De .Violência, Medo ... Estado Repressor. a 15 de Novembro de 2012 às 10:05

Violências
(nas Manifs,: cidadãos indignados mas pacíficos, vs. provocadores, infiltrados, polícias 'cegos', ...)

A violência de 10 ou 20 pessoas na manifestação (de 14 Nov.2012)
- estar uma hora a atirar pedras e garrafas é estúpido, desnecessário e contraproducente -
não deve desculpar a extrema violência da polícia, agindo em matilha contra manifestantes pacíficos -
a esmagadora maioria dos que se encontravam à frente da Assembleia.
Agredir grávidas, mulheres e velhos não é "manter o estado de direito".
É provocar o medo nos manifestantes de hoje e temor nas pessoas que poderão aparecer em futuros protestos.
E tudo indica que o aumento anunciado ontem nos ordenados terá tudo a ver com esta mudança de atitude das forças policiais.
Ficamos esclarecidos:
a polícia existe para defender o Estado repressor, não os cidadãos que é suposto proteger.

O relato de quem presenciou mais este acto de violência de Estado (encontrado no Facebook de Luís Varatojo):

"AQUILO QUE HOJE SE PASSOU, DO PONTO DE VISTA DE UM MANIFESTANTE PACÍFICO:

Para que não vinguem as mentiras da Administração Internas aqui têm o meu relato do que realmente se passou em frente à assembleia.

Sim, é verdade que cerca de 20 a 30 pessoas passaram mais de uma hora a atirar petardos, pedras e garrafas à polícia.
Por essa razão, os outros 99% de CIDADÃOS PACÍFICOS mantiveram a devida distância, para nem serem confundidos nem fazerem parte da acção de alguns animais.
A certa altura, as pessoas perceberam que algo se estava a passar. Demasiadas movimentações de polícia na Assembleia demasiado organizadas.
Cá em baixo, numa das laterais um grupo de polícia à paisana abandona rapidamente a manifestação. Mais tarde, as televisões diriam que as pessoas foram avisadas para dispersar.
Cá de baixo, posso-vos dar uma certeza, nenhuma pessoa com uma audição normal ouviu um único aviso.

A polícia disparou cerca de 4 a 6 petardos pela manifestação e carregou.
Como estávamos todos bem afastados, os CIDADÃOS PACÍFICOS não fugiram.
Mas quando vi um pai a fugir com o filho no colo e a levar bastonadas percebi que quem estava atrás das viseiras já não eram pessoas.

Fugimos, mas por mais rápidos que tentássemos ser, eram pessoas a mais para conseguirem ser mais rápidas que a polícia.
Felizmente não recebi carga, infelizmente porque atrás de mim tinha um escudo humano a tentar fugir.
Ao meu lado, um senhor tentava fugir com a mulher de cerca de 50 anos, que chorava com a cara cheia de sangue.
Não, esta senhora não levou com pedras dos manifestantes. Esta senhora estava cá atrás. Esta senhora levou com um cassetete.

Fugimos para uma rua afastada, onde pensávamos estar todos seguros e mostrar à polícia que não queríamos estar na confusão, nós os CIDADÃOS PACÍFICOS.
Nada nos valeu, pois a polícia perseguiu as pessoas pelas várias ruas em redor da Assembleia, carregando em todos.
O que me safou foi uma porta aberta de um prédio, onde me refugiei com mais 8 CIDADÃOS, incluindo jornalistas da Lusa.
O que lá fora se passava era incrível.
Uma senhora de idade que chegava a casa tentava entrar no seu prédio mas a polícia gritava-lhe para que descesse a rua.
Só mais de 30 minutos depois conseguimos sair e o que mais me impressionou foi a quantidade de sangue que havia pelos passeios, bem longe da Assembleia.

NÃO ACREDITEM EM MENTIRAS.
ERA POSSÍVEL NÃO TER PERSEGUIDOS CIDADÃOS PACÍFICOS QUE FUGIAM POR RUAS AFASTADAS MAIS DE 200 METROS DA ASSEMBLEIA.

Mesmo quando estava “barricado” no prédio, mesmo com a porta fechada tive, pela primeira vez, muito medo da polícia.

O que sinto agora não é nem raiva, nem revolta.
É um vergonha enorme e uma imensa e profunda TRISTEZA.

É assim que se tira a vontade ao povo civilizado de se manifestar.
Tira-se-lhe a esperança."

tags: crise, repressão policial
(-por Sérgio Lavos, Ladrões de B.)


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres