O que é a propaganda ?
(-por guicastrofelga , Ministério da ContraPropaganda)
   
    o Miguel, que tem oito anos, perguntou-me o que era isso da propaganda.
    a propaganda é publicidade, mas a ideias, em vez de coisas, disse eu.
    imagina que eu era do governo e te estava a tentar convencer que Portugal devia entrar em guerra com Espanha – tu mandavas-me estar quietinha e não dizer asneiras, que já temos problemas que cheguem, não era? … mas vê lá que em tempos de guerra os governos conseguem convencer as pessoas, as que pagam as armas e os filhos que morrem, de que a guerra é justa e necessária – é aí que percebes o poder da propaganda, as ‘estratégias de comunicação’ dos estados, envolvendo a televisão, os jornais, as rádios … e tudo o que possa influenciar a discussão e a opinião pública. assustando, manipulando, confundindo, complicando, para que a gente aceite coisas com pouca lógica.

    na guerra como na ‘austeridade’:

repara que o governo nos conseguiu convencer das coisas mais estranhas:  que ‘não há alternativas’ a uma espiral descendente de empréstimos-em-bola-de-neve, que ‘o que a gente precisa é de empobrecer’, que ‘ o desemprego é uma oportunidade’, que ‘as pessoas mais novas têm de emigrar’. 

    os senhores que repetem essa lengalenga sem sentido, que mandam no país e aparecem na televisão, lamentando agora a má vontade da realidade que teima em não se adaptar às suas teorias, são os mesmos que primeiro mandavam vir o FMI, dizendo com a mesma cara de pau que os empréstimos a juros altíssimos dados  aos bancos, mas pagos com os impostos de toda a gente eram bons para nós;

depois, passaram a dizer que bom, bom, não era, mas ‘tinha de ser’;

depois que afinal ia ser bom, mas demorava mais um bocadinho do que o previsto a lá chegarmos;

depois, que afinal não era bom, e ardia, mas curava …

e que agora continuam ainda a inventar desculpas, a tentar adiar o dia em que as pessoas reparem que empobrecer é só isso, ficar mais pobre, mais dependente e menos livre.

    entretanto, esses mesmos senhores mataram a economia, a cortes, golpes e sangrias, acabam com os direitos de quem trabalha, criam exércitos de pessoas desempregadas e leiloam bibliotecas, pavilhões de espectáculosescolas e hospitais, vendendo aneis e dedos como se os sacrificassem aos deuses do disse-que-disse, aos tais ‘mercados’ que é preciso aplacar (mas que não pagam impostos, claro).

    pelo meio, não tenhas dúvidas, muita gente fica rica.   esta guerra pode ser de ideias e não de balas – mas as ideias também matam.

          (por isso é que precisamos de contrapropaganda.)


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Publicado por Xa2 às 23:00 de 05.08.12 | link do post | comentar |

2 comentários:
De MoKa a 16 de Agosto de 2012 às 09:28
E isto?
Todos temos ouvido nos últimos tempos o governo dizer que temos aumentado o valor das exportações.
E este assunto tem passado nas notícias como se fosse uma coisa positiva, certo?
Então e se eu vos disser que esse aumento das exportações se deve em muito à saída de ouro, sobretudo para a Bélgica, do ouro que os portugueses têm sido levados a vender devido à crise económica, o que pensariam vocês?
- Será que estão a fazer propaganda ou será somente filha da putice?


De Gestores e Donos de Portugal .vs Servos. a 7 de Agosto de 2012 às 14:21
Gestores de Portugal
(-por Miguel Cardina, 1.8.2012)

O relatório da CMVM mostra que os gestores são uma casta que acumula presenças em diferentes lugares de administração. ( http://economia.publico.pt/Noticia/gestores-acumulavam-em-media-cargos-executivos-em-oito-empresas-em-2010--1557175 )
Não é mérito; é poder.
Basta um bocadinho de atenção (ou ler/ver Donos de Portugal : http://www.donosdeportugal.net/ ) para perceber como esta elite empresarial se ancora no centrão político para aí olear as suas redes de influência e capturar o Estado.

Dizer que "a culpa é dos políticos" e que estes "são todos iguais" é confundir os vampiros com o reino animal.
O que, como é sabido, dá um jeitaço aos primeiros.
-----------

Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui. Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.

A estreia televisiva teve lugar na RTP2 a 25 de Abril de 2012. Desde esse momento, o documentário está disponível na íntegra em www.donosdeportugal.net.

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, publicado em 2010 pelas edições Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.


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