De .Caridade vs Dignidade. a 17 de Dezembro de 2012 às 14:34
Afirma Pereira

Não deixem de ver as duas intervenções iniciais de Pacheco Pereira, intercaladas pelas de Lobo Xavier e António Costa, sobre as recentes declarações de Isabel Jonet (e o «referencial moral» de fundo que as enquadra), na mais recente edição da Quadratura do Círculo.
Está lá tudo. E leiam também este post no Abrupto (( http://abrupto.blogspot.pt/2012/12/coisas-da-sabado-caridade-e.html ) a que cheguei através do Sérgio Lavos), que de algum modo sistematiza essas intervenções.

Para além de sublinhar de modo certeiro a relação difícil que a caridade mantém, necessariamente, com a questão da dignidade (em grau tanto maior quanto mais «envergonhada» é a pobreza),
e de estabelecer com particular clareza as diferenças entre a responsabilidade intrínseca do Estado pela protecção social (fundada em direitos e reclamada pelas sociedades modernas)
e o voluntarismo caritativo incerto e difuso (dependente de empatias e vontades), há uma passagem que vale igualmente a pena reter.

É quando Pacheco Pereira desconstrói umas das ideias fraudulentas que mais contaminou a opinião pública nos últimos anos:
a ideia de que se andou no regabofe do endividamento, a viver inconscientemente acima das possibilidades.

A esse propósito, Pacheco recorda que as decisões de recurso ao crédito foram, na larga maioria das situações, «decisões puramente racionais»
(como demonstra a aquisição de casa própria, «numa altura em que não havia outro tipo de mercado, (...) numa altura em que [as pessoas] tinham rendimentos que lhes permitiam comprar casas»).

Bastará lembrar, de facto, que entre 1999 e 2009, cerca de 80% do crédito bancário se destinou à aquisição de habitação própria, num tempo em que as expectativas de manter o emprego não previam, obviamente, nem os efeitos devastadores da crise financeira nem a estupidez criminosa da terapia austeritária.

(-por Nuno Serra , Ladrões de B.)
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