Explorar -vs- Bem estar no trabalho (prevenção e sindicalismo)

    SAÚDE  NO  TRABALHO  E  AÇÃO  SINDICAL !

Existem hoje alguns estudos que demonstram que nas empresas onde há atividade sindical consistente também existem melhores condições de trabalho, nomeadamente melhores condições de segurança e saúde no trabalho.  São boas notícias particularmente numa altura de crescentes ataques aos sindicatos vindas em particular dos arautos do neoliberalismo que, em nome da competitividade, pretendem um modelo de relações individualizadas, estilhaçando a contratação coletiva, como forma de melhor rentabilizar (explorar) o que eles chamam «força de trabalho».

...

    OITO QUESTÕES  SOBRE  UMA  PESADA  DOENÇA !

As lesões músculo–esqueléticas (LME) são hoje uma doença profissional que abrange quase cinquenta por cento dos trabalhadores da União Europeia. Elas são fruto de uma maneira de trabalhar em que a "produtividade" está á frente da saúde !
Publicamos oito perguntas e respetivas respostas para facilitar a tomada de consciência dos riscos. Em Portugal a maioria dos médicos não fazem uma relação destas doenças com a profissão. Assim, teremos que estar muito atentos e exigir, sendo o caso, uma participação de doença profissional. A legislação europeia e nacional, nesta matéria, é muito pouco protetora e preventiva dos trabalhadores. Para além do sofrimento intenso, os sistemas de segurança social e de saúde europeus perdem milhões de euros cada ano em reparações e reformas por invalidez!
...
    PATRÕES  EUROPEUS  NÃO QUEREM  DIRETIVA !
Em carta dirigida a Antonio Tajani, Vice -Presidente da Comissão Europeia, responsável pela industria e a Lásló Andor, o comissário para os assuntos sociais, nove associações patronais europeias opõem-se á adoção de legislação europeia sobre lesões musculo-esqueléticas ligadas ao trabalho.
    Esta iniciativa legislativa «não é necessária nem desejável» consideram as organizações de empregadores a BusinessEurope. Em publicação recente o patronato europeu canta a cantiga já conhecida- a diretiva imporia uma carga administrativa e financeira insuportável para as empresas e em particular para as pequenas e micro empresas.
     Os patrões europeus estimam que uma legislação sobre esta matéria custaria ás empresas mais de três mil milhões de euros em que 90% seriam suportadas pelas pelas PME,s. Mas os estudos encomendados pelas organizações patronais não mencionam o fato largamente reconhecido de que o custo humano e económico das lesões músculo-esqueléticas (dos acidentes e incapacidades) é muito superior aos custos estimados de uma melhor prevenção. Já a Comissão Europeia reconhece que estas lesões são a principal causa de absentismo e incapacidade para o trabalho na Europa! No ano 2000 o Parlamento Europeu pediu á Comissão um projeto de Diretiva sobre este problema. Mas a questão tem marcado passo e nem anda nem desanda !!


Publicado por Xa2 às 08:03 de 05.01.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De .Lei da selva e desprezo de vendidos. a 7 de Janeiro de 2013 às 10:18
Até os seus aliados o governo despreza
(-por Daniel Oliveira, 7/1/2013, Arrastão e Expresso online)

Não há praticamente nada que João Proença não aceite. Não há acordo, por pior que seja, que não esteja disponível para assinar. O secretário-geral da UGT transformou-se num dos poucos aliados deste governo.
Mas nem ele é respeitado por Passos Coelho e Vítor Gaspar. Depois de ter acordado que não haveria mais alterações nas indeminizações por despedimento até entrar em vigor o novo fundo pago pelos trabalhadores, o governo decidiu, às escondidas, reduzir as indeminizações para 12 dias por ano.
Tal proposta nunca foi apresentada em concertação social. Até os patrões, que concordam com a medida, confirmam a traição.

Não é defeito, é feitio. Passos Coelho e Vítor Gaspar, incapazes de compreender os mecanismos democráticos pelos quais nos regemos, dinamitam todas as possibilidades negociais para qualquer medida sua.
Estes fanático à solta conseguiram, finalmente, deixar o governo irremediavelmente isolado: nem Cavaco, nem CDS, nem grande parte do PSD, nem UGT.

