Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Já que os autores do brilhante sistema de avaliação do desempenho dos funcionários públicos afirmam que o modelo adoptado transpõe para a Administração Pública seria interessante que a título de experiência fosse testado numa empresa privada.

Imaginemos que uma grande empresa privada, por exemplo, a PT adoptava o SIADAP tal como foi e está a ser implementado nos serviços do Estado. É evidente que a administração da empresa ficaria seriamente preocupada, não só a quota de bons funcionários seria reduzida exponencialmente fazendo perigar a motivação dos trabalhadores, como teriam que reforçar de forma significativa a burocracia interna só para implementar o modelo. Mas suponhamos que os administradores da PT estavam tão convencidos do seu sucesso como os criadores do sistema de avaliação do Estado e prosseguiam com a avaliação.

As perspectivas de resultados da PT baixariam brutalmente em termos financeiros e melhorariam exponencialmente em termos qualitativas, os lucros reduziriam mas esperar-se-ia uma melhoria substancial da eficácia e imagem da empresa. OS administradores determinariam que os directores estabelecessem metas, estes ordenariam aos chefes dos serviços que contemplasse essas metas e, por sua vez, os chefes dos serviços chamariam o electricista para contratualizar a meta.

Se no fim do ano os resultados fossem acima do esperando concluiriam que os dirigentes tinham estado acima das expectativas e receberiam um prémio, o electricista seria considerado bom (a quota do excelente tinha sido distribuída pelas secretárias dos administradores, principalmente das que têm belas pernas) e ficar-se-ia por uma palmadinha nas costas.

Se, pelo contrário, os resultados fossem negativos os dirigentes concluiriam que o seu trabalho (e o das secretárias, principalmente as que tivessem belas pernas) foi excelente, mas a culpa dos resultados negativos era do desgraçado do electricista. Nem mesmo os accionistas, que tinham escolhidos amigos e sobrinhos para cargos de direcção, iriam questionar tal solução.

Pois, isto seria impensável numa empresa privada onde ainda antes de se proceder à avaliação do electricista alguns dos administradores já teriam sido despedidos. Poderão dizer-me que não é bem assim e isso é verdade, o modelo cultural herdado da ex-URSS que impera na Administração Pública existe em muitas empresas, resultado de muitas terem sido empresas públicas ou nascido e crescido no tempo do antigo regime.

A verdade é que enquanto não for feita uma revolução cultural no Estado todas estas modernices, principalmente as falsas modernices, terão mais resultados perversos do que benéficos. Muitos dos nossos dirigentes da Administração Pública poderiam transitar directamente para a URSS dos planos quinquenais que ninguém sentiria a diferença. Tal como na URSS os planos quinquenais era sempre superados ao mesmo tempo que a economia se afundava, com uma boa parte das empresas a produzir lixo ou peças defeituosas, também por cá o SIADAP vai acabar pró se assemelhar mais aos modelos de planeamento e gestão de objectivos do tempo dos planos quinquenais soviéticos do que a um instrumento de gestão de uma empresa privada.

Não faz sentido gerir o Estado de cima para baixo como se fazia na URSS e de baixo para cima como se pensa que se faz numa empresa privada. Vamos ter um sistema híbrido, Até ao chefe de divisão tudo se faz como na URSS, até porque uma boa parte dos dirigentes são escolhidos segundo critérios político-tribais, enquanto de baixo para cima se aplica um SIADAP que vai acabar por ser mais um instrumento de repressão, funcionando como um chicote nas mãos de chefes incompetentes, do que como uma ferramenta de avaliação. [O Jumento]



Publicado por Xa2 às 21:09 | link do post | comentar

11 comentários:
De Zé T. a 30 de Junho de 2009 às 10:16
Parabéns pelo oportuno e excelente (sem quotas) post sobre o SIADAP.

O anterior sistema de avaliação era muito mais simples, democrático e responsabilizador/motivador (se o dirigente o quisesse assumir), permitia a existência de uma verdadeira 'comissão paritária', ...

