8 comentários:
De .UE: algumas medidas anti-crise.. a 1 de Julho de 2012 às 11:50

Conselho Europeu: até que enfim !
(decidiram algo bonzinho )

(-por AG , Causa Nossa, 30.6.2012)

Até que enfim que no Conselho Europeu começaram a ser tomadas medidas decisivas e acertadas para fazer a Europa ultrapassar a crise!
Medidas que são o oposto da austeridade punitiva que a direita neo-liberal vem impondo, com as consequências devastadoras que se sabem.
Medidas que são o que a Dona Merkel jurava que jamais engoliria ... e engoliu!!!! pois - como explica o Vital nos posts anteriores - equivalem aos eurobonds sem terem o nome, implicam o financiamento de dividas soberanas pelos FEES e MEE através da intervenção nos mercados secundário e primário, para fazer descer os juros, além da recapitalização directa dos bancos para que não pese nas dívidas soberanas.
Para além da viragem reequilibrante que a eleição de Hollande introduziu, Monti e Rajoy foram determinantes no desmascarar do "bluff" de Dona Merkel, ela que tinha de voltar para casa com o Pacto de Crescimento exigido por Hollande e o SPD e os Verdes (sabedores de ser a Alemanha principal beneficiária do Euro e do Mercado Interno a nada lhe convir matar a galinha dos ovos de ouro... ).
Em 19 de Janeiro e 29 de Fevereiro incitei aqui a que nos montassemos no Monti e a 9 de Janeiro e 12 Abril confessei que rezava pela iminência de um resgate a Espanha para focar as cabeçorras neo-liberais resistentes aos passos que se impunham.
Na "mouche": com as casas a arder, Monti e Rajoy corresponderam às expectativas!
Quem passou, engoliu e nada riscou, como sempre, foi o coelhinho da cabecinha a dar, a dar - como os cãezinhos a espreitar dos vidros detrás de certos automóveis....
Passos passou e nem sequer tentou deixar marcados os interesses de Portugal, ao contrário da Irlanda, que tratou logo de assinalar que até da recapitalização directa dos bancos exige beneficiar.
Passos passou, aninhado de sempre aos pés da dona, suplicante das migalhinhas que ela quiser deixar cair.
Passos passará - porventura mais depressa do que se espera.


De Regular a Globaliz.e organiz.Trabalhador a 29 de Junho de 2012 às 14:38

Colin Crouch.
“Precisamos de regular a globalização e organizar melhor os trabalhadores”
(-por António Rodrigues, 28 Jun 2012 , i online)

O cientista político britânico fala ao i sobre a capacidade de sobrevivência do neoliberalismo e a necessidade de regular os mercados

Cunhou o termo pós-democracia que serve para designar aqueles estados que continuam a reger-se pelas regras democráticas mas que progressivamente sentem mais dificuldades para as aplicar. No fundo, os estados passam a estar dependentes da actuação de gigantes empresariais que usam o seu poder de grandes empregadores para forçar os estados e condicionar o seu poder regulador.

A globalização, que não é um mal em si, como sublinha Colin Crouch, veio acentuar esse desequilíbrio nas relações entre governos e as multinacionais que é preciso contrariar através de uma melhor regulação.
No seu livro mais recente, “The Strange Non-Death of Neo-liberalism”, o sociólogo e cientista político britânico analisa a capacidade de sobrevivência do neoliberalismo, capaz de sobreviver até a uma crise económica profunda provocada por um sector financeiro que foi o modelo mais aproximado do mercado livre defendido pelo neoliberalismo que alguma vez existiu.

O mercado é o grande dogma do nosso tempo?

Sim, sem dúvida! Mas é um dogma com muito significados. Por exemplo, num verdadeiro sistema de mercado os estados não salvam bancos da sua própria irresponsabilidade, aos lóbis empresariais não se permite que se misturem tanto com a política e os monopólios seriam desfeitos mais eficientemente do que acontece na prática. Portanto, o mercado é muito mais um slogan para ser usado pelos poderosos quando querem – por exemplo, contra o Estado social – e nunca quando interfere com os seus próprios interesses.

Como é que chegámos à situação em que estamos hoje?

