Esquerda europeia : Aliar e contra-atacar ultraliberalismo

    João Ferreira do Amaral arrasa política do governo    ( # por Raimundo Narciso)

Extratos da entrevista a Dinheiro Vivo    [texto completo da entrevista Dinheiro Vivo ou aqui]
     ...     Tem defendido que Portugal deveria sair de uma forma organizada do euro. Mas ninguém, nem os partidos mais à esquerda, parece defender isso. Vamos mesmo acabar por sair de uma forma atabalhoada?
     Há uma grande probabilidade de isso acontecer porque, olhando friamente para as condições em que Portugal está, não vejo como possa sustentar--se dentro da zona euro....
     ... Há vinte anos, quando começou o caminho para a moeda única, o nosso sector industrial pesava 24% do produto interno bruto (PIB). Hoje pesa 13 %, que é metade do que pesava em 1953, quando começou a haver contas nacionais. Nenhum país consegue prosperar e crescer assim, é impossível.
     ...     Nesta semana, a maioria aprovou o Orçamento e o governo convidou o PS a participar de forma ativa naquilo a que chamou refundação do acordo com a troika. São quatro mil milhões de cortes permanentes na despesa a efetuar em 2013 e 2014. Há alguma coisa que o Estado possa deixar de fazer? Ou cortar?
     O Estado faz hoje, em Portugal, o mesmo, e às vezes até menos, do que faz a generalidade dos Estados na União Europeia. Os Estados da  UE têm as funções de soberania, a segurança, a justiça, os negócios estrangeiros, etc. Depois têm as funções sociais, educação e saúde. Não gastamos mais, nem por sombras, do que se gasta por essa Europa fora. Pode-se, evidentemente, melhorar a eficiência e reduzir as despesas para obter o mesmo resultado, mas não creio que isso sejam quatro mil milhões de euros. Creio, sim, que isso é um absurdo e é preciso ver como é que surgem esses quatro mil milhões de euros. Penso que aí o Partido Socialista tem razão: isto resulta em grande parte da estratégia seguida de provocar uma grande recessão.
   ... Ouvi que já estariam três mil e quinhentos milhões de euros destinados a ser cortados nas funções sociais, mas não nos esqueçamos de que a Segurança Social estava equilibrada. Só se desequilibrou este ano devido justamente à recessão. Esta estratégia não tem futuro nenhum. Se estamos agora a cortar quatro mil milhões, daqui a dois anos estamos a cortar seis mil milhões. Isto vai ser uma bola de neve que nunca mais acabará. Não faz sentido.
     Voltando ao início desta entrevista, e ao início também da sua história... Esteve em 1977 com o FMI, esteve em 1983 com o FMI, tem olhado de fora para o trabalho do Fundo. Este FMI é menos esclarecido? São tecnocratas de quinta ou sétima linha, como disse Fernando Ulrich?
     Não sei o que é a responsabilidade do governo ou do FMI na forma como o memorando foi delineado. Agora que estes programas não fazem sentido nenhum, não fazem. Para mim, pior ainda é a Comissão Europeia, que se tornou numa espécie de capataz da Alemanha em conflito com os países mais débeis, quando não era nada disso que a Comissão Europeia fazia no passado.
 
  O centro da Europa     (-por Miguel Cardina)
 Lisboa vai estar no centro da Europa. E não só por causa da visita da Merkel na próxima segunda-feira. Alexis Tsipras (Syrisa), Jean-Luc Mélenchon (Front de Gauche), Gabriele Zimmer (Die Linke), Cayo Lara (Izquierda Unida), Francisco Louçã, Marisa Matias e Alda Sousa (Bloco de Esquerda) vão estar esta sexta em Lisboa num comício inédito. A esquerda europeia contra-ataca. Estão todos/as convidados/as.


Publicado por Xa2 às 07:57 de 07.11.12 | link do post | comentar |

3 comentários:
De .. a 7 de Novembro de 2012 às 14:33
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Até tu Freitas?

«O fundador do CDS disse ontem que “o PS fez muito bem em recusar” qualquer diálogo sobre a refundação do Estado Social e criticou os centristas.» [CM]
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Vichy (República Francesa colaboracionista dos NAZIs)

«Curioso governo este que queria acabar com as fundações e propõe agora uma “refundação”. Eis algumas reacções.

Pergunta Adriano Moreira: como pode o primeiro-ministro de um País com "estatuto de protetorado" lançar esta questão sem esclarecer o que realmente quer dizer. Mário Soares afirma: Passos Coelho "não tem sentido de pátria". O deputado Ribeiro e Castro implora: qualquer reforma do Estado tem de ser "feita por nós". Paulo Trigo Pereira do ISEG explica: "demotroikacia" é quando primeiro se urdem os estratagemas com as forças estrangeiras e só depois se informa o país.

Esta é uma nação com soberania a meia-haste. Como pode um governo confortável com a situação de protetorado ser considerado patriota?

Este governo converteu o país numa república de Vichy. Assume-se como uma administração delegada de forças poderosas e actua como cúmplice dos interesses locais de sempre. É esta administração que, para nos distrair do debate do Orçamento do Estado, fala em desactivar a dimensão social do Estado.

Numa economia em falência parcial o executivo chama de fora mais ‘advisors' para aprofundar a adversidade, constitucionalizar a austeridade e desproteger a sociedade da injustiça económica. E nesta conjuntura um Presidente, que se fez eleger como economista mas que assiste à duplicação do peso da dívida pública no PIB durante o seu consolado, insiste em não nos servir de nada: nem económica nem politicamente.

