4 comentários:
De . Arejar o Partido e a Política ... a 4 de Fevereiro de 2013 às 17:20
ABRAM AS JANELAS !

Há a subtil esgrima de silêncios, de palavras frias como punhais de veludo, os sorrisos em esgar já um pouco cansados.
Os dirigentes transformados em barões de uma nobreza evanescente.

Os incautos pensam: é a política, é a desenvoltura dos grandes, é o perfume único dos predestinados.
Não é.
É sim o percurso circular de quem ignora horizontes, de quem se fecha no rotineiro como num aconchego, de quem troveja por quase nada e se assusta com os relâmpagos mais fortes, por não saber responder-lhes.

São frases trituradas pela banalidade mais plana. Ideias pobres que mendigam a esperança.
Propostas pequenas que se põem em bicos de pés.

É a política, pensam os simples.
Não é.
É o suor frio de quem vê o quotidiano escapar-lhe por entre os dedos sem saber como influenciá-lo.
Ansioso por aprender a fazê-lo, temendo não vir a consegui-lo.

A política não é este quarto fechado com paredes previsíveis,
não é este sucedâneo dos “bórgias” em corredores sem saída, esta teia de oráculos que prevêem o passado.

Abram as janelas.
Deixem entrar a simplicidade trágica da vida.
Façam com que o socialismo possa ser realmente a juventude do mundo.

(-Postado por Rui Namorado, 1/2/2013, OGrandeZoo)
------------

Uma lufada de ar quente neste frio gélido de sucessivas desilusões.
A palavra tem poder, este texto alimenta ainda a esperança. (- A. Aroso)

-----------
É, aí está uma boa refleção...
...
Os homens que tomaram as rédeas do PS e mais os outros que não querem ou temem tomar essas rédeas.
...
...Isto não serve o mais simples republicano...
Isto é servirem-se da Democracia!

Mais palavras para quê...
...de "O Catraio", sempre republicano na defesa do Socialismo.


De .do Rato e dos homens ...inseguros. a 4 de Fevereiro de 2013 às 17:43
do rato e dos homens
(- por Fernanda Cancio,.DN, 02.02.13 )

Não fossem os portugueses ainda com emprego ficar mesmerizados com os recibos do ordenado de janeiro, o PS encenou, esta terça-feira, um grandioso espetáculo no Rato.
Coisa shakespeariana:
um rei fraco rodeado de lugares-tenentes aos gritos de deslealdade e conspiração ante o anúncio de uma pretensão ao trono,
uma reunião à porta fechada e um final em que o monarca, depois de chamar e deixar chamar tudo a quem possa pô-lo em causa, abraça o concorrente que não chega a sê-lo e assume o compromisso de com ele trabalhar em prol da união do reino.

Em Shakespeare, como em geral, o pano nunca cai depois de uma cena destas.
É só o princípio da intriga e de sangrentas congeminações que inevitavelmente nos revelam a natureza das personagens e da sua relação com o poder.
E que sabemos nós das personagens?
Comecemos pelo rei. Há um ano e meio no trono, não só tarda em mostrar o seu projeto e valor no campo de batalha como se rodeia de uma corte apagada e sem chama que, na noite de terça, mostrou também (com raras exceções, como a de Zorrinho) ser vil.
É um monarca que não hesita em recorrer ao insulto, à ameaça e a insinuações de conspiração
- chama desleais aos que com ele não concordam e que o consideram inadequado,
fala ou deixa que por ele falem de "limpar o partido e o grupo parlamentar" (atribuído pela SIC, na noite de terça, à direção socialista),
acusa quem o defronta de "querer regressar ao passado", dando alento aos boatos que dizem ser o rei anterior a comandar, do exílio, a sublevação.
Para, numa entrevista na noite seguinte, fazer de magnânimo e amnésico, cumulando de elogios o adversário da noite transata.

Quanto a este, alcaide valoroso e respeitado, com legítimas aspirações ao trono, renunciou a bater-se por ele quando ficou livre.
Desde a coroação, porém, não perde uma ocasião de demonstrar o seu desagrado e até desprezo pelo ora rei.
Era, pois, previsível que aglutinasse a esperança dos que consideram estar o reino mal dirigido e veem nele a esperança da vitória contra o inimigo e a salvação do povo.
Como explicar, pois, que na famosa noite, quando todos esperavam que se perfilasse como candidato ao trono
- o que só pode decorrer do facto de o ter confirmado aos próximos - se tenha ficado?
Faltou-lhe a coragem, as ganas?
Percebeu que não estava garantida a vitória e só quer arriscar não arriscando?
Habituou-se ao conforto de criticar, na sua cátedra da SIC, sem correr o risco de provar que sabe e quer fazer melhor?
Sentiu-se traído, na hora H, por aqueles de quem esperava apoio?
Ou, como alguns aventam, recuou para tomar balanço, fazendo do recuo (o acordo da união) repto?
Seja qual for a resposta certa (senão todas), sabemos, como sabem os protagonistas, isto:
que na noite de terça algo se partiu no PS, e não há pantomina de união que o disfarce.
O trono pode ter sido segurado, mas o reino está longe de seguro.


Comentar post