Travar a destruição do país

               Dias iniciais?

     Segundo a polícia, participaram vinte mil pessoas na manifestação em Coimbra. Centenas de milhares – oitocentas mil, um milhão? – por esse país fora. Nunca tinha visto tanta gente junta na minha cidade a fazer política. Estas coisas marcam. Acabou-se a narrativa de um país resignado, exemplar na aceitação do destino regressivo definido por elites medíocres e orgulhosas de um Portugal dos pequenitos. Agora resta um governo cada vez mais isolado e a quem só a troika vai valendo.
     Ontem ganhou força um “contramovimento” de protecção da sociedade, das capacidades individuais e colectivas, com uma maturidade democrática revelada também no realismo dos testemunhos que a comunicação social foi ecoando, na força das razões apresentadas para estar ali e em mais lado nenhum. O contraste com as utopias liberais que escondem sempre as pilhagens reais foi flagrante. Dois mundos.
     Um movimento com continuidade a 21 de Setembro, para evitar que Cavaco comece a cozinhar uma “evolução na continuidade” governativa, a 29 de Setembro, graças à CGTP, e a 5 de Outubro, com um congresso democrático que aposta nas alternativas. É todo um movimento que terá de levar à queda de Passos, Gaspar e companhia, a novas eleições e à denúncia do memorando por um governo alinhado com os interesses que ontem contaram. Optimismo da vontade.   
             Para que não se esqueçam que o absurdo afecta as pessoas
     Durante os últimos dias ouvi mil vezes as estrelas que desfilam pelas passadeiras vermelhas da comunicação social perguntarem nas televisões o que se iria fazer com o resultado das manif’s que hoje decorreram.
     Há gente assim, gente que gosta de fazer estas questões. É natural, porque o simples facto de serem as estrelas que passeiam pelas passadeiras da comunicação social já faz entender que as coisas têm de ter sempre, para eles, algum lucro.
     Estive lá, no meio dos muitos milhares de portugueses que hoje saíram à rua com o intuito de nada lucrarem com isso. A grande maioria, famílias inteiras de classe média, desceram à rua desenquadradas, desalinhadas, corajosas e sem se deixarem manipular. Estiveram só com a intenção de lembrar aos senhores que desenham, no sossego dos seus gabinetes, os absurdos teóricos que aprenderam nos livros que esses absurdos afectam a vida de pessoas reais que eles pensam não existir.
     Eram muitos milhares de pessoas. Penso que nunca vi coisa tão grande.
     O resto andava também por lá. Líderes políticos à procura de vantagem, agitadores à procura do caos, gente diversa à procura de protagonismo e à espera de ganhar alguma coisa com isto.  (-por LNT [0.431/2012] )

         Travar a Destruição deste país... é o alerta deste folheto  (-por # J.A. Freitas)

 


Publicado por Xa2 às 07:54 de 17.09.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De .Cidadania vs Morte da Democracia. a 17 de Setembro de 2012 às 11:32
A CIDADANIA CUMPRIU-SE.
CIDADANIA DE CIDADÃOS E NÃO MANIFESTAÇÕES DOS COMUNISTAS, SR. MINISTRO.
TODOS AO PAÇO, MATAM A DEMOCRACIA!
[Andrade e Silva, 16-09-2012, MIC]

Milhares de cidadãos, sobretudo da, sociologicamente, chamada, classe média,
esteve presente em Lisboa e noutros pontos do país, a reclamarem contra as brutais politicas deste governo.


Vitor Bento,.. economista, declara que o que há, apesar da inteligência das medidas, é uma comunicação brutal, impreparada do Governo, contudo, o que, muitos entendem é que há, sim, uma BRUTAL desconsideração, desrespeito, pelo menos, por 6.666.666 portugueses (2terços) que sofrem as consequências destas sucessivas politicas erradas.

Pela insensibilidade, politica social e humana, e correspondente incompetência deste governo, nas politicas que são aplicadas, a título experimental, sob a batuta da Alemanha e FMI, os cidadãos, dizem - NÃO!
Muito cidadãos querem nova politica, novo governo, o que, torna imperativo a emergência do grupo de liderança, para conduzir o país, para o Futuro, e evitar o DESASTRE, com milhões de portugueses a caírem no precipício de um sofrimento incalculável.
Nos momentos de grave desespero ou surge VITÒRIA, ou SALVADORES POLÍTICOS com pendor DITATORIAL.
Discordar com o poder é muito fácil, concordar com construção de um novo poder diferente é bem mais difícil.
As manifestações imperativas, fortes e vigorosas da cidadania que se vão realizando não podem ser esquecidas, ou olhadas estupidamente como manipulações do PCP.

Todavia, a alteração da conjuntura, com um recuo do governo ou mesmo com a sua demissão, pouco resolvem, porque certo, certo, é que a crise deveria dar origem a uma nova estrutura de poder, através da REVOLUÇÃO POLÍTICA.
Sem A REVOLUÇÃO POLÍTICA, com algum recuozinho do Governo, atenua-se a situação conjuntural, mas quer com este governo, ou com um outro que resulte de uma triste alternância entre o PSD e o Partido Socialista, tudo, mais tarde, ou mais cedo, mas mais cedo que tarde, volta a uma situação miserável idêntica à actual.

Sem se entender que é preciso ALTERAR ESTE SISTEMA DE GOVERNAÇÃO EM PORTUGAL e na Europa, continuaremos com um lento movimento, mas persistente, por parte dos poderosos na construção do ESTADO PRIVADO, um sucedâneo do estado Medieval, agora, moldado pelos tempos modernos (sociedade de informação, inovação, drones e transacções financeiras altamente tóxicas).

