Recessão dolosa e criminosa de financeiros e seus sabujos

      Temos pena de termos levado o vosso país à bancarrota. Para a próxima corre melhor.

     O refinado exercício de cinismo a que Lagarde e o FMI se dedicam ao admitirem que as previsões sobre o impacto das medidas de austeridade estavam erradas apenas poderá sensibilizar almas ingénuas. Sobretudo porque dificilmente a admissão do erro vai levar a qualquer mudança de políticas, pelo menos enquanto a sra. Merkel não ganhar as suas eleições. Grécia, Portugal (e agora Espanha) vão continuar a ser dizimados por políticas criminosas que fazem contrair a economia a 3% ao ano.
     Muitos economistas de esquerda avisaram desde que começou a ser implementado o programa da Grécia que o efeito multiplicador da austeridade iria levar a uma contracção da economia muito superior ao esperado pelas troikas grega e portuguesa. Agora, temos este "desvio colossal" quantificado: por cada euro poupado em cortes, a economia perde até 1,7 euros, três vezes mais do que o previsto pelo modelo teórico do FMI. É este o ciclo da austeridade recessiva. Porque os 70 cêntimos que se perdem em cada euro poupado terão de ser recuperados, nem que seja por obrigação do pacto orçamental. E a única receita que a troika e os governos que lhe obedecem conseguem aplicar é mais austeridade. E por aí fora.
    - Quem lucra com este ciclo cataclísmico?   A Alemanha e alguns países do Norte da Europa. Os bancos alemães, no início da crise, estavam bastante expostos quer à dívida pública grega quer à portuguesa. Em dois anos, desfizeram-se dessa dívida. Os milhares de milhão extorquidos aos contribuintes gregos e portugueses têm servido para recapitalizar a banca alemã (e, em menor medida, a francesa), sobrando algumas migalhas para os bancos gregos e portugueses. Noventa por cento da dívida pública soberana detida pelos nossos bancos é nacional. Agora, o sistema financeiro começa a respirar muito melhor.
    - Então por que razão fez Lagarde este aviso?   Porque a recessão provocada pela austeridade nos países periféricos começa a afectar a economia real produtiva. Os seis por cento de contracção da Grécia mais os nossos quase quatro por centro começam a fazer mossa na Alemanha, e nem o bom desempenho deste país nas exportações para os países fora da UE consegue mitigar o efeito dominó. E o resto do mundo também já sofre os efeitos da gestão de crise decidida pela senhora Merkel. Neste momento, Lagarde tenta retroceder no caminho. Os milhões de vidas destruídas pelas políticas de austeridade são apenas um pormenor da História.

                 (-por Sérgio Lavos, Arrastão, tags: crime organizado, crise )

                         O professor confessa a sua incompetência   (-por Daniel Oliveira)  

       No relatório semestral sobre o estado da economia mundial, tornado público esta semana, o FMI reconhece que as medidas de contenção orçamental estão a ter um impacto negativo muito maior do que aquilo que previam. A Europa, e em especial os países intervencionados, como Portugal, estão entre as vítimas deste "erro de cálculo".
     O FMI pergunta: "Estaremos a subestimar os multiplicadores orçamentais de curto prazo?" E respondem: sim, estão. Nos maravilhosos modelos de projeção que usam, por cada euro de corte na despesa pública ou em aumento de impostos o PIB perderia 50 cêntimos. A realidade, desde 2008 até hoje, foi bem diferente. Por cada euro de corte na despesa pública ou de aumento de impostos o PIB perdeu entre 90 cêntimos e 1 euro e 70 cêntimos. Em geral, a economia perdeu mais do que o Estado ganhou. Ou seja, já todos perceberam, com exceção de Angela Merkel e Passos Coelho, que a austeridade não só não resulta como é contraproducente.
     Nada disto é novidade para os que, tantas vezes tão isolados, disseram que era exatamente isto que aconteceria. Que as políticas de austeridade teriam efeitos devastadores cada vez mais profundos e que não só não resolveriam os problemas dos países intervencionados como os acentuariam. Tinham razão e nem se pode dizer que ela era difícil de ter. Era uma evidência. Infelizmente, chegaram alguns economistas comprometidos com uma agenda ideológica radical/neoliberal - que têm imposto à Academia - e uns políticos incompetentes para que a evidência fosse tomada como cegueira. Os resultados estão à vista.
    Perante esta mea culpaquem compensa os países intervencionados pelo FMI (e não só) pelos danos causados às suas economias, aos trabalhadores e aos cidadãos? Quem paga o prejuízo da incompetência? Não só ninguém o fará como, já se percebeu, a receita que o próprio FMI reconhece ser um desastre, continuará a ser aplicada pelas instituições europeias e pelo... FMI.
    A confissão do erro e a insistência no erro obriga-nos a repensar a nossa posição. Perante a confissão de incompetência do professor, como se pode continuar a manter a estratégia do "bom aluno"? Como podemos continuar a seguir uma receita em que nem quem a prescreveu acredita? Como é possível infligirmos a nós próprios estes maus tratos, sabendo nós e sabendo quem o exige que o façamos, que eles não resultam?
    É mau aceitar uma intervenção externa. É péssimo aceitar uma intervenção externa que não resulta. É grave aceitar uma intervenção externa em que a própria instituição que intervém não acredita. É estúpido aceitar uma intervenção externa em que a própria instituição que intervém não acredita mas que, ainda assim, mantém inalterável.
              Aqui fica a versão final da Declaração aprovada no Congresso Democrático das Alternativas, já contendo as emendas propostas e aprovadas pelos congressistas.


Publicado por Xa2 às 07:43 de 12.10.12 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Fiadores de ladrões. a 12 de Outubro de 2012 às 14:42
Mas não houve alguém , já há muitos, muitos, muitos, muitos, anos que disse e escreveu que " a economia era algo muito sério para deixar só nas mãos dos economistas"?

Não será que o mesmo principio se deve aplicar aos políticos dizendo que "a politica é algo muito, mesmo muito sério para deixarmos os políticos à solta?"

E o que foi que nós fizemos? Deixamos os políticos à solta depois de os votar em ciclos quadrienais.

Agora suamos lágrimas de sangue como resultado do que semeamos ou deixamos que alguém semeasse em nosso nome e por nossa conta. Fomos fiadores de ladrões.


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