4 comentários:
De Crime org, offshores, bancos, Privatiz. a 18 de Setembro de 2012 às 11:53

Infelizmente ... A Europa que temos

(Miguel Carvalho, Visão 13set., via PuxaPalavra 2012,09.18)

Haveria tamanha crise se a União Europeia não andasse de abraços com o crime organizado, a fraude e a corrupção?
E o que é que Portugal tem a ver com isso?

"Agora sabemos que é tão perigoso ser governado pelo dinheiro organizado como pelas máfias organizadas." Não, a frase não é atual. Quer dizer, atual até é, mas foi proferida em 1936 pelo Presidente dos EUA, Roosevelt, na ressaca da Grande Depressão.
"É uma frase totalmente aplicável aos nossos dias", garante Carlos Pimenta, do Observatório de Economia e Gestão de Fraude da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (OBEGEF).

As palavras de Roosevelt podem até inspirar a conferência que o Observatório organizará, por estes dias, no Porto, com a "nata" do País e do estrangeiro no estudo e investigação da fraude e da corrupção.
Afinal, "a crise que estamos a viver está muito ligada a situações dessas. Começou nos EUA, com o subprime, mas também é resultado das más políticas da União Europeia, promotora de medidas que, do ponto de vista científico, foram abandonadas há muitos anos", resume Carlos Pimenta.

Não se assuste, mas o resultado é este:
"A Europa concentra hoje um grande número de off-shores e 'câmaras' de corrupção entre bancos sem qualquer registo de movimentos.
É benévola para o crime organizado e comporta-se como um grande paraíso fiscal", resume o catedrático de Economia.
Faça-se um exercício sobre o desconhecido:
quem reparou na adesão ao EURO de países que não integram a UE e que, por vezes, nem nos lembramos que o são?
Vaticano, São Marino, Kosovo e outros territórios constituem, segundo Carlos Pimenta,
"o centro do TRÁFICO internacional" e conquistaram o melhor de dois mundos: usam a moeda única, mas não respondem perante as leis europeias.
"O dinheiro que ali circula fica automaticamente lavado." Não admira, pois, ver a Europa "extremamente vulnerável".

Portugal, galinheiro de serviço

Não sendo ainda um paraíso para as MÁFIAS, a verdade é que a moldura europeia, mais jeitinho menos jeitinho, cabe na perfeição a Portugal, país onde as raposas encontram sempre o galinheiro aberto, e à discrição, para se empanturrarem.
Carlos Pimenta socorre-se da metáfora de Jean-François Gayraud - autor de diversas obras sobre FRAUDES e CRIME organizado - para ilustrar o nacional-porreirismo nestas matérias, conivente e irresponsável.
"As crises e o endividamento do Estado geram situações de grande fragilidade. Degrada-se a situação social, abre-se a porta a NEGOCIATAS", refere o economista.
A estratégia de RAPINA é fácil e dá milhões:
"As organizações criminosas não têm falta de liquidez. Além de facilitarem o crédito, tomam conta de empresas em situação difícil e dos negócios legais, através de jogos de influência e de branqueamento de capitais.
As PRIVATIZAÇÕES são um dos alvos", explica Carlos Pimenta.
Os sinais são variados e estão para durar.
É "o CANCRO do off-shore da Madeira, onde Portugal só tem a perder".
São as PARCERIAS Público-Privadas (PPP´s), "onde era bom saber quantas foram negociadas em situação de CONFLITO de INTERESSES".
São os negócios entre Portugal e Angola, com "exemplos de uma relação pouco clara entre empresários portugueses e angolanos e onde a diplomacia SECRETA aparece em grande".
Há tempos, em Luanda, Carlos Pimenta ouviu mesmo da boca de responsáveis da polícia económica angolana uma frase curiosa:
"Disseram-se espantados com o facto de empresários falidos em Portugal serem um sucesso por lá."

Por cá, valham-nos o Ministério Público e a PJ que, "mesmo sem recursos, têm sido extremamente corajosos. Nos últimos anos, foram trazidos a público e investigados casos que, noutros tempos, nunca viam a luz do dia".
Neste momento, de acordo com as estimativas de Carlos Pimenta, a "economia SOMBRA" representa já 35% do PIB.
Em 2007, o cenário corresponderia a uma pilha de notas de cem euros, quase do tamanho da Torre dos Clérigos. "Agora, são várias torres", ironiza.

Entretanto, "a comunidade pacífica de REVOLTADOS de que falava Torga parece manter a fervura, sem levantar a tampa.
Somos até "muito tolerantes com a fraude e a corrupção autárquica", ...


De . Revolucionar o PS e a Lei Eleitoral . a 18 de Setembro de 2012 às 09:25

. Revolucionar o PS e a Lei Eleitoral.

TODOS AO PAÇO, MATAM A DEMOCRACIA !

