Não ficou tudo na mesma !

    Não ficou tudo na mesma   (por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

 Alexis Tsipras, eleito líder do Synaspismos (principal partido da coligação Syriza) há três anos e sério candidato a primeiro-ministro da Grécia nas últimas eleições, com apenas 38 anos, conseguiu um feito extraordinário: multiplicou por seis (tinha 4,6%) a percentagem do seu partido, em apenas três anos, e, desde as últimas eleições, há dois meses, passou de 17% para 27%. Mas tudo isto não chegou para ganhar as eleições. Os eurocratas e a senhora Merkel suspiraram de alívio. A chantagem a que se dedicaram, numa desenvergonhada e nunca vista ingerência na vida política de um país membro da União Europeia, não retira às eleições gregas as sua legitimidade democrática. Não foi ontem que a Europa sentiu o abalo de que urgentemente precisa para não se autodestruir.
         Antes de coisas mais importantes, três lições menores destas eleições.
A primeira: os comunistas ultraortodoxos do KKE baixaram, em dois meses, de 8,5% para 4,5%. O sectarismo de se recusarem a participar num governo de esquerda paga-se caro. Até na tradicionalmente sectária vida política grega.
A segunda: os neonazis (da Aurora Dourada), mesmo depois das extraordinárias agressões na televisão, mantiveram a sua percentagem. O desespero de um povo torna o impensável aceitável.
A terceira: segundo uma sondagem, entre os 18 e os 34 anos, 33% dos eleitores votaram no Syriza, e apenas 20% votaram na Nova Democracia; entre os 35 e os 54, 34% votaram no Syriza e 24% na Nova Democracia; acima dos 55, 39% votou na Nova Democracia e 20% no Syriza. Foi o eleitorado tradicionalmente mais temeroso da mudança que garantiu a vitória da (conservadora NovaDemocracia) de Samaras. E a jovem Grécia, que quer emprego, não quer imigrar, e é a única que tem condições para fazer o país avançar, quer mudar de vida.
        Mas não se julgue que tudo está na mesma na Grécia.
Os coveiros da Grécia, que a faliram e que a entregaram à troika, Nova Democracia e PASOK, juntos, conseguem a maioria dos deputados, graças ao extra de cinquenta deputados para o partido mais votado. Mas os partidos que defendem o memorando têm apenas 41% dos votos. O governo, que o pode continuar a impor à Grécia, se chegar a existir, será extraordinariamente fraco e sem a maioria dos votos dos gregos. Com uma agravante: com o Syriza com uma votação tão próxima da Nova Democracia (apenas menos 3%), há, sempre à espreita, uma alternativa clara.
        Compreendendo isto, o PASOK (que caiu ainda mais um bocadinho) quer amarrar o Syriza a um governo que aceite a continuação deste caminho. Os socialistas perceberam que, continuando a cumprir o papel que têm tido, se condenam à extinção. E querem o resto da esquerda no governo, assegurando-se que não há alternativa.
Esta é a primeira vitória do Syriza: deixar claro, para o PASOK mas para toda a social democracia desistente, que ou escolhem um lado e honram o seu legado histórico, ou outros tomarão o seu lugar.
        Sabendo da insustentabilidade da aplicação desta receita suicida, Antonis Samaras (ND) prometeu uma renegociação dos termos do memorando. Esta foi a segunda vitória do Syriza: ao apresentar-se como real alternativa de poder conseguiu, mesmo perdendo por "uma unha grega", que a direita recuasse nas suas posições. Se a vitória da ND tivesse sido extraordinária, até podiam dar o dito por não dito. Assim, não chegará uma operação de cosmética para se manterem no poder. Lá estará um forte partido da oposição para pôr o governo em perigo e substitui-lo.
        A Europa não mudou ontem. Tenho pena.
Mas, com este resultado histórico e com o recuo a que obrigou os partidos da troika, o Syriza conseguiu que não ficasse tudo na mesma. A Grécia não conseguiu dar o empurrão para uma refundação das políticas europeias, mas pregou um susto que terá efeitos.
        Ao contrário do que muitos pensam, a vitória da ND é um passo mais rápido para a saída grega do euro do que seria a vitória do Syriza. Não obrigando a Europa, que terá mais dificuldade em livrar-se da Grécia - pelos efeitos de contágio que isso provocará - do que se julga, a mudar de rumo, a austeridade tratará de fazer o que a direita julgava que um governo de esquerda faria. Estas eleições foram, desse ponto de vista, uma oportunidade perdida. Em vez de a travar, a Grécia apenas terá abrandado a loucura alemã. Mas todos os que o quiserem perceber, perceberam: paira sobre a Europa o espectro da revolta. O tempo do mais estúpido dos consensos - o da austeridade - acabou. Ela poderá continuar. Mas está cada vez mais frágil.
                 Resultadoscom mais de 99% dos votos apurados ('Noite longa' 17.6.2012): 
Nova Democracia           129 deputados (incluindo +50) 29,66 %
Syriza                           71 deputados 26,89 %
Pasok                            33 deputados 12,28 %
Independentes Gregos  20 deputados 7,51 %
Aurora Dourada            18 deputados 6,92 %
Esquerda Democrática  17 deputados 6,25 %
KKE                               12 deputados 4,50 %