Em parte, temos o problema das políticas keynesianas terem tido dificuldade em lidar com a inflação dos anos 70. Mas, por trás disso, estão mudanças nas relações de poder. A classe operária organizada, cuja insegurança de vida esteve na origem do ímpeto inicial das políticas keynesianas, estava a diminuir de tamanho na maior parte das economias ocidentais; em todo o caso, a globalização começou a tornar o capital menos dependente dos trabalhadores de qualquer país. Portanto, havia um clima favorável para o uso político do mercado.

Haverá alguma possibilidade de, num futuro próximo, mudar aquilo em que a maioria dos economistas e dos políticos acredita agora como sendo inquestionável?

O grande problema é que, apesar do modelo neoliberal ter falhado catastroficamente na crise bancária de 2008, os poderes que estiveram por trás desse falhanço continuam no mesmo sítio. Na verdade, saíram fortalecidos, porque o que os resgates bancários demonstraram foi a dependência que os governos de quase todos os países afectados têm do sector financeiro. E é nesse sector que se pode encontrar o principal apoio aos slogans do mercado. No entanto, existem muito bons argumentos que se podem apresentar contra este modelo, por isso, não devemos cansar-nos de tentar alcançar a mudança.

O seu livro chama-se “The Strange Non-Death of Neoliberalism” e a verdade é que se o neoliberalismo não morre quando fracassou tão estrondosamente, então é porque a sua resistência é muito grande.

O neoliberalismo tem, realmente, uma grande capacidade de adaptação. É uma das suas forças e, na verdade, um dos seus encantos. Por exemplo, o neoliberalismo da Suécia parece muito diferente daquele que existe nos Estados Unidos. É possível construir várias formas de política social positiva e de regulação do mercado num enquadramento básico de aceitação e encorajamento da economia de mercado. O que pode ser alcançado dessa forma transforma-se numa pergunta política; que poder têm as forças que procuram a reforma?

Nesta época de crise económica profunda aquilo que parece estar também em crise é o keynesianismo.

Isto pode ser explicado pelas relações de poder. Mas o keynesianismo nunca morreu realmente e é possível encontrar governos que usam estímulos para incentivar a procura, mesmo quando negam ser isso aquilo que estão a fazer. A grande crise do keynesianismo aconteceu no final dos anos 70, quando os neoliberais insistiam ...


De Colin Crouch ... e neolib a 29 de Junho de 2012 às 14:40
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anos 70, quando os neoliberais insistiam que os governos só tinham de fazer uma coisa: controlar a oferta de dinheiro. Foi essa abordagem que morreu: o grande aumento da dívida privada, a complacência da administração norte-americana em imprimir mais dólares sempre que precisava, o uso de flexibilização quantitativa e de linhas de crédito especiais para os bancos são tudo refutações da teoria monetarista original. Os keynesianos renasceram mas dentro de um enquadramento neoliberal. No entanto, devemos lembrar que o keynesianismo não é sinónimo de governos com dívida crónica, as técnicas keynesianas destinam-se a ser usadas para estimular a economia em alturas de recessão e a ser abandonadas em alturas de inflação; não são feitas para manter elevados níveis de dívida de forma rotineira.

Não concorda, como certos sectores da esquerda, que as empresas multinacionais são a base de todo o mal, porém, não é verdade que grandes conglomerados sem rosto se podem transformar em mundos à parte, trabalhando apenas para os seus accionistas e não cumprindo o seu papel social?

Certamente que não podemos vê-las como a base de todos os males quando ficamos tão contentes ao comprar e usar os seus produtos! Mas é realmente um problema quando exploram o seu poder no mercado para conseguir uma espécie de regulação privada da economia e usam a sua riqueza para agir politicamente de modo a assegurar privilégios dos governos.

Acredita que um melhor controlo da responsabilidade social das empresas pelas instituições públicas e a pressão dos consumidores e dos accionistas será suficiente para mudar esta situação?

Poderá não ser suficiente, mas vale a pena tê-los.

Uma empresa como a Halliburton, que consegue a maior parte dos seus rendimentos com a guerra e a reconstrução depois de um conflito, poderá ser controlada pela pressão dos consumidores?

