1 comentário:
De .Somos Todos Arguidos !. a 27 de Novembro de 2012 às 14:44
Somos todos arguidos
(-por Tiago Mota Saraiva, 5Dias.net , 24/11/2012)
(imagem daqui)

Há mais de um mês a Mariana Avelãs recebeu a visita da polícia.
Vinham notificá-la para comparecer na esquadra no âmbito de uma “manifestação ilegal” alegadamente realizada no momento em que a manifestação “Que se lixe a troika!” era anunciada à imprensa.

Na esquadra, foi informada que a conferência de imprensa se tratava de uma manifestação ilegal pelo facto de ter sido aberto um pano na qual se podia ler uma mensagem política.
Foi constituída arguida com termo de identidade e residência.
Ontem, várias pessoas entre as quais me incluo divulgaram publicamente o caso através deste texto, que deu origem a uma onda de solidariedade e inúmeras notícias na comunicação social.
Ao final da tarde, a Mariana foi informada por um jornalista que o seu processo teria sido, até ver, arquivado.
Podemos cantar vitória? Não. Bem pelo contrário.

A constituição de arguido está a ser usada como uma arma de arremesso político para limitar o direito ao protesto e à manifestação – e o caso da Mariana deixa-o muito claro.
O termo de identidade e residência permitia o controlo de uma activista ainda que o governo
(sim, responsabilizo o governo e não a polícia!) soubesse que não tinha nenhuma hipótese de ganhar o caso.

Enquanto a Mariana esteve sozinha e poucos sabiam, essa era uma forma de coagi-la, mantendo-a sob pressão.
A partir do momento em que o caso saltou para os jornais, toca de varrer o lixo para debaixo do tapete.

O problema é que este não é um caso isolado. Ontem, um sindicalista da CGTP, comentava no facebook que já tinha tido 30 processos a decorrer ao mesmo tempo e que, actualmente, tinha três termos de identidade e residência.
Ou seja, ao mesmo tempo que Macedo elogia publicamente a CGTP, procura coagir e limitar a acção dos seus sindicalistas.

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Debaixo da calçada não estava a praia
(- por Tiago Mota Saraiva, i , 24/11/2012)

Muito se tem escrito sobre o telegénico apedrejamento da polícia, a sua não intervenção durante duas horas e a forma indiscriminada como carregou. Neste texto não me interessa convencer o leitor da bondade de uns e outros mas sim alertar para o que se lhe seguiu.
No mesmo dia foram feitas dezenas de detenções. A 2 km de S. Bento, polícias à paisana detiveram jovens quem ia a passar na rua – alguns declaram não ter estado na manifestação. Aos detidos foi negado o direito de contactar a família e às famílias informação sobre os seus paradeiros. Para serem libertados vários dos detidos alegam ter sido coagidos a assinar um auto com a acusação em branco. Os relatos que começam a chegar das esquadras falam em agressões, humilhações e, pasme-se, revistas às partes íntimas.
Nos dias imediatamente a seguir, fonte do comando policial soprava para os jornais que estariam a poucas horas de realizar mais 30 detenções de perigosos extremistas ainda que começassem a circular imagens de uns quantos apedrejadores encapuzados particularmente familiarizados com o corpo de intervenção. Entretanto a televisão pública de Relvas decidia fornecer não se sabe bem a quem todas as horas de filmagens das várias câmaras que tinha no local.
Mas este soar das campainhas de um estado policial não é novo. Veja-se o caso de três dos activistas envolvidos na organização da pacífica manifestação de 15 de Setembro que, durante o decorrer deste ano, já foram constituídos arguidos – um por fazer uma pintura mural, outro por distribuição de panfletos, outro por ter sido identificado na conferência de imprensa que anunciava a manifestação que o agente terá considerado como um acto político não autorizado.
Por vários motivos Portugal está a ficar um país perigoso. Para que se consiga continuar a respirar em democracia é fundamental que não tenhamos medo de nos continuar a manifestar.


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