2 comentários:
De .desHonra: PM/... destruir nosso País. a 19 de Setembro de 2012 às 09:48

Grande mulher!
Saúde-se a coerência desta grande mulher, mas o problema é se mandam o Relvas para o substituir!
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A escritora Maria Teresa Horta, distinguida com o Prémio D. Dinis pelo romance “As Luzes de Leonor”, disse esta terça-feira à Lusa que não o aceita receber das mãos do primeiro-ministro, conforme o previsto.

A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para dia 28, sexta-feira da próxima semana, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

“Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -,
ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou Maria Teresa Horta à Lusa.

“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou a escritora que acrescentou:
“Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”.

Para Maria Teresa Horta, “o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974]
e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural”.

A autora afirmou que “o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto”.

“Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro”, deixou claro Maria Teresa Horta.

A escritora disse que já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, assim como a sua editora e falou com cada um dos membros do júri.
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De . 15 set. 2012. em frente . a 19 de Setembro de 2012 às 10:38

O que se partiu no dia 15 de Setembro
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Que Passos Coelho estava isolado na política já o sabíamos.
Sindicatos, associações patronais, partidos da oposição, parceiro de coligação, notáveis do seu próprio partido...
O mundo mediático deu os mesmos sinais: jornalistas e comentadores foram unânimes, incluindo o exército de advogados de defesa da austeridade que, sendo finalmente atingido por ela, partiu em debandada. Faltava perceber-se de forma clara o descontentamento popular.
E faltava, acima de tudo, uma imagem para ilustrar esse descontentamento. Uma imagem que não fosse possível ignorar.

É difícil saber, ao certo, quantas pessoas estiveram na rua. Seguramente, entre 600 mil e um milhão. Num País de 10 milhões, é uma brutalidade. Impossível de ignorar.
As maiores manifestações desde a explosão de liberdade no dia 1 de maio de 1974. Foram manifestações inorgânicas, em todo o País, intergeracionais e que juntaram do mais pobre à chamada classe média.
Se isto não é o povo, gostava de saber onde está o povo. Uma parte da tradicional base social de apoio do PSD esteve na rua.
E depois de alguém ter estado numa manifestação, pela primeira vez na sua vida, contra um governo que elegeu, é impossível voltar a ganhar essa pessoa.
É uma tomada de posição demasiado clara para que se volte atrás.

Para o País, este governo morreu.
Desde sábado, Passos Coelho passou a governar em estado vegetativo.
Socorrendo-me das palavras de Viriato Soromenho Marques,resta ao governo dirigir o País em "modo Relvas".
Fechado nos gabinetes. Jornalistas, oposição, PSD, CDS e Presidente da República sabem-no.
Desligar a máquina é apenas uma questão de tempo. Está, a partir deste fim de semana, toda a gente a pensar nas alternativas.
Só a troika e o desprestigiado Vítor Constâncio demorarão mais tempo a compreendê-lo.
Porque os burocratas europeus e do FMI, não dependendo da democracia, não estão habilitados para a compreender.

Claro que em Belém e no campo político que suporta o governo, CDS e muito PSD incluídos, pensam-se em soluções que evitem eleições antecipadas.

O povo falou, agora quer-se o povo calado e que as soluções sejam tratadas por quem, no último ano, foi incapaz de perceber o desastre para onde se caminhava.
Ajuda a esta tentação o facto da oposição não dar sinais de poder corresponder à revolta e encontrar uma solução ganhadora que corresponda à ruptura que se exige.

O país político e mediático deve sair do aquário em que vive e tentar compreender, em toda a sua dimensão, o que se passou no dia 15.
Que a tese do país sereno e resignado não era verdadeira.
A coisa estava latente e esperava apenas o clique que mobilizasse as pessoas a saírem do isolamento dos seus dramas pessoais.
Que já não chegará, mesmo que Paulo Portas julgue que sim, um pequeno recuo na TSU para voltar a colar o que se quebrou.

O que se quebrou foi a confiança dos portugueses nas suas instituições democráticas.
E isso tem repercussões devastadoras. Repercussões no contrato social que leva as pessoas a pagar impostos, a votar e a cumprir as leis.
Para recuperar este contrato são necessárias mais do que pequenas jogadas políticas de efeito mediático.
O compromisso das pessoas com a exigência de uma mudança foi demasiado forte para que isso chegue. E ainda bem que o foi.
O facto de terem ido pacificamente para a rua é uma oportunidade que deram à democracia.
Quer dizer que, apesar de tudo o que se tem passado, ainda esperam alguma coisa dela.
Quem souber ouvir este grito de revolta e for consequente com o que ele exige terá na mão a solução para o beco sem saída em que estamos. Vivemos tempos interessantes.
Tragicamente interessantes.

(-por Daniel Oliveira, publicado no Expresso Online e Arrastão, 18/9/2012)


Sugestão de leitura: Sítio do Público, secção Mundo : "Romney apanhado em vídeo a criticar metade dos contribuintes americanos." Livra! Se este tipo nos governasse! Hei!Temos a Merkel...ah,ok.



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