UM DOCUMENTO DE GUERRA !
O documento 'do' FMI, agora manhosamente divulgado, tem como grande objetivo assustar o povo português para que este admita sem resistência o empobrecimento de forma mais rápida!
É um documento de guerra ao país elaborado por pessoas pretensamente técnicas mas que defendem na verdade os interesses do dinheiro, dos chamados «investidores», alguns dos quais são naturalmente portugueses que gerem grandes fortunas.
Portanto, o documento é antes de tudo um instrumento politico que, a ser aplicado sem novas eleições, significaria um golpe de estado!
Sendo um golpe de estado contra a democracia e a constituição legitimaria moral e politicamente a rebelião popular!
Este documento miserável, como documento político que é, visa assustar e preparar o terreno para as próximas medidas de austeridade que a coligação do poder quer implementar nos próximos meses.
O medo já existe em milhares de funcionários públicos e em particular nas escolas tanto nos professores como nos outros trabalhadores!
Este documento miserável, como documento político e ideológico da direita ultraliberal, sem representatividade no país, visa dividir e assustar os trabalhadores e pensionistas para lhes tirar a vontade lutar.
A única resposta terá que ser mesmo a de não nos deixarmos amachucar nem dividir e preparar as necessárias ações de resistência e luta através das organizações de trabalhadores, cívicas e políticas existentes e outras que entretanto venham a nascer!
A esquerda social e política, bem como as pessoas e organizações que defendem os valores sociais e éticos na direita democrática e na democracia cristã não podem permitir este atentado á Democracia, á maioria do Povo Português e á Constituição!
(-por A.Brandão Guedes 11/1/2013)
INSPEÇÃO DO TRABALHO E TRABALHO DIGNO !
A inspeção do trabalho é considerada pela OIT e pelos estados democráticos como um instrumento fundamental da promoção do trabalho digno!
Todavia, a crise que assola o mundo neste momento e, em particular a Europa, tem como consequência a degradação das condições de trabalho e a desvalorização salarial!
Uma degradação que é querida e controlada na Europa pelos planos de ajustamento implementados pelo FMI,BCE e EU, a famosa «troica».
Sendo decidio pagar os juros enormes e agiotas das dívidas aos credores são os trabalhadores os principais sacrificados.
Neste quadro é óbvia também a desvalorização das políticas do trabalho consideradas meros apêndices das políticas económicas liberais.
Apêndices que não devem «sobrecarregar» as empresas ,ou seja ,não podem diminuir os lucros e os dividendos dos acionistas.
Neste mesmo quadro é também óbvia a desvalorização de todos os mecanismos de controlo e de inspeção do trabalho.
Para os ultra liberais, no limite, nem deveria existir inspeção do trabalho.
A utopia seria a chamada «autorregulação», ou seja, as empresas, através treta da responsabilidade social e pelos «milagres» do mercado, autorregular-se-iam a si próprias, definiriam códigos de ética e de conduta, enfim, fariam o que muito bem entenderiam….
O que tem vindo a acontecer com a ACT, inspeção do trabalho em Portugal continental, enquadra-se perfeitamente nesta tendência de desvalorização do trabalho e das inspeções do trabalho.
A nova lei orgânica desta Autoridade foi publicada apenas em julho de 2012 e, até hoje, ainda não foi publicada a portaria de regularização dos serviços.
Assim, reina uma indefinição e instabilidade completa na instituição agravada pela possível mudança da Direção e, no caso, do Inspetor Geral do Trabalho.
Entretanto, a instituição que, para além da atividade inspetiva, tem responsabilidades no domínio da prevenção dos riscos profissionais, tem um orçamento altamente reduzido que vai afetar a atividade da organização.
Mas o mais grave é que a instituição não tem diretivas da tutela e não passa de um organismo menorizado no âmbito do Ministério da Economia e do Emprego.
Assim, num momento em que as relações de trabalho se degradam, nomeadamente ao nível das condições de segurança e saúde e outros direitos sociais,
a inspeção do trabalho não tem força e aparece como uma instituição sem estratégias para enfrentar a situação de crise no mundo do trabalho.
Grave? Muito grave!
OS MENSAGEIROS NEGROS DO FMI
Um dos expoentes históricos do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje, no seu programa de domingo na TVI, que o documento do FMI, recentemente divulgado, não era técnico, mas POLÍTICO.
Disse assim claramente que estávamos perante um tomada de posição política. Reconheceu uma verdade evidente, mas reconheceu. Uma verdade que, pelo fato de ser evidente, não deixa de ser perturbadora.
Realmente, vimos assim ser publicamente reconhecido, por alguém insuspeito de esquerdismo, que um organismo internacional, ao qual aliás pertencem países com governos de cores políticas diversas, permite que um corpo de funcionários seus (nessa qualidade), SEM qualquer lLEGITIMIDADE para isso, se INTROMETA na vida política interna de um país.
Intromissão praticada através de uma tomada de posição que reflecte e exprime uma opção política concreta e específica, completamente carecida de qualquer homologação ou validação democrática, ou de qualquer aceitação universal.
Para além do escândalo, no plano da ética política, que isso representa, esse pequeno GANG de engravatados, envolveu o seu documento de PROPAGANDA com a falsa imagem de que ele era o resultado de uma imparcialidade técnica que, por sua vez, reflectia uma ciência pura.
Isto, para não falar da duvidosa deontologia desse pequeno gang se ter aproveitado da situação concreta de assistência financeira em que o país se encontra e do modo como a casa mãe desses políticos de facto se situa nessa circunstância, para dar mais força a esse EMBUSTE.
Tudo isto é moralmente REPUGNANTE, no plano do respeito pelos valores democráticos e no plano da soberania do povo português, nada tendo a ver com CEDÊNCIAS de SOBERANIA livremente consentidos pelo Estado português, em nome da sua inserção em sujeitos políticos supranacionais, seja qual for a opinião que se tenha sobre essas cedências e o seu conteúdo.
Mas, neste caso, o desrespeito desta intromissão pela nossa soberania política é gratuito, total e grosseiro.
No entanto, o cúmulo da degradação política está no facto de, ainda por cima, ter sido um governo de um estado democrático que INCITOU o pequeno GANG de funcionários internacionais a perpetrarem este desmando.
Funcionários aliás confortados pela certeza de que, por pior que seja o resultado da aplicação do seus conselhos, nenhum eleitorado os julgará por isso e nenhum poder judicial os condenará.
Um governo que abriu a porta a esta intromissão na mira de que ela lhe servisse para os seus próprios desígnios.
É a política abaixo de zero!
Na verdade, pode ser legítimo que um governo, no respeito pela respectiva Constituição e pela legalidade democrática, faça propostas e tome medidas políticas que não agradem a todos, sujeitando-se a posterior avaliação dos eleitores.
Mas não é legítimo o comportamento assumido.
Tal como é pura MISTIFICAÇÃO intelectual, desprovida de qualquer ética, procurar disfarçar de conclusões científicas as escolhas políticas e ideológicas.
É, todavia, ainda mais repugnante procurar blindar esta mistificação, abrindo a porta aos MASTINS tecnocráticos do NEOLIBERALISMO, para, com a ajuda das suas gastas receitas, dar força a essas medidas, com as quais se vai MASSACRAR socialmente o povo português.
E que este governo se envolva em mais uma triste embrulhada, quase se pode dizer que é trivial.
Mas que no seio das oposições haja quem pense que se pode ser MANSO perante tais comportamentos do governo da direita e conquistar a confiança do povo português,
é cada vez mais uma inocência que pode muito bem confundir-se com tacanhez política.
(-por Rui Namorado,13/1/2013 )
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