[Andrade e Silva, 16-09-2012, MIC ]

...
Seja como for, com MUITAS MANIFESTAÇÕES E SEJA QUAL FOR O DESTINO DESTE GOVERNO, OU OUTROS, o FUTURO, o DIA D+1, EXIGEM RESPOSTAS:
- Qual a estrutura de poder que garanta que a sede o poder reside no povo, e que todos os deputados, o governo, o Presidente da Republica e os tribunais ajam no respeito pela soberania do povo?
- Que comportamento e politicas de:
Controlo orçamental, e Politica face à Europa
- como fazer o reajustamento, sem juros tão elevados e insustentáveis, ou que consequências (todas, desde o nível alimentar ao financeiro, quanto à saída do euro) ?

Saúde?
Emprego?
Defesa, segurança interna?
Educação?

- Reindustrialização do país, agricultura, pescas, e ordenamento do território, para combater a desertificação e a tragédia dos incêndios florestais?

Investimento?
Politica fiscal?

- Eleitoral , com nova lei, a actual é INÍQUA e Antidemocrática, projecta sobre o país o funcionamento ditatorial dos partidos, é preciso tornar os deputados responsáveis perante os eleitores e por eles serem directamente escolhidos;

- Demográfica : natalidade, idosos etc.?

Ao Partido SOCIALISTA é exigido que faça a sua REVOLUÇÃO INTERNA ,
para ser um protagonista na realização da Revolução Politica IMPERATIVA E PATRIÓTICA necessária, e se não poder, então, e sempre, mesmo que o PS se altere,
do seio da cidadania deve nascer um amplo movimento que apresente uma ALTERNTIVA de fundo estrutural e estruturadora da sociedade do amanhã.

Compreendo as emoções e a adrenalina de quem tanto sofre, (a cujo grupo pertenço de um modo mais atenuado, mas já com algumas dificuldades, mas, bem mais, o meu filho, familiares e muitos amigos que perderam empresas e empregos, e quem está doente, como também acontece na minha família)

mas a falta do plano para o Dia D+ 1, e seguintes pode ser fatal e o regresso ser aos infernos.

andrade da silva
PS:
Pensem o que quiserem, mas depois de estar um dia a trabalhar a empacotar livros para Timor,
participei na manifestação, e ao passar à frente do FMI vi graves insultos à Policia
( A PSP ao longo de todo o percurso estava com a posição mais amiga que pode estar, braços cruzados à frente do peito – é, sobretudo, esta PSP que tenho visto e louvo )
pelo que me postei ali, como cidadão militar até ao fim da manifestação, para eventualmente ajudar os manifestantes mais idosos e os ordeiros que não atiram petardos à PSP,
e foi extraordinário como, perante alguma tensão e perigo, as pessoas seguiram as orientações que dei no meio delas, espontaneamente, por um impulso cidadão, para seguirem sempre em frente, o que faziam.
Só abandonei este ponto vermelho ao passar da cauda da manifestação, onde vinha uma camada jovem.
Refiro este episódio para, uma vez mais, exaltar o bom senso do povo português, e como logo compreendem a genuinidade de quem lhes fala.

Gostei de ver algumas amigas do facebook que passaram a reais; alguns meus camaradas do MFA e do CPAE, exactamente neste ponto.
Senti-me muito bem.


De Rui Namorado, OGrandeZoo, 15/9/2012. a 17 de Setembro de 2012 às 17:49

DO PESADELO À METAMORFOSE

Tornou-se evidente: o governo de direita que está no poder em Portugal é um fanático do seu próprio caminho. Talvez tenha um número excessivo de idiotas políticos, mas o que é realmente alarmante é guiar-se por um mapa errado. Um mapa errado que, todavia, para essa direita é a materialização absoluta da verdade. O perigo é por isso imenso. Os precipícios que não estão no mapa, para essa gente, não existem. Mas esse é precisamente o erro do mapa: mostra abismos que não existem e esquece outros, bem reais

Não foi um infeliz acaso que produziu esse insólito roteiro desfasado da realidade. Foi a pulsão de sobrevivência do capitalismo que naturalmente segregou a ilusão da impossibilidade de não ser eterno. Pulsão traduzida em ideias falsas, em dados distorcidos, em preconceitos estéreis, em omissões calculadas, em exacerbamentos dirigidos e inócuos. Tudo isso, muitas vezes, embrulhado em equações fatais, numa feitiçaria numerológica que se mascara de verdade suprema, e em face da qual aos mortais nada mais parece restar do que ajoelhar perante ela e seguir como rebanho triste os seus ditames.

Criou-se assim uma enorme máquina de exploração e de opressão da grande maioria dos seres humanos, uma fábrica de produzir mais e mais desigualdade. Fechou-se nela o mundo e teceu-se a ilusão de que essa máquina artificial era, em primeiro lugar, eterna e, em segundo lugar, a expressão acabada da própria realidade social. Fora dela, só existiriam a ilusão e o caos. Ironia suprema, já que é essa ficção de realidade que representa o que há de mais próximo de uma ilusão e do caos, embora isso se traduza em rios de leite e de mel para um punhado de exploradores e em exclusão social, pobreza, perda de futuro, medo e angústia, para uma larga maioria da humanidade.

