Censura no jornalismo vs. democracia e liberdade

Pelo  jornalismo,  pela  democracia  

  «A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática.
     O jornalismo não se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias. O exercício destas funções centrais exige competências, recursos, tempo e condições de independência e de autonomia dos jornalistas. E não se pode fazer sem jornalistas ou com redacções reduzidas à sua ínfima expressão.      ...

      ... Conduzem, pelo contrário, a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia.

      ... Por isso manifestamos a nossa solidariedade activa com todos os que, na imprensa escrita e online, na rádio e na televisão, lutando pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática.
     Por isso desafiamos todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade.»

          A  censura  está a passar por aqui 

                                                                 Manif AR 20121015 

     As televisões noticiosas, já só falo destas porque nem vale a pena falar das de sinal aberto, passavam conversas da treta sobre a bola quando a malta do CERCO, de ontem, desatou à pancadaria.
     Não me refiro à bondade ou à concordância com a pancadaria, nem ao CERCO, coisa que já tive a oportunidade de esclarecer não me ser respeitável até por lembrar outros cercos que em 1975 se fizeram para bloquear a democracia e a liberdade.
     No entanto, tal como não gosto de assistir em directo a um terramoto, não prescindo de ser informado de que ele está a acontecer.
     Ontem, enquanto as equipas de reportagem estavam no terreno sem informar da arruaça, os programas de chacha inundavam os ecrãs e as televisões não disponibilizavam informação escrita em rodapé. As redações mantiveram silêncio e registaram imagens para resumos que só passaram quando a acção ficou controlada.
     As redes sociais já tinham filme e fotografia publicada há horas quando as notícias das televisões deixaram de estar sequestradas. Até lá (nas redes sociais) não faltaram comentários a justificar a ausência de directo e a impingir a teoria de que os directos só servem para fomentar mais violência. Teorias velhas de quem não estima a liberdade e de quem está sempre pronto para passar atestados de menoridade a um povo que se quer tutelado.
     Aquilo que ontem se passou nas televisões portugueses foi uma vergonha e foi um precedente gravíssimo. Amanhã, com iguais justificativos, outras coisas serão escondidas, outra informação será adiada e um qualquer vizinho será levado pela calada da noite e só o saberemos quando formos convocados para o funeral.
     A  censura, ontem, voltou a passar por aqui.      (-por LNT  [0.501/2012] )

 

----- Reportagem alternativa sobre o “Cerco ao Parlamento, Este Não é o Nosso Orçamento”  (-por Renato Teixeira, 5dias)   Com a assinatura do Ministério da Verdade, a dar mais uma lição ao jornalismo pop, cluster, histérico e desprovido de sentido.


Publicado por Xa2 às 07:58 de 19.10.12 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Pedro Tuna a 19 de Outubro de 2012 às 18:47
As páginas dos jornais nacionais permanecem iguais às da semana anterior: crise, futebol, crime. Lá por fora os principais jornais europeus davam amplo destaque ao salto estratosférico de Felix Baumgartner que permitiu a recolha de importantes dados científicos para futuras missões espaciais.
A imprensa portuguesa teima em não romper com o óbvio, deixando a sua zona de conforto. Enquanto o mundo pula e avança, Portugal continua a fechar-se sobre si próprio, sobre os seus eternos problemas.


De Intrusão ao dir. Manifestação e Liberdad a 19 de Outubro de 2012 às 15:11

PSP gravou imagens de dois protestos violando a lei

Comissão Nacional de Protecção de Dados diz que utilização de câmaras portáteis violou a lei, o que obriga a destruir registos.
[Mariana Oliveira, Público.pt, 15-10-2012]


A PSP utilizou câmaras de vídeo portáteis para monitorizar a vigília realizada durante o Conselho de Estado do dia 21, em frente ao Palácio de Belém, e a manifestação de 29 de Setembro organizada pela CGTP contra as medidas de austeridade,
tendo, no entendimento da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), violado a lei que regula a gravação de imagens pelas forças de segurança em locais públicos.

Comissão Nacional de Protecção de Dados diz que utilização de câmaras portáteis violou a lei, o que obriga a destruir registos.
A PSP diz não ter conhecimento oficial dos pareceres da CNPD, não se pronunciando, por isso, sobre o assunto enquanto o Ministério da Administração Interna não fez qualquer comentário em tempo útil.

A comissão critica a falta de fundamentação para a utilização das câmaras portáteis, lamentando ainda que a polícia não tenha justificado devidamente as condições excepcionais que a levaram a pedir o parecer duas horas após o início da vigília realizada em frente à residência oficial de Cavaco Silva.
A lei permite isso, mas apenas "excepcionalmente", uma urgência que a CNPD não considera justificada nos dois casos.

Por outro lado, acrescenta que "os fundamentos da utilização de câmaras de vídeo portáteis apresentados no relatório que acompanha o pedido de parecer não só são abstractos e genéricos" como não revelam "a específica necessidade ou conveniência daquela utilização".
E completa-se:
"A justificação apresentada é virtualmente aplicável a qualquer circunstância que implique um aglomerado de pessoas, pelo que não vale por si só, face à inexistência de um perigo em concreto".
Recorde-se que durante a vigília foram detidas cinco pessoas pelo lançamento de petardos, resistência e coacção, tendo em quatro dos casos o Ministério Público arquivado os processos.

No caso da manifestação da CGTP, a comissão considera que há uma agravante: apesar da central sindical ter comunicado a realização do protesto a 21 de Setembro, o pedido de parecer só chegou na véspera da manifestação.
A CNPD lamenta ainda que não tenham sido definidas "condições de segurança do tratamento dos dados recolhidos", como exige a lei, e considera que também não foi acautelado o dever de informar as pessoas que estão a ser filmadas.
Em nenhum dos casos os promotores dos protestos foram informados da utilização das câmaras portáteis, nem havia avisos nos locais das manifestações.

O advogado Luís Neto Galvão, especializado na área da protecção de dados, considera a utilização destes meios
"uma intrusão ao direito das pessoas se manifestarem e não serem importunadas com isso",
mas lembra que também existe "o valor da segurança e ordem pública".
"O mais importante é analisar se a restrição daquele direito é proporcional face ao perigo em concreto", diz. O advogado lamenta, contudo, que a CNPD não tenha convidado a PSP a suprir as insuficiências do pedido.


De .Jornalismo Liberdade Pluralismo Democra a 19 de Outubro de 2012 às 12:19
Se o primeiro, o segundo e o terceiro poder são financiados pelo Estado, o que dizer do quarto?

A carta aberta "pelo jornalismo, pela democracia" assinada por vários jornalistas vem pôr um dedo numa ferida esquecida da democracia. A democracia não funciona sem informação nem os checks and balances entre os 3+1 poderes. Sem imprensa não há informação nem há... liberdade de imprensa.
Este é um problema que vai para lá da discussão do modelo de negócio deste sector (o Guardian diz hoje que está a pensar abandonar a edição papel), e para lá dos cortes de pessoal devido à crise. A imprensa está em dificuldades por todo o mundo, e com ela estará a qualidade da democracia.
Associado a isto temos a falta de diversidade de informação, que salvo raras as excepções (o BE principalmente) tem sido esquecida.
Será talvez a altura de pensarmos num novo modelo de funcionamento. Não me choca, por exemplo, caminhar na direção de um financiamento estatal em troca da garantia da diversidade. Ter os grupos parlamentares/partidos a produzir informação que seria distribuída pelos canais da imprensa. Vigiar de perto a concentração de vários órgãos sob o mesmo grupo, garantindo meios para que haja o maior número de corpos redatoriais independentes.
Ideias?


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