De Europa federal e + autosuficiente. a 12 de Novembro de 2012 às 10:39

Das Alternativas ao Preço Alemão da Austeridade...

Angela Merkel deu uma entrevista à RTP que foi transmitida domingo, na véspera oficial da sua visita aos governantes portugueses. Para além dos destaques que foram sendo comentados, o mais interessante e simultaneamente doloroso foi ter comprovado o maior de todos os receios, isto é, que,
de facto!, a liderança europeia tem como única preocupação, em termos de economia política, o facto de, nas palavras da própria Chanceler: "90% do crescimento internacional acontecer fora da Europa".

A afirmação nada teria de espantoso nem sequer de assustador, não fosse a leitura que a própria faz do fenómeno:
"temos que ter produtos competitivos (...) temos que vender à China, à Índia e à Indonésia (...)"... parece óbvio? Sim, parece!...
à luz da empobrecida e desumana lógica do capitalismo ultra-liberal, parece...
porém, o significado da afirmação implica consequências tão gravosas para a vida dos cidadãos europeus que, sobre ela, urge a prioridade de toda a reflexão política.
Na verdade, o que a constatação implica, designadamente no contexto do seu reconhecimento pela sra. Merkel e após a sua sentença de indisponibilidade para renegociar a "dívida" (ou, dito de outro modo, os termos do famigerado Memorandum), é que
a austeridade que a Alemanha impõe à Europa age conscientemente no sentido do empobrecimento social até obter mão-de-obra tão barata quanto for preciso para... se poder competir com preços chineses, indianos e indonésios!...

O preço que a Alemanha está disposta a pagar para competir com os mercados emergentes é a dignidade da vida dos cidadãos europeus!... e é isto -tão só e apenas isto!- o que está em causa!...

Quando seria muito mais fácil, digno e justo optar por uma lógica de produção no espaço comum europeu vocacionada para o seu (imenso!) mercado interno e cujo remanescente específico pudesse, a título de acréscimo, exportar o que de singular soubessemos produzir...
Quer dizer, se em vez de continuarmos a abastecer os mercados europeus com alimentos e bens de 1ª e 2ª necessidade importados,
os produzissemos, a Europa libertar-se-ia do jugo da dependência de um jogo gratuito centrado na lógica de
uma globalização fundada na circulação de bens que mais não é do que a margem de manobra dos especuladores que vivem da manipulação das exportações...

enfim! Assim se demonstra que a "crise" não é, objectivamente!, um problema inevitável e sem solução mas, isso sim,
uma realidade que hipoteca a vida das pessoas, ao invés de optar por um modelo económico que garanta a autonomia e a sustentabilidade da Europa...

consequentemente, a raiz e a solução do problema têm uma natureza essencialmente ideológica!... e é esta incontornável realidade que está nas mãos dos políticos que temos... o que podemos esperar?

Aquilo que, com esta consciência, formos capazes de fazer, ultrapassando os obsoletos modus operandi da praxis político-partidária a que os seus protagonistas se habituaram e nos habituaram,
em nome da defesa dos seus "feudos"...

(-por Ana Paula Fitas , ANossaCandeia, 12/11/2012)


De .Dignidade. a 12 de Novembro de 2012 às 10:48

Do protagonismo de Angela Merkel...

[[ Ângela/ austeridade ? Nein Danke / Não Obrigad..]]

A Chanceler Angela Merkel protagoniza o rumo da política europeia contemporânea e é esse o único motivo pelo qual as pessoas a referem criticamente!...
porque, tal como a realidade evidencia, os povos dos países que integram o espaço comum europeu não têm condições objectivas para resistir ao impacto social das medidas financeiras adoptadas em nome de resgates que os tornam, cada vez mais, reféns! ...

As sociedades europeias precisam de medidas que incentivem efectivamente o crescimento económico e promovam o emprego; contudo, toda a lógica da designada "austeridade" mais não faz do que agravar as condições que destituíram os cidadãos do direito a uma vida digna...

o caso da mulher que, em Espanha, se suicidou minutos antes de ser "despejada" (por não conseguir cumprir as exigências da respetiva hipoteca bancária) é paradigmático e, ao que parece, a sociedade espanhola fez Rajoy perceber a extrema gravidade do que está a acontecer...
é isso que, no mínimo, se exige à política financeira: que compreenda e reveja os procedimentos que exige aos cidadãos (porque os Países e os Estados são, essencialmente, Pessoas!)
de modo a viabilizar o desenvolvimento... e a proteger a vida!

(-por Ana Paula Fitas em11/11/2012)
Etiquetas:
Direitos Humanos; Política; Economia; Sociedade;


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