Desgoverno empobrece cidadãos

            Avanço e recuo à beira de um precipício  - por Daniel Oliveira

     O governo propôs mais meia hora de trabalho diário. As reações foram violentas perante tamanho incentivo ao desemprego. O governo recuou nessa para a UGT ter um argumento para assinar um acordo inaceitável para qualquer sindicalista.

     O governo avançou com a concessão de um canal da RTP com o Estado a pagar. As reações foram de espanto por tão estapafúrdia ideia. O governo recuou para poder continuar a defender a privatização.

     O governo avançou com a redução em 10% no subsídio de desemprego mínimo. As reações foram de indignação perante tamanha insensibilidade social. O governo recuou para vir seguramente a propor uma outra qualquer patifaria que pareça um pequeno menos grave.

     A estratégia é sempre a mesma: propor uma brutalidade para a tareia que vem depois até parecer uma coisa mais ou menos decente. Resultou à primeira, resultou à segunda, não resulta, porque não somos todos idiotas, à terceira.

     O único recuo sincero deste governo foi na TSU. Aí, a rua foi demasiado forte. E, mesmo neste caso, os impostos vieram com tal violência que já ninguém se lembra que para além de roubar os salários ainda queria pôr os trabalhadores a financiarem as suas próprias empresas. Fora este caso, estes recuos são apenas jogos de sombras.

     O problema é que o governo anda a brincar com coisas sérias. Com a vida, o dinheiro e a ansiedade das pessoas. Por isso, em vez dos avanços e recuos resultarem num benefício para a sua estratégia, este jogo funciona contra o governo. Em vez de conseguir amenizar o que vem depois, apenas aumenta a impaciência dos portugueses.Consegue, em simultâneo, exibir a sua brutalidade social e a sua desorientação.

     Este foi apenas mais um episódio na triste vida de um governo desgovernado. Que, em apodrecimento acelerado, já só consegue repetir uma truque gasto. Já não resulta. Alguém que os avise.

 

         O bem comum  (dos banqueiros e administradores) - por Sérgio Lavos

É uma maravilha ver todos os bancos portugueses a apresentar lucros brutais este ano. Fico feliz por mim, e por todos os portugueses, porque o esforço foi nosso, foi colectivo, em prol do bem comum (dos banqueiros): não só foram vários milhares de milhão de euros directamente para a recapitalização de algumas destas instituições, como estas estão a lucrar com a compra da dívida portuguesa (recebem dinheiro do BCE a 1% e emprestam ao Estado português, a 5, 6 e mais). Ver dois grupos de portugueses satisfeitos - os accionistas que recebem dividendos e os administradores que recebem bónus - deve encher de orgulho o povo português. Nós, os que sofremos na pele as medidas de austeridade, estamos cá para isso mesmo. Não queremos ver os bancos pelas ruas da amargura. E se tudo falhar, se nada sobrar depois de transferidos todos os lucros e dividendos para off-shores, também estaremos cá para vos salvar, como aconteceu com o BPN. Não têm nada de agradecer, não fazemos mais do que a nossa obrigação.

 

       O desprezo pelos pobres ou brincar com as pessoas  - por Daniel Oliveira

  Entre as barbaridades que vão saindo de São Bento, há uma especialmente perturbante: a redução do subsídio de desemprego mínimo para 377 euros para beneficiários com agregado familiar e 300 euros para benificiários isolados. A medida afecta 150 mil desempregados. Isto sabendo que cerca de 300 mil desempregados inscritos nos centros de emprego não recebem qualquer prestação social. Junte-se os que já nem se inscrevem e percebemos a dimensão da catástrofe social: cerca de dois terços dos desempregados reais não têm meios de subsistência.

...



Publicado por Xa2 às 18:07 de 31.10.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De .País entregue a BANDIDOS e a carteis. a 2 de Novembro de 2012 às 09:47

Um país entregue a bandidos

(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

A ser verdade o que Daniel Deusdado escreve aqui*
[ http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2860309&opiniao=Daniel%20Deusdado ],
temos então o país a ser governado de facto pela tríade Miguel Relvas/António Borges/Dias Loureiro.

E sabemos que tudo o que se está a passar na sombra apenas será revelado daqui a alguns anos - ou nunca será.
Das privatizações às futuras concessões depois da refundação, tudo passará pelos dedos sujos desta gente.
Dos interesses angolanos às empresas da rede de amigos de Relvas, passando pelos confrades maçónicos
e pelos escritórios de advogados que estão a ganhar milhões com a emissão de pareceres e o acompanhamento dos negócios do Governo (pelo lado do Estado e pelo lado dos privados), nada escapará, e

no final teremos um Estado a ser alimentado por impostos altíssimos a servir apenas alguns
e a contribuir para o aprofundamento das desigualdades sociais e da pobreza.

