14 comentários:
De São sempre os mesmos a 26 de Junho de 2012 às 10:25
Por: Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

Enquanto os arautos da desgraça carregam na inevitabilidade de mais austeridade, esse inescapável castigo para a imensa maioria dos trabalhadores por conta de outrem, a agenda oculta do verdadeiro poder permanece intocável.
Pelo que se vê, nada mudou para os próceres sombrios que fazem e desfazem governos, sejam tais executivos do PSD ou do PS. As privatizações feitas ou que hão--de vir são fatias do grande bolo que está à disposição dos ‘senadores’ de toda a vida. São sempre os mesmos e têm as fortunas a salvo de qualquer crise, fisco ou justiça. São os velhos e novos barões do sempre renovado Bloco Central de Interesses, bichos imunes a qualquer alteração de ciclo político.


De Duarte Lama ex. do novo-rico do centrão a 26 de Junho de 2012 às 11:35
DUARTE LIMA - Uma história cujo enredo vai sendo desvendado...
Desde os anos 80 que Duarte Lima está envolto em negócios e em contradições.Enriqueceu rapidamente e, apesar dos rendimentos inexplicados e de aparentes esquemas para esconder o património, nunca foi acusado pela Justiça

BOLSA
Esta é a versão para ter começado a enriquecer: em 1987 apostou 20 mil contos (¤100 mil) na Bolsa de Lisboa.Em dois anos..., terá tido 80 mil contos de lucro líquido, aproveitando a euforia dos mercados.

VIA VENETTO
Nesse ano, o advogado compra um andar de luxo no edifício Via Venetto, situado na avenida João XXI, em Lisboa (antes vivia num modesto andar em Linda-a-Velha, que venderia por 8 mil contos em 1989). Com uma área de 300m2. Lima disse que o comprou por 36 mil contos. O construtor afirmou que foi por 50 mil contos. Nunca se soube ao certo o valor real. O advogado não celebrou o contrato de compra e venda e, aproveitando um buraco na lei, também não pagou o imposto de sisa. O Via Venetto é do construtor José Cristóvão, que se recusou a falar ao Expresso.

DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS
entregue ao Tribunal Constitucional (TC) em 1991, mantém como património o apartamento de Linda-a-Velha (que já tinha sido vendido) e uma moradia em Miranda do Douro, que tinha comprado para a mãe em 1978. Esqueceu-se do Via Venetto.

EDIFÍCIO VALMOR
Em 1993, Os dois apartamentos do 11a andar no Edifício Valmor foram geminados e têm 600m2, com um valor que na altura rondaria os 230 mil contos. declarou 45 mil contos na escritura e só por um dos apartamentos. O outro andar ficou em nome da mãe do seu adjunto no Parlamento e sócio no escritório de advogados, Vítor Fonseca. Apesar de o piso inteiro ter sido desenhado de origem para ser um único apartamento.Em sua defesa, Lima alegou que tinha um contrato de aluguer de 200 contos por mês com Emília Fonseca.

QUINTA DE NAFARROS
Entre 1993 e 1994, Lima comprou seis terrenos em Nafarros, Sintra, juntando-os numa única propriedade de três hectares. As escrituras foram feitas em nome de Alda Lima de Deus, uma sobrinha (que também não falou ao Expresso) sem rendimentos.As escrituras referiam 31 mil contos, mas, segundo uma investigação do jornal "O Independente", na altura terão sido gastos 141.500 contos com as compras. Quer Alda quer os vendedores tinham como procurador Vítor Fonseca, o homem de confiança do advogado. O arquiteto que desenhou os muros da quinta admitiu que foi Lima quem o contratou. O então deputado argumentou que a sobrinha representava um empresário do norte, que também não quis falar com o Expresso.

CRÉDITO E BMW
Na sequência do escândalo de Nafarros, deixa a liderança da bancada laranja, sendo substituído por Pacheco Pereira. O novo líder parlamentar mandou suspender um cartão de crédito do PSD que Lima usava e que não tinha limite de gastos e mostrou o desagrado pelo facto de ter devolvido tardiamente o BMW de serviço. O advogado só terá conseguido justificar um terço dos gastos feitos com o cartão.

