPP). Lendo alguns colunistas e ouvindo alguns comentadores fico convencido que foi Paulo Campos que as inventou. Tudo se resume a debater as responsabilidades deste senhor. Só que Paulo Campos é apenas um entre muitos. E, arrisco-me a dizer, até é arraia miúda. 
    Quando era jornalista no ativo e acompanhava a política de obras públicas discuti com vários técnicos e economistas aquilo que era então considerado o ovo de Colombo. Poucos, muito poucos, não adoptaram os princípios do "project finance" como o linguajar de gestor da moda. Na altura eram as obras rodoviárias que lhes calhavam bem. Mas a saúde acabou por seguir o mesmo caminho. Também aí a generalidade dos ideólogos do centrão aplaudiam as evidentes vantagens de associar a criatividade financeira do Estado ao empreendedorismo do privado. E quem, num caso e no outro, as atacasse, logo era acusado de preconceito ideológico contra os privados, de miserabilismo e de viver no passado.

    O que são as PPP's e quais os prejuízos que causam ao Estado escuso-me de explicar. Cada um de nós terá de desembolsar 4.512 euros até 2050, não apenas para pagar as obras, mas para garantir o rendimento máximo garantido às empresas privadas que, com uma boa agenda de contactos no PS e no PSD, garantiram para si este negócio sem risco. O esquema é hoje sobejamente conhecido e toda a gente era contra estas parcerias desde pequenino.

    Agora, enquanto os negócios se continuam a fazer e nenhum dos acordos ruinosos para o Estado é realmente renegociado, o consenso retórico do centrão - partidário e de opinião - é o oposto: como é que isto aconteceu? E abriu a caça ao "pêpêpista". Como Paulo Campos deu nas vistas, nada como ser o senhor a arcar com as todas as responsabilidades para não aborrecer gente muito séria que pulula por conselhos de administração de empresas igualmente acima de qualquer suspeita.

    A ver se nos entendemos: não há, nesta matéria, entre o PS e o PSD, qualquer diferença. Fizeram o mesmo, da mesma maneira, pelas mesmas razões, com as mesmas desvantagens para nós e as mesmas vantagens para eles.

    Porque tiveram as PPP's tantos entusiastas nos dois principais partidos? É olhar para o trânsito entre os principais ministérios e as administrações das principais beneficiárias das PPP's e logo se percebe porque não houve muitos ministros e secretários de Estado preocupados com os interesses do Estado e dos contribuintes. De António Vitorino a Valente de Oliveira, de Murteira Nabo a Luís Todo-Bom, de Luís Parreirão a Luís Filipe Pereira, de Jorge Coelho a Joaquim Ferreira do Amaral, de José Lopes Martins a Pedro Dias Alves, de Júlio Castro Caldas a António Nogueira Leite, os ex-titulares do ministérios fundamentais para estes negócios que estão ou estiveram nas principais empresas que deles beneficiaram (Mota-Engil, Soares da Costa, Grupo Mello ou Lusoponte) explicam as razões desta astronómica fatura.

    Dito isto, continuem então o PS e o PSD na guerra das culpas. Terão muito trabalho pela frente. E os seus opinadores de serviço também, para conseguir fazer a devida seleção de culpados e explicarem que as PPP's do lado de lá foram muito piores do que as do lado de cá. Uma verdadeira comissão de inquérito às PPP's? Acho óptimo. Se for a sério, poderemos ver um interessante desfile de políticos-gestores. Teremos uma longa metragem do que foi e é o país político e empresarial dos últimos vinte anos. Digno da RTP Memória.

 



Publicado por Xa2 às 07:44 de 14.06.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De .PPP saúde - Auditoria Cidadã. a 14 de Junho de 2012 às 17:43
PPP na saúde
(-por Daniel Oliveira, Arrastão)

PPP na Saúde - Público-Privado: Que Parcerias?

Iniciativa Auditoria Cidadã à Dívida Pública

Debate / Sessão Pública 16 de Junho 2012 – 14h30, Biblioteca-Museu República e Resistência

As parcerias público-privadas estão actualmente no centro da discussão pública, com grande foco para as rodoviárias e ferroviárias.
No entanto este conceito de investimento, que se reveste de incertezas está presente em quase todas as áreas da economia portuguesa, havendo grande relevância na última década nas concessões e PPPs na área da Saúde.
Desde o mais antigo Hospital Amadora-Sintra até ao Hospital de Loures, passando pelo conturbado Hospital de Braga, a polémica nunca esteve afastada do investimento através de contratos de PPP com o grupo Mello Saúde, Hospitais Privados de Portugal (HPP Saúde) e BES Saúde.

