Política: globalização e consumo vs vida e desenvolvimento sustentável

José "Pepe" Mujica presidente do Uruguai:  um HOMEM

     Que político é este José Mujica (n.: 1935)?   É o presidente do Uruguai (República Oriental do U.).
Realmente não tem aspecto de político moderno, nem gravata nem patuá nem aqueles gestos largos para o eleitorado... E diz coisas tão, tão, como direi... disparatadas como esta "não podemos ser governados pelos mercados, temos de ser nós a governar os mercados". Está-me a parecer que não é um político com aquela estatura a que estamos habituados. Não tem o traquejo nem o "look" dos nossos grandes líderes políticos do momento. Compara-se lá com o nosso Coelho, ou o nosso Relvas ou o nosso Cavaco. Não deve ter tido a tarimba das jotas nem os créditos doutorais da  Lusófona. Penso eu... 
     Depois de ver e ouvir o seu discurso (aqui em baixo) na recente cimeira do Rio+20, fui num instantinho ao Google saber mais alguma coisa sobre este político que... nem parece um político, destes modernos.
     CAMPONÊS - Então não é que o homem - estava-se mesmo a ver - era e continua a ser um camponês, tem umas courelas, pequeninas, nos arredores da capital, Montevideu, onde cultiva e vende flores. É do que tem vivido. Tem um carro carro de 1987 e a mulher outro. Uns chaços.
     PRESIDENTE - Desde que foi eleito presidente lá conseguiu então um belo ordenado 10.000 euros por mês. Mas fica só com 1.000, dá os restantes para obras sociais. Numa entrevista ao Globo desculpou-se dizendo que há muitos cidadãos uruguaios que vivem com menos. E não quiz ir viver para o palácio. Continua a viver na casita dos arredores e não quer, atrás dele, os 20 ou 30 guarda-costas a que tem direito.
     Não estou a ver um político a sério, por exemplo, o nosso Aníbal a viver numa quintinha, com uma horta, em Loures e dar a massaroca que ganha em Belém mais as reformas, para obras sociais. Nem os "mercados" que ele venera, achariam bem!
O despautério é tal que agora, quando chegou o inverno (lá para baixo no Uruguai o inverno é no verão, é tudo ao contrário de cá...) deu ordem para abrigar no palácio, que estava às moscas, os sem abrigo da capital...
     Fui espiolhar mais. O homem foi, afinal, um dos guerrilheiros fundador do movimento revolucionário TUPAMAROS e bravo lutador contra a ditadura. Esta não perdoou e fê-lo passar 13 anos na cadeia até que foi derrubada.
Sempre ativo na política foi eleito deputado e depois eleito senador. Aí enamorou-se e casou-se com uma senadora que vive com ele lá na quintinha, dos arredores de Montevideu. Foi ainda ministro do anterior governo de esquerda e foi eleito PR para o mandato de 2010-15.
     Em suma, a política não é monopólio de corruptos nem de gente que só quer tratar (da sua) vidinha. Há gente séria e honrada e até pessoas, uma espécie de santos (mas guerrilheiros quando é preciso!) como José "Pepe" Mujica que daqui, humildemente, saúdo.
Eis o seu currículo no site da Presidência do Uruguai  ou um artigo no ABC, um jornal de direita, aqui de Espanha, que titula José Mujica, o presidente do governo «mais pobre» do mundo.  
     Importante ver seu discurso (sobre desenvolvimento sustentável, mercados, consumo, ... POLÍTICA ):


Publicado por Xa2 às 07:56 de 03.09.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De ..Auto-defesa individual e Popular. a 3 de Setembro de 2012 às 13:15
Diogo disse...

Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada", ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar:

- Um pai que pegue num taco para dispersar à paulada um grupo de rufias que está a espancar o seu filho, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Uma mulher que crave uma lima de unhas na barriga de um energúmeno que a está a tentar violar, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Um homem que abate a tiro um assassino que lhe entrou em casa e lhe degolou a mulher, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Um polícia que dispara contra um homicida prestes a abater um pacato cidadão, está a utilizar a violência de uma forma justa;

- Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa;

- Um povo que usa a força das armas contra a Máfia do Dinheiro, coadjuvada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e o país inteiro, esse povo está a utilizar a violência de uma forma justa.


Num país em que os políticos, legisladores e comentadores mediáticos estão na sua esmagadora maioria a soldo do Grande Dinheiro, só existe uma solução para resolver a «Crise»... Somos 10 milhões contra algumas centenas de sanguessugas...


De .Deshumanidades capitalista no trabalho. a 3 de Setembro de 2012 às 14:25

Do capitalismo medíocre

João Ramos de Almeida noticia esta semana a irracionalidade e desumanidade sistémicas do capitalismo medíocre, cada vez mais descoordenado, em tempos de desemprego, subemprego de massas e precariedade causados pela crise permanente:

horários de trabalho superiores a 41 horas estão a crescer no nosso país e 465 mil desempregados estão sem receber protecção há 9 meses.

De resto, o novo código do trabalho e a sempre regressiva austeridade inscrita neste euro estão desenhados para compelir os que ainda têm emprego a aceitar condições cada vez mais gravosas para si e para os que estão lá fora,
para “as pessoas estranhas ao serviço”, que estão proibidas de entrar e que estão cada vez mais desprotegidas.
Trata-se de fazer avançar um sistema que mata o tempo livre de múltiplas formas, deixando cada vez mais tempo ao medo dentro e fora.

Nos países de especialização produtiva mais avançada, salários mais elevados e que ainda retêm, apesar da neoliberalização intensa,
alguns mecanismos de coordenação típicos de uma das variedades de capitalismo, freios e contrapesos laborais, a crise é, para muitos, uma época de redução pactuada e subsidiada dos horários de trabalho para manter postos de trabalho,
o que tem efeitos na procura que assim não quebra tanto (porque a actual crise é de procura, de procura e também de procura).

Algumas ilhas industriais em Portugal conhecem esta realidade.Também por isso se trabalha menos horas por ano, deixando mais tempo para que mais tenham actividades mais livres, nos países lá mais para o norte, atenuando alguns dos paradoxos da depressão.

Estes paradoxos são transferidos hoje, na medida possível do desenvolvimento desigual com tantas expressões institucionais, para “sul”...

(-por João Rodrigues , Ladrões de B., 18/8/2012)


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