Neoliberais escravocratas e fantoches servis

      Os  novos  negreiros    (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

   A notícia de que estão a ser contratados enfermeiros pagos abaixo do salário mínimo apenas surpreende quem não presta muita atenção ao modo como o Governo olha para os trabalhadores. É prática comum do Estado estimular o emprego precário. Somando-se aos trabalhadores a falsos recibos verdes (ainda há pouco tempo foi notícia a dispensa dos serviços de vários prestadores de serviços no Centro de Saúde do Norte do país), há também o hábito de recorrer a empresas de trabalho temporário ou similares, sobretudo desde que as entradas na Função Pública foram congeladas (excepto para os boys do PSD e do CDS).
     Ora, estas empresas são os negreiros do capitalismo. O Estado (e as empresas privadas) pagam um serviço por um determinado valor e o trabalhador apenas recebe uma parte*. Os artistas do costume dirão que é o mercado a funcionar. E têm toda a razão. Neste caso, o mercado funciona explorando a mais valia laboral a um nível ainda mais expressivo, de maneira a que dois agentes lucrem com essa mais valia: o Estado (ou a empresa) e os negreiros. Quando há duas entidades diferentes a lucrar, o trabalhador fica sempre a perder. E também seria interessante saber quanto vai pagar a ARS de Lisboa às empresas prestadoras de serviços - tenho um dedo que me diz que deve ser sensivelmente o mesmo que os enfermeiros recebiam directamente, mas interesses mais altos se levantam, e se existisse jornalismo a sério em Portugal veríamos daqui a algum tempo reveladas as ligações entre os decisores na ARS e os donos destas empresas.
     O Governo é claro que permite e estimula isto, dado que entra no âmbito das "reformas estruturais" que visam transformar Portugal na China da Europa (Paulo Portas, o submarino amarelo desta acabrunhada tristeza, já anda pelo Oriente a colher exemplos deste "empreendedorismo" libertador).      Tudo normal, e muito sinceramente não sei porque há ainda quem se surpreenda por esta habilidade que equipara o trabalho altamente qualificado e essencial dos enfermeiros ao trabalho das empregadas de limpeza (por sua vez também contratadas por empresas que as exploram). Chama-se "corte nas despesas", meus amigos. Habituem-se. O ideal seria mesmo pôr esta gente toda que vive à conta do Estado a trabalhar 18 horas por dia e a pagar para trabalhar. Aí, sim, teríamos acabado com o despesismo que grassa nos organismos públicos da área da Saúde. Ah, admirável mundo novo.


Publicado por Xa2 às 07:41 de 03.07.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De .A geração perdida. Gov.s Criminosos. a 4 de Julho de 2012 às 09:38

A geração perdida

(-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online, 3.7.2012)

Os enfermeiros que começaram a trabalhar ontem nos centros de saúde de Lisboa e que foram contratados por empresas de prestação de serviços - o Estado arranja forma de, ele próprio, ludibriar a lei laboral - receberão 4 euros por hora.

Centenas de bolseiros que trabalham em laboratórios e universidades do Estado estão há meses com as suas bolsas em atraso.
Os bolseiros de doutoramento e pós-doutoramento receberão o mês de Julho com atraso.
Uns e outros estão, com muito raras exceções, proibidos de ter qualquer outra fonte de rendimento.
Têm de viver do ar ou com a ajuda dos pais, se eles lhes conseguirem valer.

Poderia continuar.
Os estágios não pagos em várias profissões qualificadas.
A forma como as empresas de trabalho temporário transformam a desgraça de milhares de jovens numa excelente oportunidade de negócio.
Mas tudo se resume a isto:
andámos a gastar dinheiro em formação para mandar embora os jovens mais qualificados que alguma vez este País conheceu.
A isto chama-se desperdício.
E não, não temos, como muita gente julga, "doutores" a mais.
Olhem para a Europa. Temos "doutores" a menos.
O problema é que a maioria das nossas empresas não foi capaz - por culpa própria ou pela estratégia económica dos sucessivos governos - de aproveitar esta oportunidade.