Portugal é hoje uma ilustração particularmente nítida desta realidade universal. Não é simples sair deste colete-de-forças. A máquina de exploração que nos oprime conseguiu uma simbiose demasiado complexa com as nossas vidas, para que seja possível destruir a máquina de um dia para o outro num brusco gesto de desespero colectivo, sem pormos também em risco a nossa própria sobrevivência enquanto seres humanos.

Mas se deixarmos que a máquina do capitalismo continue a apertar o garrote que nos impede de respirar, a prazo, correremos o risco de perecer numa aflição colectiva, ainda mais funda do que aquela que hoje nos atrofia. Toda a navegação que leve a bandeira da esperança tem que aprender a passar permanentemente entre estes dois escolhos. Não podemos destruir o capitalismo num golpe súbito, porque se o conseguíssemos, o que não é certo, destruíamos também a sociedade humana, ou regrediríamos séculos na história. Mas também não podemos limitarmo-nos a inventar pequenos remédios e pequenos percursos, subordinados à lógica de eternização do capitalismo. Não podemos procurar apenas serrar os dentes do capitalismo, na esperança de que ele nos morda mais suavemente. Se assim for, acabaremos por ser ciclicamente arrastados para novos pesadelos colectivos, cada vez menos suportáveis.

Se quisermos usar uma metáfora, para nos ajudar a compreender o que está em causa nas sociedades capitalistas de hoje, podemos recorrer a uma analogia com a metamorfose por que passam certas espécies animais. A lagarta tem como seu horizonte a borboleta. Para lá chegar tem que ser antes uma crisálida. Se a lagarta teimar em continuar lagarta, acabará por apodrecer e morrer. Se na constância da lagarta, se pretender saltar bruscamente para a borboleta, sem a complexa fase de ser crisálida, a lagarta acabará por morrer também.

Por isso, o reformismo concebido como processo de transformação efectiva das sociedades actuais é uma via possível e fecunda, se nele tiver inscrita a mutação qualitativa implícita na metamorfose. Isto é, se for um reformismo substancialmente revolucionário, na medida em que seja um reformismo realmente transformador, globalmente transformador. O que, é bom que se diga, nada tem a ver com os embustes intelectuais que se traduzem na aposição da palavra reformismo a medidas avulsas e anódinas; e muito menos com a contra-reforma neoliberal que , mistificatoriamente chama reformas estruturais a regressões sociais e políticas que ...


De .. a 17 de Setembro de 2012 às 17:51

DO PESADELO À METAMORFOSE
...
...e muito menos com a contra-reforma neoliberal que , mistificatoriamente chama reformas estruturais a regressões sociais e políticas que materializam o retrocesso civilizacional protagonizado pelo neoliberalismo, cujos frutos se tornam agora dramaticamente ostensivos.

Olharmos o caminho da esquerda como a materialização de uma metamorfose necessária pode ajudar-nos muito a caminhar com segurança e acerto, bem como a distinguir as medidas por que temos que nos bater e aquelas que é imprescindível que evitemos. Esse caminho de saída do capitalismo, necessariamente prolongado, não poderá , como é óbvio, estagnar ou arrastar-se excessivamente no tempo, sob pena de implodir. Terá que ser pilotado institucionalmente, mas decidir-se-á na transformação por que há-de passar o tecido social. A simbiose destes dois planos será uma das condições do seu êxito. Mas o seu inêxito, que não é impossível, tornará improvável a sobrevivência da humanidade num registo que não seja de pesadelo.

Os ribeiros correm já, com a ambição de serem rios. E o mar é o seu destino, crisálida que é necessário que consigamos ser colectivamente. A orquestra de todas as lutas não precisa de um maestro, nem mesmo de uma oligarquia de maestros. Precisa sim que os seus membros aprendam a solidariedade, a complementaridade, a subtil conjugação das diferenças, a fraternidade das várias lutas, a emergência rápida de um tempo sem fome, sem guerra, sem miséria, rumo a um futuro que é necessário que pertença a todos.

Neste contexto, todas as lutas são úteis, todas as lutas são legítimas, se apontarem para a urgência de uma metamorfoses que nos leve a superar o capitalismo que nos garroteia, rumo a um futuro humano.Do mesmo modo, é cada dia mais gravosa a actual insuficiência estratégica de todas as esquerdas organizadas, porque ela impede que encontremos o caminho que nos espera, porque reduz uma política, que devia projectar-se no futuro como esperança, numa mastigação triste de escolhas operacionais que se repetem e de manobras tácticas mais ou menos previsíveis. E assim se deixa em paz o essencial do capitalismo, embora sob uma vozearia aparentemente contundente. De facto, se é certo que a indignação dos explorados é estruturalmente justa, legítima e necessária, se não lhe for dada a oportunidade para ser seiva de um processo político global e transformador, pode esvair-se no desespero ou no desânimo.

(- por Rui Namorado , http://ograndezoo.blogspot.pt/ )


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