DÍVIDA AO FISCO
Ao jornal "O Independente", Duarte Lima disse que o seu património e os seus rendimentos foram objeto de inspeção pelas Finanças e que nenhuma irregularidade tinha sido encontrada.O jornal desmentiu-o, com a confirmação do diretor-geral dos Impostos, de que estava em andamento uma execução fiscal contra o advogado por uma dívida de 800 contos de IVA.

CEM CONTAS
No decurso da investigação aos negócios imobiliários (que viria a ser arquivada), a PJ descobriu, em 1997, que o advogado tinha cem contas bancárias, em Portugal e no estrangeiro. Lima tinha dito às autoridades que só possuía meia dúzia. Foi apurado que, entre 1986 e 1994, recebeu um milhão de contos em depósitos (750 mil em cash), valor muito superior ao declarado às finanças (entre 1987 e 1995 declarou 180 mil contos). Na altura, justificou ao Expresso: "Os depósitos nas contas não significam que sejam sempre rendimentos tributáveis".

QUINTA DO LAGO
Entre 2002 e 2003, construiu uma mansão , que registou em nome de uma offshore com o valor de ¤5,8 milhões. Essa casa está agora à venda por 10 Milhões


De .. a 26 de Junho de 2012 às 11:52
CAVACO, o pai da destruição...

ou do monstro, segundo Miguel Cadilhe, seu ex-ministro das finanças.

COMO PODERÁ CONSTATAR-SE, AQUELES QUE EXERCERAM OU EXERCEM CARGOS POLÍTICOS OU PÚBLICOS DA ÁREA DO PPD,
NOMEADAMENTE PRÓXIMOS DE CAVACO, ESTÃO TODOS RICOS OU BEM NA VIDA. OU SEJA,
ESTA GENTE FOI/VAI PARA A POLÍTICA PARA DELA COLHER BONS PROVENTOS.

PORTUGAL NÃO PODE AGUENTAR MAIS ISTO, À CUSTA DOS RENDIMENTOS DO TRABALHO, PRINCIPALMENTE DA CLASSE MÉDIA, QUE ESTÁ A SER A GRANDE VÍTIMA ! !!



De desalinhado a 27 de Junho de 2012 às 09:55
E aqueles que exerceram cargos públicos quando o PS foi governo? Não estão ricos? e não falo só dos "independentes " do PS, dirijo-me sobretudo a militantes com responsabilidades diretivas.
Mas quem sou eu para os criticar se a “essência” da democracia, o Povo, essa massa anónima e esclarecida, continua a votar neles.
Concluo que o desalinhado sou eu.


De Tirano paga a traidores, boys, capatazes a 27 de Junho de 2012 às 10:21

CRESPO AO FRESCO

Mário Crespo, 64 anos, jornalista da SICN
e colunista do Expresso, foi convidado por Miguel Relvas, ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares, para o lugar de correspondente da RTP em Washington, vago há seis meses.

Deste modo, Crespo voltará a desempenhar as funções que exerceu entre 1992-98.
O convite está a gerar forte turbulência na RTP, uma vez que a estação estava a organizar um concurso interno para preenchimento da vaga, de acordo com os critérios estatutários:
1) É dada primazia a jornalistas do quadro da RTP interessados em trabalhar no estrangeiro.
2) A direcção de informação selecciona os candidatos.
3) Um júri avalia.
4) A administração avaliza a escolha final.

Crespo nem sequer é do quadro: foi despedido da RTP há doze anos.
Chama-se a isto, em linguagem plano inclinado, dar o pote aos boys.
Lembram-se do que Mário Crespo disse do Governo de Sócrates?
Do que ele afirmou sobre as perseguições, intimidações, censuras e tentativas de interferência do poder político no jornalismo?
Da t-shirt que levou à Assembleia da República para denunciar as malévolas intenções governamentais?

Pois bem:
o ministro Miguel Relvas atropelou a administração e a direcção de informação da RTP e convidou Mário Crespo para correspondente da estação pública em Washington.

A RTP, não sei se estão recordados, é aquela estação que estava para ser privatizada, perdão, reavaliada.
Sobre o convite, Crespo, cândido e enternecido, declarou:
«É um lugar que me honraria muito nesta fase da minha carreira e para o qual me sinto habilitado».
Curioso.
Pensei que ia recusar com base numa alegada interferência do poder político no jornalismo, mas não.

E na RTP, já agora, ninguém se demite?
Confesso:
Cada vez tenho mais respeito por algumas meretrizes.