Boa questão! O seu principal consumidor é o governo norte-americano, junto do qual fazem lóbi com muito sucesso e ao qual também fornecem pessoal. Tem razão; a pressão do consumidor só funciona em sectores onde os consumidores são cidadãos normais e onde os nomes das marcas são importantes, de modo a que uma empresa possa ser envergonhada. Isso deixa de fora uma grande parte da economia – mas também inclui vários sectores.

Não acha que o verdadeiro perigo está em não ter mecanismos que possam regular empresas opacas como a Halliburton?

Não acho que possamos definir o verdadeiro perigo de forma tão precisa. Os problemas dos riscos excessivos assumidos pelo sector financeiro ou o abuso do poder de monopólio por empresas suficientemente grandes para estabelecer padrões globais – para citar dois exemplos – não estão incluídos no modelo Halliburton. O problema é multifacetado.

No seu livro “Post-Democracy” escreveu que “a política e o governo estão a deslizar cada vez mais para o controlo das elites privilegiadas de uma forma que era característica do tempo pré-democrático”. Não é por isso que estamos como estamos?

Sim, realmente. E a causa principal está na mudança nas relações entre capital, trabalho e outros cidadãos que decorre da globalização. Não quero com isto dizer que devemos opor-nos à globalização, tendo em conta que promete melhorias nas condições de vida para milhares de milhões de pessoas no terceiro mundo e também para as pessoas do mundo desenvolvido. Precisamos de regular a globalização e para isso precisamos de melhor organizar os trabalhadores e os outros cidadãos.

Acredita que os governos fizeram tudo o que puderam para proteger a economia dos especuladores financeiros ou será que durante muito tempo preferiu fechar os olhos e deixar que fosse o mercado a regular-se por si mesmo?

Não fizeram. Alguns governos, incluindo o meu no Reino Unido, acreditaram totalmente que desregular o sistema financeiro traria grandes benefícios para todos e que o sector financeiro saberia controlar os seus riscos. Agora que se desmoronou reagem sob grande tensão, sem saber o que fazer. Tendo em conta que o problema se deveu à fraqueza do sistema bancário, os governos passaram a sentir a necessidade de fortalecer o sistema. No entanto, os banqueiros dizem-lhes que isto só pode ser alcançado se lhes for permitido manter a maioria das práticas que provocaram a crise.
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De Gente de Bem, façam algo ! unam-se... a 29 de Junho de 2012 às 14:44

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Não é estranho que as mesmas pessoas que nos trouxeram até aqui, a esta crise, sejam as mesmas que hoje nos estão a dizer como devemos comportar-nos para sair dela?

Completamente! Isso explica o paradoxo do neoliberalismo e as instituições financeiras se terem fortalecido e não enfraquecido com esta crise.
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Edmund Burke disse:

"Tudo o que é previso para o triunfo do mal é que os homens de bem nada façam",

e os homens de bem escasseiam, tanto em número como em vontade de enfrentar essa escória que invariávelmente se apodera do poder de decidir o destino do mundo.


De .Cimeira/s... ou baixeiras. a 29 de Junho de 2012 às 11:13
Mais uma cimeira

Como era previsível, a política de austeridade FRACASSOU.
A programada recessão produziu uma dramática quebra nas receitas dos impostos, de tal ordem que o governo teve de admitir a necessidade de novas medidas de austeridade para não se afastar dos compromissos do Memorando.
No entanto, vai adiar a decisão tanto quanto puder porque espera uma esmola da Alemanha, o alargamento do prazo para a redução do défice.

Entretanto, a falência de um grande número de empresas, o desemprego de massa, a queda na POBREZA de uma parte da classe média, a fome dissimulada e o desespero de inúmeras famílias que deixaram de pagar os empréstimos, tudo isto foi uma devastação económica e social inútil, infelizmente sem fim à vista.

Agora, também é preciso dizer que o fracasso da austeridade põe em causa a reputação dos ECONOMISTAS que durante o último ano defenderam a estratégia do Memorando.
Porque se comprometeram com uma política económica errada e deram a sua caução intelectual e moral ao desastre que atingiu o País.
E não podem dizer-se surpreendidos com a situação a que chegámos porque as suas teorias económicas são há muito tempo contestadas por outras escolas de pensamento e, no terreno, esta política já tinha sido posta em causa pelos fracassos da intervenção do FMI em anteriores crises financeiras.
Como seria de esperar, estes economistas permanecem em palco e sempre dirão que a política não falhou, apenas precisa de mais tempo, mais uma década para que se vejam os efeitos das reformas estruturais.