As opiniões dividem-se, em altura de particular escrutínio das contas públicas e do tipo de investimento seguido nas últimas décadas.
A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida organiza um debate público com alguns especialistas e participantes nestas PPPs:

Bruno Maia: Médico no Centro Hospitalar de Lisboa Central, Grupo Técnico da Auditoria Cidadã
Mário Neves: Antigo Presidente da Federação Nacional dos Médicos
Romana Borja-Santos: Jornalista do Público
José Boquinhas: Antigo Secretário de Estado da Saúde, Administrador HPP Saúde

A Iniciativa Auditoria Cidadã apresentará alguns dos resultados alcançados até agora no processo de escrutínio cidadão e democrático das contas e contratos de parcerias público-privadas na Saúde em Portugal.


De MoKa a 14 de Junho de 2012 às 11:10
«Eu não sei se a minha é (PPP) maior que a tua...»

E eu não sei se se esta (PPP) é mais ruinosa do que aquela...

Mas o que eu julgo saber é que todas elas~são ruinosas para o Estado Português.

E ainda sei que o nosso povo não é como o islandês. O que é uma pena,
Pois uma das soluções para nos vermos livres desta escumalha era proibir qualquer um dos antigos e atuais políticos que passaram pelos sucessivos governos de continuarem a exercer ou a candidatrem-se a cargos políticos ou trabalhar de forma direta e indireta para empresas estatais. E nomear, como fizeram na Islândia, um conjunto de cidadãos impolutos, para por o país em ordem e processar civil e criminalmente quem ao longo dos anos tem desgovernado o nosso Portugal.


De Nuno a 14 de Junho de 2012 às 10:58

Eu não sei se a minha é (PPP) maior que a tua, nem me interessa medir.

O que sei é que existem decisões (ou recomendações, ou conclusões) do Tribunal de Contas, que penso eu, não é um orgão ao serviço do Coelho nem do da Coelha, que indicam que o senhor Paulo Campos omitiu, deliberadamente, documentação que permitiu aprovar projectos previamente chumbadoss pelo TC.
Ora parece-me que é urgente esclarecer esta questão que, a ser verdade, entra claramente na esfera criminal.

Quanto às restantes PPP, devem ser analisadas, uma a uma, sob 2 prismas:

1. necessidade e estudos de viabilidade (à cabeça vem aquele "grande" projecto do Aeroporto de Beja, que não sei se é PPP ou de que Partido é, mas é certamente um elefante branco que teve origem em estudos de viabilidade aldrabados), chamando à responsabilidade que fez os estudos, e quem os aprovou

2. modelo de financiamento, tanto o inicial como o "renegociado"; para saber quem assinou o quê, e porquê, bem como a razão do Estado arcar com o risco enquanto os privados ficam com rendimento garantido.

Um a um, era chamar todos, mas TODOS, os envolvidos, e fazer disto um processo técnico, e não político.


De .Responsáveis pelas PPP e ... a 14 de Junho de 2012 às 11:00
antónio pedro pereira
Carlos Marques:

Mas o Cavaco recebeu 200 mil acções de borla (ou quase), para ele e para a filhinha, oferecidas pelo amigo banqueiro Oliveira e Costa, ou não?

E quando o pulha do Sócrates lhe apresentou a decisão de nacionalizar o BPN assinou de um dia para o outro sem tugir nem mugir.

Estão ele não é professor de Finanças Públicas?

Não sabia as consequências do acto?

Que o pulha e ignorante (de contas e de tudo o resto) do Sócrates tivesse querido safar a massaroca dos amigos todos que lá tinham o carcanhol ainda se compreende.

Dali não se espera outra coisa.

Mas do impoluto Cavaco, do sabedor Cavaco?

Em que é que ficamos?

Vocês ficam todos alcachofrados só por acharem que o Daniel está a querer safar um pouco o irresponsável Paulo Campos, equiparando-o aos outros que promoveram as PPP anteriormente.

Mas quando se trata do BPN, o sonso do Constâncio, o inenarrável Sócrates e o faz-tudo-o-que-lhe-mandam do Teixeira dos Santos é que tiveram a culpa toda (e tiveram muita), mas o vosso querido líder não.

Aquela virgem ingénua paira sempre acima de qualquer responsabilidade.

Deixou destruir a Agricultura, a Indústria, as Pescas, deixou estoirar a massa na Formação Profissional em cursos para se apreender nada, inaugurou a política de betão e as PPP, tanto nas estradas como nos hospitais, construiu o CCB (que custou 4 vezes mais) e a EXPO 98, e, afinal, nunca foi 1.º ministro.

Como presidente assistiu impávido e sereno ao deboche do Sócrates, só acordando quando a corda se estava já a partir, pactuou com o Jardinismo, mas está sempre acima de qualquer suspeita, recebeu uma pipa de massa de acções dos vigaristas do BPN, comprou uma casa de luxo a Quinta da Coelha de uma forma, no mínimo, muito esquisita, mas está sempre acima de qualquer suspeita.

Há tipos com sorte (porque há sempre outros que dão cobertura a tudo o que eles fazem).


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