Esperar quieto e calado ... é desistir e ser comido !

       A nêspera deitada, muito calada, a ver o que acontecia  (-por Daniel Oliveira, Expresso online)

      Os socialistas conseguiram uma histórica maioria absoluta no parlamento francês. Não sei se este é o melhor resultado para garantir uma forte inflexão no posicionamento francês na Europa, mas o absurdo sistema eleitoral francês foi desenhado de forma a impedir qualquer surpresa que a vontade popular possa trazer. Seja como for, Hollande conseguiu um resultado extraordinário e de nada se poderá desculpar no futuro. Tem, coisa raramente conhecida em França, tudo na mão: a maioria das autarquias, a maioria da Assembleia Nacional e do Senado e, claro, a Presidência. Gorada uma verdadeira mudança política na Grécia, é exclusivamente de Hollande que depende a alteração das políticas europeias. Certo? Errado.

     Se há coisa que a Grécia nos prova, como escrevi ontem, é que esperar pela coragem dos governantes é um erro. A maioria dos governos, eleitos ou não, responde apenas a um perigo: ao de perder o poder que tem. E nisso, os políticos não são diferentes da maioria das pessoas. O que fez a Nova Democracia grega dar uma volta de 180 graus no que defendia na sua relação com a troika não foi a evidência do descalabro da austeridade. Foi a possibilidade do Syriza vencer as eleições. O que impedirá Hollande de seguir a velha tradição socialista europeia, de, chegada ao poder, se acobardar, será a pressão dos franceses. Sem ela, os governantes tratam de si.

      "Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a! É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!" O poema de Mário Henrique Leiria também nos pode recordar que, em democracia, não somos clientes. Nem temos sempre razão, nem estamos aqui para ser servidos. Ou servimos a democracia ou outros se servem dela. Quem fica deitado, calado, a ver o que acontece, terá sempre um triste fim.

      Acredito na democracia representativa. Se não fosse por convicção, seria pela mera constatação dos factos: ainda não conheci nenhuma sociedade livre em que ela não existisse. Mas também sei que ela não chega. Que entregar todo o exercício da democracia aos eleitos, julgando que o papel dos cidadãos é apenas esperar pelos resultados do seu voto, é desistir da democracia.

     Se os franceses não fizerem nada, antes de, também eles, serem engolidos pela crise, François Hollande nada fará. Será, nas palavras que usou para se distinguir de Sarkozy, um "presidente normal". E a Europa, no estado em que está, não precisa de líderes normais. Precisa de quem, substituindo a pior geração de políticos que liderou a Europa desde o pós-guerra, seja tão arrojado como foi a incompetência dos seus antecessores. Mas para seguir o caminho inverso. E isso acontecerá se a pressão popular mantiver o poder sempre em risco.

     A estratégia que mais sucesso tem em Portugal é a da nêspera: ficarmos deitados, calados, a ver o que nos acontece. Na esperança que todos percebam que não somos a Grécia. Assim como os espanhóis esperam que todos percebam que eles não são os portugueses. E os italianos esperam que todos percebam que eles não são os espanhóis. E os franceses esperam que todos percebam que eles não são os italianos. Até serem todos comidos.

     Da mesma forma que Hollande não enfrentará Merkel se os franceses a isso não o obrigarem - a política vive da economia de esforço e de risco -, Portugal, Irlanda, Grécia ou Espanha não se salvarão apenas porque a França mudou de presidente e este decidirá, sabe-se lá porquê, ser nosso advogado de defesa.

     O governo português está deitado, muito calado, a ver o que acontece. Apoia a Alemanha, em tudo o que esta defenda, incluindo em matérias onde a sua posição é naturalmente oposta aos interesses nacionais - como nos eurobounds -, na esperança de ver o seu bom comportamento premiado. Não duvido que, se o poder hegemónico na Europa fosse francês, seria a França a merecer o nosso constante e acrítico aplauso.

     O povo português tem estado deitado, calado, a ver o que acontece. Na esperança que isto passe e achando que enquanto nos fingirmos de mortos a realidade se vai esquecer de nós. Não resulta. Enquanto este governo sentir que o seu poder não está em perigo, enquanto os que se servem do Estado para fazer os seus negócios poderem continuar a tratar de si, nada mudará.