De 'jotas e boys' governantes e deputados.. a 27 de Junho de 2012 às 12:29
Fanatismo, despudor e incompetência
por Sérgio Lavos

"Sair da zona de conforto" tornou-se um dos lemas de um Governo a braços com um aumento do desemprego que, para além de não conseguir controlar, é olhado como uma praga que apenas se resolve subsidiando os patrões que estimulam a precariedade - o "Programa Estímulo 2012" - ou empurrando a geração mais bem qualificada do país para fora do barco. Incompetência na gestão de um problema agravado pelas políticas de austeridade e fanatismo ideológico nas escolhas políticas feitas são a face visível das políticas de emprego de Álvaro e dos outros governantes. Para além do mais, o que irrita mesmo é a sobranceria e o despeito com que estes políticos incompetentes olham para gente que é mais qualificada do que eles são, do que eles alguma vez serão. Jovens que estudaram, licenciaram-se, fizeram mestrados, muitos doutoraram-se e mesmo assim não conseguem encontrar trabalho na sua área de formação. Muitos jovens que acabam cursos com médias elevadas e têm de arranjar emprego muito abaixo das suas qualificações, sujeitando-se a uma precariedade agravada pela crise - os relatos de patrões que, aproveitando a desculpa do clima económico, abusam dos seus direitos, multiplicam-se. Jovens que, na altura em que poderiam ter-se inscrito numa juventude partidária do centrão e terem a garantia de um tacho perpétuo, preferiram estudar, pensando que essa deveria ser não só a melhor maneira de arranjar trabalho, mas sobretudo porque acreditavam que uma formação de excelência seria mais importante do que os conhecimentos em determinados meios.

Ainda assim, há energúmenos que continuam a vergastar esta geração de precários subaproveitados. E depois olhamos para o currículo desta gente, e é o espanto, ou melhor, a confirmação de que os jovens que estudaram estavam redondamente enganados. Desde o primeiro-ministro Passos Coelho, que passou uma vida à sombra de cargos arranjados pelo partido ou pelo padrinho Ângelo Correia, até Miguel Relvas, que subiu na hierarquia política à conta também da sua passagem pela JSD e aproveitando as vantagens que o uso do avental lhe trouxe, há poucos governantes e políticos de destaque cuja carreira política se deva única e exclusivamente ao seu currículo académico ou profissional. E os partidos do centrão - PSD, PS e CDS - continuam a produzir fornadas de inúteis parasitas do Estado (e que não se cansam de pedir menos Estado), forjados nas juventudes partidárias, gente que, se não fosse este cadinho de boys, poucas possibilidades teria de se evidenciar ou ter uma carreira, gente que realmente nunca saiu da "zona de conforto" proporcionada pelos partidos a que pertence.

A última criatura a entrar neste invejável rol é o deputado-maravilha do CDS-PP, Michael Seufert de seu nome, que em entrevista ao P3 volta a exortar os jovens a sairem da sua zona de conforto. A cabeça, para além de sugerir que até aos 30 anos não sejam feitos descontos para a Segurança Social, repete a frase: "É evidente que há pessoas que precisam de sair da sua zona de conforto". E o currículo deste "empreendedor", qual é? A frequência de um mestrado* e uma carreira como jotinha que teve como cúmulo a passagem pela liderança da Juventude Popular. Parece que a principal preocupação deste produto do carreirismo partidário é o empreendedorismo. O que me parece fantasticamente acertado, tendo em conta o percurso profissional de tão brilhante deputado. Sim, são pessoas assim que estão a decidir por nós no parlamento e no Governo. Gente que tem uma opinião sobre a vida das pessoas sem saber minimamente o que é na realidade viver. Uma afronta ao mandato que receberam do povo. Uma vergonha.

*Parece que terá sido uma licenciatura pré-Bolonha que se transformou num mestrado pós-Bolonha com o passar do tempo.

Adenda:
não está em causa, por si só, o currículo de quem quer que seja, nem a escolha de quem se dedica a tempo inteiro a uma carreira política, mas a contradição entre ideias políticas e esse currículo. Não sei como alguém pode ter cara para defender o empreendedorismo quando na sua própria vida não arriscou um milímetro que fosse para além da sua carreira partidária. ...
economia real sem nunca com ela ter contactado e através do prisma do enviesamente ideológico desmiolado.


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