A estes agentes é preciso oferecer resistência. A resistência tem de passar por uma melhor coordenação nas barricadas da verdadeira democracia. Sim: a rua é uma das barricadas, mas não é a única. A imprensa livre e de qualidade também o é, apesar da crise do sector. Mas o parlamento é a primeira barreira contra os excessos de quem manipula o poder, apesar destes quererem afundar à força os melhores legados da democracia. Este ainda é o país da revolta de 1383-1385 e da insurgência perante o Ultimato de 1890. E Vichy nem 5 anos durou. Colaboracionismo não!»

[DE] Sandro Mendonça.


De Colaboracionismo pró NAZI e Ditadura. a 7 de Novembro de 2012 às 14:30
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Ditadura sem golpe de estado

Manuela Ferreira Leite voltou a ser notícia graças à sua tese da ditadura útil, a economista defendeu e voltou agora a defender que por causa dos interesses corporativos as reformas só são viáveis em ditadura. O perigo desta tese está nos pressupostos perigosos que encerra, faz pensar que as ditaduras surgem para enfrentar grupos corporativos poderosos e que as reformas só são impossíveis por causa dos grupos corporativos.

A história mostra que nem há ditaduras por seis meses, nem estas costumam enfrentar grupos corporativos e os grandes BENEFICIÀRIOS das DITADURAS são precisamente grupos corporativos. Aliás, Portugal até viveu décadas sob uma ditadura que designava o regime económico, social e político imposto aos cidadãos precisamente por CORPORATIVISMO. Não deixa de ser irónico que alguém que viveu metade da sua vida no corporativismos venha agora defender que para enfrentar os grupos corporativos daria jeito uma ditadura.
.... (-por OJumento, 6.11.2012))
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Estado de Guerra
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«1.“Não se pode pedir mais a este povo que já deu tudo o que tinha a dar” – disse o presidente grego, no discurso do dia nacional da Grécia, país onde nem as escolas funcionam por falta de aquecimento. No entanto, dias depois, foi imposto o centésimo pacote de austeridade ao povo grego. “E continuam vivos” – os gregos – disse por cá o presidente de um banco, ao fundamentar que os portugueses ainda “aguentam” muito mais privações...
... estratégia de domínio político, económico e financeiro da potência que, de novo, domina a Europa – a Alemanha. E o empobrecimento dos povos europeus, segundo os seus ideólogos e defensores, ainda está no começo. Como ontem informou a chanceler alemã, num congresso regional do seu partido, a Europa será sujeita a “mais austeridade nos próximos 5 anos”. Por cá, o nosso primeiro-ministro, uma espécie de duquesa de Mântua da senhora Merkel, não se fez rogado: chamou, em segredo, os “técnicos” do FMI, especialistas em empobrecimento, para “refundarem” o Estado, ou seja, destruir tudo o que for possível destruir na Saúde, Educação e na Segurança Social, pelo menos. O objectivo é, como revelou o desbocado Van Zeller, numa entrevista televisiva, nos próximos anos privatizar tudo, a começar pelos hospitais públicos e pela segurança social. ...
(-por Tomás Vasques)
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Naufragar com Gaspar (' o salazarzinho')
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Em 1933, em plena Grande Depressão, o economista americano Irving Fisher escreveu que, quando existe um elevado ‘stock' de dívida, quanto mais se tenta reduzir os níveis de endividamento mais acaba por se dever. E o ajustamento acaba por não se fazer pela poupança, mas pelas falências. O que está a acontecer em Portugal é a confirmação desta tese.

Em nome da poupança, a austeridade de Vítor Gaspar não só não está a reduzir o endividamento do Estado, como está a empurrar as famílias e as empresas para a falência. Este processo - que o Orçamento de 2013 irá agravar - tem um impacto negativo no balanço dos bancos, que são forçados a reforçar o seu capital efectuando cortes ainda maiores na concessão de crédito o que leva ao agravamento da recessão; e/ou a recorrer a fundos públicos para recapitalização, o que agrava o endividamento do Estado. Se olharmos para a economia portuguesa como um sistema integrado, a conclusão torna-se evidente: este processo é insustentável. Estamos num ciclo vicioso que só pode resultar na falência generalizada de toda a economia portuguesa. Ao contrário do que pretende Gaspar, este, sim, é caminho do incumprimento.
... (-por João Galamba)


De Izanagi a 7 de Novembro de 2012 às 10:50
O que é que Ferreira do Amaral disse que dezenas de “iluminados” não tenham dito antes? “Iluminados” que tiveram responsabilidades neste processo de falência do país. E ele, tem também a sua quota-parte, enquanto professor universitário que deveria ter denunciado a fraca qualidade dos cursos em benefício dos interesses dos “professores”.
Também e á semelhança dos demais “iluminados” diz banalidades. O que ele deveria apontar eram medidas concretas de produção de riqueza, mas de produção em Portugal e não em produtos que importamos. E já nem digo que ele deveria dar o exemplo, criando empresas que produzissem riqueza. Aí sim, é que daria um bom contributo ao país. Agora, mais demagogia… o país não precisa.
A crise não se resolve, cavando mais o buraco e a solução por ele apresentada, da saída do euro, para o escudo, seria o passo que nos fazia cair do precipício.
Para quem tiver um razoável pé-de-meia depositado fora de Portugal, a saída do euro, era um bom negócio. Não sei se será o caso


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