     A posição dos portugueses e do seu governo é coincidente: a da nêspera. Passos espera que, perante a sua obediência, os outros reconheçam a nossa insignificância e, na hora do naufrágio, nos arranjem um lugar no barco salva-vidas. Os portugueses esperam que, não fazendo ondas e garantindo esta paz podre, alguém nos venha salvar desta agonia. Só que a estabilidade política que vive da apatia dos cidadãos e da bovina obediência das Nações (governos) nada pode trazer de bom a um povo. As nêsperas nascem e vivem para ser comidas. Se insistirmos em ficar quietos, à espera de Merkel ou de Hollande, dependendo da convicção ideológica de cada um, é esse o destino que nos espera. Chega a velha e zás !



Publicado por Xa2 às 07:39 de 20.06.12 | link do post | comentar |

5 comentários:
De .Seguradoras- outros LADRÕES encartados. a 20 de Junho de 2012 às 11:32
O negócio das reformas


«A ideia já foi lançada, e não por acaso pelo presidente executivo da AIG, um dos impérios financeiros que esteve na origem da actual crise:
os governos devem, montando as costas largas da crise financeira, aumentar a idade da reforma "para os 70, 80 anos".
Os cidadãos europeus que se vão, pois, habituando à estimulante ideia de entregar durante 50 ou 60 anos parte dos seus salários ao Estado ou a um grupo financeiro
- até onde continuar a ser possível discernir uma coisa da outra -
e só começar a receber de volta, em suaves prestações mensais, o resultado desse investimento mediante apresentação da certidão de óbito.

Para o CEO da AIG, o céu é o limite.
Tomando como exemplo a Grécia, recomenda uma nova receita austeritária:
pôr "as pessoas a trabalhar mais tempo e [retirar] essa carga aos jovens" ("carga" há muito retirada pelo programa da troika:
o desemprego jovem na Grécia já é superior a 50%).

Mas a Grécia é, de facto, um bom exemplo.
Os gregos têm, conforme dados citados pela "Dinheiro vivo", uma esperança média de vida de 81,3 anos.
Reformando-se aos 80, o Estado e as seguradoras a quem terão confiado, durante décadas de vida e de trabalho, os seus descontos, só lhes pagariam, em média, um ano e quatro meses de pensões.

Imagine-se quantas pagariam em Portugal, onde a esperança média de vida é, segundo os últimos números do INE, de 79 anos.»
(Nada ! Lucro absoluto, embolsando TUDO o que é descontos dos trabalhadores e empregadores !! )

[Jornal de Notícias], Manuel António Pina.
-----------------------
Assim também eu quero uma 'Seguradora' !!! ... de seguros de 'saúde', vida, des/emprego, acidentes, colheitas, ... pois, na verdade, Náo protejo Nem pago nada aos segurados, só recebo as suas quotas ...
e se os 'parvos' (dos segurados voluntária ou obrigatoriamente) se atreverem a reportar um acidente... aumento-lhes tanto os ''prémios"/quotas que eles nunca mais se atrevem !!!


De Austeritários querem NAZIS no poder !?!! a 20 de Junho de 2012 às 11:14

A austeridade ajudou Hitler a chegar ao poder

«“Devido a teorias erradas, a atenção excessiva às políticas de austeridade levou ao desemprego em flecha, a quebras significativas no sistema democrático e, em última análise, à catástrofe do Nazismo”. A descrição sucinta das políticas seguidas pela Alemanha nos anos 30 foi ontem feita por um austríaco, Ewald Nowotny, membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE). “Temos de evitar os erros cometidos nessa década e lembrarmo-nos que este é uma questão subjacente aos tempos que vivemos”, apelou o dirigente do BCE citado pela Bloomberg.

Em 1932, o Partido Nazi conseguiu duplicar a sua votação, depois de dois anos de uma forte política de austeridade levada a cabo por Heinrich Bruening. O então chanceler aumentou taxas e impostos, cortou nos apoios estatais, promoveu cortes salariais, tendo, para tudo isto, passado ao largo das competências do parlamento, para o que recebeu ajuda do presidente, através de decretos. A ideia era subir as exportações e ajudar o país a pagar as indemnizações da Primeira Guerra Mundial, estabelecidas pelos acordos de Versalhes.

Este não é o primeiro aviso do género. No final do ano passado, o chanceler Helmut Schmidt dizia-se preocupado com o facto de a Alemanha estar a esticar a corda da austeridade dentro da zona euro, comparando as medidas agora tomadas com a política seguida nos anos 30 por Bruening, durante a República de Weimar, que qualificou de “desastrosa”.»
[Jornal de Negócios] via OJumento, 20.12.2012)

Quem o diz é vice do BCE.
: «A Merkel vai ficar?»