Pode dar-se o caso de estarmos, mais uma vez, a assistir à estratégia de avançar com a pior proposta para recuar depois,
tornando aceitável o que à partida nem deveria merecer negociação.
Mesmo que volte a resultar, ela vai minando a pouca credibilidade que reste a este governo.

As indeminizações por despedimento são a única forma que um trabalhador de 40 ou 50 anos com muitos anos numa única empresa tem para reconstruir a sua vida.
Para tentar começar um negócio ou apenas sobreviver entre o fim do subsídio de desemprego e a reforma.
São o que permite que o despedimento seja uma tragédia um pouco mais suportável e que evita o caos social.
Uma redução tão drástica nos seus montantes terá efeitos brutais no futuro.

Mas esta medida é coerente com a estratégia do governo e da troika para o País:
embaratecer o despedimento é enfraquecer o poder negocial do trabalhador,
enfraquecer o poder negocial do trabalhador é criar as condições para reduzir o salário,
reduzir o salário é a estratégia que este governo tem tornar Portugal competitivo.
Uma estratégia sem qualquer futuro.

Há, em países de média dimensão, duas estratégias possíveis perante o despedimento.
Uma, usada nos países que adoptaram a "flexisegurança":
facilidade de despedimento, barato e rápido, com prestações sociais fortes e apoio público ao emprego.
Há flexibilidade, mas a segurança está garantida. Há mobilidade no emprego mas há apoio aos desempregados e empenhamento do Estado na criação de emprego.
A outra, mais tradicional:
subsídios de desemprego moderados, pouco investimento público na reconversão dos trabalhadores e leis laborais que protegem o emprego criado.
A primeira, que já foi vendida por aqui, só é possível em países com muitos recursos.
É cara para o Estado.
A segunda, é a que pode ser aplicada nos países com menos recursos.

O que o governo quer é o pior dos dois mundos: despedimento fácil e barato e redução de apoios públicos aos desempregados.
É o que se pratica nos países subdesenvolvidos.
Aqueles que são competitivos no trabalho desqualificado.
Compreende-se, assim, que o governo despreze os parceiros sociais.
Em países realmente pobres a concertação social é irrelevante.
Funciona apenas a lei do mais forte.


De Conf.Eu.Sindic.- precia UNIR e Lutar. a 29 de Janeiro de 2013 às 11:36
CES COMEMORA 40 ANOS!

No próximo dia 7 de fevereiro a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) vai comemorar o seu 40º aniversário.
Para os sindicalistas europeus e para os trabalhadores em geral é um momento de regozijo e de forte apreensão !
Regozijo e festa porque a CES, apesar das suas limitações, foi e é um acontecimento positivo para os trabalhadores da Europa !
O movimento sindical europeu é um dos construtores da Europa Social, hoje posta definitivamente em causa !
Demasiado colada aos órgãos da União Europeia a CES acomodou-se demasiado e sente que neste momento o terreno lhe está a fugir debaixo dos pés !

A Comissão Europeia, de órgão progressista no domínio social e quase um parceiro da CES, passou a instrumento do Conselho Europeu (de ministros e chefes de estado), dos setores mais ultra-liberais da União e dos interesses alemães.
Perante os programas de ajustamento liderados pela Troika, onde está a Comissão, a CES acordou tarde e não foi capaz de se opor ás políticas alemãs para os países da periferia !

Daí que neste 40 aniversário seja necessário pensar numa CES que seja efetivamente uma central sindical europeia,
que dinamize e coordene as lutas dos trabalhadores europeus e não fique tão limitada aos nacionalismos,
desmascarando inclusive as políticas de dumping social que alguns países estão a fazer com a conivência dos seus sindicatos.
Sindicatos que têm assento nas CES e que para atraírem investimento para o seu país vendem a alma ao diabo, ou seja aceitam salários baixos e desregulação.
Sindicatos que quando ouvem falar numa greve fogem como o diabo da cruz!

Esses países, a maioria do Leste, fazem hoje uma concorrência terrível a Portugal !
Se não tivermos efetiva harmonização fiscal e de condições de trabalho na União vai aumentar o trabalho clandestino, o dumping social, os baixos salários !
Se não avançarmos para um sistema de contratação europeu e para a possibilidade de greves gerais abrangentes do espaço comunitário sob a coordenação de uma nova CES
os trabalhadores europeus irão empobrecer cada vez mais para competirem com Singapura, Brasil China e India !


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