De Liberdade, BDpessoais, polícia, jornalis a 1 de Outubro de 2012 às 11:50
. PT UNCUT
"Pessoas já referenciadas pela polícia", uma expressão inadmissível, que se tornou habitual
(-por Helena, 24/9/2012, http://portugaluncut.blogspot.pt/ )

Estive no " RDA69 " (associação cívica) no Regueirão dos Anjos, umas três vezes no máximo, mas ter lá estado, ou não, é absolutamente indiferente para a questão que aqui enuncio.

O que me leva a fazer este post é a incomodidade que me provoca a transcrição ACRÍTICA, por parte da comunicação social, das declarações policiais que falam em indivíduos "REFERENCIADOS" por esta ou aquela atuação, por esta ou aquela opção ideológica.

E mais ainda me causa uma enorme incomodidade, que isso não provoque um mínimo sobressalto cívico nos destinatários das ditas notícias, isto é, todos e todas nós.

Já AQUI tinha referido esta incomodidade, esta perplexidade pela falta de memória coletiva em relação a questões sensíveis como esta.

Onde, como e porquê, vai a polícia buscar a autorização para MARCAR CIDADÃOS com o carimbo de "REFERENCIADOS"?
Que raio de designação é essa?

Categoria jurídica não é, só podendo resultar de uma perigosa criatividade policial, seguramente autorizada 'superiormente'.
Mas, para que a polícia possa afirmar que um cidadão é já "referenciado", terá que haver uma BASE de DADOS donde conste esse cidadão com as ditas referências.
Ora, que se saiba, a Comissão Nacional de PROTECÇÃO de Dados nada autorizou nesse sentido e, se o tivesse feito, essa autorização seria completamente ilegal.
Artigo 35º da Constituição

1 - Todos os cidadãos têm o direito de acesso aos dados informatizados que lhe digam respeito, podendo exigir a sua rectificação e actualização, e o direito de conhecer a finalidade a que se destinam nos termos da lei.

2 - A lei define o conceito de dados pessoais, bem como as condições aplicáveis ao seu tratamento automatizado, conexão, transmissão e utilização, e garante a sua protecção, designadamente através de entidade administrativa independente.

3 - A informática não pode ser utilizada para tratamento de dados referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem étnica, salvo mediante consentimento expresso do titular, autorização prevista por lei com garantias de não discriminação ou para processamento de dados estatísticos não individualmente identificáveis.

4 - É proibido o acesso a dados pessoais de terceiros, salvo em casos excepcionais previstos na lei.

5 - É proibida a atribuição de um número nacional único aos cidadãos.

6 - A todos é garantido livre acesso às redes informáticas de uso público, definindo a lei o regime aplicável aos fluxos de dados transfronteiras e as formas adequadas de protecção de dados pessoais e de outros cuja salvaguarda se justifique por razões de interesse nacional.

7 - Os dados pessoais constantes de ficheiros manuais gozam de protecção idêntica à prevista nos números anteriores, nos termos da lei.

Artigo 7.º da Lei nº 67/98
Tratamento de dados sensíveis

1 - É proibido o tratamento de dados pessoais referentes a convicções filosóficas ou políticas, filiação partidária ou sindical, fé religiosa, vida privada e origem racial ou étnica, bem como o tratamento de dados relativos à saúde e à vida sexual, incluindo os dados genéticos.

2 - Mediante disposição legal ou autorização da CNPD, pode ser permitido o tratamento dos dados referidos no número anterior quando por motivos de interesse público importante esse tratamento for indispensável ao exercício das atribuições legais ou estatutárias do seu responsável, ou quando o titular dos dados tiver dado o seu consentimento expresso para esse tratamento, em ambos os casos com garantias de não discriminação e com as medidas de segurança previstas no artigo 15.º.

3 - O tratamento dos dados referidos no n.º 1 é ainda permitido quando se verificar uma das seguintes condições:
...


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