De .Finança Kafkiana ordo/neoliberal crimin a 8 de Janeiro de 2013 às 09:35

A Máquina
(-por Alexandre Abreu, 7/1/2013, Ladrões de Bicicletas)

A trama de “Na colónia penal”, de F. Kafka, gira em torno de uma máquina, operada com zelo burocrático, que executa os condenados de um modo especialmente sádico: inscrevendo-lhes no corpo, ao longo de doze horas, o mandamento que infringiram.
O último executado é o próprio executor-chefe: imola-se voluntariamente, por amor à máquina, quando confrontado com a crescente contestação face à desumanidade do método.

É uma metáfora apropriada para aquilo que, a nível europeu, as elites alemãs criaram a partir de três elementos principais:
um BCE à imagem do Bundesbank e por este controlado;
a consagração nos tratados europeus dos princípios do ordoliberalismo (a variante alemã, precoce e mais corporativista, do neoliberalismo);
e a compressão salarial levada a cabo na última década na própria Alemanha.

O resultado: uma máquina neo-mercantilista, geradora de enormes excedentes comerciais na Alemanha a par de défices comerciais e endividamento na periferia europeia, que condena esta última ao declínio inexorável.

Na Alemanha, o pensamento ordoliberal não está confinado à CDU de Merkel. É uma componente tão central do modelo económico alemão no pós-guerra que a sua hegemonia abarca igualmente o FDP, o SPD e até os Verdes.
Obviamente, não é um modelo generalizável (os excedentes de uns são sempre défices de outros), mas isso não impede este pensamento de dominar a política alemã de tal forma que as eleições de 2013 serão, face aos tempos da crise europeia, totalmente irrelevantes.

Indiferentes à contestação crescente, as elites alemãs e europeias continuarão a operar zelosamente a máquina mesmo quando ela se virar contra os executores - neste caso, através da recessão na própria Alemanha induzida pelo colapso das periferias.
A máquina kafkiana é imparável uma vez iniciada e só se detém quando, no final do conto, todo o aparelho se desmorona com estrondo.
Assim será com o Euro, independentemente das eleições alemãs e do indizível sofrimento inútil entretanto originado.

-------- Diogo disse...
Caro Alexandre,

Eu fui um dos que gravou a sua intervenção na SIC Notícias, no Opinião Pública, e que o colocou no Youtube.
Considerei-a uma excelente intervenção e colocou o dedo na ferida ao dizer que
os membros do Governo que regulam as nossas finanças nada têm de ingénuos e que, portanto, são uns vigaristas.

Mas não pense que são (só) as elites alemãs que controlam a finança europeia. Como já dizia Henry Ford, nos anos vinte:

Existe no mundo de hoje, ao que tudo indica, uma força financeira centralizada operada por meia dúzia de homens que está a levar a cabo um jogo gigantesco e secretamente organizado, tendo o mundo como tabuleiro e o controlo universal como aposta.

Hoje ninguém acredita que a finança seja nacional nem ninguém acredita que a finança internacional esteja em competição. Existe tanta concordância nas políticas das principais instituições bancárias de cada país como existe nas várias secções de uma empresa – e pela mesma razão, são operadas pelas mesmos poderes e com os mesmos objetivos.

---- Anónimo disse...
Veremos se nao descamba em guerras .


De .Relatório FIM do Estado social. a 10 de Janeiro de 2013 às 08:51
O relatório do FMI

O relatório do FMI que deu lugar a uma conferência de imprensa de Carlos Moedas, um homem de peso deste governo e com algumas ligações internacionais (não nos podemos esquecer que esteve no Goldman Sachs), e sobre qual teceu largos elogios, não aparece por acaso mas a pedido do governo e aparece para em grande parte ser implementado.

O Governo pensa que pode impor medidas quando são sugeridas ou "fabricadas" por organismos internacionais.

O governo já disse que o documento é só de apoio. Mota Soares já disse também que há premissas erradas.

Mas não nos deixemos iludir. Este governo sabe o que quer fazer a este país. Quer um Estado mínimo mesmo quando nacionaliza o BANIF. Não é um contrasenso. É que o Estado mínimo é para servir o capital e sobretudo o grande capital. PME e mesmo algumas grandes não interessam a este governo ou outro parecido. Assim se o capital estiver em dificuldade este governo intervém para o fazer sair da situação crítica. É o caso do BANIF.

Este relatório é um atentado ao povo português. Ou nos unimos para por este governo no sítio certo que é apeá-lo ou então estamos a caminhar para esse Estado mínimo que cada vez mais estár ao serviço do grande capital.

(# posted by Joao Abel de Freitas , PuxaPalavra, 9/1/2013)


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