O SIADAP, para além da burrocrática trabalheira, é totalmente discriminatório, é mal feito, aldrabado, feito a meio do ano, sem existir directivas claras do planeamento e objectivos das direcções e serviços, ...

Pior - a legislação do SIADAP em conjugação com a da 'mobilidade especial' e do novo estatuto de carreiras e (não-)funcionamento da Justiça -, permite todos os abusos e prepotências sobre os (ex-)funcionários...

e tal vai-se verificar/acentuar logo após as eleições (até agora, para não assustar os trabalhadores/eleitores, houve indicação para não usar em pleno os seus mecanismos legais). Mas já se diz por aí que os 'cortes' e despedimentos na Administração Pública são para continuar e aumentar.

E se o PSD ganhar ainda vai ser pior.

Malditos neo-liberais !!
Zé T. | 06.25.09 - 1:02 pm | #


De SIADAP a 30 de Junho de 2009 às 11:19

SIADAP - Sistema de Informação e Avaliação de Desempenho na Administração Pública.
(central e carreiras gerais, ficando de fora, para futuras adaptações, a Adm. Regional a Local, os institutos públicos, e as carreiras especiais: docentes, médicos, polícias, magistrados, diplomatas, ...)

Siadap - implementado por um Secretário de Estado (do governo PS/Sócrates) que entretanto saíu para assegurar a sua promoção a equiparação a juiz no Tribunal de Contas.

Siadap e 'pacote' de reformas do 'sistema de carreiras' e 'mobilidade especial' na A.P. foi ''negociado'' (nem sequer leram com atenção as várias propostas/ imposições governamentais) com os amigos da UGT ...

e aprovado pela maioria absoluta PS na AR, com aprovação tácita do PSD e CDS e votos contra do PCP, BE, ...
e a forte contestação da CGTP nas ruas e ''negociações''.

Embora também estes sindicatos da AP não conseguiram ver/ prever todas as gravosas implicações dos novos diplomas ... devido à táctica processual de negociação governamental de:
não informar os parceiros das suas propostas com a antecedência necessária que permitisse o seu estudo aprofundado;
das sucessivas alterações de propostas sem ceder no fundamental;
das subreptícias inclusões de artigos e alíneas 'artilhadas' e anti-constitucionais;
dos sucessivos ''tiros a leste para atacar a oeste'';
da forte campanha mediática contra os funcionários públicos, marcação de agenda política, e de controlo da informação...


De SIADAP nas autarquias NÃO a 3 de Julho de 2009 às 11:36

Mobilidade especial não vai aplicar-se aos funcionários das autarquias

Governo optou por deixar esta matéria para depois das eleições.
A última versão do diploma que adapta a lei de carreiras, vínculos e remunerações às autarquias já não conta com o capítulo sobre mobilidade especial. De parte fica agora o anterior artigo 15º, que previa que os trabalhadores de serviços em reestruturação ou racionalização de efectivos podiam ser sujeitos a processos de mobilidade e mobilidade especial. E acrescentava ainda a possibilidade de opção voluntária por aquele regime, desde que o dirigente concordasse.


De outros a 30 de Junho de 2009 às 10:18
Já tive formação neste célebre SIADAP e CHEGUEI À CONCLUSÃO QUE AS CHEFIAS PORREIRAS vão distribuindo alternadamente bons e muito bons de modo a minimizar por todos o número médio de anos para a promoção, ou seja 7 anos.

Eu, por exemplo, saí duma avaliação curricular de muito bons e excelentes, mas como estou emprestado num serviço fui despromovido para bom, vá lá, obtive o ano passado 10 pontos para ser promovido. Aliás foi-me dito expressamente que o ano passado só precisava de bom e que era preciso contemplar outros funcionários por causa das quotas. Fiquei logo motivado... para pedir a reforma.

Jorge Pinto | 06.25.09 - 10:03 am | #


Faço minhas as palavras do Inconformado.
O Siadap visou a destruição das carreiras, ou antes, a própria administração pública. A treta dos objectivos é um papel martelado que nos dão lá para o fim do ano (quem não assina corre o risco de ser corrido). Uma fantochada pegada.

