Profissão: Ex-ministros (ou Cosa Nostra à portuguesa)


Publicado por [FV] às 14:22 de 29.07.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Parceria Lucro p.Priv., € e Risco Pub.!! a 30 de Julho de 2012 às 14:00

Consórcio de Luís Montez compra Pavilhão Atlântico por 21,2 milhões de euros

http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/consorcio-de-luis-montez-compra-pavilhao-atlantico-por-212-milhoes-de-euros-1556482


A "engenharia financeira" por detrás desta venda extraída duma caixa de comentários do '«porta de loja»

"Aparentemente uma excelente privatização:
afinal o consórcio vencedor era aquele que mais encaixe financeiro permitiria ao Estado, segundo o Governo.
Aparentemente, pois vejamos.
O Pavilhão de Portugal na Expo foi vendido ao consórcio entre a empresa de Luiz Montez e o BES. O BES terá afinal financiado a operação através do “fundo de capital de risco BES – PME”.
O Fundo BES-PME é financiado e apoiado pelo QREN/Compete http://www.pofc.qren.pt/compete/portfolio/fundos-de-capital-de-risco/entity/fundo-de-capital-de-risco--pmebes?fromlist=1
ou seja a Sociedade Gestora a ES Capital investe em empresas dinheiro que recebe de fundos comunitários.
Faz esses “investimentos” directamente pela ESCapital (ou ES Ventures), ou indo-se refinanciar ao Fundo de Sindicação de Capital de Risco, que é gerido pelo Ministério da Economia, através da PME Investimentos e do IAPMEI.

Ora este Fundo Público que sindica as operações de capital de risco neste QREN já se financiou em mais de 200 milhões de Euros, com os quais, sindicou operações em montantes equivalentes
http://www.pofc.qren.pt/areas-do-compete/financiamento-e-capital-de-risco/projectos-aprovados/page/1?area=5&search=y.

Na prática a ES Capital, que está sob supervisão da CMVM http://web3.cmvm.pt/sdi2004/capitalrisco/ficha_fcr.cfm?num_fun=%24%23%24%5B%5B%22P%20%20%0A

recebe pelo menos aquilo que investiu ou emprestou do Estado via QREN Capital de Risco.
E ainda cobra operações de gestão, avaliação e os muito naturais spread’s numa época de liquidez reduzida.

Sabendo-se que o BES está descapitalizado,
sabendo-se que é uma operação de risco,
nada mais natural que seja o Estado e fundos públicos a garantirem o risco,
que o BES e Luiz Montez parecem suportar.

Afinal tudo está bem quando acaba em bem.

O sogro de Luís Montez, o Prof. Cavaco com certeza não percebe nem quererá perceber a subtileza desta engenharia financeira,
pela qual o Estado vende um bem público único,
a privados, que garantem o financiamento e o risco, no próprio Estado.
É a natureza das coisas.
A rentabilidade e o risco que estes “privados” estão dispostos a assumir.
O risco de poder lucrar, livrando o Estado de tão grande encargo."

Lá vão a Maria e o Cavaco envergonhar mais um bocadinho o país
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=55388


De Lembrem-se das Negociatas privatizadoras a 31 de Julho de 2012 às 09:46
Lembrem-se do Pavilhão Atlântico

Tendo custado na altura o equivalente a cerca de 50 milhões de euros, e com um orçamento de manutenção a rondar os 600 mil euros anuais, o Pavilhão Atlântico foi vendido na semana passada ao Consórcio Arena Atlântico (constituído por Luís Montez, Álvaro Ramos e a actual equipa de gestão do equipamento), por cerca de 22 milhões de euros. Segundo a ministra Assunção Cristas, «o grupo Parque Expo tem uma dívida de 200 milhões de euros, daí a decisão de realizar activos, vendendo um conjunto de património relevante sobre o qual o Estado não tem função pública crucial a prosseguir».

Apesar de relevante, deixemos por agora de lado a muito discutível questão de o Estado não ter, com o Pavilhão Atlântico, nenhuma «função pública crucial a prosseguir» (sendo contudo que este critério deveria, então, ser coerente e consequente nas áreas onde se reconhece que o Estado «tem função pública crucial a prosseguir»). Mas fixemo-nos apenas na «racionalidade económica» do negócio: nas palavras da própria ministra, «o Pavilhão Atlântico era rentável» (já em plena crise, entre 2009 e 2010, os seus lucros triplicaram). O que quer isto dizer? Basicamente que não era um «fardo» para o Orçamento de Estado, antes pelo contrário.

A venda do Pavilhão Atlântico é pois apenas mais um episódio (evidentemente simbólico em termos financeiros comparativos), da longa história das privatizações em Portugal, que por sua vez se insere num processo mais vasto, o do empobrecimento deliberado do Estado. Uma história que tem vindo a ser escrita com as linhas da mais pura «irracionalidade económica» (para usar os termos do pensamento económico dominante), na óptica da defesa do interesse público e do dinheiro dos contribuintes.

Quando ouvirem falar do Estado gordo, que gasta mais do que tem, que é ineficiente e que não produz recursos suficientes para permitir a existência de políticas sociais decentes, lembrem-se do Pavilhão Atlântico. Quando vos disserem que não é possível manter um Serviço Nacional de Saúde universal e gratuito, ou um sistema público de educação com qualidade para todos, lembrem-se do Pavilhão Atlântico. Quando insistirem que não se podem assegurar os recursos mínimos de subsistência aos cidadãos mais carenciados, lembrem-se do que significa - simbolicamente - a privatização do Pavilhão Atlântico.
(-por Nuno Serra às 31.7.12 Ladrões de B.)


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