4 comentários:
De .Dividir ... para 'ministrar' .. a 24 de Julho de 2012 às 14:38
O ministro autista
(-por Sérgio Lavos, 23.07.2012,Arrastão)

"Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato.
( http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/representantes-da-comunidade-educativa-unidos-contra-crato-1556044 )

De hora a hora a hora um funcionário aparecia para chamar ora os representantes dos directores, ora os dos pais, ora os dos professores – e todos responderam o mesmo, que tinham pedido uma reunião em conjunto e que apenas subiriam se fossem recebidos em conjunto”, relatou Manuel Pereira, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Ao PÚBLICO, escusou-se a classificar a atitude de Nuno Crato, dizendo que “as atitudes ficam com quem as pratica”.
Mas lamentou que o ministro “tenha perdido uma oportunidade única de perceber as preocupações que são transversais a toda a comunidade educativa”."

Um ministro que não quer ouvir os agentes da área sobre a qual legisla, que talvez preferisse dividir para reinar, governar sozinho.
Um ministro de outro tempo, tão retrógado como haver exames nacionais na 4.ª classe. Bate certo.


De . caos no min. edu. pt. a 26 de Julho de 2012 às 11:38

Caos no ministério do rigor e da exigência
(-por Sérgio Lavos, 25.7.2012, Arrastão)

O ano escolar ainda não começou, mas Nuno Crato já dá cartas na exemplificação dos valores que prometeu implementar antes de ser ministro:

- Desemprego entre os professores subiu 151% só num ano.

- Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato.

- Aplicação do MEC para concurso lança professores contratados "no desespero".

- “Anomalia" obriga a contactar professores contratados que já concorreram.

- Valha-nos o ensino privado, universidades prestigiantes como a Lusófona ou estabelecimentos exigentes como os colégios que conseguem ter as melhores classificações nos rankings anuais, exemplos de empreendedorismo, competência e rigor a toda a prova.


De Classe zombie e ministro bárbaro. a 24 de Julho de 2012 às 14:15

Uma classe zombie e um ministro bárbaro.

(-por Santana Castilho, no Público, 18.07.2012)

Numa sexta-feira, 13, a tampa de um enorme esgoto foi aberta ante a complacência de uma classe que parece morta em vida. Nuno Crato exigiu e ameaçou:
até 13 de Julho, os directores dos agrupamentos e das escolas que restam tiveram que indicar o número de professores que não irão ter horário no próximo ano-lectivo. Se não indicassem um só docente que pudesse vir a ficar sem serviço, sofreriam sanções.

Esta ordem foi ilegítima. Porque as matrículas e a constituição de turmas que delas derivam não estavam concluídas a 13 de Julho. Porque os créditos de horas a atribuir às escolas, em função da deriva
burocrática e delirante de Nuno Crato, não eram ainda conhecidos e a responsabilidade não é de mais ninguém senão dele próprio e dos seus ajudantes incompetentes.
Não se conhecendo o número de turmas, não se
conhecendo os cursos escolhidos pelos alunos e portanto as correspondentes disciplinas, não se conhecendo os referidos créditos, como se poderia calcular o número de professores?
Mas, apesar de ilegítima, a ordem foi cumprida por directores dúcteis.
Como fizeram?
Indicaram, por larguíssimo excesso, horários zero. Milhares de professores dos “quadros” foram obrigados, assim, a concorrer a outras escolas por uma inexistência de serviço na sua, que se vai revelar
falsa a breve trecho. Serão “repescados” mais tarde, mas ficarão até lá sujeitos a uma incerteza e a uma ansiedade evitáveis.
Por que foi isto feito? Que sentido tem esta humilhação? Incapacidade grosseira de planeamento? Incompetência? Irresponsabilidade? Perfídia? Que férias vão ter estes professores, depois de um ano-lectivo esgotante? Em que condições anímicas se apresentarão para iniciar o próximo, bem pior?
Que motivação os animará, depois de tamanha indignidade de tratamento, depois de terem a prova provada de que Nuno Crato não os olha como
professores mas, tão-só, como reles proletários descartáveis?
É de bárbaro sujeitar famílias inteiras a esta provação dispensável. É de bárbaro a insensibilidade demonstrada.
Depois do roubo dos subsídios, do aumento do horário de trabalho, da redução bruta dos tempos para
gerir agrupamentos e turmas, da tábua rasa sobre os grupos de recrutamento com essa caricatura de rigor baptizada de “certificação de idoneidade”, da menorização ignara da Educação Física e do desporto
escolar, da supina cretinice administrativa da fórmula com que o ministro quer medir tudo e todos, da antecipação ridícula de exames para o início do terceiro período e do folclórico prolongamento do ano lectivo por mais um mês, esta pulseira electrónica posta na dignidade profissional dos professores foi demais.
Todas as medidas de intervenção no sistema de ensino impostas por Nuno Crato têm um objectivo dominante:
reduzir professores e consequentes custos de funcionamento.
O aumento do número de alunos por turma fará crescer o insucesso escolar e a indisciplina na sala de aula. Mas despede professores.
A revisão curricular, sem nexo, sem visão
sistémica, capciosa no seu enunciado, que acabou com algumas disciplinas e diminuiu consideravelmente as horas de outras, particularmente no secundário, não melhorará resultados, nem mesmo nas áreas reforçadas em carga horária. Mas despede professores.
Uma distribuição de serviço feita agora ao minuto, quando antes era feita por “tempos-lectivos”, vai adulterar fortemente a continuidade da leccionação das mesmas turmas, em anos consecutivos, pelos mesmos professores (turmas de continuidade), com previsível diminuição dos resultados dos alunos. Mas despede professores.
As modificações impostas à chamada “oferta formativa qualificante”, mandando às urtigas a propalada autonomia das escolas, substituídas nas decisões pelas “extintas” direcções-regionais (cuja continuidade já está garantida, com mudança de nome) não melhora o serviço dispensado aos alunos. Mas despede professores.

Ao que acima se enunciou, a classe tem assistido em letargia zombie.
Não são pequenas ousadias kitsch ou jograis conjuntos de federações sindicais, federações de associações de pais e associações de directores, carpindo angústias e esmagamentos, que demovem a barbárie.
Só a paramos com iniciativas que doam.


De Unir a Classe, defender a Escola Pública a 24 de Julho de 2012 às 14:18

Uma classe zombie e um ministro bárbaro.

(-por Santana Castilho, no Público, 18.07.2012)
...

Só a paramos com iniciativas que doam.
Os professores têm a legitimidade profissional de defender os interesses da classe.
Digo da classe, que não de cada um dos grupos dentro da classe.
E têm a responsabilidade cívica de defender a Escola Pública, constitucionalmente protegida.
Crato vai estatelar-se e perder-se no labirinto que criou para o ano-lectivo próximo.
Perdidos tantos outros, é o tempo propício para um novo discurso político, orientador e agregador da classe.
A quem fala manso e age duro, urge responder com maior dureza.
Lamento ter que o dizer, mas há limites para tudo.

Como?
Assim a classe me ouvisse.
Crato vergava num par de semanas.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)


Comentar post