Avé ... morituri te salutant *

   ( Fora !)  daqui 

* Viva ... os que vão morrer te saúdam *

      O capitalismo mata.    (-por C. Guedes)

Mata de repente. Quando a Amaya Egaña decide pôr termo à vida no momento em que está prestes a perder a casa em que vivia.

Mata lentamente. De cada vez que nos esmaga as expectativas. De cada vez que perdemos o emprego. De cada vez que nos rouba o sonho.

Mata por afogamento. Sempre que o silêncio toma o lugar do grito de revolta que fica abafado na garganta.

Mata à machadada. De cada vez que vemos nos olhos de uma criança o espelho de uma miséria que parece regressada de um passado que julgávamos distante e enterrado.

Mata por estrangulamento. Quando vemos, na farmácia, aquele homem com ar envergonhado a deitar contas à vida, à fome e à doença, enquanto decide qual dos dois medicamentos prescritos vai poder levar para casa.

Mata à facada. Quando nos faz sofrer por uma dívida que não é nossa e nos desvia o dinheiro dos salários, dos subsídios, das pensões e das reformas, dos hospitais, das escolas e, porra, dos teatros e de tudo o que é cultura para o ir deixar no colo do banqueiro agiota.

O capitalismo mata. Já se sabe. É da sua natureza.

É da minha combatê-lo. Até ao dia em que consigamos espetar-lhe um tiro nos cornos.

Ou até morrer.

          ( para a Amaya e para quem o quiser. E para a minha mãe. )



Publicado por Xa2 às 08:34 de 12.11.12 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Ingratidão Alemã. a 19 de Novembro de 2012 às 16:16
ALEMANHA
factos:
Em 1953, há menos de 60 anos - apenas uma geração - a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país.

Tal e qual como a Grécia, actualmente.A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em Wall Street.
O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.

Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós-guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953.
O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.

O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia.

As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial.
Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas.

Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida (!).

Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em que se encontrava.
Ora, os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros.

Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas do exército alemão de ocupação.
As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome).
Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.

Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas financeiros da Grécia?

Segundo esta, a Grécia devia considerar vender terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.

Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel.
Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota!!
"Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus credores", disseram ao jornal "Bild".

Depois disso, surgiu no seio do executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar permanentemente as contas gregas em Atenas.

O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante. "No século xx, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória", afirmou.

"Foi apenas graças aos EUA, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch.

a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas.

A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade económica a outros países.
Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente.


De Estou farto deles... a 14 de Novembro de 2012 às 14:40
O que mata é a estupidez.
E não tem cura!


De Europa federal e + autosuficiente. a 12 de Novembro de 2012 às 10:39

Das Alternativas ao Preço Alemão da Austeridade...

Angela Merkel deu uma entrevista à RTP que foi transmitida domingo, na véspera oficial da sua visita aos governantes portugueses. Para além dos destaques que foram sendo comentados, o mais interessante e simultaneamente doloroso foi ter comprovado o maior de todos os receios, isto é, que,
de facto!, a liderança europeia tem como única preocupação, em termos de economia política, o facto de, nas palavras da própria Chanceler: "90% do crescimento internacional acontecer fora da Europa".

A afirmação nada teria de espantoso nem sequer de assustador, não fosse a leitura que a própria faz do fenómeno:
"temos que ter produtos competitivos (...) temos que vender à China, à Índia e à Indonésia (...)"... parece óbvio? Sim, parece!...
à luz da empobrecida e desumana lógica do capitalismo ultra-liberal, parece...
porém, o significado da afirmação implica consequências tão gravosas para a vida dos cidadãos europeus que, sobre ela, urge a prioridade de toda a reflexão política.
Na verdade, o que a constatação implica, designadamente no contexto do seu reconhecimento pela sra. Merkel e após a sua sentença de indisponibilidade para renegociar a "dívida" (ou, dito de outro modo, os termos do famigerado Memorandum), é que
a austeridade que a Alemanha impõe à Europa age conscientemente no sentido do empobrecimento social até obter mão-de-obra tão barata quanto for preciso para... se poder competir com preços chineses, indianos e indonésios!...

O preço que a Alemanha está disposta a pagar para competir com os mercados emergentes é a dignidade da vida dos cidadãos europeus!... e é isto -tão só e apenas isto!- o que está em causa!...

Quando seria muito mais fácil, digno e justo optar por uma lógica de produção no espaço comum europeu vocacionada para o seu (imenso!) mercado interno e cujo remanescente específico pudesse, a título de acréscimo, exportar o que de singular soubessemos produzir...
Quer dizer, se em vez de continuarmos a abastecer os mercados europeus com alimentos e bens de 1ª e 2ª necessidade importados,
os produzissemos, a Europa libertar-se-ia do jugo da dependência de um jogo gratuito centrado na lógica de
uma globalização fundada na circulação de bens que mais não é do que a margem de manobra dos especuladores que vivem da manipulação das exportações...

enfim! Assim se demonstra que a "crise" não é, objectivamente!, um problema inevitável e sem solução mas, isso sim,
uma realidade que hipoteca a vida das pessoas, ao invés de optar por um modelo económico que garanta a autonomia e a sustentabilidade da Europa...

consequentemente, a raiz e a solução do problema têm uma natureza essencialmente ideológica!... e é esta incontornável realidade que está nas mãos dos políticos que temos... o que podemos esperar?

Aquilo que, com esta consciência, formos capazes de fazer, ultrapassando os obsoletos modus operandi da praxis político-partidária a que os seus protagonistas se habituaram e nos habituaram,
em nome da defesa dos seus "feudos"...

(-por Ana Paula Fitas , ANossaCandeia, 12/11/2012)


De .Dignidade. a 12 de Novembro de 2012 às 10:48

Do protagonismo de Angela Merkel...

[[ Ângela/ austeridade ? Nein Danke / Não Obrigad..]]

A Chanceler Angela Merkel protagoniza o rumo da política europeia contemporânea e é esse o único motivo pelo qual as pessoas a referem criticamente!...
porque, tal como a realidade evidencia, os povos dos países que integram o espaço comum europeu não têm condições objectivas para resistir ao impacto social das medidas financeiras adoptadas em nome de resgates que os tornam, cada vez mais, reféns! ...

As sociedades europeias precisam de medidas que incentivem efectivamente o crescimento económico e promovam o emprego; contudo, toda a lógica da designada "austeridade" mais não faz do que agravar as condições que destituíram os cidadãos do direito a uma vida digna...

o caso da mulher que, em Espanha, se suicidou minutos antes de ser "despejada" (por não conseguir cumprir as exigências da respetiva hipoteca bancária) é paradigmático e, ao que parece, a sociedade espanhola fez Rajoy perceber a extrema gravidade do que está a acontecer...
é isso que, no mínimo, se exige à política financeira: que compreenda e reveja os procedimentos que exige aos cidadãos (porque os Países e os Estados são, essencialmente, Pessoas!)
de modo a viabilizar o desenvolvimento... e a proteger a vida!

(-por Ana Paula Fitas em11/11/2012)
Etiquetas:
Direitos Humanos; Política; Economia; Sociedade;


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