Em Portugal sem a destruição da actual LEI ELEITORAL que torna todo o país prisioneiro de 5 ou 6 secretários-gerais, de cerca de 500 mil militantes, que, de facto governam o país, desde as autarquias ao governo, nunca teremos uma Assembleia da República Digna e Democrática,
pois que, os actuais deputados são considerados funcionários dos partidos, e têm de cumprir as ordens dos quase-ditadores ou dos órgãos ditatoriais dos partidos contra a sua consciência,
como o referiu um deputado do PSD, recordando ordens ditatoriais, da, então, presidente do partido, Ferreira Leite.
Para esta tarefa do Futuro, um Partido SOCIALISTA que fosse capaz de se reencontrar com a matriz social-democrática, consequente, poderia dar um grande impulso, contudo o que o actual PS fez, foi adiar, por algum tempo, a queda do “seu” líder, o secretário-geral, que anunciou, com pompa e circunstância, o voto contra o orçamento, e uma medida tonta:
é o termo mais apropriado, para libertar algum efeito mediático, como é essa coisa estranha de um imposto sobre as PARCERIAS, o que, as empresas fariam aos utentes pagarem – um borrão, semelhante aos borrões de Passos Coelho, dito de um modo mais activo e simpático.
O primeiro -ministro e o secretário geral do PSD na comunicação não verbal parecem que estão sempre a falarem no gozo, o que é, muito grave , por outro, Louçã, é de uma crispação fradesca insuportável, e, portanto, deste ponto de vista ficamos falados, e José Seguro sai-se melhor.

Seja como for, com MUITAS MANIFESTAÇÕES E SEJA QUAL FOR O DESTINO DESTE GOVERNO, OU OUTROS, o FUTURO, o DIA D+1, EXIGEM RESPOSTAS :
- Qual a estrutura de poder que garanta que a sede o poder reside no povo, e que todos os deputados, o governo, o Presidente da Republica e os tribunais ajam no respeito pela soberania do povo?
..


De .Revolucionar o PS e a Lei Eleitoral. a 17 de Setembro de 2012 às 11:40

TODOS AO PAÇO, MATAM A DEMOCRACIA !

[Andrade e Silva, 16-09-2012, MIC ]

...
Seja como for, com MUITAS MANIFESTAÇÕES E SEJA QUAL FOR O DESTINO DESTE GOVERNO, OU OUTROS, o FUTURO, o DIA D+1, EXIGEM RESPOSTAS:
- Qual a estrutura de poder que garanta que a sede o poder reside no povo, e que todos os deputados, o governo, o Presidente da Republica e os tribunais ajam no respeito pela soberania do povo?
- Que comportamento e politicas de:
Controlo orçamental, e Politica face à Europa
- como fazer o reajustamento, sem juros tão elevados e insustentáveis, ou que consequências (todas, desde o nível alimentar ao financeiro, quanto à saída do euro) ?

Saúde?
Emprego?
Defesa, segurança interna?
Educação?

- Reindustrialização do país, agricultura, pescas, e ordenamento do território, para combater a desertificação e a tragédia dos incêndios florestais?

Investimento?
Politica fiscal?

- Eleitoral , com nova lei, a actual é INÍQUA e Antidemocrática, projecta sobre o país o funcionamento ditatorial dos partidos, é preciso tornar os deputados responsáveis perante os eleitores e por eles serem directamente escolhidos;

- Demográfica : natalidade, idosos etc.?

Ao Partido SOCIALISTA é exigido que faça a sua REVOLUÇÃO INTERNA ,
para ser um protagonista na realização da Revolução Politica IMPERATIVA E PATRIÓTICA necessária, e se não poder, então, e sempre, mesmo que o PS se altere,
do seio da cidadania deve nascer um amplo movimento que apresente uma ALTERNTIVA de fundo estrutural e estruturadora da sociedade do amanhã.

Compreendo as emoções e a adrenalina de quem tanto sofre, (a cujo grupo pertenço de um modo mais atenuado, mas já com algumas dificuldades, mas, bem mais, o meu filho, familiares e muitos amigos que perderam empresas e empregos, e quem está doente, como também acontece na minha família)

mas a falta do plano para o Dia D+ 1, e seguintes pode ser fatal e o regresso ser aos infernos.

andrade da silva
PS:
Pensem o que quiserem, mas depois de estar um dia a trabalhar a empacotar livros para Timor,
participei na manifestação, e ao passar à frente do FMI vi graves insultos à Policia
( A PSP ao longo de todo o percurso estava com a posição mais amiga que pode estar, braços cruzados à frente do peito – é, sobretudo, esta PSP que tenho visto e louvo )
pelo que me postei ali, como cidadão militar até ao fim da manifestação, para eventualmente ajudar os manifestantes mais idosos e os ordeiros que não atiram petardos à PSP,
e foi extraordinário como, perante alguma tensão e perigo, as pessoas seguiram as orientações que dei no meio delas, espontaneamente, por um impulso cidadão, para seguirem sempre em frente, o que faziam.
Só abandonei este ponto vermelho ao passar da cauda da manifestação, onde vinha uma camada jovem.
Refiro este episódio para, uma vez mais, exaltar o bom senso do povo português, e como logo compreendem a genuinidade de quem lhes fala.

Gostei de ver algumas amigas do facebook que passaram a reais; alguns meus camaradas do MFA e do CPAE, exactamente neste ponto.
Senti-me muito bem.


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