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Publicado por Xa2 às 07:53 de 18.06.12 | link do post | comentar |

5 comentários:
De .Vitimas de Berlim-Frankfurt-Bruxelas. a 19 de Junho de 2012 às 12:54
Krugman defende que a Grécia é uma vítima

O prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, ataca os responsáveis europeus por terem criado um "sistema monetário imperfeito" e diz que a Grécia é uma das vítimas do processo.


O "Diário Económico" escreve que num artigo de opinião no The New York Times, o prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, afirma que "a Grécia, apesar de não sem pecados, está em crise sobretudo graças à arrogância dos responsáveis europeus, maioritariamente os países ricos, que se convenceram que podiam fazer funcionar uma união monetária sem um governo único".

Para Krugman, "os mesmos responsáveis agravaram a situação insistindo que os problemas do euro foram causados pelo comportamento irresponsável da parte dos países do sul da Europa, e que tudo poderia funcionar se as pessoas estivessem dispostas a sofrer mais".
Além disso, acrescenta, desde que a Grécia foi para a ribalta dos mercados, muito se disse sobre o que está mal no país e que "algumas das acusações são verdade, enquanto outras são falsas - mas todas falham no essencial"

O Nobel da Economia aponta "as origens do desastre residem mais a norte, em Bruxelas, Frankfurt e Berlim", onde os responsáveis criaram um "sistema monetário imperfeito".


De .Resgatar Estados das garras dos Bancos. a 18 de Junho de 2012 às 14:49
A conspiração alemã
(- por AG , CausaNossa, 16.6.2012)

Descreve-a Floyd Norris, o correspondente chefe para os assuntos económicos do New York Times, no artigo "As Europe's currency union frays, conspiracy theories fly", ontem publicado.

Uma conspiração que está a destruir o euro e a UE, visando conseguir pela via financeira o que não foi conseguido pelas armas: uma Europa alemã.

Exagero ofensivo, acusarão alguns. Mas, se não é, parece!

Com a procrastinação (adiar/atrasar sempre) de Merkel em relação a várias saídas apontadas para a crise - o BCE como verdadeiro Banco Central e com mandato para emprestar aos governos, a garantia de depósitos comum, os eurobonds ou um fundo de amortizaçao da divida...
E a obstinação de Merkel em impor a receita de austeridade recessiva e punitiva, enquanto os seus Bancos e empresas exportadoras - que muito instigaram o despilfarro orçamental, as bolhas imobiliárias e o endividamento das famílias na Europa - entretanto tratam de limpar as suas carteiras de investimentos tóxicos.

Como sublinha o articulista, com conspiração ou sem ela, o resultado é o mesmo:
o Euro está a criar o contrário da prosperidade, cooperação e integração que era suposto criar e a Alemanha está a fomentar recessão, ressentimento e raiva na Europa.
E o impacto devastador abala à escala mundial.
Não será, esperemos, inicio da III Grande Guerra. Mas uma certa guerra já começou...

----------

Resgate dos Estados das garras dos bancos
(-por AG , 15.6.2012)

No rescaldo do resgate espanhol, o Governo português deve pedir à Troika a reconsideração das condições e do prazo de reembolso do empréstimo a Portugal, na linha do que serão as aplicaveis para outros países.
Irlanda e Grécia já estão a exigi-lo, só o Governo de Passos Coelho é que continua amestradamente submisso, pagando duramente os portugueses.

