De .Auditar, Renegociar a Dívida e ... a 25 de Fevereiro de 2013 às 13:29
É a procura, estúpido!

(Da imprescindibilidade de renegociar a dívida)
• João Galamba, «Refundar tudo»:

‘Os dados do último trimestre de 2012 e a calamitosa execução orçamental de Janeiro de 2013 levaram a estratégia de Vítor Gaspar à bancarrota.

Parafraseando o seu primeiro discurso na Assembleia da República, Gaspar foi de ‘sucesso' em ‘sucesso', até ao desastre final.

O sétimo exame regular não marca ‘o princípio do fim do Programa de Ajustamento Económico', como disse Vítor Gaspar na semana passada.
Tem de marcar o fim da actual estratégia económica e financeira do Governo.

Não precisamos de um mera ‘recalibração':
chegados aqui, só uma renegociação radical do memorando serve os interesses de Portugal.
Nós não precisamos de mais tempo para fazer o mesmo mais devagar.
Precisamos de mais tempo para fazer algo inteiramente diferente.

É urgente estancar a queda da procura interna, que tem sido a principal causa do aumento do desemprego, das falências e dos sucessivos buracos orçamentais.
Isto obriga a que não sejam tomada mais medidas recessivas, isto é, não pode haver nem mais aumento de impostos nem quaisquer cortes nos salários e nas prestações sociais.
E a ideia do corte dos quatro mil milhões, faseado ou não, é para esquecer.
Mas isto não chega. Para além de estabilização, Portugal precisa de crescimento económico.

Com as exportações em forte desaceleração, senão mesmo em queda, urge recuperar a procura interna.
O aumento do salário mínimo e do complemento solidário para idosos são, por isso, fundamentais para dinamizar o consumo, sem impacto significativo nas importações.
Mas isto continua a não chegar. Por muito que Gaspar e a Comissão Europeia insistam em desvalorizar a procura agregada, o investimento não recuperará por via da melhoria das condições de financiamento.
Nenhum empresário investe se não houver recuperação das suas encomendas. Para tal, é urgente retomar o investimento público, que arrastará o investimento privado.
O secretário de Estado das Obras Públicas já falou, e bem, de obras de recuperação de estradas, mas é preciso mais.
É preciso, por exemplo, um grande projecto de reabilitação urbana em todo o país, que ajudaria a combater o desemprego no sector da construção.

Tudo isto custa dinheiro, mas tudo isto é necessário.
Mesmo com o apoio do BCE, o crescimento e o emprego, por si só, não são suficientes para garantir a sustentabilidade da dívida pública.
Para que isso aconteça, Portugal terá de reestruturar a sua dívida pública e privada.
Só isso permite libertar recursos para pôr em prática um programa que liberte Portugal da espiral recessiva e da destruição de emprego que actualmente constituem a maior ameaça ao futuro do país.’
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e Falta Responsabilizar estes (e anteriores) desGovernantes. !!


De .'Mercados' a saquear Estado... a 25 de Fevereiro de 2013 às 13:35
O êxito do regresso aos mercados (2)

A entrevista de Gareth Isaac, da gestora de activos Schroders, ao Público é, de facto, elucidativa do enorme êxito do regresso aos mercados.

Mais uma passagem da entrevista (a que se fez alusão aqui):
- Em relação à emissão portuguesa, verificou-se uma mudança do tipo de investidores que participaram. Antes eram maioritariamente bancos e agora são hedge funds e gestores de activos. Porquê?

O primeiro factor é que o rating português está actualmente com o estatuto de "lixo". E isso é um problema porque os investidores institucionais estabelecem por vezes limites mínimos e tiveram de vender esses títulos e agora ainda não os podem comprar. Mas, com o programa de compra de obrigações do BCE, os gestores de activos vêem agora as obrigações portuguesas como um bom investimento, tendo em conta o que são as suas taxas de juro.
Embora no passado recente fossem vistas como um activo muito arriscado, agora parecem muito menos arriscados. E a verdade é que continuam a render quase 6% numa emissão a cinco anos. E se se acreditar que o BCE vai sempre apoiar o Estado português - e que o Governo vai fazer sempre aquilo que o BCE pede -, então este é um muito bom investimento. Principalmente, quando as taxas de juro na zona euro estão a 0,75%.

-Portanto, para si, como investidor, o que o atrai em Portugal é um risco relativamente baixo, com uma taxa de juro relativamente alta...

Actualmente, para investidores como eu, as obrigações de empresas estão com taxas de juro baixas e as obrigações de Estados como a Alemanha, o Reino Unido ou os Estados Unidos estão com taxas de juro abaixo de 2% nas emissões a 10 anos.
E, por isso, se se consegue encontrar um investimento em que se é adequadamente compensado pelo risco - e é o que eu acho que acontece no caso de Portugal, com taxas acima de 5,5% -, ficamos perante uma boa oportunidade.

-Também está a comprar dívida italiana e espanhola?

Não, de momento. Prefiro a dívida portuguesa, porque oferece taxas de juro mais altas. Acho que as taxas de juro até estão altas de mais.
Deviam estar ao nível das irlandesas, e eu penso que vão ficar quando conseguir o acesso total ao mercado e solicitar ao BCE a aplicação do programa de obrigações.
Não acho que o BCE vá chegar a comprar qualquer obrigação, mas o simples facto de esse programa ser activado vai fazer baixar as taxas de juro.


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