De Moços zombies assassinam Portugal a 21 de Outubro de 2012 às 20:38

Tempos perigosos

por Sérgio Lavos, Arrastão,21/10/2012
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Mas eles não sabem nem sonham o que possa querer dizer a expressão "servir o povo". Ganharam as eleições prometendo o contrário do que agora fazem, e nunca irão admitir a mentira e a falta de vergonha. E ganharam as eleições para "ir ao pote", o tal acto que Passos Coelho disse não estar nos seus planos ao ir a eleições. E vão ao pote. Distribuem milhares de lugares nos gabinetes e nos ministérios, entre assessores, adjuntos e especialistas, a vasta maioria saída das juventudes partidárias do PSD e do CDS. Privatizam empresas a baixo custo em processos opacos que beneficiam interesses que não conhecemos - o exemplo da TAP e da ANA é de pôr os cabelos em pé, e a procissão ainda vai no adro, e os tenebrosos contornos da privatização da EDP e da REN começam agora a ser revelados. Ameaçam jornalistas que depois são despedidos pelos jornais a que pertencem. Controlam a imprensa nacional através dos amigos angolanos. Mantêm os benefícios dos privados nas PPP's e nas empresas energéticas - os cortes e as renegociações são para inglês ver, nada mudou e, em alguns casos, até piorou, como se pode ver no que pagamos e iremos pagar pela electricidade que consumimos.

A eles não interessa - talvez nunca tenha interessado - que centenas de milhar de pessoas caiam no desemprego, que milhares de empresas vão à falência, que haja mais de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar de sobrevivência, que a economia do país tenha implodido e que se prepare para ficar sem capacidade de recuperação durante muito tempo. O exercício do poder é um exercício de sobrevivência e de distribuição de prebendas, e palavras como honra, cara ou vergonha são coisas do passado, que nada dizem a esta gente. Um Governo em modo Relvas (como alguém já o classificou) é um Governo que existe graças a uma rede de conhecimentos sustentada por uma clique de propagandistas nos blogues e nos jornais. É um Governo que não chega a ser Governo, tem apenas equivalência para tal. Mas existe. E vai fazendo os seus negócios, sem se importar com o país, aquele pedaço de terra que alberga as empresas para onde eles vão quando o pesadelo acabar. Menosprezá-los é um erro; é muito mais difícil matar quem já está morto. O dia a dia vai provando isso.

tags: crime organizado, crise


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