* País ocupado pelo inimigo pede auxílio *

     Avançámos      (por  João Rodrigues)

     Acho que o Congresso Democrático das Alternativas, realizado a 5 Out., correu muitíssimo bem por várias razões.

Em primeiro lugar, cerca de 1800 pessoas, oriundas de diversos quadrantes político-partidários e sociais, foram capazes de debater e aprovar uma declaração substantiva que aponta para alternativas robustas ao presente rumo de desastre austeritário, indicando que a unidade à esquerda se pode fazer em torno de ideias para governar o país.

     Torna-se assim mais difícil dizer-se que não há alternativas.

     Em segundo lugar, evitou-se o vago e preguiçoso “entendam-se”, sempre sem programa, habitualmente dirigido às forças de esquerda, afirmando-se antes um exemplar “entendemo-nos” que deixa lastro. Entenderam-se milhares de cidadãs e cidadãos em torno de algo muito concreto e que inclui um elemento destinado a constituir nos próximos tempos o principal eixo da política portuguesa:

a denúncia do memorando e as suas tarefas.

     Em terceiro lugar, os cenários a jusante do acto soberano que só confirmará politicamente o que a realidade já denunciou foram discutidos sem tabus ou anátemas, com diversidade natural de pontos de vista num contexto tão difícil e complexo.

A mobilização da capacidade negocial externa do Estado, a necessidade de escolha política em relação aos diversos compromissos que o país tem, deixando de dar prioridade aos interesses dos credores, usando a reestruturação da dívida como instrumento de política, foram alguns dos muitos pontos em que houve fundamental convergência.

     Em quarto lugar, os muitos contributos escritos deixaram um lastro para aprofundar discussões e consolidar alternativas, em matéria, por exemplo, de política económica orientada para o pleno emprego.

     Em quinto lugar, num dia republicano ouviram-se, de Vasco Lourenço a Manuel Carvalho da Silva, passando por José Soeiro, Pedro Alves ou Mariana Avelãs, as palavras clarificadoras de que é feita uma República: patriotismo, soberania, povo, democracia, movimentos sociais.

As palavras são ainda mais importantes num país que, tal como a bandeira de Cavaco, precisa de uma volta. Avançámos.

     Regastar Portugal, resgatar a democracia  ...  podem ver aqui grande parte dos trabalhos. Foi um dia extraordinário.

  * Estado da nação *  e   Esbulho  (por Sérgio Lavos)

      Não deixa de ser curioso que nos estejamos a aproximar fiscalmente dos países do Norte da Europa e social e economicamente das cleptocracias do terceiro mundo. O Governo cobra impostos pornográficos a famílias e empresas enquanto alegremente decepa o estado social. O colossal buraco negro para onde está a ir o dinheiro do esbulho - para usar um termo tão caro ao bufarinheiro Portas - tem uma via directa para o bolso dos nossos credores, os vampiros do sistema financeiro perfilhado pelos nossos sabujos merkelianos. E vamos ficando mais pobres, e os bancos ficando mais ricos. As coisas são como são.

        Um cadáver adiado. ... A impunidade dos sucessivos governos veio desembocar num executivo que mente descaradamente porque sabe que não será confrontado com as suas mentiras; ou se for, sabe que há um imperativo que relativizará qualquer mentira dita enquanto "salva o país". Na Grécia, navegamos no mesmo mar de águas sujas.

     O excessivo endividamento, que nenhuma esquerda poderá negar, beneficiou bastante uma casta de empresas e indivíduos que depende do estado e dos seus negócios sujos para continuar a pairar como um abutre sobre o cadáver do regime. Este regime que apodreceu e está a cair.  

     Precisamos de dar um pontapé no cu desta gente sem moral nem decência. E, muito sinceramente, não sei que alternativa poderá haver quando se discute o futuro com gente que foi apoiando, pelo silêncio ou activamente, um PS que alimentou o polvo dos interesses e que chafurdou na malga estatal tanto como qualquer Governo do PSD, de Oliveira e Costa a Dias Loureiro.

     Este regime precisa de uma defenestração, não de uma reforma. E enquanto (...) não perceberem isto, o cheiro da podridão irá continuar a empestar tudo, e o país continuarará a ser um cadáver adiado.


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Publicado por Xa2 às 13:39 de 08.10.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De . Lição de Cidadania e Alternativas . a 9 de Outubro de 2012 às 11:03
A lição do Congresso
(por Daniel Oliveira, participante no C.Alternativas)

ver em: Arrastão , 9.10.2012 http://arrastao.org/2657913.html#comentarios


De O que se fará a seguir? a 8 de Outubro de 2012 às 23:55
Como diria o escritor, feito o congresso "e agora José?"
Qem levou ou irá levar, junto dos podres políticos internos e internacionais, o conjunto de decisões e exigências colocadas no congresso?
Caso tais conclusões e exigências não obtenham resposta positiva o que se fará a seguir?


De .Não-governo, podre, corrupto, incompet. a 8 de Outubro de 2012 às 17:16
Carvalho da Silva pede "afrontamento colectivo" contra "o pior Governo da democracia"
[Lusa, 06-10-2012]

O ex-líder da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, apelou nesta sexta-feira a “um acto colectivo de afrontamento” ao Governo, durante a intervenção final do Congresso Democrático das Alternativas, que decorreu todo o dia na Aula Magna, em Lisboa.