Defendi esta linha de pensamento na edição de 12 de Junho da rubrica Conselho Superior na rádio pública ANTENA 1, por entender ser mais do que tempo de Portugal reivindicar condições de ajustamento que deixem meios para investir no crescimento e no emprego.

Como é tempo para o Governo obrigar a banca nacional a emprestar às Pequenas e Médias Empresas, sobretudo às exportadoras ou orientadas para substitutir importações.

Alem dos antros de criminalidade que eram o BPN, o BPP, outros bancos, como o BES por exemplo, foram cúmplices ou, pelo menos, instigadores do despilfarro que contribuiu para o endividamento dos cofres públicos.

Refiro-me a despesas com estádios, submarinos, parcerias público-privadas, etc. ...
em que os bancos nacionais se encarregaram das engenharias financeiras desastrosas para o Estado....

Em toda a Europa sucedeu o mesmo.
A falta de credibilidade e seriedade na gestão dos bancos (espanhóis, franceses, alemães...) colocou-os no epicentro da crise.

O Parlamento Europeu já o tinha assinalado em Junho de 2010 e então exigido e proposto medidas para separar
as dividas dos Estados
das dividas dos bancos - num relatório da eurodeputada portuguesa Elisa Ferreira, a que, na altura, Comissão Europeia e Conselho fizeram ouvidos de mercador.

Exijamos que se redimam na próxima Cimeira Europeia, agora que Chipre e Itália também estão na iminência de precisar de resgate.


De .Negociar, render-se ou rebelar-se. a 18 de Junho de 2012 às 11:13
A linha na areia

«Quando duas partes negoceiam, a interacção entre elas comporta um benefício mútuo em potência e uma dimensão de conflito. (...)
Por isso, quando a negociação conduz a um acordo (...), consegue-se um benefício para ambos e resolve-se um potencial conflito. (...)
Contudo, a negociação só faz sentido se ambas as partes tiverem algum poder para negociar. E o que é que determina esse poder? A resposta simples é: a disponibilidade para traçar "uma linha na areia" e a vontade resoluta de abandonar as negociações caso essa linha seja transposta. (...)
Se uma das partes não conseguir definir de antemão as circunstâncias em que prefere rejeitar a oferta do outro, (...) as negociações são inúteis.
O partido que não consegue imaginar-se a dizer "não", deve desistir da negociação e, simplesmente, optar por suplicar ao outro lado, apelando à sua bondade, generosidade e, em casos desesperados como o da Grécia, ao sentido de misericórdia.»

Excerto do texto que Yanis Varoufakis escreveu há três dias atrás e que estabelecia, de modo muito claro, o que esteve em jogo nas eleições gregas de ontem.
A escolha entre um partido (Syriza), que prometia negociar com a troika um novo quadro, radicalmente diferente, de condições de assistência financeira;
e dois partidos (Nova Democracia e PASOK), para os quais qualquer simulacro de acordo seguramente servirá.
Justamente porque estes dois partidos (que, face aos resultados eleitorais obtidos, é quase certo acabarão por se coligar), sempre estiveram determinados «em não traçar nenhuma linha na areia», como bem sublinha Varoufakis.
Isto é, distantes de qualquer espírito, genuíno e determinado, de negociação.
Circunscritos - por subserviente decisão própria - às míseras migalhas que a súplica lhes puder render.

(-por Nuno Serra ,18.6.2012)


De . Chantagem e democracia viciada. a 18 de Junho de 2012 às 11:19

Chantagens

Como lembrou na Entrevista ao Público o presidente do banco central alemão, a política dispensa a chantagem.

O sonso ou cínico que escreveu isto no editorial do Público de hoje toma os leitores por estúpidos.
A entrevista a jornais dos PIGS deste dirigente alemão é um exemplo do quadro intelectual que presidiu à criação do euro e à sua destruição.

Segundo o Público, o poder, onde se inclui a capacidade de A para impor um curso de acção a B, associada à capacidade de A para impor custos a B, caso B não siga o curso que convém a A, deve ser atributo exclusivo do capital financeiro, dos credores.