-ou será que não estamos a ver bem o 'filme', e 'eles'
querem mesmo impor governos NAZIS
em Portugal, Grécia, Espanha, ... em toda a Europa ?!!


De . Economerdista/s !!. vendidos à Finança a 20 de Junho de 2012 às 09:58

O economista Miguel Cadilhe sugeriu hoje a criação de um novo imposto este ano em cerca de 4,0 por cento da riqueza do país e pago por todos os portugueses de uma só vez.

O ex-ministro das Finanças,Miguel Cadilhe, que se dirigia ao Governo e ao parlamento num seminário sobre um ano de programa de assistência financeira a Portugal a decorrer no senado da Assembleia da República, sugeriu hoje a criação de um novo imposto de 4,0 por cento sobre a riqueza líquida em ‘one shot’ [de uma só vez]», classificando-o como um «tributo de solidariedade» dos portugueses.

Como não gosto de ser mal educado e o que me apetecia era mandar este gajo à merda escolhi este boneco para não ter de o dizer por escrito.
É que daquela cabecinha só sai mesmo bosta e da mais mal cheirosa.
Certamente que para ele contribuir com 4% de tudo aquilo que ganha não lhe causaria grandes problemas, não o faria perder a casa nem fazer a sua família passar fome, mas para quem já vive com a corda no pescoço seria apertar ainda mais o nó.

Que se lixe a boa educação, afinal sempre o vou mandar à merda.
Vá à merda Sr. Cadilhe


De .Circo tuga e Luto de Trabalh. e Pension a 20 de Junho de 2012 às 10:15
Luto

Seria uma interessante posição se amanhã, dia 20 de Junho, em que, pela primeira vez na História da democracia, a maior parte dos trabalhadores da Administração Pública e dos Reformados não irão receber o subsídio de férias,
todos os abrangidos se apresentassem de branco ou de preto em sinal de LUTO pelo ROUBO destinado a tapar os roubos que outros fizeram e continuam a fazer.

LNT, [0.303/2012]
-------------------------

De arco e balão


Deu um jeito de morte manter a trupe alheada enquanto os troikos andaram por cá.

Nada de se falar muito dos Aléns que o Governo decretou à sombra de um memorando
que diz ser da responsabilidade do Governo anterior
mas que subscreveu com o governo anterior já em gestão e com um comissário (Catroga) que ditou muito do que lá está.

Nada de se falar muito dos Aquéns que constam do memorando mas que foram devidamente remetidos para o fundo de uma gaveta por não interessarem aos Aéns que se pretendem.

Nesse tempo em que os funcionários dos “mercados” andaram por cá, Relvas era o Anhuca piegas deste circo chamado Portugal,
e conseguia concentrar em si todas as atenções sabendo bem que mais vale ser mal falado do que esquecido e sabendo também que logo de seguida se poderia de novo esconder para continuar a ir sempre mais além.

Quais espiões, qual quê !
Os funcionários já marcharam e o povo tem agora mais que fazer.
Entre as geniais fintas de Cristiano e o primeiro subsídio de férias que nos foi retirado bem pode Relvas descansar.

Afinal, na terra dos empobrecidos, no passa nada!
LNT
[0.302/2012]


De .sUGT e líderes Vendidos ao patronato. a 20 de Junho de 2012 às 10:37

(Falso Sindicalista) João Proença, líder da UGT

Mais um candidato a um T0 na Avenida do Brasil, em Lisboa, ali para os lados do Hospital Júlio de Matos. Então o homem assina o acordo e agora diz que que o que assinou é mau?

EM bom português o líder da UGT deixou-se comer, na altura gostou e agora não quer ficar com o filho.

«A UGT considerou hoje que a revisão do Código do Trabalho "é má" e não resolve os problemas económicos do país, mas está encerrada, depois de ter sido promulgada pelo Presidente da República na segunda-feira.» [DN] - OJumento

--------------------------------------------

a LUTA, a acção cívica-política-sindical, está "encerrada" uma ova !!!

- Os partidos podem pedir a inconstitucionalidade (sucessiva) !!

- Os trabalhadores podem sindicalizar-se, exigir alterações de liderança e política sindical, ou podem obrigar os seus sindicatos a desfiliar-se da UGT e juntar-se a outra central sindical : CGTP/intersindical ou USIndependentes !!

- Os cidadãos podem Manifestar-se, Protestar, Exigir, Votar diferente ...

Há sempre Alternativa ! quem diz o oposto é porque está/quer mamar ou está 'alienado' ( vendido, estrangeiro, extra-terrestre, drogado, sem raciocínio, ...) !!


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