Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Mário Soares, que nunca deixou de fazer política, cumpria uma regra enquanto Presidente: a seis meses de eleições, recatava-se.

A três meses de eleições, Cavaco fala, fala, fala. E factura. Há razões para isso? Encontram-se várias, as necessárias para justificar a excepcionalidade. Seja sobre sondagens e eleições, ou sobre negócios e ética.

Cavaco tem razão sobre o Provedor de Justiça. É uma vergonha indesculpável para quem alimentou durante um ano uma situação anómala. É lastimável que a possibilidade de uma figura como Jorge Miranda assumir a função, tenha sido inviabilizada por uma impossibilidade de relacionamento entre as partes. Cavaco tem razão quando, sobre a desistência de Jorge Miranda, diz não ser "bom para o nosso sistema democrático". É pena que o Presidente tenha esperado sete, oito meses, até publicitar a sua preocupação. Poderia ter sido diferente? Ontem, as duas partes, PS e PSD, recuaram um ano e chegaram a um consenso. Deveria ter sido assim, meses atrás.

Cavaco não hesitou em alinhar no coro de indignação sobre o negócio entre a PT e a TVI - sem receio de dar corpo às duras críticas da líder da oposição, mesmo que, para isso, tenha aberto "uma excepção". A verdade é que o Governo acabou por acolher as "fortes dúvidas" do Presidente e da candidata a chefia do Executivo. Para ser assim, deveria ter sido 48 horas antes.

Cavaco pode indignar-se pelo que se passou no BCP, tanto quanto o comum dos cidadãos. A formalização da acusação do Ministério Público a Jardim Gonçalves e a alguns dos seus colaboradores releva, de facto, a falta de cuidado dos ex-administradores com "dois princípios fundamentais, a transparência e os valores éticos". É pena que o Presidente não tenha sido veemente em relação ao BPN e ao BPP. Está a tempo de o fazer.

Sobre o que importa já a seguir, as eleições, Cavaco não tem moderado a sua opinião. Fora do país - lá vai o tempo em que não falava de política caseira longe de casa - foi falando de sondagens que aconchegam preferências e memórias que exigem reflexão. O Presidente sabe que, para o processo em curso, não é indiferente a(s) data(s) das eleições.

Ninguém tem dúvidas de a quem favorece o frenesim Cavaco.

[Raúl Vaz, Diário Económico]



Publicado por JL às 21:20 | link do post | comentar

1 comentário:
De renovação em causa a 1 de Julho de 2009 às 18:24
Cavaco está feito. Com este seu comportamento, fortemente criticado pelos testa de ferro de Sócrates, vai perder as próximas eleições.
Como é que ele, que tem ambições de renovar, não se apercebe desta consequência tão evidente.?
Não são só os posta vozes de Sócrates que percebem que Cavaco se comporta mal. Não. O povo também percebe.
E um verdadeiro harkiri aquilo que Cavaco está a fazer. Só não percebo porque é que o Rui Namorado publica estas crónicas? Não corre o risco de Cavaco as ler e arrepender-se de cometer suicídio?


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