A troika tem usado a chantagem desde a primeira hora como instrumento para impor programas que geraram a maior depressão da história grega, um desemprego que se aproxima dos 25% e níveis inauditos de sofrimento social.

Desde há dois anos que aqui se defende que as periferias devem ripostar, usando as armas dos devedores, como tem feito a Syriza e proposto alguma esquerda portuguesa.

À chantagem responde-se com a chantagem para reequilibrar a relação. É que só assim se pode negociar.
Caso a negociação, capaz de superar as políticas vigentes, se revele impossível neste euro, quer porque a miopia dos credores é estrutural, quer porque a oportunidade para negociar já passou e a situação acaba por se precipitar (a fuga de capitais é o rastilho...), será necessário sair deste jogo de qualquer forma viciado.

De resto, mais tarde ou mais cedo (a esquerda que não desistiu será governo um dia destes...), teremos uma experiência natural que ajudará a clarificar quem é realista e quem é fantasioso na economia política do euro.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B.)


De . Helas !. a 18 de Junho de 2012 às 10:58
Razões para ver o futuro com esperança
(por Daniel Oliveira), 17.06.2012)

Os apoiantes do Syriza têm uma piada:
“Fechem os vossos avós no domingo para eles não irem votar”.
Os apoiantes do Nova Democracia têm outra:
“Se estiver bom tempo os jovens vão nadar e não votar”.

Do jornal "Público"
--------------------

"Queridos gregos, votem bem, votem contra o poder alemão"
(-por Sérgio Lavos, 16.06.2012)

A um dia das eleições gregas, o poder imperial da Alemanha na Europa faz-se sentir através de um vergonhoso editorial do Financial Times alemão a apoiar a Nova Democracia e de mais um apelo implícito de Angela Merkel ao voto nos partidos pró-troika gregos.

Não sabemos qual o resultado das eleições de amanhã, mas já há algum tempo conhecemos as intenções da Alemanha de Merkel:
o domínio da Europa de facto através da economia.

Mas se estas eleições correrem tão bem a Merkel como aconteceu nas presidenciais francesas - o apoio explícito da chanceler a Sarkozy terá afastado muitos potenciais votantes - a Grécia, e sobretudo a Europa, poderão esperar melhores dias.
O fim das políticas de austeridade e sobretudo uma esperança de regresso da democracia e da soberania aos países europeus, suspensas durante tempo indeterminado por um diktat financeiro conduzido pelo reich alemão, estão nas mãos dos gregos.

Esperemos que falem claro, para que a mensagem seja entendida.
------------------

Nos tempos actuais tem algum encaixe

Esta é para sorrir … só sorrir pela inteligente associação de ideias bem divertidas;
é necessário conhecer os Deuses Gregos…( esta é para os jovens que podem não estar informados…);
porque o resto é triste, triste.

Conteúdo de email recebido :
«
CONSEQUÊNCIAS DA CRISE NA GRÉCIA !

1. Zeus vende o trono para uma multinacional coreana.
2. Aquiles vai tratar o calcanhar na saúde pública.
3. Eros e Pan inauguram prostíbulo.
4. Hércules suspende os 12 trabalhos por falta de pagamento.
5. Narciso vende espelhos para pagar a dívida do cheque especial.
6. O Minotauro puxa carroça para ganhar a vida.
7. Acrópole é vendida e aí é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de
Zeus.
8. Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "Ela tem minhocas na
cabeça!".
9. Sócrates inaugura Cicuta's Bar para ganhar uns trocados.
10. Dionisio vende vinhos à beira da estrada de Marathónas.
11. Hermes entrega currículo para trabalhar nos correios. Especialidade:
entrega rápida.
12. Afrodite aceita posar para a Playboy.
13. Sem dinheiro para pagar os salários, Zeus libera as ninfas para
trabalharem na Eurozona.
14. Ilha de Lesbos abre resort hetero.
15. Para economizar energia, Diógenes apaga a lanterna.
16. Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas
Bolsas.
17. Áries, deus da guerra, é apanhado em flagrante desviando armamento para a
guerrilha síria.
18. A caverna de Platão abriga milhares de sem-teto.
19. Descoberto o porquê da crise: os economistas estão falando grego!


# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra


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