Não, este Governo não morreu, este Governo está mais vivo do que nunca. Subestima-o quem acha o contrário.
Porque os bandidos não têm honra nem ética, e só saem do poder se forem apeados à força.
Enquanto isso não acontece, vão tratando da sua vida e da dos seus.
Com o alto patrocínio de sua excelência Cavaco Silva, o pai espiritual desta canalha.
------------

A fraude da TDT

(-por Sérgio Lavos, Arrastão)

Uma das maiores fraudes recentes e um excelente exemplo de como funcionam as coisas em Portugal foi denunciada por um investigador da Universidade do Minho.
O processo de implementação da TDT foi, na prática, a transformação de um serviço gratuito acessível a todos - os quatro canais em sinal aberto - num serviço a que apenas quem pagou teve acesso.
Quem ganhou mais?
A PT, que no final angariou mais 715 mil clientes para o serviço MEO, a maioria vivendo em regiões onde o sinal da TDT não chega.
Quem perdeu?
O país, claro, e sobretudo os mais pobres.
Basta comparar a TDT que temos com a que existe em Espanha e em Inglaterra - dezenas de canais são oferecidos gratuitamente nestes países.

Esta fraude mostra também como funciona o mercado "livre" em Portugal:
um regime que favorece a concentração monopolista e corporativa e no qual os reguladores são sequestrados por interesses mais ou menos obscuros favorecidos pelo Estado.

Foi assim na TDT, como é nos combustíveis, na energia, nas telecomunicações e na Internet.

No final, quem paga somos nós:
o preço dos combustíveis é dos mais elevados do mundo, antes e depois dos impostos,
os preços da electricidade também
e as telecomunicações e os serviços de Internet são dos mais caros e com pior qualidade da OCDE.
Estamos todos de parabéns.

(Claro que quem detém os quase-monopólios não gosta de ver os seus esquemas denunciados.
O investigador vai ser processado pela PT.)

tags: corrupção, crime organizado


De .o "Polvo Laranja" das negociatas crimin a 2 de Novembro de 2012 às 16:27
O POLVO LARANJA... e O CLAN DUARTE LIMA

Lá diz o povo, a verdade é como o azeite. Acaba sempre por vir à tona.

"O POLVO" E A "OPERAÇÃO FACE OCULTA" COM RABO DE FORA

1- A partir de 2008, aproveitando a crise nos Estados Unidos, que se estendeu rapidamente a toda a Europa, de imediato torna-se evidente que a operação "Face Oculta" foi redirecionada pela investigação e pelos Media para passar a visar principalmente Sócrates, ainda por cima a liderar um governo minoritário. Era preciso derrubar Sócrates e mudar de governo, porque havia gigantescos interesses em jogo e, em particular, o caso BPN prometia dar cabo do PSD.

2. Das fraudes do BPN ignora-se ainda hoje a maior parte.
Trata-se de uma torrente de lama inesgotável, que todos os nossos Media evitam tocar.

3. O agora falado caso IPO/Duarte Lima, de que Isaltino também foi uma peça fulcral, nem foi sequer abordado durante o Inquérito Parlamentar sobre o BPN , inquérito a que o PSD se opôs então com unhas e dentes, como é sabido.

A táctica então escolhida pelo polvo laranja, foi desencadear um inquérito parlamentar paralelo, para averiguar se Sócrates estava ou não a «asfixiar» a comunicação social ! Mais uma vez, uma produção de ruído para abafar o caso BPN e desviar as atenções.

4. Mas é interessante examinar como é que o negócio IPO/Lima foi por água abaixo.

5. Enquanto Lima filho, Raposo e Cia. criavam um fundo com dezenas de milhões, amigavelmente cedidos pelo BPN de Oliveira e Costa, Isaltino pressionava o governo para deslocar o IPO para uns terrenos de Barcarena, concelho de Oeiras. Isaltino comprometia-se a comprar os terrenos (aos Limas e Raposo, como sabemos hoje) com dinheiro da autarquia e a «cedê-los generosamente» ao Estado para lá construir o IPO.
Fazia muito jeito que fosse o município de Oeiras a comprar os terrenos e não o ministério da Saúde, porque assim o preço podia ser ajustado entre os amigos vendedores e compradores, quiçá com umas comissões a transferir para a Suíça.

6. Duarte Lima tinha sido vogal da comissão de ética (!) do IPO entre 2002 e 2005, estava bem dentro de todos os assuntos e tinha óptimas relações para propiciar o negócio. Além disso, construiu a imagem de homem que venceu o cancro, história lacrimosa com que apagava misérias anteriores. O filho e o companheiro do PSD Vítor Raposo eram os escolhidos para dar o nome, pois ao Lima pai não convinha que o seu nome figurasse como interessado no negócio.

