De .2013- Merda de desgovernação. a 3 de Janeiro de 2013 às 11:08
"2013 será o ano da inversão económica" - Pedro Passos Coelho, em Agosto passado, na festa do Pontal (-por Sérgio Lavos, Arrastão, 2/1/2013)

Sob os auspícios de Sua Excelência o Presidente da República, entramos em 2013 com um Orçamento aprovado, porém provavelmente inconstitucional, depois do pior Natal para o comércio desde há muitos anos, com quebras entre os 25 e os 40%,
quebras essas que se vão reflectir na previsível falência de muitos estabelecimentos e na cada vez maior dificuldade em pagar a fornecedores e funcionários para aqueles que ainda vão conseguindo aguentar a crise provocada pelas políticas do Governo PSD/CDS.

Janeiro é o mês mais cruel para milhares de empresas (retalho, grossistas, produtores e fábricas) que dependem do pico de vendas do Natal para equilibrar as suas contas, e quando virmos os números de falências durante este mês, perceberemos porquê.
Claro que para os portugueses que trabalham nestas empresas e que estão durante estes dias a receber, por carta, telefonema ou SMS, o aviso de despedimento, Janeiro vai representar uma oportunidade para mudar de vida.
É certo que, num país onde os bancos distribuem dividendos à conta dos lucros obtidos com os juros pagos pelo Estado português mas não emprestam dinheiro a empresas, dificilmente se poderá seguir o conselho dos governantes e começar um negócio.
O empreendedorismo é uma coisa bonita e uma saída, mas nunca neste momento em Portugal.
Sem crédito e com os impostos elevados, apenas os loucos poderão ter vontade de seguir esse caminho. Emigrar é sempre uma opção e, lá está, uma oportunidade.
Deixar mulheres e filhos em casa e partir para outras paragens.
Para que serve uma licenciatura tirada em Portugal? (agora até o irmão Brasil suspendeu o reconhecimento dos nossos engenheiros ! tb com o exemplo de licenciatura Relvas...)
Para trabalhar num hotel suíço, a mudar a roupa das camas ou a carregar malas, ou num lar de idosos na Grã-Bretanha. Para trabalhar num café alemão ou nas obras, no Canadá. É assim a vida.

Não somos a Grécia - mas como eles temos o défice externo quase equilibrado. É verdade que o ritmo de crescimento das exportações travou a fundo.
Mas ainda assim, com as exportações a cair - e, recorde-se, se há mérito no bom desempenho das exportações não é do Governo, mas dos privados, que souberam encontrar mercados para escoar os seus produtos -, celebramos a redução do défice externo. Como a Grécia.
E como Portugal de 1943. Sim, não somos a Grécia. Nem o Portugal de há setenta anos. Mas certamente estamos a ficar mais próximos.

Importamos menos porque as famílias deixaram de ter rendimento para consumir.
Há quem veja neste facto algo de positivo, mas basta pensar um pouco: não é assim que funciona o capitalismo? Sem consumo, não há sociedade capitalista que possa continuar a existir.
Ou quererá o Governo ter um consumo interno semelhante à saudosa Checoslováquia nos anos 70 ?
A balança comercial nesse momento será positiva.
Teremos fila para o pão e para o leite, fome generalizada, mas pelo menos exportamos mais do que importamos. Um sonho.

Sua Excelência o Presidente da República acha que a austeridade provocou uma espiral recessiva.
Os apoiantes do Governo dizem que não. Havia um ministro de Saddam Hussein que, com o exército americano em Bagdad, garantia que as tropas iraquianas estavam prestes a vencer a guerra.
O nosso Governo, o triste bando de deputados que o apoia e que votou a favor de um OE inexequível e criminoso e a cáfila que continua a dizer que os resultados da política governativa são brilhantes e que Gaspar é personalidade do ano, um santo a que apenas a História fará justiça, serão rapidamente uma vírgula na democracia portuguesa - foi isso que Cavaco Silva disse ontem, no seu bipolar discurso de fim de ano.
Certo é que a saída desta gente já está a ser preparada.
O Dr. relvas fortalece os laços com os seus amigos brasileiros e angolanos, Gaspar tem um lugar assegurado numa qualquer instituição internacional e Passos Coelho sabe que terá sempre os braços de Ângelo Correia à sua espera.
Tudo está tem quando acaba bem. 2013 será o ano da inversão económica.


De .Empréstimo/j é ROUBO aos contribuintes. a 3 de Janeiro de 2013 às 11:23
A caridade para os banqueiros como desígnio nacional
(por Sérgio Lavos)

O novo ano também trouxe excelentes notícias para o contribuinte português.
Não só passaremos a contibuir ainda mais para o grande desígnio nacional de Passos Coelho - mal podemos esperar pelo final do mês - como também tudo indica que iremos ser donos de mais um banco privado.
O BANIF está dificuldades - coitados dos accionistas que não receberam este ano os dividendos a que tinham direito - e portanto iremos dar uma ajudinha no valor de 1100 milhões de euros.
Mentes mal intencionadas poderiam sugerir que 1100 milhões de euros é cerca de um quarto do corte previsto no Estado Social, mas tais criaturas não estão a ver bem as coisas:
só alguém sem coração poderá negar o contributo que o BANIF - e antes dele, o BPN, o BPP, etc. - deu para a riqueza nacional.
A esmola de 1100 milhões é caridade, no bom sentido, na acepção de São Paulo: a caridade é amor, como muito bem explicou a piedosa Dona Jonet. E todos os homens de boa vontade deverão sentir amor ao contribuir com parte das suas poupanças para a salvação destes bancos.
Os bancos são um dos instrumentos de Deus na Terra, e os banqueiros, ao contrário do que alguns querem fazer crer (algo que tem a ver com agulhas e camelos), só podem ter um lugar assegurado no Reino dos Céus.
Veja-se por exemplo o sentido de entrega, de cidadania, de dedicação, do ilustre Ricardo Salgado, que voluntariamente se prestou a ir ao DCIAP (na sua qualidade de cidadão) testemunhar sobre o que "fosse considerado necessário pelas autoridades com vista ao cabal esclarecimento dos factos". Quantos, de entre nós, poderão orgulhar-se de tal altruísmo, de tamanha abnegação cidadã?
Deveremos sentir uma grande honra em poder contribuir - modestamente, é certo - para os lucros e rendimentos de gente como Ricardo Salgado, e de todos os gestores e accionistas do BANIF, do BPN, do BPP, etc., etc. Eu sinto. E você?
----------
... Quanto ao BANIF, claro que não é esmola ou caridade - esmola ou caridade é dar 20 cêntimos e esperar que o pobre não gaste tudo em vinho.
1100 milhões é ROUBO puro aos contribuintes.

O dinheiro vem da troika mas somos nós que vamos pagar os juros do empréstimo.
E portanto seremos nós que vamos ajudar a pagar os futuros dividendos que irão ser distribuídos pelos accionistas.
Eu gostaria que, já que o Governo se afirma liberal, deixasse os mercados funcionarem.
Se um banco não é viável, não deve ser injectado dinheiro público.
Deixe-se falir, assegurando apenas os depósitos dos clientes.

Mas nestas coisas já sei que sou mais liberal do que a direita dos interesses que nos governa


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres