4 comentários:
De ..Auto-defesa individual e Popular. a 3 de Setembro de 2012 às 13:15
Diogo disse...

Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada", ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar:

- Um pai que pegue num taco para dispersar à paulada um grupo de rufias que está a espancar o seu filho, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Uma mulher que crave uma lima de unhas na barriga de um energúmeno que a está a tentar violar, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Um homem que abate a tiro um assassino que lhe entrou em casa e lhe degolou a mulher, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Um polícia que dispara contra um homicida prestes a abater um pacato cidadão, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa;

- Um povo que usa a força das armas contra a Máfia do Dinheiro, coadjuvada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e o país inteiro, esse povo está a utilizar a violência de uma forma justa.


Num país em que os políticos, legisladores e comentadores mediáticos estão na sua esmagadora maioria a soldo do Grande Dinheiro, só existe uma solução para resolver a «Crise»... Somos 10 milhões contra algumas centenas de sanguessugas...


De .Deshumanidades capitalista no trabalho. a 3 de Setembro de 2012 às 14:25

Do capitalismo medíocre

João Ramos de Almeida noticia esta semana a irracionalidade e desumanidade sistémicas do capitalismo medíocre, cada vez mais descoordenado, em tempos de desemprego, subemprego de massas e precariedade causados pela crise permanente:

horários de trabalho superiores a 41 horas estão a crescer no nosso país e 465 mil desempregados estão sem receber protecção há 9 meses.

De resto, o novo código do trabalho e a sempre regressiva austeridade inscrita neste euro estão desenhados para compelir os que ainda têm emprego a aceitar condições cada vez mais gravosas para si e para os que estão lá fora,
para “as pessoas estranhas ao serviço”, que estão proibidas de entrar e que estão cada vez mais desprotegidas.
Trata-se de fazer avançar um sistema que mata o tempo livre de múltiplas formas, deixando cada vez mais tempo ao medo dentro e fora.

Nos países de especialização produtiva mais avançada, salários mais elevados e que ainda retêm, apesar da neoliberalização intensa,
alguns mecanismos de coordenação típicos de uma das variedades de capitalismo, freios e contrapesos laborais, a crise é, para muitos, uma época de redução pactuada e subsidiada dos horários de trabalho para manter postos de trabalho,
o que tem efeitos na procura que assim não quebra tanto (porque a actual crise é de procura, de procura e também de procura).

Algumas ilhas industriais em Portugal conhecem esta realidade.Também por isso se trabalha menos horas por ano, deixando mais tempo para que mais tenham actividades mais livres, nos países lá mais para o norte, atenuando alguns dos paradoxos da depressão.

Estes paradoxos são transferidos hoje, na medida possível do desenvolvimento desigual com tantas expressões institucionais, para “sul”...

(-por João Rodrigues , Ladrões de B., 18/8/2012)


De . FMI vs OIT e lições da Islândia. a 3 de Setembro de 2012 às 14:38
Lições

FMI: Resgate à Islândia tem lições a dar aos países em crise.
Política de um Estado que soube usar a sua soberania democrática tem lições a dar aos países em crise:
transferir alguns dos custos do ajustamento para os credores, instituir controlos de capitais, manter a protecção social e recorrer a uma política cambial assente na desvalorização da moeda fazem parte do menu.

Por contraste com a destrutiva desvalorização interna em curso nos países sem soberania,
através da quebra dos salários nominais e do desemprego de massas permanente, esta opção islandesa revelou-se mais rápida e eficaz a estimular exportações e a desincentivar importações,
com efeitos favoráveis na procura, teve custos para os trabalhadores, em termos de quebra dos salários reais, incomparavelmente menores e reversíveis,
evitou a destruição de emprego em curso no euro-sul e não exigiu alterações regressivas nas regras laborais e sociais com efeitos negativos permanentes na correlação das forças sociais, um elemento decisivo da economia política da nossa desvalorização interna.
Muitas lições.
Só falta quem as queira aprender.

(-por João Rodrigues , 14/08/2012)
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OIT versus BCE

O BCE, tal como a Comissão Europeia, só pensa em reduzir os rendimentos do trabalho, assegurando que os salários reais da esmagadora maioria crescem abaixo da evolução da produtividade real, como já aconteceu, por exemplo, nos até há pouco incensados EUA ou na Alemanha,
assim alterando a repartição entre trabalho e capital e, também graças à desregulamentação laboral, aumentando as desigualdades salariais.

O resultado disto à escala global foi a emergência de modelos nacionais guiados pelas exportações e de modelos guiados pelo endividamento,
duas faces de uma mesma desequilibrada moeda que compensou a falta de procura salarial.

Bom, agora a insensatez dos gestores deste euro anti-laboral promete agravar cada vez mais a crise.