Carvalho da Silva apelidou o executivo liderado por Passos Coelho e assente numa coligação PSD/CDS de governo “antipatriótico” e “o pior de sempre em democracia”, e defendeu a renegociação “séria” de um memorando “que já está denunciado”.

“Esta governação não pode continuar, nós temos um não-governo e isso é perigoso, contamina as relações das instituições e pode apodrecer algumas delas”, advertiu o ex-líder sindical.

O antigo líder da CGTP apelou ainda à juventude para “que não se vergue, que não aceite isto de que o futuro tem de ser pior do que foi a vida dos seus pais”. “Os jovens têm de se rebelar contra esta situação”.

O professor universitário, um dos principais impulsionadores deste encontro das ‘esquerdas’, afirmou que “há um povo que sofre e que vive debaixo de injustiças que os revoltam” e que perante “uma negação do caminho do progresso” e um “retrocesso civilizacional que se vai acentuando” é preciso “responder aos problemas do povo”.

Neste ponto, Carvalho da Silva deixou um aviso aos vários responsáveis políticos: “Não há outras agendas que nos tragam aqui, a agenda é esta, responder aos problemas do povo, interpretarmos as mensagens, não é tempo de tacticismos nem de justificações para ver se à frente é melhor”.

O antigo líder sindical criticou o discurso de que “não há alternativa debaixo da agenda neoliberal” e defendeu que a alternativa é “rechaçar esta política de crença”, que “na governação dos povos são uma desgraça”.

“Negar a existência de alternativas é negar a política em democracia”, afirmou, citando depois não Marx, mas Max Weber: “O ser humano não teria alcançado o possível, se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível”.

No seu discurso, um dos mais aplaudidos, Manuel Carvalho da Silva advogou que qualquer “reflexão mínima mostra a evidência de que o memorando já está denunciado”, pelo que é “de iníquo pelos protestos do povo” e “pela negação de resposta aos problemas, técnica, cientificamente e politicamente”.

“Não percamos tempo e procuremos a convergência”, exortou, pedindo à plateia “um acto colectivo de afrontamento, de exigência de renegociação e de diálogo sério com os credores e os parceiros europeus”.

Num discurso em que teceu duras críticas ao executivo PSD/CDS-PP, Carvalho da Silva disse que “o consenso que suportou este memorando está podre e tem de ser deitado para o caixote do lixo”.
“Este Governo é o primeiro governo antipatriótico de há muitas décadas, o Governo não define o interesse nacional em função dos interesses dos portugueses, mas dos interesses dos credores e dos agiotas, isto é ser antipatriótico”, acusou.

Neste contexto, Carvalho da Silva disse existirem condições para “a definição de um amplo entendimento que pode responder a esta situação”, que inclua “muitos cidadãos inclusivamente do centro político”.

No seu discurso, o também sociólogo fez um comentário sarcástico ao modelo seguido nas comemorações oficiais do 05 de Outubro deste ano, que motivou uma grande assobiadela da assistência.

“A Presidência da República não abre o Palácio de Belém à visita do povo para não ter custos, para não gastar dinheiro dizem eles, as cerimónias oficiais saíram do espaço público para um pátio para poupar, o primeiro-ministro, a quem certamente que também pagaram as viagens e a alimentação para poupar, não está no país e está na Eslováquia, mas nós não desistimos”, afirmou

Carvalho da Silva deixou ainda um agradecimento emocionado ao reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, pela disponibilização do espaço onde se realizou o Congresso, que terminou com o hino nacional.


De .Alternativas: renegociar dívida, ... a 8 de Outubro de 2012 às 17:11
Congresso das alternativas
Uma troika de ideias para unir as esquerdas

Congressistas recusaram a criação de uma associação política
...
... dizer que “o ponto de partida é “denunciar o memorando” contra a “chantagem financeira” e ao mesmo tempo discutir “as formas de alternativa à troika”.

Isto porque, em primeiro lugar, o Congresso das Alternativas começa por recusar a política de austeridade. E foi isso mesmo que foi dito ... “a maioria das pessoas já começa a pôr em causa o sistema no seu conjunto e por isso é necessário encontrar soluções alternativas.
Esta política não presta, esta austeridade não presta, nem aqui, nem em Espanha, nem em Itália, nem em França”.

Mais austeridade “não” porque isso levará, como última consequência, a uma saída do euro. Os participantes dizem-no preto no branco na declaração final.
Para o economista João Ferreira do Amaral, o caminho que Portugal segue não tem “futuro do ponto de vista económico, social” e é de “retrocesso que pode ter consequências ainda mais graves”, como a saída da zona euro.
Esta saída, disse, tinha de “ser feita de forma adequada e em negociação com as instituições europeias”. Mas esta é uma visão que nem todos defendem.

Além da denúncia do programa de assistência financeira como está definido, os congressistas querem a renegociação da dívida.
Os apoiantes querem que, tal como a Islândia, se renegoceie a maturidade e os juros da dívida pública para aliviar a economia portuguesa. E, para isso, o governo de Pedro Passos Coelho não é o ideal.

A dificuldade de unir a esquerda ficou patente no encontro em que os socialistas acabaram por ser alvo de críticas por alguns congressistas. Houve quem apontasse directamente a intervenção de Ana Gomes e quem quisesse lembrar a culpa histórica do partido liderado por António José Seguro, que ao longo de três décadas nunca quis alianças à esquerda. Mas na organização do congresso estavam aliás alguns socialistas e o partido fez-se representar, tal como a CGTP e a UGT. Já o PCP ficou de fora ...


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