Por acaso não sei o que pensa MFL do Siadap, mas pior que este sistema estalinista não deve haver. Já não há nada a perder…
FPublico | 06.25.09 - 8:33 am | #


De inconformado a 30 de Junho de 2009 às 10:19
Já assinei o meu contrato de objectivos, pois trabalho nunca foi nada que me assuste e tenciono cumpri-lo, mas volto a repetir que o siadap é um instrumento que não visa outra coisa que não seja a destruição das carreiras da função publica, como aqui já exemplifiquei muitas vezes.

O siadap fará com que todos os funcionários públicos que tenham vergonha na cara, não votem no Sócrates que lhe destruiu as vidas profissionais.

inconformado | 06.24.09 - 8:48 pm | #


De Cacusso a 30 de Junho de 2009 às 10:28
A leitura do post de "O Jumento", "E se o SIADAP fosse adoptado numa empresa privada?", levou-me a rabiscar algo parecido com um comentário.
A sua dimensão levou-me a publicá-lo aqui ( http://kotodianguako.blogspot.com/ , 22.6.2009).

Qualquer que seja a entidade em questão – empresa privada ou serviço público – terá que ter um sistema de organização o mais simples, claro e funcional possível.
Deverá ter um sistema sério, claro, lógico, justo de avaliação que sirva não apenas de avaliação de cada trabalhador mas que seja, pela obtenção de objectivos, como que um sistema de auditoria interna.

O sistema de avaliação de algumas grandes multinacionais baseia-se não numa “terraplanagem” de objectivos (tipo na ASAE cada fiscal tem que efectuar não sei quantas fiscalizações, detenções, apreender não sei quantas toneladas de material deste ou daquele tipo, fechar não sei quantos restaurantes ou á Divisão de Trânsito da PSP e aos fiscais da EMEL ser exigido a apresentação de x multas mensais e processos de contra-ordenações ou aumentar anualmente em y por cento os mesmos itens) mas na verificação do trabalho desenvolvido por cada colaborador, nas suas capacidades, no que a empresa espera dele em particular na obtenção de objectivos.
O objectivo do colaborador x não tem que ser o mesmo do y.

Os objectivos não são estratosféricos mas de acordo com aquilo que efectivamente é exigível permitindo que o colaborador tenha consciência da real possibilidade de lá chegar e até ultrapassar essas expectativas.
É a possibilidade que é dada ao colaborador em trabalhar com formação e a colocação de fasquia em local atingível que gera a motivação.
Motivação acrescida pela certeza do rigor na avaliação, a certeza que alcançar a classificação máxima depende apenas de cada um, pela inexistência de cotas para os vários níveis de classificações. Entende-se que os Departamentos de Recrutamento fazem o seu trabalho e, do leque total de candidatos, com as devidas oscilações (que se pretendem mínimas), escolheram os melhores ou, se não são os melhores, a organização quer torná-los como tal e o sistema de avaliação fará a devida aferição.

Um tal sistema de avaliação poderá existir em todo o lado, até na FP.
Porém o SIADAP é tudo menos o que ficou enunciado.

Num mundo perfeito, com as devidas adaptações, deveria de facto existir um sistema de avaliação que premiasse o mérito e o desempenho.
Num mundo perfeito, a anterior classificação de serviço que o SIADAP veio substituir deveria funcionar porque era simples e, se rigoroso, teria as suas consequências na separação entre o trigo e o joio embora não enunciasse objectivos ou pudesse ser ferramenta de auditoria.

O que a realidade demonstra é que o anterior sistema faliu por falta de rigor dos avaliadores uma vez que todos os funcionários eram muito bons.
Ser bom era demérito e abaixo de bom, sem que a situação fosse bater nas comissões paritárias eram tão raras ou tão difíceis de encontrar como a vida o é no universo.