Como assinala a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma organização internacional cujo poder é inversamente proporcional à qualidade da sua análise económica,
a prescrição do BCE promete prejudicar o crescimento, através de uma espiral de insolvências e de contracção da procura, e logo a criação de emprego:
é que se os salários são um custo a conter para fomentar investimento numa certa noção medíocre de competitividade,
também são uma fonte de procura tanto mais relevante quanto se sabe que a principal razão para a ausência de investimento está nas fundadas expectativas pessimistas sobre a evolução da procura interna e externa;
a primeira destruída pela austeridade nacional e a segunda ameaçada pelo sucesso da prescrição do BCE em cada vez mais países.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B.)


De Mujica e Uruguai: exemplos. a 19 de Novembro de 2015 às 16:38

7/11/2015

Uruguai: um exemplo no meio do caos...

Com o dobro da superfície de Portugal e apenas 3,5 milhões de habitantes, o Uruguai é um país surpreendente a vários níveis.

O Uruguai é considerado o país mais laico (desde 1917) da América Latina, foi pioneiro ao permitir o divorcio por iniciativa da mulher em 1913 e no voto feminino em 1927, legalizou o aborto em 2012 e legalizou o cannabis em 2013.

O seu antigo e carismático presidente, José Mujica, conhecido popularmente como Pepe Mujica, explica alguns dos seus pontos de vista em relação ao seu país, numa entrevista.

Legalização do cannabis.

Como avalia a implementação da lei da maconha (cannabis) no Uruguai?

Nós não gostamos de maconha nem de nenhum vício. Mas pior que a maconha é o narcotráfico. Cada vez se trafica mais, se gasta mais dinheiro em polícia, em colocar pessoas nas prisões.

Nós queremos encontrar outro caminho. Se você quiser mudar, não pode continuar a fazer a mesma coisa, tem de encontrar outra maneira.

A legalização parcial permite-nos identificar os consumidores e assim aconselhá-los e tratá-los.

(No dia 10 de Dezembro de 2013, o Uruguai tornou-se o primeiro país a legalizar o cultivo, a venda e o consumo de cannabis)

Legalização do aborto.

Também considera positivo o saldo da legalização do aborto?

Ninguém está a favor do aborto, mas por muitas razões as mulheres, sozinhas ou com problemas, continuam a realizá-lo. Se as deixarmos sozinhas, isoladas, é uma cobardia, uma irresponsabilidade. Sobretudo se é for pobre.

Quando deixamos o assunto do aborto no mundo clandestino, a única coisa que estamos a fazer é colocar em maior risco as mulheres.

(Em dezembro de 2012, a Lei de Interrupção de Gravidez foi aprovada com o apoio do presidente Mujica. O Uruguai é o quarto país que autoriza o aborto na América Latina, de pois de Cuba, Guiana e Porto Rico)

O que funcionou e o que não funcionou nesses dez anos de Frente Ampla?

Tínhamos 39% de pobreza há dez anos, e agora temos 11%. Tínhamos 5% de indigência, agora temos 0.5%. Fizemos um avanço considerável nesse ponto, mas não foi o suficiente para eliminar a pobreza e a indigência. Do ponto de vista energéticos, o Uruguai terá, em dez ou talvéz 15 anos solucionado o problema de energia electrica.

(Em 2016, o Uruguai será o país do mundo com maior oferta eólica do mundo)

O que explica a longevidade de projetos políticos como a Frente Ampla?

Significa que as maiorias estão comendo melhor e dormindo melhor. Por isso votam nelas. É uma resposta lógica. Mudará no dia em que, nós as forças progressistas, voltáramos as costas à nossa razão de ser, de lutar por sociedades mais equilibradas, mo dia em que fracassar-mos, a história vai mudar, e as pessoas vão votar noutra coisa.

(A Frente Ampla é composta por uma coligação eleitoral de centro-esquerda que integra vários partidos políticos e organizações da sociedade civil)

O que acha do sr. ter uma vida humilde ter ganho tanta projeção internacional?

Isso entristece. Eu vivo como vivo a maioria do povo do Uruguai. Luto pela liberdade, Isso significa ter tempo. Ter tempo para as coisas que gosto. Se tiverem uma vida muito complicada, muitas casas, muitos empregados, muitos carros, muita segurança, então estou vivendo gastando tempo para aceder a todas essas coisas. Eu quero uma vida sóbria, não pobre, apenas para viver com o impressendível e necessário para que me sobre tempo para fazer as coisas que gosto.

Reeleição? Não gosto e sempre me opus. Não pelo presidente, mas sim pela corte a seu redor. Não sou reeleicionista porque os presidentes emanam uma atmosfera de poder. E debaixo dessa atmosfera cultiva-se um afã de poder. É bom varrer, passar a vassoura e colocar outros no poder.

(Sábias palavras...)



(Publicada por Octopus )






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