CAVACO SILVA, O PADRINHO II

O “nosso” ideólogo económico, desta democracia pouco social que nos governa desde que o próprio foi 1º responsável governativo, passou a maior parte da sua vida a promover e a apadrinhar ideias e comportamentos cujas acções envolveram agricultores, pescadores, empresários, investidores e população em geral.

A uns sugeriu o arranque de vinhas, oliveiras, a redução de quotas leiteiras e drásticas reduções produções em geral a troco de uns tantos patacos e promessas de bom futuro à sombra de uma PAC que acabou por definhar; a outros, com igual pago, aconselhou, convictamente, que virassem costas ao mar visto que as suas embarcações eram, demasiadamente, obsoletas e nada rentáveis comparadas com os arrastões espanhóis; aos operários, funcionários públicos e trabalhadores em geral aconselhou-nos a investir nas empresas públicas, por si privatizadas, embebedados num “capitalismo popular” onde todos seriamos empresários de sucesso; certos amigos criaram bancos pouco transparentes ou mesmo fraudulentos que vão sugando o suor de quem trabalha. Era um estado de alma, era um modo de vida à cavaquistão.

Tudo nadava num oceano de fartura de fundos da CEE que permitiam o surgimento de empresas (quase só para colocar amigos altamente remunerados) associadas em tudo que era Empresas Publicas e Comunidades Municipais. Assim se foi edificando uma cultura social, e se criou uma ideologia cavaquista.

Agora, conhecedor dos devastadores resultados, com o mesmo esforço e empenho este “nosso” padrinho deveria desconstruir a/s mentalidade/s que não só apadrinhou mas foi convicto mentor (não basta vir agora dizer, numas mansas palavras, que “o mar é o nosso desígnio”) sob pena dos portugueses continuarem na senda inversa do que foi, historicamente, a evolução das sociedades que “se foram, pouco a pouco, separando da selvajaria para alcançar a civilização” de que a história das mentalidades, no escrito de Georges Duby faz registo.

A manterem-se as práticas mais recentes (dos últimos 20 anos) caminhamos a passos largos - Passos de Coelho – ou talvez de Canguru, da civilização para a selvajaria. Se assim for de pouco valeu o esforço de Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, ao aprofundar a relação entre o eu e o outro, enquanto membros de um todo regulado pela entidade Estado, a que se acrescentaram os conceitos de Estado Previdência e Estado Socialmente Solidário.

Cavaco Silva, quer enquanto pessoa quer como PR, que jurou defender a Constituição da República, identifica-se com a civilização ou com a selvajaria económica e financeira e com a ideologia de agiotagem? Terá, obrigatoriamente, de ser consequente.

É nosso dever de cidadãos exigirmos essa consequência. Exigirmos a transparência das contas e divida públicas. Exigirmos saber o que devemos e não devemos pagar. Nós, população, temos o direito de saber o que, da dita divida soberana, corresponde à responsabilidade das nossas distracções e o que derivou da fuga/esbulho que nos querem/estão a impor indevida e desonestamente.



Publicado por Zé Pessoa às 14:22 de 25.09.12 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Máfia a 25 de Setembro de 2012 às 19:11
Sabem porque se deixou de ouvir falar da Máfia napolitana?
Pela simples razão de que a sociedade, genérica e mundialmente, se tornou mafiosa.
Querem Provas? vejam o índice da economia marginal, vejam os subornos nos negócios dos estados, vejam o trafico de drogas , prostituição , armas, seres humanos e muitos outros, quase sempre com a conivência de alguém dos governos ou deles proximos.
Isto só termina se e quando os próprios povos alterarem os seus comportamentos e passarem a exercer controlo directo dos seus direitos não só individuais mas também os colectivos.


De Cavaco e outros... a 25 de Setembro de 2012 às 18:58
Não só foi padrinho como também foi/é pai e mãe, conjuntamente com outros Sócretinos , deste nevoeiro feito de brumas muito confusas e mal definidas que nos enregelam até à medola.

Falta de ética? talvez, mas só da ética moral e natural não de ética convencional de certas irmandades a que se chega independentemente da classe social originaria e que catapultam a quem a elas chegue, ainda que à custa alheia, ao auge , aos píncaros , à gloria de uma classe exclusiva, uma classe porporamente celestial.

E foi assim porquê? pergunto eu.

Foi assim porque, no fundo, mais ou menos inconscientemente, todos sofremos do mesmo fado e todos deixamos passar o tempo que, oscilando entre o imobilismo e o absentismo, uns e outros nos deixamos enredar no horizonte impiedoso das estruturas de consumo e nas garras dos agiotas submersos numa taxa de desvalorização das nossas vidas.


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