De Desenvolvim. ou Finança a rapinar. a 17 de Julho de 2012 às 18:23

DESENVOLVIMENTO OU AUSTERIDADE ?

Aproveitando o trabalho de pesquisa que não fiz, adiro à equipa dos "burros"!
E o burro sou eu? Como se destrói um país (ou como não se quer salvar um país, o que vai dar ao mesmo)Há quem chame burro aos que dizem que a recuperação económica deve ser feita através do desenvolvimento e nunca através da austeridade.
Eu, porque sou burro, defendo que seja através do desenvolvimento – e com toda a convicção. Não me importo de ser burro. Antes burro, que um grande filho da mãe, cujos políticas espalham a miséria e transformam um país num eterno protectorado dos impérios financeiros.

A austeridade impede o desenvolvimento, mas alimenta o grande capital financeiro, ao qual estamos hipotecados até aos cabelos.
É isso que os «espertos» defendem.Há dias – e só num pequeno expositor de um hipermercado – vi que alfinetes, dedais, linhas, colchetes, agulhas e artigos da mesma natureza eram TODOS importados. Da Malásia, da República Checa, da Hungria, da Alemanha e da China. Estive agora a ler um texto do economista Eugénio Rosa (outro burro, certamente), onde fiquei a saber mais algumas coisas muito interessantes.
Por exemplo: Segundo o INE, em 2011, Portugal importou, ou seja, gastou, adquirindo ao estrangeiro:

798 milhões € em carne;1.339 milhões € em peixe (é o que dá não termos mar…);505 milhões € em leite e lacticínios;818 milhões € em cereais291 milhões € em produtos hortícolas (é o que dá não termos campos…);467 milhões € em frutas (idem, idem, aspas, aspas…);275 milhões € em produtos hortícolas e frutas preparadas;605 milhões € em óleos ou gorduras animais e vegetais;213 milhões € em preparados de carne e peixe;306 milhões € em açúcares e produtos de confeitaria;399 milhões € em bebidas e vinagres;348 milhões € em preparações alimentícias diversas;2.086 milhões € em produtos farmacêuticos;211 milhões € em obras de couro e de tripa;574 milhões € em madeira e obras de madeira;1.101 milhões € em papel, cartão e suas obras;136 milhões € em cortiça e obras de cortiça;1.719 milhões € em vestuário e seus acessórios de malha e sem malha;4.334 milhões € em máquinas e aparelhos eléctricos;
E o rol não ficava por aqui.

Em face disto, a pergunta que se impõe é óbvia: - porque não produzimos tudo aquilo – ou, pelo menos, grande parte - que este quadro nos mostra, a juntar aos alfinetes e agulhas, linhas e outras missangas?
Porque não sabemos? Porque não queremos? Porque não nos deixam?
E mais:
- Porque fomos impedidos de produzir todo o aço que necessitávamos e, pelo contrário, fomos obrigados a entregar a nossa Siderurgia aos estrangeiros?-
Porque deixámos morrer a nossa indústria têxtil?- E a reparação e construção naval, cujo último baluarte são os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, também ele com os pés para a cova?
- Que foi feito da Sorefame?
E o quadro poderia ser muito mais longo.MAS A RESPOSTA É CURTA E SIMPLES:
Não produzimos a maior parte do que importamos PORQUE QUEM NOS TEM GOVERNADO NÃO QUER!

Dir-me-ão os «espertos», com a sua esperteza de refinados canalhas, que não há investimento, que não há dinheiro, que não há confiança, e que, por outro lado, o Estado não pode tomar o lugar dos investidores.
Digo eu, do alto da minha burrice, que a primeira obrigação de um governo é para com o seu povo e para com o seu país.

E se ninguém quer investir naquilo que nos faz falta, seja leite, peixe, carne, fruta, aço, agulhas, velas de cera ou papel higiénico – o que for – o Estado tomará nas suas mãos essa tarefa.

Como resultado, teríamos:
- Diminuição das importações – logo, do nosso endividamento ao estrangeiro.
(E, eventualmente, aumento das exportações);
- Emprego para centenas de milhares de desempregados – logo, menos despesa e mais receita para a Segurança Social;
- Aumento da receita fiscal – mais IRS e mais IRC;- Famílias com mais poder de compra – logo, dinamização da economia;
- Diminuição do défice orçamental;

E se a tudo isto acrescentarmos salários dignos e serviços públicos capazes de responder às necessidades da população, certamente que teríamos os trabalhadores mobilizados para todas as batalhas que o desenvolvimento do país e o correspondente bem-estar das famílias exigiriam.
...


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