7. Em Junho de 2007 Isaltino dizia ainda que as negociações para a compra dos terrenos em causa estavam "em fase de conclusão" (só não disse nunca foi a quem os ia comprar, claro). E pressionava o ministro da Saúde: "Se se der uma mudança de opinião do governo, o cancelamento do projecto não será da responsabilidade do município de Oeiras."

8. Como assim, "mudança de opinião do governo"?

9. Na verdade, Correia de Campos apenas dissera à Lusa que o governo encarava a transferência do IPO para fora da Praça de Espanha e que estava a procurar um terreno, em Lisboa ou fora da cidade, para esse efeito.
Nenhuma decisão tinha sido tomada, nem nunca o seria antes das eleições para a Câmara de Lisboa, que iam realizar-se pouco depois, em Julho de 2007.

10. No decorrer do ano de 2007, porém, a Câmara de Lisboa, cuja presidência foi conquistada por António Costa, anunciou que ia disponibilizar um terreno municipal para a construção do novo IPO no Parque da Bela Vista Sul, em Chelas, Lisboa. Foi assim que se lixou o projeto Lima-Isaltino: o ministro Correia de Campos não cedeu às pressões de Isaltino e a nova Câmara de Lisboa pretendia que o IPO se mantivesse em Lisboa. Com Santana à frente da autarquia e um ministro da Saúde do PSD teria tudo sido muito diferente. E os Limas e Raposos não teriam hoje as chatices que se sabe. E Duarte Lima até talvez já tivesse uma estátua no Parque dos Poetas do amigo Isaltino.

11. ...


De .. a 2 de Novembro de 2012 às 16:33

O POLVO LARANJA
...
...
11. Sabemos como, alguns meses depois deste desfecho, o ministro Correia de Campos foi atacado por Cavaco no discurso presidencial de Ano Novo, em 1 de Janeiro de 2008. Desgostado com as críticas malignas do vingativo Presidente, Correia de Campos pediu a sua demissão ainda nesse mês.

Não sabemos o que terá levado Cavaco a visar dessa maneira um ministro do governo Sócrates, por sinal um dos mais competentes.
Que Cavaco queria a pele de Correia de Campos, foi bem visível.
Ele foi a causa do fracasso do projecto do IPO/Oeiras e dos prejuízos causados ao clan do seu amigo Duarte Lima e ao polvo laranja (ª).
É bem possível que essa tenha sido a razão.

(ª) - é bom que se entenda que o polvo laranja tem o seu pai no Senhor Silva, hoje PR, o grande responsável pelo polvo e pela enormidade das desigualdades sociais existentes, que nos envergonham, que nunca falou sobre o BPN.
O lodo que envolve este senhor é bem maior !!!
Oxalá Portugal fosse uma França !!!

Este é apenas um dos muitos tentáculos deste monstruoso polvo que controla os sectores chave da alta finança, economia e, claro, a Comunicação social. Ele está lá!

Perceberam agora porque é que José Sócrates era um inimigo a abater e porque querem vender a privados a RTP e porque Cavaco, há ano e meio (ainda no governo de Sócrates) respondeu a um jornalista que os portugueses não suportavam mais austeridade
e com este governo, que não tem feito outra coisa a não ser aplicar austeridade sobre austeridade e está a minar os alicerces da democracia, que não respeita a Constituição, nada diz?

Também é certo que nenhum jornalista ainda o questionou sobre isso, mas seria muito oportuno que o mesmo jornalista ou outro, o fizesse.
Isto é uma democracia ou um governo de salazaristas travestidos de democratas?

MAS SE QUERES REVERTER ESTA SITUAÇÃO E VER A JUSTIÇA SENDO FEITA PELA FORÇA DOS CIDADÃOS, ENTÃO REPASSA PARA TODOS OS TEUS CONTACTOS SEM RECEIO DO QUE POSSAM VIR A PENSAR DE TI.

Ajuda-os a serem CIDADÃOS, despertando a sua consciência.

ISTO NÃO PODE CONTINUAR NAS GARRAS DO POLVO QUE TEM DE SER ESTRIPADO DE VEZ DA NOSSA SOCIEDADE!!!


De Agiotas e exploradores na UE. a 2 de Novembro de 2012 às 09:25
Há país explorador ou não?

Portugal e a Alemanha são países membros da UE, ditos de pleno direito. Com uma moeda comum, o euro.

Quem recolhe os benefícios desta situação?

Comparem-se as taxas de juro e logo as dúvidas desaparecem.

Na realidade, estes dois países membros não usufruem das mesmas condições no acesso ao crédito quando dele precisam.

Efectivamente um funciona como explorador e outro de explorado. É esta a realidade pura e dura.
Veja-se o exemplo do resgate.
Emprestam a Portugal 78 mil milhões de euros e de juros cobram uma maquia equivalente a cerca de metade. Insisto só de juros.

Etiquetas: Alemanha, comparação, Países membros, Portugal


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO