Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

        Da  Exploração  do  Trabalho,  hoje ...    (-

   A política laboral portuguesa promoveu e facilitou a descida dos salários para níveis que se aproximam de uma exploração do trabalho, até há uns anos, considerada impensável (ler AQUI - "Disparidades:Salários baixos estão cada vez mais baixos. Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho apontam para um agravamento das diferenças salariais entre classes. Globalmente, os operários ganham quatro vezes menos do que os directores de empresas, e estão a afastar-se da média...")...

   Inaceitáveis, os honorários oferecidos a enfermeiros, médicos, arquitetos e, seguramente, a todos os profissionais (com horários que excedem as 8 horas e associados a requisitos de especialização ou outros), denotam uma sociedade que, vertiginosamente, vai perdendo indicadores de qualidade e que, paradoxalmente à exigência da qualificação dos recursos humanos, desincentiva os cidadãos a investir na sua formação...

   O distanciamento entre a sociedade e o Estado alarga-se a "passos largos", de uma forma tão evidente que, não só já nem merece condenação por parte das autoridades alegadamente defensoras do interesse público, como é por elas promovida (veja-se o caso do IEFP cujo site de emprego anuncia estas vergonhosas ofertas de prestações de serviços, ao abrigo de programas governamentais - ler AQUI - "...política "de baixos salários" promovida pelo Governo e o IEFP, apoiando financeiramente empresas que oferecem trabalho a arquitetos por 500 euros..." )... por isso, as condições desumanas em que os trabalhadores são obrigados a viver (de que recentemente tivemos o exemplo numa empresa da Covilhã) assumem a natureza de um cenário ameaçador que arrisca, senão a generalização, pelo menos, um previsível aumento - contra tudo o que tem sido defendido pelos regimes democráticos, pela OIT, os sindicatos, a memória coletiva e... os Direitos Humanos !        


Publicado por Xa2 às 07:42 | link do post | comentar

2 comentários:
De corrupção? com P ou sem P a 18 de Julho de 2012 às 11:49
Deputado búlgaro detido por tráfico de influências e luvas
Suspeito de receber "um donativo" de milhares de euros para influenciar decisões relativas a subsídios da União Europeia, um deputado, dois polícias e outros dois homens foram detidos na Bulgária

Um deputado búlgaro foi detido na noite de terça-feira por ter recebido luvas de 50 mil leva (25 mil euros),
Entretanto, quatro homens, dois deles polícias, foram detidos na terça-feira, no âmbito do processo de luvas de 50 mil leva

Até em Portugal seriam presos se o valor fosse apenas €25000 para 5 , ou seja €5000 a cada.

Têm muito que aprender com Portugal. Tivesse sido €2,5 milhões e seriam condecorados numa qualquer cerimonia publica.


De .Selvajaria e exploração no Trabalho. a 18 de Julho de 2012 às 12:52

O CHOQUE DOS QUE VIVEM BEM !

A história dos trabalhadores da Covilhã, a viverem num armazém, foi chocante por aquilo que se é capaz de fazer para ganhar uma margem no negócio. Mas foi mais chocante ainda pela imagem que deu da sociedade indiferente em que nos transformámos. (Helena Garrido, Jornalista).


Foram impressionantes as lágrimas de Crocodilo que vi verter naqueles dias em que a comunicação social falou dos imigrantes que trabalhavam na Covilhã e que viviam em condições miseráveis num barracão! Comentadores e políticos que nas suas doutas análises têm feito o jeito aos homens de negócios e têm contribuído para que nos últimos anos se realizasse a maior contra -revolução no mundo laboral com perda histórica de direitos que será difícil recuperar mais adiante! Agora lamentam!

Parece que nos últimos dias alguns deste comentadores tiveram um rebate de consciência e estão agora que nem sindicalistas dos mais bravos! Será apenas conversa ou haverá aqui alguma conversão? São bem- vindos ao campo da luta pelo trabalho digno e falem! Informem-se e denunciem porque os tempos não vão melhorar! Aliás, neste caso como noutros, a comunicação social foi essencial. Só a partir da denúncia da comunicação social é que as autoridades foram ver o que se passava! Os tempos vão maus e cada qual fecha os olhos ao que não deve fechar! Um dia queremos abrir os olhos e já não conseguimos…..

O que se passou na Covilhã também se passará noutros locais. Aquilo é apenas um aspeto, dos mais gravosos, da faceta esclavagista a que está a chegar o trabalho! Atenção pois a outros aspetos, alguns dos quais pretendidos pela Troika, nomeadamente as imposições sobre o despedimento, desvalorização salarial e da contratação coletiva.Os trabalhadores portugueses da CGTP,os mineiros das Astúrias e os funcionários de Madrid já o perceberam há muito!

Noticiava-se há dias que a percentagem dos trabalhadores coberta pela contratação é a menor de sempre, ou seja numa grande parte do mercado laboral o patronato negoceia as condições com os trabalhadores mais ou menos a seu gosto! Ora, com tanto desemprego as condições negociadas individualmente só podem ser péssimas para os trabalhadores! Daí que liquidar a contratação coletiva, como pretende a Troika, é destruir um dos instrumentos mais importantes da democracia social e económica e um dos pilares do diálogo social tão apregoado na propaganda da União Política!

À boa maneira portuguesa choramos pelos trabalhadores imigrantes da Covilhã. No entanto, era bom que a nossa consciência crítica fosse mais abrangente e mais política! Alí, na Covilhã, não existe uma questão moral, dos maus ou dos bons! O capitalismo de hoje não tem limites éticos porque não tem medo! Mesmo quando fala em responsabilidade social tem apenas um objetivo: fazer lucros! Por vezes precisa de mostrar uma cara branca! Quando não precisa mostra o seu lado negro que é, aliás, a sua essência ou substancia!


(-por A.Brandão Guedes , 17.7.2012, BemEstarNoTrabalho)


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