Para substituir este malfadado sistema inventou-se uma adaptação que está longe de ser justo e, por isso, se encontra nos antípodas de algo que deveria ser razoável.

Neste, como noutros casos, houve um falhanço total de comunicação, os objectivos foram muitas vezes absurdos e incompreensíveis.
A negociação com o colaborador não passou da imaginação de quem adaptou o sistema e a fixação dos objectivos não foi outra coisa que não fosse a tal “terraplanagem” sem ter em conta a capacidade individual e a sua valorização.

O sistema burocrático de suporte, se levado ás últimas consequências, terá que ser (porque não há…) pesadíssimo, absurdo e, na maior parte dos casos impraticável e injusto.
Como é que um avaliador, por exemplo, pode ser justo com 200 colaboradores a avaliar, dispersos por várias unidades de trabalho, cada uma das quais com um ou vários níveis de chefias intermédias, que não avaliam mas aos quais compete transmitir informação??

Tendo em conta que todos os factores positivos e negativos que influenciam a avaliação final estão dependentes de prova factual, imagine-se o peso, o tempo e os gastos económicos que tal sistema comporta.

Os funcionários públicos tiveram que engolir a pastilha sem tugir nem mugir, nestes exactos termos!
...


De Cacusso a 30 de Junho de 2009 às 10:33
...
Não tenho a mais pequena dúvida que a separação entre os bons e os maus, entre quem se dedica e quem se está nas tintas, tem que ser feito.
Parece-me óbvio que quem mais trabalha, mais se dedica, melhor qualidade e maior quantidade de trabalho apresenta deverá também, mais rapidamente, progredir na carreira e auferir retribuição em função desse desempenho.

Estes são princípios básicos que qualquer cidadão português, quer tenha sido funcionário público ou trabalhador de empresa privada conhece, respeita e defende.
É especialmente válido para todos os que, equiparados a cabo-verdianos ou ucranianos, optaram por, em algum momento da sua vida, ser emigrantes.

No estrangeiro, salvo raras excepções, os trabalhadores trabalham, são formados e respeitados.
A idade (experiência) é uma mais valia e a juventude e a formação uma oportunidade de progresso e inovação.

Em Portugal vinga o princípio de que todos os trabalhadores são preguiçosos e sem formação e, por isso, merecedores de baixos salários que, por sua vez, são apresentados como vantagem competitiva do país.

Aos jovens é descredibilizada a sua formação e valorizada a falta de experiência.
Aos experientes, ditos velhos, é realçada a sua idade em detrimento da experiência profissional.

Não admira, pois, que sejamos revoltados e ingovernáveis … Isso prova apenas a desorganização existente… e a injustiça da avaliação que nos é comummente feita.

O Luxemburgo não improvisa, não tem recursos naturais, tem cerca de 20 % de mão de obra portuguesa, não tem empresários portugueses… e é um país viável e igualmente muito mais justo.

Deliramos quando as estatísticas, as sondagens (agora tanto em moda…) ou simples inquéritos de rua comprovam que, na improvisação e no desenrascanço, somos os maiores!


Improvisámos em quase todas as crises históricas.
Improvisámos na expulsão dos judeus e na conversão forçada de todos os cristãos-novos…
Improvisámos na introdução da Inquisição… para que D Manuel tentasse aceder ao trono de Espanha….
Improvisou D Sebastião e mais as suas bravatas…~
Improvisámos em 1580…
Improvisámos nas lutas liberais… ao ponto de termos sido temporariamente governados por aquilo que hoje seria um Alto-Comissário da ONU (os ingleses…)

Improvisámos na I República…
Improvisaram os golpistas do 28 de Maio… que não assumiram responsabilidades e, por ignorância própria, foram a Coimbra buscar o ditador…
Improvisou Salazar…porque além do terror e da intriga política para equilibrar e consolidar o seu poder mais nada fez!!

Improvisou ainda o ditador por não ter compreendido que apenas a descolonização servia os interesses do país… A responsabilidade da guerra, de todos os mortos que ocorreram no período entre 1961 e 1974, bem como de todos aqueles, dos povos das antigas colónias portuguesas, que ocorreram posteriormente são crédito na sua conta pessoal pela sua cegueira, sua obstinação…

Improvisaram as Forças Armadas em 25 de Abril porque, não tivesse sido a coragem pessoal de Salgueiro Maia na Av Ribeira das Naus e o desrespeito pelo povo da ordem de recolher obrigatório…
teríamos provavelmente saído do Salazar-Caetanismo e caído num consulado extremista de Kaulza de Arriaga ou na passagem simples e pacífica de poder de Caetano para Spínola com resolução dos problemas corporativos das Forças Armadas ou, finalmente, na guerra civil…ou, mais verdadeiramente, na guerra entre facções militares…

Improvisámos em 25 de Novembro, porque a parte rectangular da Península Ibérica já nada interessava ao exterior e, nessa medida… “são brancos, que se entendam”. A guerra, civil desta vez, esteve mais perto que nunca!

Não tenho a certeza que não tenhamos improvisado na integração cega e incondicional na União Europeia. Tenho sérias reservas se estrategicamente este é o caminho (a auto-estrada, o aeroporto, o TGV…) por onde passa o futuro e a afirmação do país…
...


De Cacusso a 30 de Junho de 2009 às 10:35
...
O saudosismo por um lado pelo barreirismo extremista e folclórico de 74/75, que se “converteu” á democracia burguesa num sucedâneo de marca BE,
por outro lado pelo amorfismo independente e salvador de todos os PRD’s que permita a condução do país a um paraíso ético-poético-político (que existe apenas no mundo virtual)

ou, ainda, a deriva paternalista e autoritária, que pretende a interrupção da democracia para reformar…a democracia, levam-nos, de novo, a novos improvisos…

Somos muito bons (avaliação própria de desempenho) e muito improvisadores (criativos… na nossa interpretação do vocábulo, perante o avaliador).

O futuro é cada segundo que passa e não aguarda que nós nos organizemos e entendamos!

Numa verdadeira avaliação do SIADAP… Portugal teria nota claramente negativa.
Como não estamos em auto-gestão (acho…) é lícito entregar a nota negativa a alguns dos nossos mais dilectos responsáveis.

O povo é, como os frangos, os suínos e bovinos, engordado com toxinas!

Etiquetas: Política, SIADAP -
22.6.2009, Cacusso, http://kotodianguako.blogspot.com/


De Izanagi a 30 de Junho de 2009 às 12:17
Ao contrário do que o JUMENTO afirma, as empresas privadas, com alguma dimensão entenda-se, têm instrumentos de avaliação dos seus recursos humanos e utilizam-nos. Também ao contrário do que o JUMENTO tenta dizer, não são todos classificados de muito bom e ser classificado de muito bom não implica promoção automática.
E não é por esse factor que essas empresas vêm os seus lucros reduzidos.
O JUMENTO sabe que o consenso é impossível. Defender uma reforma que obtenha o consenso é tentar obter o impossível. Pessoas que defendem esse objectivo impossível além de não quererem qualquer reforma, tentam iludir a verdade.
Alguém acredita que na AP todos os funcionários eram bons ou muito bons, quer estivessem no seu posto de trabalho ou sistematicamente ausentes, quer produzissem ou só cumprissem horários?
E aqueles que cumpriam com as suas obrigações podem sentir-se satisfeitos com um modelo assim? Será que estes, os que cumprem, defendem esse modelo? Claro que não. O modelo é sobretudo defendido por aqueles que subvertem o sistema para o explorarem, onde o JUMENTO se deve sentir como peixe-na-água.
Que alternativas propõe o JUMENTO e todos aqueles que o apoiam? Venham de lá elas. Criticar sem consequências e sem suporte de apoio às críticas é fácil. Propor alternativas credíveis é que está ao alcance de poucos.