Um jovem qualificado português tem duas possibilidades:
ou vive às custas dos pais nos primeiros anos de carreira (se os pais o puderem ajudar), paga para trabalhar e aceita adiar o começo da sua vida para um passado distante,
ou emigra e vem cá no Verão.
Se fizer a primeira escolha, pior para ele.
Se fizer a segunda, pior para nós.

Recentemente, um jovem deputado do CDS, com 29 anos, estudante veterano e sem nenhum currículo que não seja o de deputado, disse, sobre o jovem português:
"fatalmente, vai cada vez mais criar o próprio emprego e não andar à procura na indústria ou noutros sectores".
Foi isso que fez no CDS e justamente ficou com a pasta do "empreendedorismo".
Não desenvolvo mais sobre esta maravilhosa frase do felizmente obscuro "jotinha" Michael Seufert, que tem como principal solução para o desemprego dos jovens que estes deixem de descontar e receber da segurança social.
Apenas isto:
nenhum país vive exclusivamente de empresas unipessoais.
Nenhum país dispensa técnicos especializados que podem não ter especial talento para os negócios, mas sem os quais os negócios não vão longe.
Compreendo que estes empreendedores teóricos - como o nosso primeiro-ministro - não consigam passar das frases feitas, dignas dos artigos de auto-ajuda profissional.
Mas ou começamos a ser governados por quem queira aproveitar a melhor de todas as gerações ou espera-nos um futuro sombrio.

Como é possível algum tipo de "empreendedorismo" se os melhores se forem embora?
Como esperam vencer a nossa crise demográfica se os jovens viverem na mais absoluta das precariedades?
Como esperam que eles garantam uma boa formação para si e para os seus filhos, se cometerem a loucura de os ter, a receberem 4 euros por hora?
Como será a nossa velhice se, para viverem, os nossos filhos dependerem da ajuda das nossas magras reformas, se as viermos a ter?

Enfim, como poderá esta sociedade ser sustentável se continuarem a esmifrar até ao tutano uma geração que se preparou para o desenvolvimento de um País que afinal decidiu regressar ao século XIX?


De Há limites !! ... na lama . a 3 de Julho de 2012 às 11:56
-------
Há limites para a paciência
(,mansidão, corrupção, assédio, assalto, injustiça, ...)

Quando o governo de um país aceita que os seus quadros se sujeitem a trabalhar a troco de esmolas (ou 'voluntariado e caridadezinha')
isso significa que esse país está à beira de uma ruptura grave e de consequências imprevisíveis,

um governo que permite e promove o vale tudo no plano social deixa de ter credibilidade e de merecer a confiança dos cidadãos.

A partir deste ponto tudo pode suceder,
um povo em que os seus quadros mais qualificados não ganha o suficiente para estar acima do limiar da pobreza
é capaz de tudo e mais tarde ou mais cedo os que pensavam que podiam abusar da austeridade e da desregulamentação
no pressuposto de que os seus concidadãos são mansos poderão ter uma desagradável surpresa.

Com o falhanço da pinochetada de austeridade e com o Estado a assumir o papel de patrão sem escrúpulos é uma mera questão de tempo para que tal suceda.

Os governantes que estão promovendo a destruição de todos os equilíbrios sociais
sem terem em consideração os riscos poderão ter que vir a ser chamados à justiça, precisamente aquilo que alguns defenderam ainda recentemente mas sem se perceber muito bem porquê mudaram de ideias.

-------------

Os advogados do regime

«José Luís Arnaut gosta de estar em todo o lado:
na advocacia, na política, no futebol e agora na administração da empresa que distribui energia e gás natural ao mercado nacional.
A capacidade multidisciplinar do dr. Arnaut não causaria nenhum mal ao país se a mesma não
transformasse a fronteira entre o público e o privado numa nebulosa perigosa
onde a subjugação do interesse público às necessidades dos privados é uma variável a ter em conta.

Passada quase uma semana após o i ter noticiado que o escritório CSM Rui Pena Arnaut tem a REN como cliente e produziu boa parte da legislação estruturante do gás natural e do restante sector energético,
levantou-se um coro de críticas mas o assunto caiu no esquecimento.

