Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013

Um povo cobarde gera Políticos sem vergonha.

Recentemente, a ACT-Autoridade para as Condições de Trabalho, concluiu que, só em 2011, os chamados contratos dissimulados atingiam um aumento de 162%.

Como todos sabemos a situação agravou-se, desavergonhadamente, durante o ano de 2012 e o referido número peca por defeito. São raros os contratos assinados com seriedade e respeito por quem trabalha. A malfadada crise não é geral, a concentração de riqueza nunca atingiu as proporções que atualmente se regista. O chamado (Leque salarial Este conceito serve essencialment... - Economia) que já se não ouve falar, nem pelos sindicatos (estranhamente) e nunca foi tão desigual.

Outro dado do problema, que para além de nos envergonhar deveria tirar-nos qualquer hipótese de descanso ou de noites bem dormidas, é o facto de existirem contratos, ditos legais (como quem aceita a falta de ética e moralidade como legal), em que a remuneração pouco mais atinge que 300,00€.

Os políticos e o governo dão cobertura a tudo isto, pois se mesmo o IEFP-Instituto do Emprego e Formação Profissional não se coíbe de publicar no seu `site` anúncios de emprego com remunerações vergonhosas e ilegais.

A chamada economia marginal, também designada paralela ou informal, com ou sem recibos verdes, nos quais não se determina qualquer valor mínimo remuneratório de referência, tornaram-se “a fome nossa de cada dia”. Situações provocadas pelo elevado número de desempregados cuja consequência é a existência de muitos lares e grande número de famílias já nem uma côdea de pão chegar a vislumbrar.

É esta a sociedade, dita, civilizada e solidaria que, como “o melhor povo do mundo” aceitamos ter!

Associada, com esta miserável pobreza de relações laborais, onde vingam empresários/patões sem vergonha nem escrúpulos, está uma grande fuga aos impostos.

Por um lado os patrões, escondidos atrás da economia subterrânea, desenvolvem (fiscalmente falando) a sua atividade clandestinamente. Por outro lado os trabalhadores, que não recebendo, ficam impedidos de contribuir para o Estado e para a Segurança Social, tornando-se uns e outros párias da sociedade.

Assim, para todos os que, por ética cidadã ou transparência vinculativa de trabalho, não queiram ou não possam esconder-se, o legislador é implacável, o fisco é carrasco e o contribuinte pagador torna-se escravo do Estado.

Colectivamente, por uma razão ou por outra, somos um povo cobarde que geramos políticos sem vergonha.



Publicado por DC às 19:01 | link do post | comentar

4 comentários:
De O Governo é o primeiro culpado a 31 de Janeiro de 2013 às 19:17
A conivência do governo começa desde logo na legislação, na promiscuidade das assessorias , no conflito de interesses e na não dotar a ACT com meios técnicos e humanos suficientes para as devidas fiscalizações.
O governo/Estado como empregador é o primeiro a não cumprir a fraca legislação em vigor e por isso a dar o exemplo de prevaricador aos outros empregadores.


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2013 às 15:46
Até podia concordar com o seu comentário se ele tivesse sido escrito, não no singular, mas no plural.
Porque não é o Governo que é culpado..., são os ultimos Governos ou será que quer «lavar» o anterior governo por omissão?


De A correctiva correcção a 1 de Fevereiro de 2013 às 17:56
O seu a seu dono.
Tem toda a razão, onde digo governo devia dizer governos. Fica fita e devida correcção correctiva do erro. Nem sempre as correcções conseguem ser correctivas, não é verdade.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 1 de Fevereiro de 2013 às 17:02
Grande post!


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