De CGD, 'Bangsters', Privataria, burlões... a 26 de Maio de 2015 às 10:00
Honestidade e boa-fé

Há umas semanas um colega meu, o Miguel , recebeu um telefonema da Caixa Geral de Depósitos. Comunicaram-lhe que tinham uma boa notícia para lhe dar.
Iam baixar-lhe a prestação do seu crédito à habitação em 118€. Nem mais nem menos, 118€.
Dado que a prestação é de pouco mais de 500€ por mês, estamos a falar de uma redução de mais de 20% no valor mensal.
O meu colega agradeceu a boa-vontade, mas perguntou quais seriam as contrapartidas.
Responderam-lhe que aumentariam a maturidade do empréstimo em 15 anos.
E voltaram a insistir e perguntar se estaria interessado nesta mudança.

O meu colega, admirado com o facto de o banco se disponibilizar, sem mais,
a alargar o prazo do empréstimo, dirigiu-se pessoalmente a uma agência da Caixa e perguntou se não haveria mais contrapartidas,
ou seja, se tudo o resto ficaria igual.
Mais concretamente, perguntou o que aconteceria ao ‘spread’ do seu empréstimo neste novo contrato.
A resposta foi a de que o ‘spread’ seria de 2 pontos percentuais.

Sem acreditar na proposta que lhe estavam a fazer, perguntou se sabiam qual era o seu ‘spread’ actual ao que lhe responderam que sim, que sabiam. Era de 0,3 pontos percentuais.

Eu, estupefacto, me confesso. A Caixa Geral de Depósitos, um banco público que tem como única
utilidade impor alguma decência ao mercado bancário,
anda a propor aos seus clientes que aumentem sete vezes o valor dos seus ‘spreads’.
E propõe isto disfarçado de uma descida da prestação.

Isto é tudo tão inacreditável que o meu colega perguntou à funcionária da Caixa Azul se andavam mesmo a propor estas alterações de empréstimos aos seus clientes.
A funcionária pegou numa circular interna e leu-a ao meu amigo, confirmando que tinha indicações para fazer propostas nesse sentindo, aumentando os spreads para 2 pontos percentuais.
Apesar dessa directriz a senhora disse-lhe claramente que a proposta não era financeiramente interessante.
Ou seja, no contacto directo com a sua agência a informação foi correcta e ética, o que também não admira, dado que era bastante óbvio que não seria fácil de enganar um professor de economia.

O problema vem do contacto telefónico.
Dado que as alterações de contrato passarão sempre pela agência de cada um, o resultado final dependerá
da literacia financeira do cliente e do peso de consciência do funcionário que tratar de cada caso em concreto.

É este o sinal que a Caixa Geral de Depósitos ― banco público, lembre-se ― dá ao mercado e aos restantes bancos:
APROVEITAI-vos da iliteracia dos vossos clientes para reformular os vossos contratos de forma ruinosa para os clientes.
Perante isto, é legítimo ficarmos INDIGNADOS com a forma como alguma banca privada impingiu produtos TÓXICOS aos seus clientes?

Hoje sabe-se que o BES impingiu aos seus clientes papel comercial dizendo-lhes que era tão seguro como um depósito a prazo.
Pedro Sousa Carvalho, no Público de 3 de Abril, denunciou um caso de um senhor de 72 anos, analfabeto, que se dirigiu a um banco para fazer um depósito a prazo e que saiu do banco com um produto financeiro complexo, cuja rentabilidade dependia da evolução a Euribor e de um fundo de investimento em acções.

Ao contrário das burlas descritas no parágrafo anterior, a proposta da Caixa Geral de Depósitos tem a vantagem de não ter qualquer tipo de incerteza relativamente ao resultado final.
Ao contrário do papel comercial do BES e do produto financeiro que flutuava ao sabor do mercado, o novo contrato proposto pela Caixa tem um efeito certo.
É certo que o cliente fica altamente prejudicado.

(-por Luís Aguiar-Conraria
-----Lapa, 25 de maio de 2015

É o problema da * pirvataria" (Privatização e Pirataria )
Já não há respeito.

----Rui,25/5/2015
O problema da caixa é este
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/cgd_perde_89_milhoes_no_trimestre_sem_negocio_dos_seguros.html

Com a venda/PRIVATIZAÇÃO dos SEGUROS o grupo caixa começou a dar prejuízo.
Uma questão interessante aqui é se fará sentido os contribuintes suportarem a despesa dos spreads anormalmente baixos que foram concedidos durante o período da bolha do crédito?
adicionalm...
----
vergonhosa a continuação da publicidade ENGANOSA aos clientes por parte das instituições bancárias e a falta de supervisão BdP


De Fim a remun. e pensões DOURADAS. a 26 de Maio de 2015 às 11:25
Estranha opção

(-por Vital Moreira , 26/5/2015 , http://causa-nossa.blogspot.pt/ )

E por que é que a Ministra das Finanças, em vez de insistir no "corte das pensões em pagamento"
-- que, por mais defensável que pudesse ser financeiramente, já foi considerado constitucionalmente inviável pelo Tribunal Constitucional, a não ser no contexto de uma (impossível) reforma geral dos sistema de pensões, que não está na agenda política --,
não propõe uma reforma bem mais justificada e fácil (e porventura mais consensual), como é a
eliminação das pensões douradas do Banco de Portugal e da CGD, dos juízes e diplomatas?

Além da poupança na segurança social, uma tal reforma eliminaria um gritante privilégio corporativo,
que escandalosamente passou incólume o programa de austeridade.
E em vez de suscitar problemas de constitucionalidade, eliminaria uma óbvia inconstitucionalidade.


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