Nos próximos dias, os analistas do costume virão dizer-nos que a UE finalmente decidiu promover o crescimento económico com um programa de investimento de 130 mil milhões de euros.
Mas esquecer-se-ão de dizer que um futuro empréstimo do BEI, normalmente distribuído em retalho pela banca, sujeitará os projectos de investimento à sua análise de risco e a prestação de garantias.
Porém, com uma procura interna deprimida, com uma recessão a instalar-se na Europa, com a incerteza gerada pelo arrastamento da crise e com as tensões políticas que se avolumam na zona euro, quantas empresas esperam fazer bons negócios nos próximos anos para pagar novo endividamento?
E quantas empresas estão em condições de apresentar garantias que os bancos aceitem?

É possível que a austeridade venha a ser aliviada nos países sob tutela e que novos fundos para investimento possam ficar disponíveis dentro de alguns meses.
Mesmo assim, os juros da dívida de Espanha e de Itália manter-se-ão insustentáveis.
E a razão é simples.
Os especuladores sabem que as propostas de criação de euro-obrigações, de garantia conjunta dos depósitos bancários, de criação de um fundo de amortização da dívida excessiva, a transformação do BCE num verdadeiro banco central e a colocação dos orçamentos nacionais sob tutela de Bruxelas não serão aprovados por vários parlamentos nacionais, a começar pelo Bundestag.

No fundo, eles sabem que as hesitações de Merkel são insanáveis porque se devem ao temor de uma intervenção preventiva do Tribunal Constitucional alemão.
A superação das inconstitucionalidades obrigaria a um referendo que ninguém quer convocar porque é crescente o número de eleitores alemães que associa, e com razão, o euro a salários baixos, recuo do Estado Providência e um imenso e crescente volume de dívidas que a Alemanha terá de pagar.
Na Holanda, um país que sempre apoiou Merkel, a tendência é igual.

Acossada pelos mercados, crescentemente repudiada pelos cidadãos, a zona euro tem os dias contados.

Infelizmente, o povo português não teve acesso a informação séria e plural sobre o que se avizinha.

(-por Jorge Bateira , jornal i )


De TVs e ... alienam os cidadãos para ... a 29 de Junho de 2012 às 13:49

Acabou a alienação, voltemos às telenovelas

Acabou a participação de Portugal no europeu (de futebol), que alívio!
Os portugueses vão poder voltar a concentrar-se no que interessa, nas telenovelas e nos romances que envolvem dirigentes desportivos (confiram as grelhas dos principais canais em horário nobre).

Vão poder voltar às estimulantes aventuras de personagens de novela que não trabalham, que passam a vida em casas e lugares sofisticados e cuja única atividade a que se dedicam é a cochichar sobre a vida alheia.
Para os que não gostam há sempre alternativas, as aventuras sexuais de Pinto de Costa, conspirações de árbitros e belas reportagens sobre o treino do dia de um dos três grandes.
Aleluia, estava a ver que não!

(-por R.C.Silva, Esquerda Republicana, 28.6.2012)


De .A Nossa Candeia. a 29 de Junho de 2012 às 14:04

«Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.»
- Rosa Luxemburgo

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Recapitalizar os Bancos, Hipotecar a Sociedade...

A Bolsa europeia regozija-se com os resultados do encontro das lideranças políticas em Bruxelas...
faz sentido!...
apoiar a recapitalização directa da Banca através do recurso nacional aos apoios comunitários, significa tomar como caução a perda da soberania dos países que integram a UE,
garantindo e aumentando a dependência dos próprios Estados à rede de endividamento global... que nos conduziu a esta crise!

Do ponto de vista social e humano, esta decisão mais não faz do que reiterar, de forma sublinhada e a bold que, para o mundo da política económica financeira neoliberal que gere as sociedades contemporâneas,

é assumidamente irrelevante a qualidade das condições de vida das pessoas, a autonomia dos povos e os direitos fundamentais dos cidadãos...
portanto, no horizonte continua a flutuar, apenas e só!, a bandeira desesperada do crescimento do desemprego e da pobreza
(independentemente do que a comunicação social irá apregoar, aplaudindo o movimento dos fluxos de capital... na Banca e na Bolsa)... pois...