De GT Siadap a 4 de Julho de 2009 às 22:45
SIADAP: QUEM GANHOU, AFINAL?
Grupo de Trabalho para a revisão do sistema integrado de avaliação de desempenho da Administração Pública (SIADAP)

Dr. Carlos Joaquim Pedro Fernandes, que preside, funcionário já aposentado no ano de 2006 - remuneração total pela realização do SIADAP de 14.400 € + reforma de 4.800 € + .......;

Prof. Doutor Luís Augusto de Carvalho Rodrigues, funcionário aposentado em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;

Dr.a Maria do Rosário Pablo da Silva Torres, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;

Dr.a Maria Joana Bento da Silva Santos, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;

Dr.a Ana Paula Vicência dos Santos Francisco, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma;

Dr.a Elda Maria Correia Guerreiro Morais, funcionária aposentada em 2009 - remuneração total pelo SIADAP de 4.800 € + reforma.

Estes são aqueles fizeram o SIADAP e que como já sabiam as consequências negativas da sua implementação, foram para a Reforma (alguns deles até já eram pensionistas da CGA e outros já estavam a pensar nisso em 2006), e agora riem-se à tua custa por seres avaliado(a) pela porcaria deste modelo que inventaram e lucraram ...


De Siadap é INEFICAZ e execrável a 6 de Julho de 2009 às 18:26
Aprender com as galinhas ou a teoria de Darwin e o SIADAP

David Sloan Wilson considera que a teoria de Darwin não só é válida no campo da biologia, como tem aplicação a imensos domínios da ciência e da vida – ética, política e religião incluídas.
Mais: defende que não é necessária formação na área de biologia para a entender e que, uma vez assimilada, aclara o raciocínio e potencia a capacidade analítica.

A teoria evolutiva pode, por exemplo, ser aplicada aos aviários. Wilson recorre a uma experiência de William Muir que ilustra duas vias na criação selectiva de galinhas para aumentar a produção de ovos:

1) Identificar a galinha mais produtiva em cada gaiola (cada gaiola contém nove galinhas) e usar essas galinhas “de topo” para reprodução.

2) Identificar quais as gaiolas mais produtivas e usar todas as galinhas dessa gaiola para reprodução.

O senso comum dirá que o primeiro método é o que permite optimizar a produtividade – porém, aplicando-o durante seis gerações, Muir obteve uma gaiola com três galinhas carecas, que tinham matado as colegas de gaiola e passavam mais tempo a arrancar penas umas às outras do que a pôr ovos.

Percebeu que a boa performance das “galinhas-alfa” era conseguida pela opressão das colegas de gaiola e quando se colocavam essas “campeãs” na mesma gaiola o resultado era o conflito permanente.

As gaiolas obtidas pelo segundo método de selecção apresentavam, em contrapartida, nove galinhas saudáveis e pacatas, cada uma delas com capacidade poedeira boa mas não “de topo” – mas que, multiplicada por nove, batia todas as outras gaiolas.

O segundo método seleccionara conjuntos de galinhas com propensão para a coexistência harmoniosa, factor nada despiciendo no espaço sobrelotado do aviário.

Dando seguimento aos conceitos de Wilson e livre curso à extrapolação, torna-se evidente que a experiência com as galinhas tem trágicas afinidades com o Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP).
Os indivíduos são valorizados pela performance individual e é irrelevante que sejam execráveis como pessoas, criem um ambiente insuportável, se aproveitem do esforço dos colegas para construir currículo e em vez de trabalhar passem a vidinha em “acções de formação”.

Note-se que o SIADAP, ao impor quotas às boas classificações que um chefe pode atribuir aos subordinados, torna semelhantes todas as “gaiolas”.

O Estado não quer saber de gaiolas produtivas, quer é identificar e promover as galinhas-alfa de cada uma – ou seja, opta pelo primeiro método de selecção.
E assim, em vez de “premiar o mérito” e tornar a Administração Pública mais eficaz, acabará com três galinhas carecas à bulha, rodeadas de galinhas exangues e pilhas de processos por despachar.

Análise de José Carlos Fernandes ao livro de David Sloan Wilson “A Evolução para Todos” publicado na TimeOut.


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