A Ordem dos Advogados, em vez de tentar perceber se existe alguma incompatibilidade, ficou calada – como é costume quando está em causa algum dos cinco grandes escritórios.

Enquanto a Ordem de Marinho Pinto nada faz, e o executivo de Passos Coelho permite,
há um escritório de advogados que faz a legislação de um sector e aconselha empresas sobre essa mesma norma.

Refira-se que a situação do escritório do dr. Arnaut não é, de todo, caso único.
Desde há muito que os sucessivos governos deixam que os grandes escritórios,
por onde membros desses mesmos executivos passam,
tenham acesso a informação privilegiada – mas sem que ninguém verifique eventuais incompatibilidades.

Nesse autêntico reino dos consultores jurídicos tudo é possível.
Ainda no sector energético, o governo de Durão Barroso contratou em 2003 o escritório PLMJ (do qual Morais Sarmento, então ministro da Presidência do Conselho de Ministros, é sócio) para o aconselhar,
juntamente com a Goldman Sachs de António Borges, na reestruturação do sector energético – mais uma.

Uma das operações acompanhadas foi o acordo estabelecido entre o Estado e a ENI para a compra 34,3% do capital da Galp.
A sócia que liderou a equipa jurídica da PLMJ era advogada de longa data de Américo Amorim.
Quando este empresário quis entrar na Galp, em 2005, a mesma jurista deixou de representar o Estado para assessorar Amorim.

Outros exemplos podiam ser dados numa área onde os sucessivos governos têm facilitado muito.
Um Estado forte não se entrega desta forma tão infantil a interesses privados.
É necessário um escrutínio e uma regulação muito mais intensa para defesa do interesse público.
Este não pode ser a vítima habitual dos negócios.»
- [i] Luís Rosa.
(via OJumento, 3.7.2012)


De E.T.T. -Empr.Trab.Temp./ subempreiteiros a 3 de Julho de 2012 às 11:46
SELVAJARIA no TRABALHO ou ESCLAVAGISMO ?!!
-------
Quando é o Estado a promover a selvajaria no mercado laboral... e alguns (...) 'empreendedores' a ganhar...
«Proteste-se.»

--------- Subempreiteiros na saúde?

«A Administração Regional de Saúde de Lisboa garante que o valor de referência para subcontratar enfermeiros é 10 euros/hora,
mas estes profissionais queixam-se de receber apenas 4 euros por causa da parte cobrada pelas empresas de serviços ( 6€/hora para as suas despesas + lucro !!).

Em causa estão entre 60 a 70 enfermeiros que prestam serviços nos centros de saúde e hospitais, através de empresas de prestação de serviços ( E.T.T. - empresas de trabalho temporário)
que concorrem a concursos abertos pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), um dos quais terminou na semana passada.» [Diário Digital]

Parecer:
Mas que grandes AMIGOS devem ter no ministério para poderem contratar e ficar com metade dos ordenados dos enfermeiros. !!!
: «Investigue-se.»

----------- Quantos preços tem um enfermeiro?

«A propósito das críticas do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que acusam a ARSLVT de estar a contratar serviços de enfermagem a preços de saldo,
chegando a pagar menos de quatro euros por hora, este organismo declinou qualquer responsabilidade na fixação deste valor por hora.

O valor por hora "resulta de concurso público em que as empresas envolvidas apresentaram livremente as suas propostas", lê-se num comunicado da ARSLVT.

Esta ARS recorda que foi lançado "um concurso público para aquisição de serviços de enfermagem, cujo valor base era de 8,50 euros por hora,
o qual corresponde ao preço médio praticado no mercado para este tipo de prestações de serviços".» [CM]
Parecer:
desorientação do ministério da Saúde é evidente, sabiam muito bem que estavam a lançar um esquema esclavagista e agora querem dizer que não têm responsabilidades.

É evidente que quando lançaram um concurso de compra de escravos sabiam muito bem que lhes sairia mais barato do que contratar enfermeiros segundo as regras do Estado.

Despacho do Jumento:
«Proteste-se.»


