8 comentários:
De .Cimeira/s... ou baixeiras. a 29 de Junho de 2012 às 11:13
Mais uma cimeira

Como era previsível, a política de austeridade FRACASSOU.
A programada recessão produziu uma dramática quebra nas receitas dos impostos, de tal ordem que o governo teve de admitir a necessidade de novas medidas de austeridade para não se afastar dos compromissos do Memorando.
No entanto, vai adiar a decisão tanto quanto puder porque espera uma esmola da Alemanha, o alargamento do prazo para a redução do défice.

Entretanto, a falência de um grande número de empresas, o desemprego de massa, a queda na POBREZA de uma parte da classe média, a fome dissimulada e o desespero de inúmeras famílias que deixaram de pagar os empréstimos, tudo isto foi uma devastação económica e social inútil, infelizmente sem fim à vista.

Agora, também é preciso dizer que o fracasso da austeridade põe em causa a reputação dos ECONOMISTAS que durante o último ano defenderam a estratégia do Memorando.
Porque se comprometeram com uma política económica errada e deram a sua caução intelectual e moral ao desastre que atingiu o País.
E não podem dizer-se surpreendidos com a situação a que chegámos porque as suas teorias económicas são há muito tempo contestadas por outras escolas de pensamento e, no terreno, esta política já tinha sido posta em causa pelos fracassos da intervenção do FMI em anteriores crises financeiras.
Como seria de esperar, estes economistas permanecem em palco e sempre dirão que a política não falhou, apenas precisa de mais tempo, mais uma década para que se vejam os efeitos das reformas estruturais.

Nos próximos dias, os analistas do costume virão dizer-nos que a UE finalmente decidiu promover o crescimento económico com um programa de investimento de 130 mil milhões de euros.
Mas esquecer-se-ão de dizer que um futuro empréstimo do BEI, normalmente distribuído em retalho pela banca, sujeitará os projectos de investimento à sua análise de risco e a prestação de garantias.
Porém, com uma procura interna deprimida, com uma recessão a instalar-se na Europa, com a incerteza gerada pelo arrastamento da crise e com as tensões políticas que se avolumam na zona euro, quantas empresas esperam fazer bons negócios nos próximos anos para pagar novo endividamento?
E quantas empresas estão em condições de apresentar garantias que os bancos aceitem?

É possível que a austeridade venha a ser aliviada nos países sob tutela e que novos fundos para investimento possam ficar disponíveis dentro de alguns meses.
Mesmo assim, os juros da dívida de Espanha e de Itália manter-se-ão insustentáveis.
E a razão é simples.
Os especuladores sabem que as propostas de criação de euro-obrigações, de garantia conjunta dos depósitos bancários, de criação de um fundo de amortização da dívida excessiva, a transformação do BCE num verdadeiro banco central e a colocação dos orçamentos nacionais sob tutela de Bruxelas não serão aprovados por vários parlamentos nacionais, a começar pelo Bundestag.

No fundo, eles sabem que as hesitações de Merkel são insanáveis porque se devem ao temor de uma intervenção preventiva do Tribunal Constitucional alemão.
A superação das inconstitucionalidades obrigaria a um referendo que ninguém quer convocar porque é crescente o número de eleitores alemães que associa, e com razão, o euro a salários baixos, recuo do Estado Providência e um imenso e crescente volume de dívidas que a Alemanha terá de pagar.
Na Holanda, um país que sempre apoiou Merkel, a tendência é igual.

Acossada pelos mercados, crescentemente repudiada pelos cidadãos, a zona euro tem os dias contados.

Infelizmente, o povo português não teve acesso a informação séria e plural sobre o que se avizinha.

(-por Jorge Bateira , jornal i )


De TVs e ... alienam os cidadãos para ... a 29 de Junho de 2012 às 13:49

Acabou a alienação, voltemos às telenovelas

Acabou a participação de Portugal no europeu (de futebol), que alívio!
Os portugueses vão poder voltar a concentrar-se no que interessa, nas telenovelas e nos romances que envolvem dirigentes desportivos (confiram as grelhas dos principais canais em horário nobre).

Vão poder voltar às estimulantes aventuras de personagens de novela que não trabalham, que passam a vida em casas e lugares sofisticados e cuja única atividade a que se dedicam é a cochichar sobre a vida alheia.
Para os que não gostam há sempre alternativas, as aventuras sexuais de Pinto de Costa, conspirações de árbitros e belas reportagens sobre o treino do dia de um dos três grandes.
Aleluia, estava a ver que não!

(-por R.C.Silva, Esquerda Republicana, 28.6.2012)


De .A Nossa Candeia. a 29 de Junho de 2012 às 14:04

«Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.»
- Rosa Luxemburgo

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Recapitalizar os Bancos, Hipotecar a Sociedade...

A Bolsa europeia regozija-se com os resultados do encontro das lideranças políticas em Bruxelas...
faz sentido!...
apoiar a recapitalização directa da Banca através do recurso nacional aos apoios comunitários, significa tomar como caução a perda da soberania dos países que integram a UE,
garantindo e aumentando a dependência dos próprios Estados à rede de endividamento global... que nos conduziu a esta crise!

Do ponto de vista social e humano, esta decisão mais não faz do que reiterar, de forma sublinhada e a bold que, para o mundo da política económica financeira neoliberal que gere as sociedades contemporâneas,

é assumidamente irrelevante a qualidade das condições de vida das pessoas, a autonomia dos povos e os direitos fundamentais dos cidadãos...
portanto, no horizonte continua a flutuar, apenas e só!, a bandeira desesperada do crescimento do desemprego e da pobreza
(independentemente do que a comunicação social irá apregoar, aplaudindo o movimento dos fluxos de capital... na Banca e na Bolsa)... pois...

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Exploração - ou da Irracionalidade (Des)Humana

... enquanto se inflige a milhões de adultos essa violação dos Direitos Humanos que consiste na negação do Direito ao Trabalho, milhões de crianças são exploradas até ao limite das suas forças e em prejuízo do seu Direito a Ser Crianças...

Não há, por isso, racionalidade ética que justifique o desemprego, nem ideologia política que possa, com justeza e seriedade, explicar a desumanidade insuportável da organização societária...

Não compreender o mundo como um todo, quando a globalização evidencia no quotidiano o seu preço sob a forma de "crises" e "austeridades", é um direito que não temos...

Torna-se cada vez mais incontornável a necessidade de exigir a mudança... ou, se preferirem uma assertividade mais sofisticada:
a Mudança é, hoje, inequivocamente!, um Imperativo Categórico e a Ruptura Revolucionária, Um Dever...
(-por Ana P.Fitas, 23.6.2012)


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