De .Negociar, render-se ou rebelar-se. a 18 de Junho de 2012 às 11:13
A linha na areia

«Quando duas partes negoceiam, a interacção entre elas comporta um benefício mútuo em potência e uma dimensão de conflito. (...)
Por isso, quando a negociação conduz a um acordo (...), consegue-se um benefício para ambos e resolve-se um potencial conflito. (...)
Contudo, a negociação só faz sentido se ambas as partes tiverem algum poder para negociar. E o que é que determina esse poder? A resposta simples é: a disponibilidade para traçar "uma linha na areia" e a vontade resoluta de abandonar as negociações caso essa linha seja transposta. (...)
Se uma das partes não conseguir definir de antemão as circunstâncias em que prefere rejeitar a oferta do outro, (...) as negociações são inúteis.
O partido que não consegue imaginar-se a dizer "não", deve desistir da negociação e, simplesmente, optar por suplicar ao outro lado, apelando à sua bondade, generosidade e, em casos desesperados como o da Grécia, ao sentido de misericórdia.»

Excerto do texto que Yanis Varoufakis escreveu há três dias atrás e que estabelecia, de modo muito claro, o que esteve em jogo nas eleições gregas de ontem.
A escolha entre um partido (Syriza), que prometia negociar com a troika um novo quadro, radicalmente diferente, de condições de assistência financeira;
e dois partidos (Nova Democracia e PASOK), para os quais qualquer simulacro de acordo seguramente servirá.
Justamente porque estes dois partidos (que, face aos resultados eleitorais obtidos, é quase certo acabarão por se coligar), sempre estiveram determinados «em não traçar nenhuma linha na areia», como bem sublinha Varoufakis.
Isto é, distantes de qualquer espírito, genuíno e determinado, de negociação.
Circunscritos - por subserviente decisão própria - às míseras migalhas que a súplica lhes puder render.

(-por Nuno Serra ,18.6.2012)


De . Chantagem e democracia viciada. a 18 de Junho de 2012 às 11:19

Chantagens

Como lembrou na Entrevista ao Público o presidente do banco central alemão, a política dispensa a chantagem.

O sonso ou cínico que escreveu isto no editorial do Público de hoje toma os leitores por estúpidos.
A entrevista a jornais dos PIGS deste dirigente alemão é um exemplo do quadro intelectual que presidiu à criação do euro e à sua destruição.

Segundo o Público, o poder, onde se inclui a capacidade de A para impor um curso de acção a B, associada à capacidade de A para impor custos a B, caso B não siga o curso que convém a A, deve ser atributo exclusivo do capital financeiro, dos credores.

A troika tem usado a chantagem desde a primeira hora como instrumento para impor programas que geraram a maior depressão da história grega, um desemprego que se aproxima dos 25% e níveis inauditos de sofrimento social.

Desde há dois anos que aqui se defende que as periferias devem ripostar, usando as armas dos devedores, como tem feito a Syriza e proposto alguma esquerda portuguesa.

À chantagem responde-se com a chantagem para reequilibrar a relação. É que só assim se pode negociar.
Caso a negociação, capaz de superar as políticas vigentes, se revele impossível neste euro, quer porque a miopia dos credores é estrutural, quer porque a oportunidade para negociar já passou e a situação acaba por se precipitar (a fuga de capitais é o rastilho...), será necessário sair deste jogo de qualquer forma viciado.

De resto, mais tarde ou mais cedo (a esquerda que não desistiu será governo um dia destes...), teremos uma experiência natural que ajudará a clarificar quem é realista e quem é fantasioso na economia política do euro.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B.)


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