De .. a 3 de Julho de 2012 às 09:59
-----Rui F
Filha de Putice.
A canzoada não atua porque não quer.
Esta nojeira de país não vai acabar bem. Não vai não.

-------web / snipper
Paulo Macedo está a dar decisivos passos (e que Passos) para uma greve geral de todos os profissionais de saúde, o que sendo inédito em Portugal, pouca gente estará habilitada para avaliar as suas profundas consequências.

Neste 'caldo de cultura' que é representado pelos os cortes orçamentais cegos (troika dixit),
pela inaudita desvalorização salarial (o assunto do dia),
pela destruição das carreiras profissionais (o assunto daqui a 10 dias),
pelo desmantelamento da orgânica dos serviços (fusões & encerramentos até ao 'final' - quando chegará o fim? - da legislatura),
pelos 'congelamentos' de toda a ordem e espécie (desde 2008),
enquanto, paralelamente, se sobrecarrega os utentes com taxas ou melhor co-pagamentos (cuja cobrança coerciva começa amanhã),
há muita coisa a proliferar, i. e., a incubar...

--------miguel teixeira
Caro Sérgio: "O Estado (e as empresas privadas) pagam um serviço por um determinado
valor e o trabalhador apenas recebe uma parte, menos que 70% do valor
pago à empresa"
Não é assim, fale com alguém do meio do trabalho temporário que o ajudarão a perceber os custos dos contratos de trabalho temporário
( proporcionais de férias, natal, férias não gozadas, caducidade de contrato, seg. social e acidentes de trabalho) É fácil e não precisa andar a dizer babuseiras.
Pagar a recibos verdes não é trabalho temporário.
É outra coisa, que não está regulamentado e que permite o que por exemplo é referido neste blog:
intermediários que nada acrescentam na cadeia de valor.
Mas aí uma visita da ACT resolveria logo a questão do vínculo laboral que obviamente deveria existir entre estas "empresas" e os enfermeiros. Um abraço

--------Sérgio Lavos
Em relação aos 70% já corrigi, terei sido mal informado.
Quanto ao resto, eu sei e distingo no post, entre recibos verdes (falsos ou não) e trabalho temporário.

Ainda assim, os contratos que os trabalhadores que são colocados pelas empresas de trabalho temporário fazem com privados (ou com o Estado) são, por natureza, precários, muitas vezes com uma duração bastante reduzida.
Além disso, há empresas que contratam sucessivamente trabalhadores a estas empresas, não permitindo que eles se vinculem, mesmo trabalhando durante mais de três contratos sucessivos, que obrigam a que o vínculo se efective.

Disto eu tenho conhecimento relativamente próximo. Não é o caso dos enfermeiros, mas referi estas empresas no post a título de exemplo de intermediários entre o empregador e o empregado que existem apenas para lucrar com a precariedade laboral.

-----------y67g
têm é obrigação moral de incendiar as empresas de trabalho temporário que os chulam e um governo que bate palmas.
é a direita a funcionar.
-----------edgar
Não querem apenas aumentar a exploração, querem a humilhação dos trabalhadores e do povo, querem a desforra do 25 de Abril !
---------Anónimo
É, cada um inventa a escravatura que pretende e trata os seus escravos como lhe convém.
Estes esclavagistas de cá pagam a enfermeiros salários que, quando muito, dão para comer sandes de margarina.
Como já aqui escrevi, é todo um sistema neocolonial que se vai montando.
Com a vantagem de serem todos, explorados e exploradores, mais ou menos da mesma cor, e, assim, se poder viver na ficção de sermos "todos iguais". Pois...

---------HRoque
Estes filhos de uma mãe de cama incerta só merecem uma coisa: METRALHA NELES.

SÃO UNS HOMICIDAS QUALIFICADOS e serão julgados (espero que mais cedo do que tarde) por aquilo que me fazem, fizeram e ousam propor fazer, enquanto cidadão e enfermeiro.

Nada mais desejo do que justiça. daquela verdadeira, da feita por homens e mulheres de coragem:
JUSTIÇA POPULAR (pois não há outra mais justa para além desta - é que nem que venha o Marinho e Pinto dizer o contrário caralho...)


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