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Exploração - ou da Irracionalidade (Des)Humana

... enquanto se inflige a milhões de adultos essa violação dos Direitos Humanos que consiste na negação do Direito ao Trabalho, milhões de crianças são exploradas até ao limite das suas forças e em prejuízo do seu Direito a Ser Crianças...

Não há, por isso, racionalidade ética que justifique o desemprego, nem ideologia política que possa, com justeza e seriedade, explicar a desumanidade insuportável da organização societária...

Não compreender o mundo como um todo, quando a globalização evidencia no quotidiano o seu preço sob a forma de "crises" e "austeridades", é um direito que não temos...

Torna-se cada vez mais incontornável a necessidade de exigir a mudança... ou, se preferirem uma assertividade mais sofisticada:
a Mudança é, hoje, inequivocamente!, um Imperativo Categórico e a Ruptura Revolucionária, Um Dever...
(-por Ana P.Fitas, 23.6.2012)


De E Gov.Tuga subserviente ! BASTA !!. a 29 de Junho de 2012 às 10:51

O ‘Relatório de Friburgo’
(-por Ponte Europa)

Alemães elegem Portugal como exemplo, mas regresso aos mercados só em 2015… conclui o Centro de Estudos de Política Europeia, organismo alemão sediado em Friburgo. link

Más notícias para os portugueses embora envoltas de rasgados elogios considerando o actual Governo um ‘bom aluno’...

Perante a esforçada e obsessiva teimosia de Passos Coelho de rejeitar a necessidade de mais tempo, o Centro de Estudos de Friburgo - provavelmente com ideias refrescadas dada a sua proximidade da Floresta Negra - baseando-se na actualização do ‘Default Index’ (avaliação do risco de bancarrota), prevê que Portugal só possa ‘regressar aos mercados’ em 2015.
Portanto, a prosápia saloia do actual Governo - repetidamente enunciada por Passos Coelho - sobre a determinação de não necessitar de mais tempo cai redondamente por terra.

Necessariamente que para ‘sobreviver’ até 2015, sem capacidade de financiar-se nos mercados, o País vai precisar de mais dinheiro, não é preciso ser nenhum prodígio em previsão política. Como não há ‘dinheiro de borla nem de geração expontânea’ devem os portugueses interrogar-se, desde já, sobre o que podem esperar - face a uma forçada renegociação subrepticiamente sinalizada no Relatório - em termos de austeridade, de desvalorização das condições e remuneração do trabalho, de sustentabilidade das prestações sociais, de crescimento económico (que combata a tragédia do massivo desemprego), etc.

O relatório é curioso. Alimenta paradigmáticas ‘confusões’ – ou melhor subversões - de conceitos políticos e financeiros. Engloba, por exemplo, entre ‘as reformas’ levadas a efeito no actual quadro de assistência externa o ‘confisco’ por parte do Governo dos subsídios de Férias e Natal.
Num passe de mágica transforma-se um despudorado saque (ainda a aguardar decisão do Tribunal Constitucional) num ‘exemplo reformista’ que, sejamos claros, já tinha sido liminarmente, expresso por um ex-funcionário da Goldman Sachs (António Borges) com uma lapidar 'solução': ‘baixar os salários é uma urgência’. link

Questões inadiáveis, suscitadas pelo presente Relatório:

- O que nos espera no 2º. semestre de 2013 [link] data aprazada pelo actual Governo para o regresso aos mercados?
O ‘Relatório de Friburgo’ parece sugerir a resposta: Renegociar o tempo e o dinheiro. Falta, no entanto, acrescentar: na altura e nas condições que os ‘mercados’ julgarem oportunas (e mais vantajosas)!

- Então porque anda o Governo a encanar a perna à rã, enganando, mais uma vez, os portugueses?
Será porque há o risco de (perigosamente) chegar a 2015 (ano de eleições legislativas) sem ‘resultados’ concretos?

- O que poderá, então, este Governo ‘prometer’ aos portugueses? Mais austeridade, mais ‘reformas estruturais’, mais empobrecimento?
Não, obrigado, já chega!


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